PRIMEIRO REIS

39

PRIMEIRO REIS

I. A Sucessão de Davi

1 Velhice de Davi e conspiração de Adonias1O rei Davi estava velho, com idade avançada; por mais que lhe pusessem cobertas, não conseguia se aquecer. 2Disseram-lhe então seus servos: “Procure-se para o senhor nosso rei uma jovem virgem que assista o rei e cuide dele: ela dormirá sobre o seu seio e o senhor nosso rei se aquecerá.” 3Procuraram, pois, em todo o território de Israel uma jovem bela e acharam Abisag de Sunam e a trouxeram ao rei. 4Essa jovem era extremamente bela; passou a cuidar do rei e a servi-lo, mas ele não a possuiu. 5Ora, Adonias, filho de Hagit, gabava-se dizendo: “Sou eu que vou reinar!” Arranjou para si carro e cavalos, além de cinqüenta guardas que corriam diante dele. 6Seu pai, enquanto viveu, não o repreendeu, dizendo: “Por que fazes isso?” Ele era também extraordinariamente belo e sua mãe o havia gerado depois de Absalão. 7Entrou em entendimentos com Joab, filho de Sárvia, e com o sacerdote Abiatar,6 que aderiram ao partido de Adonias; 8mas o sacerdote Sadoc, Banaías, filho de Joiada, o profeta Natã, Semei e Reí, bem como os valentes de Davi, não estavam do lado de Adonias. 9Quando, certa vez, Adonias imolou ovelhas, bois e bezerros cevados junto à Pedra-que-escorrega, situada perto da fonte do Pisoeiro, convidou todos os seus irmãos, os filhos do rei, e todos os homens de Judá que estavam a serviço do rei, 10mas não convidou o profeta Natã, nem Banaías, nem os valentes, nem seu irmão Salomão.

Intriga de Natã e de Betsabéia11Então Natã disse a Betsabéia, mãe de Salomão: “Não ficaste sabendo que Adonias, filho de Hagit, proclamou-se rei sem que Davi, nosso senhor, o soubesse? 12Pois olha: vou agora dar- te um conselho, para que salves a tua vida e a de teu filho Salomão. 13Vai ter com o rei Davi e dize-lhe: ‘Senhor, meu rei, porventura não juraste à tua serva: Salomão, teu filho, reinará depois de mim e é ele que se sentará no meu trono? Por que então Adonias se tornou rei?’ 14E enquanto ainda estiveres lá, falando com o rei, entrarei depois de ti e apoiarei as tuas palavras.” 15Betsabéia foi ter com o rei em seu aposento (ele estava muito velho e Abisag de Sunam o servia). 16Betsabéia se ajoelhou e se prostrou diante do rei, e o rei lhe perguntou: “Que desejas?” 17Ela respondeu-lhe: “Meu senhor, juraste à tua serva por Iahweh teu Deus: ‘Teu filho Salomão reinará depois de mim e é ele que se sentará no meu trono’. 18Ora, eis que agora Adonias se tornou rei e tu, senhor meu rei, não sabes disso. 19Ele imolou grande número de bois, bezerros cevados e ovelhas, e convidou todos os filhos do rei, como também o sacerdote Abiatar, e Joab, general do exército, mas não convidou o teu servo Salomão! 20Contudo é para ti, senhor meu rei, que todo o Israel dirige o seu olhar, para que lhe indiques quem se sentará sobre o trono do senhor meu rei depois dele. 21Senão, quando o senhor meu rei tiver adormecido com seus pais, eu e meu filho Salomão seremos tidos como culpados!” 22Ela ainda estava falando com o rei, quando chegou o profeta Natã. 23Anunciaram ao rei: “O profeta Natã está aí.” Ele veio perante o rei e se prostrou diante dele, com o rosto em terra. 24Disse Natã: “Senhor meu rei, acaso disseste: ‘Adonias reinará depois de mim e sentar-se-á no meu trono’? 25Pois ele desceu hoje para imolar inúmeros bois, bezerros cevados e ovelhas, tendo convidado todos os filhos do rei, os oficiais do exército e o sacerdote Abiatar; e eis que estão comendo e bebendo em sua presença, e clamando: ‘Viva o rei Adonias!’ 26Mas não convidou a mim, teu servo, nem o sacerdote Sadoc, nem Banaías, filho de Joiada, nem teu servo Salomão. 27Porventura foi por ordem do senhor meu rei que isto se fez, sem que tenhas indicado a teus servos quem sucederia no trono ao senhor meu rei?”

Salomão, designado por Davi, é sagrado rei28O rei Davi respondeu: “Chamai para mim Betsabéia.” Ela veio perante o rei e ficou de pé diante dele. 29Então o rei lhe fez este juramento: “Pela vida de Iahweh, que me livrou de todas as angústias, 30como te jurei por Iahweh, Deus de Israel, que teu filho Salomão haveria de reinar depois de mim e se sentaria em meu lugar no trono, assim o farei hoje mesmo.” 31Betsabéia se ajoelhou com o rosto em terra, prostrou-se diante do rei e disse: “Viva para sempre o rei Davi, meu senhor!” 32Depois o rei Davi ordenou: “Chamai para mim o sacerdote Sadoc, o profeta Natã e Banaías, filho de Joiada.” Eles vieram perante o rei, 33e este lhes disse: “Tomai convosco os servos do vosso rei, fazei montar na minha mula o meu filho Salomão e fazei-o descer até Gion. 34Lá o sacerdote Sadoc e o profeta Natã o ungirão rei de Israel e vós tocareis a trombeta e gritareis: ‘Viva o rei Salomão!’ 35Depois tornareis a subir atrás dele e ele virá sentar-se no meu trono e reinará em meu lugar, pois foi a ele que instituí chefe sobre Israel e sobre Judá.” 36Banaías, filho de Joiada, respondeu ao rei: “Amém! Que assim o ordene Iahweh, o Deus do senhor meu rei! 37Como Iahweh esteve com o senhor meu rei, que ele esteja com Salomão e que ele exalte o seu trono mais do que o trono do rei Davi, meu senhor!” 38Desceram, pois, o sacerdote Sadoc, o profeta Natã, Banaías, filho de Joiada, os cereteus e os feleteus. Fizeram Salomão montar na mula do rei Davi e o conduziram a Gion. 39O sacerdote Sadoc apanhou na Tenda o chifre de óleo e ungiu Salomão; soaram a trombeta e todo o povo gritou: “Viva o rei Salomão!” 40Depois, todo o povo subiu atrás dele, tocando flauta e exultando com tão grande júbilo, que a terra se fendia com seus clamores.

O medo de Adonias41 Adonias e todos os convidados que estavam com ele ouviram o barulho; eles tinham acabado a refeição. Joab também ouviu o toque da trombeta e perguntou: “Por que este barulho e alvoroço na cidade?” 42Estava ainda a falar quando chegou Jônatas, filho do sacerdote Abiatar, e Adonias disse: “Entra, pois és homem honesto e certamente trazes boas notícias.” 43Jônatas respondeu a Adonias: “De fato; o rei Davi, nosso senhor, acaba de proclamar Salomão rei! 44O rei mandou junto com ele o sacerdote Sadoc, o profeta Natã, Banaías, filho de Joiada, os cereteus e os feleteus, fizeram-no montar na mula do rei, 45e o sacerdote Sadoc e o profeta Natã o ungiram rei em Gion; voltaram de lá soltando gritos de alegria, e a cidade está alvoroçada; é esse o rumor que acabais de ouvir. 46Além disso, Salomão já está sentado no trono real, 47e os servos do rei já vieram felicitar o rei Davi, nosso senhor, dizendo: ‘Que teu Deus glorifique o nome de Salomão mais ainda que o teu e que ele engrandeça seu trono mais que o teu!’ e então o rei se prostrou sobre seu leito 48e assim falou: ‘Bendito seja Iahweh, Deus de Israel, que permitiu que meus olhos vissem hoje um de meus descendentes’ sentar-se sobre meu trono’.” 49Então todos os convidados de Adonias entraram em pânico, levantaram-se e cada qual partiu para um lado. 50Adonias, temendo Salomão, levantou-se e foi se agarrar aos chifres do altar. 51A notícia foi comunicada a Salomão, com estas palavras: “Eis que Adonias teve medo do rei Salomão e se agarrou aos chifres do altar, dizendo: Que o rei Salomão me jure hoje que não mandará matar seu servo à espada.” 52Salomão respondeu: “Se ele se portar como uma pessoa honesta, nem sequer um de seus cabelos cairá por terra; mas se for surpreendido em falta morrerá.” 53E o rei Salomão ordenou que o descessem do altar; ele veio e prostrou-se diante do rei Salomão, que lhe disse: “Vai para casa.”  2 Testamento e morte de Davi1Aproximando-se o fim de sua vida, Davi ordenou a seu filho Salomão: 2“Vou seguir o caminho de todos. Sê forte e porta-te varonilmente. 3Guardarás as ordens de Iahweh teu Deus, andando em seus caminhos, observando seus estatutos, seus mandamentos, suas normas e seus testemunhos conforme estão escritos na lei de Moisés, a fim de seres bem sucedido em tudo quanto empreenderes e em todos os teus projetos. 4Para que Iahweh cumpra a promessa que me fez, dizendo: ‘Se os teus filhos conservarem boa conduta, caminhando com lealdade diante de mim, de todo o seu coração e de toda a sua alma, jamais te faltará alguém no trono de Israel.’ 5Sabes também o que me fez Joab, filho de Sárvia o que ele fez aos dois chefes do exército de Israel, Abner, filho de Ner, e Amasa, filho de Jeter, aos quais matou, vingando em tempo de paz o sangue derramado na guerra e manchando de sangue inocente o cinturão dos meus rins e a sandália de meus pés;6agirás com acerto não deixando que seus cabelos brancos desçam em paz ao Xeol. 7Aos filhos de Berzelai, o galaadita, porém, tu os tratarás com bondade e eles estarão entre os que comem à tua mesa, pois tal foi o auxílio que me prestaram quando eu fugia diante de teu irmão Absalão. 8Tens contigo Semei, filho de Gera, o benjaminita de Baurim, que me amaldiçoou violentamente no dia em que parti para Maanaim; mas como ele desceu para me encontrar no Jordão, jurei-lhe por Iahweh que eu não o mataria pela espada. 9Tu, porém, não o deixarás impune; sensato como és, saberás como tratá-lo para fazer descer ao Xeol com sangue seus cabelos brancos.” 10E Davi adormeceu com seus pais e foi sepultado na Cidade de Davi. 11O reinado de Davi sobre Israel durou quarenta anos: em Hebron reinou sete anos, em Jerusalém, trinta e três.

Morte de Adonias12Salomão subiu ao trono de Davi seu pai e seu poder consolidou-se fortemente. 13Adonias, filho de Hagit, foi ter com Bet-sabéia, mãe de Salomão. Ela perguntou: “É pacífica a tua visita?” Ele respondeu: “Sim.” 14E disse: “Tenho algo a te dizer.” Ela respondeu: “Fala.” 15E ele: “Bem sabes que a realeza me pertencia e que todo o Israel esperava que eu me tornasse rei, mas a realeza me escapou e foi dada a meu irmão, porque Iahweh lha havia destinado. 16Agora, só tenho um pedido a fazer-te, não mo recuses.” Ela respondeu: “Fala.” 17E ele: “Dize, eu te peço, ao rei Salomão (pois ele nada te negará) que me dê Abisag de Sunam como esposa.” 18“Está bem”, respondeu Betsabéia, “eu falarei ao rei em teu favor.” 19Betsabéia foi, pois, à presença do rei Salomão para lhe falar de Adonias e o rei se ergueu para ir ao seu encontro e se prostrou diante dela; depois sentou-se no trono e mandou colocar um assento para a mãe do rei e ela sentou-se à sua direita. 20Disse ela: “Tenho um pequeno pedido para te fazer, não mo negues.” O rei lhe respondeu: “Pede, minha mãe, que não to negarei.” 21Ela respondeu: “Que se dê Abisag de Sunam como esposa a teu irmão Adonias.” 22Em resposta, o rei Salomão disse à sua mãe: “E por que pedes para Adonias Abisag de Sunam? Pede também para ele a realeza! Pois ele é meu irmão mais velho e já tem de seu lado o sacerdote Abiatar e Joab, filho de Sárvia!” 23E o rei Salomão jurou por Iahweh, dizendo: “Que Deus me faça este mal e mande mais algum outro, se Adonias não pagar com a própria vida esta palavra que pronunciou! 24Pois bem, pela vida de Iahweh, que me confirmou e me fez sentar no trono de Davi, meu pai, e que lhe deu uma casa como prometera, hoje mesmo Adonias será morto.” 25E o rei Salomão encarregou disso a Banaías, filho de Joiada, que o feriu e ele morreu.

O destino de Abiatar e de Joab26Ao sacerdote Abiatar, o rei disse: “Vai para Anatot, para a tua propriedade, porque és digno de morte, mas não te farei morrer hoje, porque carregaste a Arca de Iahweh diante de Davi, meu pai, e compartilhaste todas as provações de meu pai.” 27E Salomão excluiu Abiatar do sacerdócio de Iahweh, cumprindo-se assim a palavra que Iahweh tinha pronunciado contra a casa de Eli em Silo. 28Quando esta notícia chegou a Joab — que tinha apoiado Adonias, embora não tivesse apoiado Absalão — ele se refugiou na Tenda de Iahweh e se agarrou aos chifres do altar. 29Comunicaram ao rei Salomão: “Joab se refugiou na Tenda de Iahweh e se acha junto do altar.” Então Salomão mandou dizer a Joab: “Que há contigo, para te refugiares junto do altar?” Joab respondeu: “Tive medo de ti e me refugiei junto de Iahweh.” Então Salomão mandou Banaías, filho de Joiada, dizendo-lhe: “Vai e mata- o!” 30Banaías foi à Tenda de Iahweh e disse-lhe: “O rei ordena: ‘Sai!'” “Não”, respondeu ele, “eu morrerei aqui.” Banaías levou a resposta ao rei: “Eis o que Joab disse e o que me respondeu.” 31O rei lhe disse: “Faze como ele disse; mata-o e depois sepulta-o. Assim tirarás hoje de cima de mim e de cima da casa de meu pai o sangue inocente que Joab derramou. 32Iahweh fará recair seu sangue sobre a cabeça dele, porque ele atacou e matou à espada dois homens mais justos e melhores do que ele, sem que meu pai Davi o soubesse: Abner, filho de Ner, chefe do exército de Israel, e Amasa, filho de Jeter, chefe do exército de Judá. 33Recaia, pois, o sangue deles sobre a cabeça de Joab e de sua descendência para sempre, mas que Davi e sua descendência, sua casa e seu trono gozem sempre de paz da parte de Iahweh!” 34Banaías, filho de Joiada, partiu, feriu Joab e o matou, enterrando-o depois em sua casa, no deserto. 35Em seu lugar, na chefia do exército, o rei colocou Banaías, filho de Joiada; e em lugar de Abiatar colocou o sacerdote Sadoc.

Desobediência e morte de Semei36O rei mandou chamar Semei e lhe disse: “Constrói para ti uma casa em Jerusalém: nela habitarás, mas dela não sairás para onde quer que seja. 37No dia em que saíres e atravessares a torrente do Cedron, tem por certo que morrerás indubitavelmente. Teu sangue recairá sobre a tua cabeça.” 38Semei respondeu ao rei: “Está bem, teu servo fará como o senhor meu rei ordenou”; e Semei permaneceu por muito tempo em Jerusalém. 39Mas, decorridos três anos, aconteceu que dois escravos de Semei fugiram para junto de Aquis, filho de Maaca, rei de Gat. E avisaram Semei: “Teus escravos estão em Gat.” 40Então Semei preparou-se, selou seu jumento e partiu para Gat, à casa de Aquis, a fim de procurar seus escravos; Semei foi e trouxe de Gat seus escravos. 41Informaram a Salomão que Semei tinha viajado de Jerusalém a Gat e que tinha regressado. 42O rei mandou chamar Semei e disse-lhe: “Porventura não te fiz jurar por Iahweh e não te avisei, dizendo: ‘No dia em que saíres para ir aonde quer que seja, tem por certo que indubitavelmente morrerás’? E tu me respondeste: ‘Acho boa a palavra que ouvi’. 43Por que então não observaste o juramento de Iahweh e a ordem que eu te havia dado?” 44Depois o rei disse a Semei: “Bem conheces todo o mal que fizeste a meu pai Davi; Iahweh vai fazer recair tua maldade sobre tua própria cabeça. 45Mas bendito seja o rei Salomão e que o trono de Davi permaneça diante de Iahweh para sempre!” 46O rei deu ordens a Banaías, filho de Joiada, o qual saiu e feriu Semei, e este morreu. E a realeza então consolidou-se nas mãos de Salomão.

II. História de Salomão, o magnífico

1. SALOMÃO, O SÁBIO

3 Introdução1Salomão tornou-se genro de Faraó, rei do Egito; tomou por esposa a filha de Faraó e introduziu-a na Cidade de Davi, até que acabasse de construir o seu palácio, o Templo de Iahweh e as muralhas em torno de Jerusalém. 2O povo oferecia sacrifícios nos lugares altos, pois até então ainda não tinha sido construída uma casa para o Nome de Iahweh. 3Salomão amou a Iahweh: comportava-se segundo os preceitos de seu pai Davi; mas oferecia sacrifícios e incenso nos lugares altos.

O sonho de Gabaon4O rei foi a Gabaon para lá oferecer um sacrifício, pois era o lugar alto mais importante; Salomão ofereceu mil holocaustos sobre aquele altar. 5Em Gabaon, Iahweh apareceu em sonho a Salomão durante a noite. Deus disse: “Pede o que te devo dar.” 6Salomão respondeu: “Tu demonstraste uma grande benevolência para com teu servo Davi, meu pai, porque ele caminhou diante de ti na fidelidade, justiça e retidão de coração para contigo; tu lhe guardaste esta grande benevolência, e lhe deste um filho que está sentado hoje em seu trono. 7Agora, pois,Iahweh meu Deus, constituíste rei a teu servo em lugar de meu pai Davi, mas eu não passo de um jovem, que não sabe comandar. 8Teu servo se encontra no meio do teu povo que escolheste, povo tão numeroso que não se pode contar nem calcular. 9Dá, pois, a teu servo um coração que escuta para governar teu povo e para discernir entre o bem e o mal, pois quem poderia governar teu povo, que é tão numeroso?” 10Agradou ao Senhor que Salomão tivesse pedido tal coisa; 11e Deus lhe disse: “Porque foi este o teu pedido, e já que não pediste para ti vida longa, nem riqueza, nem a vida dos teus inimigos, mas pediste para ti discernimento para ouvir e julgar, 12vou fazer como pediste: dou-te um coração sábio e inteligente, como ninguém teve antes de ti e ninguém terá depois de ti. 13E também o que não pedis- te, eu te dou: riqueza e glória tais, que não haverá entre os reis quem te seja semelhante. 14E se seguires os meus caminhos, guardando os meus estatutos e os meus mandamentos como o fez teu pai Davi, dar-te-ei uma vida longa.” 15Salomão despertou e viu que aquilo fora um sonho. Voltou a Jerusalém e pôs-se diante da Arca da Aliança do Senhor; ofereceu holocaustos e sacrifícios de comunhão e deu um banquete para todos os seus servos.

O julgamento de Salomão16Então duas prostitutas vieram ter com o rei e apresentaram-se diante dele. 17Disse uma das mulheres: “Ó meu senhor! Eu e esta mulher moramos na mesma casa e eu dei à luz junto dela na casa. 18Três dias depois de eu ter dado à luz, esta mulher também teve uma criança; estávamos juntas e não havia nenhum estranho conosco na casa: somente nós duas. 19Ora, certa noite morreu o filho desta mulher, pois ela, dormindo, o sufocou. 20Ela então se levantou, durante a noite, retirou meu filho do meu lado, enquanto tua serva dormia; colocou-o no seu regaço, e no meu regaço pôs seu filho morto. 21Levantei-me para amamentar meu filho e encontrei-o morto! Mas, de manhã, eu o examinei e constatei que não era o meu filho que eu tinha dado à luz!” 22Então a outra mulher disse: “Não é verdade! Meu filho é o que está vivo e o teu é o que está morto!” E a outra protestava: “É mentira! Teu filho é o que está morto e o meu é o que está vivo!” Estavam discutindo assim, diante do rei, 23que sentenciou: “Uma diz: ‘Meu filho é o que está vivo e o teu é o que está morto!’, e a outra responde: ‘Mentira! Teu filho é o que está morto e o meu é o que está vivo!’ 24Trazei-me uma espada”, ordenou o rei; e levaram-lhe a espada. 25E o rei disse: “Cortai o menino vivo em duas partes e dai metade a uma e metade à outra.” 26Então a mulher, de quem era o filho vivo, suplicou ao rei, pois suas entranhas se comoveram por causa do filho, dizendo: “Ó meu senhor! Que lhe seja dado então o menino vivo, não o matem de modo nenhum!” Mas a outra dizia: “Ele não seja nem meu nem teu, cortai-o!” 27Então o rei tomou a palavra e disse: “Dai à primeira mulher a criança viva, não a matem. Pois é ela a sua mãe.” 28Todo o Israel soube da sentença que o rei havia dado, e todos lhe demonstraram muito respeito, pois viram que possuía uma sabedoria divina para fazer justiça.

4 Os principais chefes de Salomão 1O rei Salomão reinava sobre todo o Israel, 2e estes eram os seus principais chefes: Azarias, filho de Sadoc, sacerdote. 3Eliaf e Aías, filhos de Sisa, secretários. Josafá, filho de Ailud, arauto. 4Banaías, filho de Joiada, chefe do exército. Sadoc e Abiatar, sacerdotes. 5Azarias, filho de Natã, chefe dos prefeitos. Zabud, filho de Natã, amigo do rei. 6Aisar, prefeito do palácio. Eliab, filho de Joab, chefe do exército. Adoram, filho de Abda, chefe da corvéia.

Os prefeitos de Salomão7Salomão tinha doze prefeitos sobre todo Israel, que proviam o rei e sua casa; cada um cuidava do abastecimento durante um mês do ano. 8Eis os seus nomes: Filho de Hur, na montanha de Efraim. 9Filho de Decar, em Maces, Salebim, Bet-Sames, Aialon, Bet-Hanã. 10Filho de Hesed, em Arubot, ao qual pertencia Soco e toda a terra de Héfer. 11Filho de Abinadab: todo o distrito de Dor. Era casado com Tabaat, filha de Salomão. 12Baana, filho de Ailud, em Tanac e Meguido até além de Jecmaam e todo o Betsã abaixo de Jezrael, desde Betsã até Bet-Meula, perto de Sartã. 13Filho de Gaber, em Ramot de Galaad; ele tinha as aldeias de Jair, filho de Manassés, que estão em Galaad; possuía também o território de Argob que está em Basã, sessenta grandes cidades, muradas e com ferrolhos de bronze. 14Ainadab, filho de Ado, em Maanaim. 15Aquimaás em Neftali, que também se casou com uma filha de Salomão, de nome Basemat. 16Baana filho de Husi, em Aser e nos rochedos. 17Josafá, filho de Farué, em Issacar. 18Semei, filho de Ela, em Benjamim. 19Gaber, filho de Uri, na região de Gad, terra de Seon, rei dos amorreus, e de Og, rei de Basã. Além deles, havia um prefeito que permanecia na terra.

5 71 Esses prefeitos zelavam pelo sustento de Salomão e de todos os que se sentavam à mesa do rei, cada qual durante um mês, não deixando faltar coisa alguma. 8Forneciam também a cevada e a palha para os cavalos e os animais de tração, no lugar onde fosse preciso, e cada qual segundo o seu turno. 2Salomão recebia diariamente para seu gasto trinta coros de flor de farinha e sessenta de farinha comum, 3dez bois cevados, vinte bois de pasto, cem carneiros, além de veados, gazelas, antílopes, cucos cevados. 4Pois ele dominava sobre toda a região da Transeufratênia — desde Tafsa até Gaza, sobre todos os reis da região da Transeufratênia — e gozava de paz em todas as suas fronteiras ao redor. 5Judá e Israel viveram em segurança, cada qual debaixo de sua vinha e de sua figueira, desde Dã até Bersabéia, durante toda a vida de Salomão.

4 20A população de Judá e de Israel era grande, tão numerosa como a areia que está na praia do mar; comiam, bebiam e viviam felizes.

5 1Salomão estendeu seu domínio sobre todos os reinos desde o Rio até a terra dos filisteus e até a fronteira do Egito. Pagavam-lhe tributo e serviram a Salomão por toda a sua vida. 6Salomão possuía quatro mil estábulos para os cavalos de seus carros e doze mil cavaleiros.

A fama de Salomão9Deus deu a Salomão sabedoria e inteligência extraordinárias e um coração tão vasto como a areia que está na praia do mar. 10A sabedoria de Salomão foi maior que a de todos os filhos do Oriente e maior que toda a sabedoria do Egito. 11Foi mais sábio que qualquer pessoa: mais que Etã, o ezraíta, mais que Emã, Calcol e Darda, filhos de Maol; sua fama se espalhou por todas as nações circunvizinhas. 12Pronunciou três mil provérbios e seus cânticos foram em número de mil e cinco. 13Falou das plantas, desde o cedro que cresce no Líbano até o hissopo que sobe pelas paredes: falou também dos quadrúpedes, das aves, dos répteis e dos peixes.14Vinha gente de todas as nações para ouvir a sabedoria de Salomão e ele recebeu tributo de todos os reis da terra que ouviram falar de sua sabedoria.

2 SALOMÃO, O CONSTRUTOR

Preparativos para a construção do Templo 15Hiram, rei de Tiro, enviou seus servos a Salomão, ao saber que este fora sagrado rei em lugar de seu pai; pois Hiram sempre tinha sido amigo de Davi. 16E Salomão mandou esta mensagem a Hiram: 17“Bem sabes que Davi, meu pai, não pôde construir um templo para o Nome de Iahweh, seu Deus, por causa das guerras que o importunavam de todos os lados, até que Iahweh submetesse os inimigos a seus pés. 18Agora, porém, Iahweh meu Deus me deu tranqüilidade por todos os lados: não tenho adversário nem infortúnio. 19Por isso resolvi construir um Templo ao Nome de Iahweh meu Deus, conforme o que disse Iahweh a Davi, meu pai: ‘Teu filho, que colocarei no trono e em teu lugar, é quem construirá um Templo para meu Nome.’ 20Ordena, pois, que cortem para mim cedros do Líbano; meus operários juntar-se-ão aos teus e eu pagarei o trabalho dos teus operários conforme pedires. Sabes, com efeito, que não há entre nós ninguém que entenda de corte de madeira como os sidônios.” 21Quando Hiram ouviu a mensagem de Salomão, ficou cheio de grande alegria e disse: “Bendito seja hoje Iahweh, que deu a Davi um filho sábio que governa este grande povo!” 22E Hiram mandou responder a Salomão: “Recebi tua mensagem. Atenderei a todo o teu desejo referente às madeiras de cedro e de cipreste. 23Meus servos as descerão do Líbano até o mar e as farei transportar pelo mar, até o lugar que me indicares; ali, eu as desembarcarei e tu as receberás. Por tua vez, fornecerás víveres para minha casa, conforme eu desejar.” 24Hiram forneceu a Salomão madeiras de cedro e de cipreste na quantidade que ele quis, 25e Salomão pagou a Hiram vinte mil coros de trigo para o sustento de sua casa e vinte mil medidas de azeite virgem. Era isso que Salomão pagava a Hiram cada ano. 26Iahweh concedeu a Salomão a sabedoria, conforme lhe prometera; houve bom entendimento entre Hiram e Salomão e os dois fizeram uma aliança. 27O rei Salomão recrutou em todo o Israel mão-de-obra para a corvéia; conseguiu reunir trinta mil operários. 28Mandou-os para o Líbano, dez mil cada mês, alternadamente; eles passavam um mês no Líbano e dois meses em casa; Adoram era o mestre-de-obras. 29Salomão tinha ainda setenta mil carregadores e oitenta mil cortadores na montanha, 30sem contar os chefes dos prefeitos, em número de três mil e trezentos, que dirigiam os trabalhos e comandavam a multidão empenhada nas obras. 31O rei mandou extrair grandes blocos de pedra escolhida e lavrada, para construir os alicerces do Templo. 32Os operários de Salomão e os de Hiram e os giblitas cortaram e prepararam as madeiras e as pedras para a construção do Templo.

6 A construção do Templo1No ano quatrocentos e oitenta após a saída dos filhos de Israel da terra do Egito, no quarto ano do reinado de Salomão sobre Israel, no mês de Ziv, que é o segundo mês, ele construiu o Templo de Iahweh. 2O Templo que o rei Salomão edificou para Iahweh tinha sessenta côvados de comprimento, vinte de largura e vinte e cinco de altura. 3O Ulam diante do Hekal do Templo tinha vinte côvados de comprimento no sentido da largura do Templo e dez côvados de largura no sentido do comprimento do Templo. 4Fez no Templo janelas oblíquas com grades. 5Encostado à parede do Templo, ele fez um anexo em torno do Hekal e do Debir, e fez aposentos laterais ao redor. 6O andar térreo tinha cinco côvados de largura, o intermediário seis côvados e o terceiro sete côvados, pois ele tinha feito encostas em torno do Templo do lado de fora, de modo que as vigas não se prendiam às paredes do Templo. 7(O Templo foi construído com pedras já talhadas; de modo que não se ouviu barulho de martelo, de cinzel, nem de qualquer outro instrumento de ferro no Templo, durante sua construção). 8A entrada para o andar inferior situava-se no ângulo direito do Templo e por meio de escadas em caracol subia-se ao andar intermediário e, deste, ao terceiro. 9Terminada a construção do Templo, cobriu-o com um teto de pranchões de cedro. 10E construiu um anexo a todo o Templo; tinha cinco côvados de altura e estava ligado ao Templo por traves de cedro. 11A palavra de Iahweh foi então dirigida a Salomão: 12“Quanto a esta casa que estás construindo, se procederes segundo os meus estatutos, se observares as minhas normas e seguires fielmente os meus mandamentos, eu cumprirei em teu favor a minha palavra, que dei a teu pai Davi, 13e habitarei no meio dos filhos de Israel e não abandonarei meu povo, Israel.” 14Salomão edificou o Templo e o concluiu.

A decoração interna. O Santo dos Santos15Forrou com placas de cedro o lado interno das paredes do Templo — desde o pavimento até as vigas do teto, revestiu com madeira o interior — e cobriu com tábuas de cipreste o assoalho do Templo. 16Construiu os vinte côvados a partir do fundo do Templo com tábuas de cedro, desde o pavimento até as vigas, e eles foram separados do Templo para formarem o Debir, ou Santo dos Santos. 17O Templo, isto é, o Hekal, diante do Debir, tinha quarenta côvados. 18No interior do Templo, o cedro era esculpido com flores e festões; tudo era de cedro e não se via pedra alguma. 19Salomão dispôs um Debir no interior do Templo, para nele colocar a Arca da Aliança de Iahweh. 20O Debir tinha vinte côvados de comprimento, vinte côvados de largura e vinte côvados de altura; revestiu-o de ouro puríssimo. Fez um altar de cedro 211 diante do Debir e o revestiu de ouro. 22Ele revestiu de ouro o Templo todo, que ficou inteiramente coberto de ouro.

Os querubins23No Debir, ele fez dois querubins de oliveira selvagem…” Ele tinha dez côvados de altura. 24Uma asa do querubim tinha cinco côvados e a outra asa do querubim também tinha cinco côvados, ou seja, de uma extremidade à outra das asas havia a distância de dez côvados. 25O segundo querubim tinha também dez côvados; ambos os querubins tinham a mesma dimensão e o mesmo formato. 26A altura de um querubim era de dez côvados, e essa também era a altura do outro. 27Colocou os querubins no meio da sala interior; tinham as asas estendidas, de sorte que a asa de um tocava uma parede e a asa do outro tocava a outra parede e suas asas se tocavam uma na outra, no meio da sala. 28Revestiu de ouro os querubins. 29Em todas as paredes do Templo, ao redor, tanto no interior como no exterior, mandou esculpir figuras de querubins, palmas e flores. 30Cobriu de ouro o pavimento do Templo, no interior e no exterior.

As portas. O pátio31Ele fez a porta do Debir com vigas de madeira de oliveira selvagem; seu enquadramento tinha cinco ângulos; 32os dois batentes eram de oliveira selvagem. Mandou esculpir neles figuras de querubins, palmeiras e flores e cobriu-as de ouro; mandou cobrir de ouro os querubins e as palmeiras. 33Da mesma forma, para a porta do Hekal, fez vigas de madeira de oliveira selvagem; seu enquadramento tinha quatro ângulos; 34os dois batentes eram de cipreste: tanto um como o outro tinham painéis giratórios. 35Mandou esculpir neles querubins, palmeiras e flores, revestidos de ouro ajustado sobre a escultura. 36Construiu o muro do pátio interior com três fileiras de pedra talhada e uma fileira de pranchões de cedro.

Datas37No quarto ano, no mês de Ziv, foram lançados os alicerces do Templo; no décimo primeiro ano, no mês de Bui — oitavo mês —, o Templo foi concluído em todas as suas partes, conforme o projeto. Salomão levou sete anos para construí-lo.

7 O palácio de Salomão 1Para construir seu palácio, Salomão levou treze anos, até seu completo acabamento. 2Construiu a Casa da Floresta do Líbano, com cem côvados de comprimento, cinqüenta côvados de largura e trinta de altura, sobre quatro fileiras de cedro, com pranchões de cedro sobre as colunas.” 3Ela era revestida de cedro na parte superior até os pranchões que estavam sobre as colunas. 4Havia três fileiras de arquitraves, quarenta e cinco ao todo, ou seja, quinze em cada fileira, que se correspondiam três vezes. 5Todas as portas e as vigas tinham um enquadramento retangular, correspondendo-se frente a frente três vezes. 6Fez o vestíbulo das colunas, com cinqüenta côvados de comprimento e trinta de largura… com um pórtico na frente. 7Fez o pórtico do trono, onde ele administrava a justiça, chamado pórtico do julgamento; era revestido de cedro desde o pavimento até o teto. 8Sua morada particular, no outro pátio, atrás do pórtico, era construída da mesma forma; Salomão fez também uma casa, semelhante a esse pórtico, para a filha de Faraó, que ele tinha desposado. 9Todos os edifícios eram feitos de pedras escolhidas, talhadas sob medida, serradas por dentro e por fora, desde os fundamentos até a madeira das cornijas.” — 10Tinham nos alicerces pedras selecionadas, enormes blocos de dez e de oito côvados, 11e em cima, pedras escolhidas, talhadas sob medida, e madeira de cedro —, 12e, do lado externo, o grande pátio era cercado por três fileiras de pedra talhada e por uma fileira de tábuas de cedro; assim também eram feitos o pátio interno do Templo de Iahweh e o pórtico do Templo.

O bronzista Hiran13Salomão mandou chamar Hiran de Tiro, 14filho de uma viúva da tribo de Neftali e cujo pai era natural de Tiro e trabalhava em bronze. Era dotado de grande habilidade, talento e inteligência para executar qualquer trabalho em bronze. Apresentou-se ao rei Salomão e executou todos os seus trabalhos.

As colunas de bronze15Fundiu duas colunas de bronze; a altura de uma era de dezoito côvados e sua circunferência media-se com um fio de doze côvados; assim também era a segunda coluna. 16Fez dois capitéis de bronze fundido, colocando-os no topo das colunas; um capitel tinha cinco côvados de altura e a altura do outro era a mesma. 17c Fabricou duas redes para cobrir os dois rolos dos capitéis que encimavam as colunas, uma rede para cada capitel. 18aFez as romãs; havia duas fileiras de romãs em torno de cada rede, 19bquatrocentos ao todo, 20aplicadas no centro que ficava por detrás das redes; havia duzentas romãs em torno de um capitel, 18be o mesmo número em torno do outro. 19aOs capitéis que encimavam as colunas eram em forma de flores. 21Ergueu as colunas diante do pórtico do santuário; ergueu a coluna do lado direito, à qual deu o nome de Jaquin; ergueu a coluna da esquerda e chamou-a Booz.22 Assim ficou pronto o serviço das colunas.

O Mar de bronze23Fez o Mar de metal fundido, com dez côvados de diâmetro. Era redondo, tinha cinco côvados de altura; sua circunferência media-se com um fio de trinta côvados. 24Havia por baixo da borda coloquíntidas em todo o redor: rodeavam o Mar pelo espaço de trinta côvados, dispostas em duas fileiras e fundidas numa só peça com o Mar. 25Este repousava sobre doze touros, dos quais três olhavam para o norte, três para o oeste, três para o sul e três para o leste; o Mar se elevava sobre eles e a parte posterior de seus corpos estava voltada para o interior. 26Sua espessura era de um palmo e sua borda tinha a mesma forma que a borda de uma taça, como uma flor. Sua capacidade era de dois mil batos.

As bases e as bacias de bronze27Fez as dez bases de bronze, tendo cada uma quatro côvados de comprimento, quatro côvados de largura e três côvados de altura. 28Eis como foram feitas: tinham molduras que estavam entre as travessas. 29Sobre as molduras que estavam entre as travessas havia leões, touros e querubins, e sobre as travessas havia um suporte; abaixo dos leões e dos touros havia volutas à maneira de… 30Cada base tinha quatro rodas de bronze e eixos também de bronze; seus quatro pés tinham suportes, por baixo da bacia, e esses suportes eram fundidos… 31Seu encaixe, a partir do cruzamento dos suportes até o alto, tinha um côvado; seu encaixe era redondo, em forma de suporte de vaso; tinha um côvado e meio e sobre o encaixe também havia esculturas; mas os painéis eram quadrangulares e não redondos. 32As quatro rodas estavam sobre os painéis. Os eixos das rodas estavam no pedestal; a altura das rodas era de um côvado e meio. 33A forma das rodas era a mesma da de uma roda de carro: eixos, aros, raios e cubos, tudo era fundido. 34Havia quatro suportes, nos quatro ângulos de cada base: a base e seus suportes formavam uma só peça. 35Na parte superior da base havia um suporte de meio côvado de altura, de ferro circular; no topo da base havia esteios; os painéis formavam uma só peça com a base. 36Sobre os painéis das travessas e sobre as molduras mandou gravar querubins, leões e palmas… e volutas ao redor.37Assim fez as dez bases: todas fundidas da mesma maneira e do mesmo tamanho. 38Fez dez bacias de bronze, contendo cada uma quarenta batos; cada bacia tinha quatro côvados e repousava sobre uma das dez bases. 39Dispôs as bases, colocando cinco perto do lado direito do Templo e cinco perto do lado esquerdo do Templo; quanto ao Mar, colocara-o do lado direito do Templo, a sudoeste.

A mobília do Templo. Resumo40Hiran fez os recipientes para as cinzas, as pás e as bacias para a aspersão. Ultimou toda a obra de que o encarregara o rei Salomão para o Templo de Iahweh: 41duas colunas; os dois rolos dos capitéis que estavam no alto das colunas; as duas redes para cobrir os dois rolos dos capitéis que estavam no alto das colunas; 42as quatrocentas romãs para as duas redes: as romãs de cada rede estavam em duas fileiras; 43as dez bases e as dez bacias sobre as bases; 44o Mar único e os doze touros debaixo do Mar; 45os recipientes para as cinzas, as pás, as bacias para a aspersão. Todos esses objetos que Hiran fez para o rei Salomão, para o Templo de Iahweh, eram de bronze polido. 46Foi na planície do Jordão que ele os fundiu, em terra argilosa, entre Sucot e Sartã; 47 por causa de sua enorme quantidade, não se pôde calcular o peso do bronze. 48Salomão depositou no Templo de Iahweh todos os objetos que mandara fazer: o altar de ouro e a mesa de ouro, sobre a qual estavam os pães da oblação; 49os candelabros, de ouro puríssimo, cinco à direita e cinco à esquerda, diante do Debir; as flores, as lâmpadas, as tenazes, de ouro; 50as bacias, as facas, as bacias para a aspersão, as taças e os incensórios, de ouro puríssimo; os gonzos para as portas da sala interior — é o Santo dos Santos — e do Hekal, de ouro. 51Assim ficou terminada toda a obra que o rei Salomão executou para o Templo de Iahweh; e Salomão mandou trazer o que seu pai Davi havia consagrado: a prata, o ouro e os utensílios, e colocou-os no tesouro do Templo de Iahweh.

8 Trasladação da Arca da Aliança 1Então Salomão congregou em Jerusalém os anciãos de Israel, para trasladar da Cidade de Davi, que é Sião, a Arca da Aliança de Iahweh. 2Todos os homens de Israel reuniram-se junto do rei Salomão, no mês de Etanim, durante a festa (este é o sétimo mês),3 e os sacerdotes carregaram a Arca 4e a Tenda da Reunião com todos os objetos sagrados que nela estavam.5O rei Salomão e todo o Israel com ele imolaram diante da Arca ovelhas e bois em quantidade tal que  não se podia contar nem calcular. 6Os sacerdotes conduziram a Arca da aliança de Iahweh ao seu lugar, ao Debir do Templo, a saber, ao Santo dos Santos, sob as asas dos querubins. 7Com efeito, os querubins estendiam suas asas sobre o lugar da Arca, abrigando a Arca e seus varais. 8aEstes eram tão compridos que do Santo, diante do Debir, se podia ver sua extremidade, mas não se podiam ver de fora. 9Na Arca nada havia, exceto as duas tábuas de pedra, que Moisés, no Horeb, aí tinha colocado — a saber, as tábuas da Aliança que Iahweh concluíra com os filhos de Israel quando saíram da terra do Egito; 8baí elas ficaram até hoje.

Deus toma posse do seu Templo10Ora, quando os sacerdotes saíram do santuário, a Nuvem encheu o Templo de Iahweh 11e os sacerdotes não puderam continuar o seu serviço, por causa da Nuvem: a glória de Iahweh enchia o Templo de Iahweh! 12Então disse Salomão: “Iahweh decidiu habitar a Nuvem escura. 13Sim, eu construí para ti uma morada, uma residência em que habitas para sempre.”

Discurso de Salomão ao povo14Depois o rei se voltou e abençoou toda a assembléia de Israel e toda ela mantinha-se de pé. 15Ele disse: “Bendito seja Iahweh, Deus de Israel, que realizou por sua mão o que, com sua boca, prometera a meu pai Davi, dizendo: 16‘Desde o dia em que fiz sair meu povo Israel do Egito, não escolhi uma cidade, dentre todas as tribos de Israel, para nela se construir uma casa onde estaria meu Nome, mas escolhi Davi para comandar Israel, meu povo! 17Meu pai Davi teve a intenção de construir uma casa para o Nome de Iahweh, Deus de Israel, 18mas Iahweh disse a meu pai Davi: ‘Planejaste edificar uma casa para meu Nome e fizeste bem. 19Contudo, não serás tu quem edificará esta casa, e sim teu filho, saído de tuas entranhas, é que construirá a casa para meu Nome.’ 20Iahweh realizou a palavra que dissera: sucedi a meu pai Davi e tomei posse do trono de Israel como prometera Iahweh, construí a casa para o Nome de Iahweh, Deus de Israel, 21e nela preparei um lugar para a Arca, na qual se acha a Aliança que Iahweh concluiu com nossos pais quando os fez sair da terra do Egito.”

Oração pessoal de Salomão 22Em seguida, Salomão postou-se diante do altar de Iahweh, na presença de toda a assembléia de Israel; estendeu as mãos para o céu 23e disse: “Iahweh, Deus de Israel! Não existe nenhum Deus semelhante a ti lá em cima nos céus, nem cá embaixo sobre a terra; a ti, que és fiel à Aliança e conservas a benevolência para com teus servos, quando caminham de todo coração diante de ti. 24Cumpriste a teu servo Davi, meu pai, a promessa que lhe havias feito, e o que disseste com tua boca, executaste hoje com tua mão. 25E agora, Iahweh, Deus de Israel, mantém a teu servo Davi, meu pai, a promessa que lhe fizeste, ao dizer: ‘Jamais te faltará um descendente diante de mim, que se assente no trono de Israel, contanto que teus filhos atendam ao seu procedimento e caminhem diante de mim como tu mesmo procedeste diante de mim.’ 26Agora, pois, Deus de Israel, que se cumpra a palavra que disseste a teu servo Davi, meu pai! 27Mas será verdade que Deus habita com os homens nesta terra? Se os céus e os céus dos céus não te podem conter, muito menos esta casa que construí! 28Sê atento à prece e à súplica de teu servo, Iahweh, meu Deus, escuta o clamor e a prece que teu servo faz hoje diante de ti! 29Que teus olhos estejam abertos dia e noite sobre esta casa, sobre este lugar do qual disseste: ‘Meu Nome estará lá.’ Ouve a prece que teu servo fará neste lugar.

Oração pelo povo30“Escuta as súplicas de teu servo e de teu povo Israel, quando orarem neste lugar. Escuta do lugar onde resides, no céu, escuta e perdoa. 31Se alguém pecar contra seu próximo e este pronunciar sobre ele um juramento imprecatório e o mandar jurar ante teu altar neste Templo, 32escuta do céu e age; julga teus servos: declara culpado o mau, fazendo recair sobre ele o peso de sua falta, e declara justo o inocente, tratando-o segundo sua justiça. 33Quando Israel, teu povo, for vencido diante do inimigo, por haver pecado contra ti, se ele se converter, louvar teu Nome, orar e suplicar a ti neste Templo, 34escuta no céu, perdoa o pecado de Israel, teu povo, e reconduze-o à terra que deste a seus pais. 35Quando o céu se fechar e não houver chuva por terem eles pecado contra ti, se eles rezarem neste lugar, louvarem teu Nome e se arrependerem de seu pecado, por os teres afligido, 36escuta no céu, perdoa o pecado de teu servo e de teu povo Israel — tu lhes indicarás o caminho reto que devem seguir — e rega com a chuva a terra que deste em herança a teu povo. 37Quando a terra sofrer a fome, a peste, a mela e a ferrugem; quando sobrevierem os gafanhotos ou os pulgões; quando o inimigo deste povo cercar uma de suas portas; quando houver qualquer calamidade ou epidemia, 38seja qual for a oração ou a súplica de qualquer um, que sente remorso de consciência, se ele erguer as mãos para este Templo, 39escuta no céu, onde moras, perdoa e age; retribui a cada um segundo seu proceder, pois conheces seu coração — és o único que conhece o coração de todos —, 40a fim de que te respeitem por todos os dias que viverem sobre a terra que deste a nossos pais.

Suplementos41“Mesmo o estrangeiro, que não pertence a Israel, teu povo, se vier de uma terra longínqua por causa de teu Nome — 42porque ouvirão falar de teu grande Nome, de tua mão forte e de teu braço estendido —, se ele vier orar neste Templo, 43escuta no céu onde resides, atende todos os pedidos do estrangeiro, a fim de que todos os povos da terra reconheçam teu Nome e te temam como o faz Israel, teu povo, e saibam eles que este Templo que edifiquei traz o teu Nome. 44Se o teu povo sair à guerra contra seus inimigos, pelo caminho que o enviares e ele orar, voltado para a cidade que escolheste e para o Templo que construí para teu Nome, 45escuta no céu sua prece e sua súplica e faze-lhe justiça. 46Quando tiverem pecado contra ti — pois não há pessoa alguma que não peque —, e, irritado contra eles, os entregares ao inimigo e seus vencedores os levarem cativos para uma terra inimiga, longínqua ou próxima, 47se eles caírem em si, na terra para onde houverem sido levados, se arrependerem e te suplicarem na terra de seus vencedores, dizendo: ‘Pecamos, agimos mal, nós nos pervertemos’, 48se retornarem a ti de todo o coração e de toda a sua alma na terra dos inimigos que os tiverem deportado, e se orarem a ti voltados para a terra que deste a seus pais, para a cidade que escolheste e para o Templo que construí para o teu Nome, 49escuta do céu onde resides, 50perdoa a teu povo os pecados que cometeu contra ti e todas as revoltas de que foram culpados, faze-os encontrar graça diante de seus vencedores, de modo que tenham deles compaixão; 51pois são teu povo e tua herança, são os que fizeste sair do Egito, daquela fornalha de ferro.

Conclusão da prece e bênção do povo52“Que teus olhos estejam abertos para as súplicas de teu servo e de teu povo Israel, para ouvires todos os apelos que lançarem a ti. 53Pois foste tu que os separaste como tua herança, dentre todos os povos da terra, como declaraste por meio de teu servo Moisés, quando fizeste sair do Egito nossos pais, Senhor Iahweh!” 54Quando Salomão acabou de dirigir a Iahweh toda essa prece e essa súplica, levantou-se do lugar onde estava ajoelhado, de mãos erguidas para o céu, diante do altar de Iahweh, 55e pôs-se de pé. Abençoou em alta voz toda a assembléia de Israel, dizendo: 56“Bendito seja Iahweh, que concedeu o repouso a seu povo Israel, conforme todas as suas promessas; de todas as boas promessas que fez por meio de seu servo Moisés, nenhuma falhou! 57Que Iahweh, nosso Deus, esteja conosco, como esteve com nossos pais, que não nos abandone nem nos rejeite! 58Incline para ele nossos corações, a fim de que andemos em todos os seus caminhos e guardemos os mandamentos, os estatutos e as normas que ele prescreveu a nossos pais. 59Que estas palavras por mim pronunciadas em oração diante de Iahweh fiquem presentes dia e noite diante de Iahweh nosso Deus, para que faça justiça a seu servo e a Israel, seu povo, conforme as necessidades de cada dia. 60Assim, todos os povos da terra reconhecerão que somente Iahweh é Deus e que não há outro além dele, 61e o vosso coração pertencerá totalmente a Iahweh, nosso Deus, observando seus estatutos e guardando seus mandamentos como o fazeis agora.”

Os sacrifícios da Festa da Dedicação62O rei e todo o Israel com ele ofereceram sacrifícios diante de Iahweh. 63Salomão imolou, para o sacrifício de comunhão que ofereceu a Iahweh, vinte e dois mil bois e cento e vinte mil ovelhas. Assim o rei e todos os filhos de Israel consagraram o Templo de Iahweh. 64No mesmo dia, o rei consagrou o interior do pátio que está diante do Templo de Iahweh; pois foi lá que ofereceu o holocausto, a oblação e as gorduras dos sacrifícios de comunhão, uma vez que o altar de bronze, que estava diante de Iahweh, era pequeno demais para conter o holocausto, a oblação e as gorduras dos sacrifícios de comunhão. 65Nesta ocasião, Salomão celebrou a festa, e todo o Israel com ele; houve uma grande assembléia, desde a Entrada de Emat até a Torrente do Egito, diante de Iahweh, nosso Deus, por sete dias. 66No oitavo dia despediu o povo; eles bendisseram o rei e voltaram para suas casas, alegres e de coração contente por todo o bem que Iahweh fizera a seu servo Davi e a Israel, seu povo.

9 Nova aparição divina1Depois que Salomão acabou de construir o Templo de Iahweh, o palácio real e tudo o que tencionava realizar, 2Iahweh lhe apareceu uma segunda vez, como lhe aparecera em Gabaon. 3Iahweh lhe disse: “Ouvi a oração e a súplica que me dirigiste. Consagrei esta casa que construíste, nela colocando meu Nome para sempre; meus olhos e meu coração aí estarão para sempre. 4Quanto a ti, se procederes diante de mim como teu pai Davi, na integridade e retidão do coração, se agires segundo minhas ordens e observares meus estatutos e minhas normas, 5firmarei para sempre teu trono real sobre Israel, como prometi a Davi, teu pai, dizendo: ‘Jamais te faltará um descendente sobre o trono de Israel’; 6porém, se vós e vossos filhos me abandonardes, não observando os mandamentos e os estatutos que vos prescrevi e indo servir a outros deuses e prestar-lhes homenagem, 7então erradicarei Israel da terra que lhes dei; rejeitarei para longe de mim este Templo que consagrei a meu Nome e Israel será objeto de escárnio e de riso entre todos os povos. 8Este Templo tão sublime será para todos os transeuntes motivo de espanto; assobiarão e dirão: ‘Por que Iahweh tratou assim esta terra e este Templo?’ 9E responderão: ‘Porque abandonaram Iahweh, seu Deus, que fez sair seus pais da terra do Egito, porque aderiram a outros deuses e lhes prestaram homenagem e culto, por isso Iahweh fez cair sobre eles todas estas desgraças.’ ”

Contrato com Hiram10Ao cabo de vinte anos, durante os quais Salomão construiu os dois edifícios, o Templo de Iahweh e o palácio real, 11(Hiram, rei de Tiro, lhe havia fornecido madeira de cedro e de cipreste e também ouro, na quantidade que ele quis), então o rei Salomão deu a Hiram vinte cidades na região da Galiléia. 12Hiram veio de Tiro para ver as cidades que Salomão lhe havia dado e elas não lhe agradaram; 13ele disse: “Que cidades são estas que me deste, meu irmão?”, e deu-lhes o nome de “terra de Cabul”, que persiste até hoje. 14Hiram enviou ao rei cento e vinte talentos de ouro.

Trabalhos forçados para as construções15Eis o que se refere à corvéia que o rei Salomão organizou para construir o Templo de Iahweh, seu palácio, o Melo e o muro de Jerusalém, bem como Hasor, Meguido, Gazer, 16(Faraó, rei do Egito, fez uma expedição, tomou Gazer, incendiou-a e massacrou os cananeus que lá moravam, e depois deu-a como dote à sua filha, esposa de Salomão, 17e Salomão reconstruiu Gazer), Bet-Horon inferior, 18Baalat, Tamar, na região deserta da terra, 19todas as cidades- armazéns pertencentes a Salomão, as cidades para carros e para cavalos, e tudo quanto aprouve a Salomão construir em Jerusalém, no Líbano e em todos os países que lhe estavam sujeitos. 20Toda a população que restava dos amorreus, heteus, ferezeus, heveus e jebuseus, que não pertencia aos filhos de Israel, 21e todos os descendentes desses povos que ficaram após eles na terra sem serem votados ao anátema pelos filhos de Israel, Salomão os empregou como mão-de-obra na corvéia, o que são ainda hoje. 22Mas não impôs a corvéia aos filhos de Israel, que serviam antes como soldados; eram seus guardas, seus oficiais e seus escudeiros, bem como comandantes de seus carros e de sua cavalaria. 23Os chefes dos inspetores que dirigiam os trabalhos de Salomão eram quinhentos e cinqüenta para dirigir o povo empregado nas obras. 24Logo que a filha de Faraó subiu da Cidade de Davi para a residência que Salomão lhe havia construído, ele edificou o Melo.

O serviço do Templo25Três vezes por ano Salomão oferecia holocaustos e sacrifícios de comunhão sobre o altar que erguera a Iahweh e queimava perfumes diante de Iahweh. E assim acabou ele a construção do Templo.

3. SALOMÃO, O COMERCIANTE

Salomão armador26Salomão montou uma frota em Asiongaber, perto de Elat, na costa do mar Vermelho, na terra de Edom. 27Hiram enviou-lhe navios pilotados por seus súditos e marinheiros que conheciam o mar, junto com os servos de Salomão. 28Foram a Ofir e de lá trouxeram quatrocentos e vinte talentos de ouro, que entregaram ao rei Salomão.

10 Visita da rainha de Sabá1A rainha de Sabá ouviu falar da fama de Salomão e veio pô-lo à prova por meio de enigmas. 2Chegou a Jerusalém com numerosa comitiva, com camelos carregados de aromas, grande quantidade de ouro e de pedras preciosas. Apresentou-se diante de Salomão e lhe expôs tudo o que tinha no coração, 3mas Salomão a esclareceu sobre todas as suas perguntas e nada houve por demais obscuro para ele, que não pudesse solucionar. 4Quando a rainha de Sabá viu toda a sabedoria de Salomão, o palácio que fizera para si, 5as iguarias de sua mesa, os aposentos de seus oficiais, as funções e vestes de seus domésticos; seus copeiros, os holocaustos que ele oferecia ao templo de Iahweh, ficou fora de si 6e disse ao rei: “Realmente era verdade quanto ouvi na minha terra a respeito de ti e da tua sabedoria! 7Eu não queria acreditar no que diziam antes de vir e ver com meus próprios olhos, mas de fato não me haviam contado nem a metade: tua sabedoria e tua riqueza excedem tudo quanto ouvi. 8Felizes das tuas mulheres, felizes destes teus servos, que estão continuamente na tua presença e ouvem a tua sabedoria! 9Bendito seja Iahweh teu Deus, que te mostrou sua benignidade, colocando-te sobre o trono de Israel; é porque Iahweh ama Israel para sempre que ele te constituiu rei, para exerceres o direito e a justiça.” 10Ela deu ao rei cento e vinte talentos de ouro, uma grande quantidade de aromas e de pedras preciosas; a rainha de Sabá trouxe ao rei Salomão uma tal abundância de aromas, que jamais se viu em tanta quantidade. 11Por sua vez, a frota de Hiram, que trouxe ouro de Ofir, trouxe também madeira de sândalo em grande quantidade e pedras preciosas. 12Com esse sândalo o rei fez balaustradas para o Templo de Iahweh e para o palácio real, liras e harpas para os cantores; nunca mais se transportou dessa madeira de sândalo e não se viu mais dela até hoje. 13Por sua vez, o rei Salomão ofereceu à rainha de Sabá tudo o que ela desejou e pediu além dos presentes que lhe deu com munificência digna do rei Salomão. Depois ela partiu e voltou para sua terra, ela e seus servos.

A riqueza de Salomão14O peso do ouro que chegava para Salomão, anualmente, era de seiscentos e sessenta e seis talentos de ouro, 15sem contar o que lhe provinha dos tributos dos mercadores, do lucro dos comerciantes e de todos os reis dos árabes e dos governadores da terra. 16O rei Salomão fez duzentos escudos grandes de ouro batido para cada um dos quais utilizou seiscentos ciclos de ouro, 17e trezentos pequenos escudos de ouro batido, gastando em cada um deles três minas de ouro, e depositou-os na Casa da Floresta do Líbano. 18O rei fez também um grande trono de marfim e revestiu-o de ouro puro. 19Esse trono tinha seis degraus, um espaldar arredondado na parte superior, braços de cada lado do assento e dois leões em pé perto de braços 20e doze leões colocados de um lado e de outro dos seis degraus. Nada de semelhante se fez em reino algum. 21Todas as taças que o rei Salomão usava para beber eram de ouro e toda a baixela da Casa da Floresta do Líbano era de ouro puro; nada era de prata, porque da prata não se fazia caso nenhum no tempo de Salomão. 22Com efeito, o rei tinha no mar uma frota de Társis com a frota de Hiram e de três em três anos a frota de Társis voltava carregada de ouro, prata, marfim, macacos e pavões. 23O rei Salomão superou em riqueza e em sabedoria todos os reis da terra. 24Todo o mundo queria ser recebido por Salomão para ouvir a sabedoria que Deus lhe tinha posto no coração, 25e cada um, anualmente, trazia o seu presente: objetos de prata e objetos de ouro, roupas, armas e aromas, cavalos e mulas.

Os carros de Salomão26Salomão reuniu também carros e cavaleiros; possuía mil e quatrocentos carros e doze mil cavaleiros; colocou-os nas cidades dos carros e junto do rei, em Jerusalém. 27Fez com que a prata fosse tão comum em Jerusalém quanto as pedras e os cedros tão numerosos como os sicômoros da Planície. 28Importavam-se para Salomão cavalos de Musur e da Cilícia; os mercadores do rei importavam-nos da Cilícia mediante pagamento à vista. 29Um carro era importado do Egito por seiscentos siclos de prata e um cavalo por cento e cinqüenta. O preço era o mesmo para os reis dos heteus e para os reis de Aram, que os importavam por seu intermédio.

4 AS SOMBRAS DO REINADO

11 As mulheres de Salomão1Além da filha de Faraó, o rei Salomão amou muitas mulheres estrangeiras: moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e hetéias, 2pertencerites às nações das quais Iahweh dissera aos filhos de Israel: “Vós não entrareis em contato com eles e eles não entrarão em contato convosco; pois, certamente, eles desviarão vossos corações para seus deuses.” Mas Salomão se ligou a elas por amor; 3teve setecentas mulheres princesas e trezentas concubinas.4Quando ficou velho, suas mulheres desviaram seu coração para outros deuses e seu coração não foi mais todo de Iahweh, seu Deus, como o fora o de Davi, seu pai. 5Salomão prestou culto a Astarte, deusa dos sidônios, e a Melcom, a abominação dos amonitas. 6Fez o mal aos olhos de Iahweh e não lhe foi fiel plenamente, como seu pai Davi. 7Foi então que Salomão construiu um santuário para Camos, a abominação de Moab, na montanha a leste de Jerusalém, e para Melcom, a abominação dos amonitas. 8Fez o mesmo para todas as suas mulheres estrangeiras, que ofereciam incenso e sacrifícios aos seus deuses. 9Iahweh irritou-se contra Salomão, porque seu coração se desviara de Iahweh, Deus de Israel, que lhe aparecera duas vezes 10e que lhe havia proibido expressamente que seguisse outros deuses, mas ele não obedeceu ao que Iahweh lhe ordenara. 11Então Iahweh disse a Salomão: “Já que procedeste assim e não guardaste minha aliança e as prescrições que te dei, vou tirar-te o reino e dá-lo a um de teus servos. 12Todavia, não o farei durante tua vida, por consideração para com teu pai Davi; é da mão de teu filho que o arrebatarei. 13Nem lhe tirarei o reino todo, mas deixarei ao teu filho uma tribo, por consideração para com o meu servo Davi e para com Jerusalém, que escolhi.”

Os inimigos externos de Salomão14Iahweh suscitou contra Salomão um inimigo: Adad, o edomita, da estirpe real de Edom. 15Depois que Davi vencera Edom, Joab, general do exército, foi sepultar os mortos e matou todos os varões de Edom. 16Joab e todo o Israel lá permaneceram por seis meses, até exterminar todos os varões de Edom. 17Então Adad fugiu para o Egito com todo os edomitas, servos de seu pai. Ele era ainda muito jovem. 18Partindo de Madiã, chegaram a Farã; tomaram consigo alguns homens de Farã e foram para o Egito, para junto de Faraó, rei do Egito. Faraó deu a Adad uma casa, forneceu-lhe víveres e doou-lhe um terreno. 19Adad ganhou a simpatia de Faraó, que lhe deu por mulher a irmã de sua esposa, a irmã de Táfnis, a Grande Dama. 20A irmã de Táfnis lhe deu um filho, Genubat, que Táfnis educou no palácio de Faraó; Genubat morava no palácio de Faraó, junto com os filhos deste. 21Quando Adad ouviu dizer, no Egito, que Davi adormecera com seus pais e que Joab, general do exército, estava morto, disse a Faraó: “Deixa-me partir, quero voltar para a minha terra.” 22Faraó lhe respondeu: “Que te falta na minha casa para desejares voltar para tua terra?” — “Nada”, respondeu ele, “mas deixa- me partir.” 25bEis o mal que fez Adad: tratou Israel como inimigo e reinou sobre Edom. 23Iahweh suscitou contra Salomão outro inimigo também: Razon, filho de Eliada, que fugira de seu senhor, Adadezer, rei de Soba. 24Reuniu outros homens em torno de si e tornou-se chefe de um bando (foi então que Davi os massacrou). Razon tomou Damasco, lá se estabeleceu e reinou sobre Damasco.25a Foi um adversário de Israel durante toda a vida de Salomão.

Revolta de Jeroboão26Jeroboão era filho de Nabat, efraimita de Sareda (sua mãe era uma viúva chamada Sarva); estava a serviço de Salomão e revoltou-se contra o rei. 27Esta foi a causa de sua revolta: Salomão estava construindo o Melo e tapando a brecha da Cidade de Davi, seu pai. 28Jeroboão era um homem valente e forte; vendo Salomão como este jovem era esforçado no trabalho, colocou-o à frente de toda a corvéia da casa de José. 29Aconteceu que, tendo Jeroboão saído de Jerusalém, veio ao seu encontro o profeta Aías de Silo, trajando um manto novo; os dois estavam sozinhos no campo. 30Aías tomou o manto novo que trazia e rasgou-o em doze pedaços.31E disse a Jeroboão: “Toma para ti dez pedaços, pois assim fala Iahweh, Deus de Israel: Eis que vou arrancar o reino das mãos de Salomão e te darei dez tribos. 32Mas ele ainda ficará com uma tribo, por consideração para com meu servo Davi e para com Jerusalém, cidade que escolhi dentre todas as tribos de Israel. 33É que ele me abandonou, prestou culto a Astarte, deusa dos sidônios, a Camos, deus de Moab, a Melcom, deus dos amonitas, e não andou nos meus caminhos, fazendo o que é reto a meus olhos, nem observou meus estatutos e normas, como seu pai Davi. 34Todavia, não tirarei da mão dele parte alguma do reino, pois o estabeleci príncipe por todo o tempo de sua vida, por consideração para com meu servo Davi, que escolhi, e que observou meus mandamentos e meus estatutos; 35é da mão de seu filho que tirarei o reino e o darei a ti, isto é, as dez tribos. 36Contudo deixarei com o filho dele uma tribo, para que meu servo Davi tenha sempre uma lâmpada diante de mim em Jerusalém, cidade que escolhi para nela colocar meu Nome. 37Quanto a ti, eu te tomarei para reinares sobre tudo o que desejares e serás rei de Israel. 38Se obedeceres a tudo que eu te mandar, se seguires meus caminhos e fizeres o que é reto a meus olhos, observando meus estatutos e meus mandamentos, como fez meu servo Davi, então estarei contigo e construirei para ti uma casa estável, como o fiz para Davi. Eu te entregarei Israel 39e humilharei, por causa disso, a descendência de Davi, mas não para sempre.” 40Salomão procurou matar Jeroboão; mas este fugiu para o Egito, para junto de Sesac, rei do Egito, e permaneceu no Egito até a morte de Salomão.

Fim do reinado41O resto da história de Salomão, todos os seus feitos, sua sabedoria, não está escrito no livro da História de Salomão? 42O tempo que Salomão reinou em Jerusalém sobre todo o Israel foi de quarenta anos. 43Depois Salomão adormeceu com seus pais e foi sepultado na Cidade de Davi, seu pai, e seu filho Roboão reinou em seu lugar.

III. O cisma político e religioso

12 A assembléia de Siquém1Roboão foi para Siquém, pois foi lá que todo o Israel se tinha congregado para proclamá-lo rei. (2q Sabendo disso, Jeroboão, filho de Nabat, que se encontrava no Egito, para onde fugira do rei Salomão, regressou do Egito. 3Mandaram-no chamar e ele veio com toda a assembléia de Israel.) Disseram assim a Roboão: 4“Teu pai tornou pesado o nosso jugo; agora, alivia a dura servidão de teu pai e o jugo pesado que ele nos impôs e nós te serviremos.” 5Ele respondeu-lhes: “Esperai três dias e depois voltai a mim.” E o povo foi-se embora. 6O rei Roboão consultou os anciãos que haviam auxiliado seu pai Salomão durante sua vida, e perguntou: “Que me aconselhais a responder a este povo?” 7Eles lhe responderam: “Se hoje te sujeitares à vontade deste povo, se te submeteres e lhes dirigires boas palavras, então eles serão para sempre teus servidores.” 8Mas ele rejeitou o conselho que os anciãos lhe deram e consultou os jovens que foram seus companheiros de infância e o assistiam. 9Perguntou-lhes: “Que aconselhais que se responda a este povo que me falou assim: ‘Alivia o jugo que teu pai nos impôs’?” 10Os jovens, seus companheiros de infância, responderam-lhe: “Eis o que dirás a este povo que te disse: ‘Teu pai tornou pesado o nosso jugo, mas tu alivia o nosso fardo’; eis o que lhes responderás: ‘Meu dedo mínimo é mais grosso que os rins de meu pai! 11Meu pai vos sobrecarregou com um jugo pesado, mas eu aumentarei ainda o vosso jugo; meu pai vos castigou com açoites, e eu vos açoitarei com escorpiões!’ ” 12Jeroboão e todo o povo vieram para junto de Roboão, no terceiro dia, de acordo com a ordem que ele dera: ‘Voltai a mim daqui a três dias.’ 13O rei respondeu duramente ao povo, rejeitou o conselho dos anciãos 14e, seguindo o conselho dos jovens, falou-lhes assim: “Meu pai tornou vosso jugo pesado, eu o aumentarei ainda: meu pai vos castigou com açoites, e eu vos castigarei com escorpiões.” 15Assim, o rei não ouviu o povo; era uma disposição de Iahweh, para cumprir a palavra que ele dissera a Jeroboão, filho de Nabat, por intermédio de Aías de Silo. 16Quando todo o Israel viu que o rei não os ouvia, responderam-lhe: “Que parte temos com Davi? Não temos herança com o filho de Jessé. Às tuas tendas, ó Israel! E agora, cuida da tua casa, Davi!” E Israel voltou para suas tendas. 17Quanto aos filhos de Israel que moravam nas cidades de Judá, Roboão reinou sobre eles. 18O rei Roboão enviou Aduram, chefe da corvéia, mas todo o Israel o apedrejou e ele morreu; então o rei Roboão subiu depressa a seu carro, a fim de fugir para Jerusalém. 19E Israel se separou da casa de Davi, até o dia de hoje.

O cisma político20Quando todo o Israel soube que Jeroboão tinha voltado, convidaram-no para a assembléia e proclamaram-no rei sobre todo o Israel; só a tribo de Judá ficou fiel à casa de Davi. 21Quando Roboão voltou a Jerusalém, convocou toda a casa de Judá e a tribo de Benjamim, num todo de cento e oitenta mil guerreiros de escol, para dar combate à casa de Israel e restituir o reino a Roboão, filho de Salomão. 22Mas a palavra de Deus foi dirigida a Semeias, homem de Deus, nestes termos: 23“Fala a Roboão, filho de Salomão, rei de Judá, a toda a casa de Judá, a Benjamim e ao resto do povo: 24Assim fala Iahweh: Não subais para guerrear contra vossos irmãos, os filhos de Israel; volte cada um para sua casa, pois o que aconteceu foi por minha vontade.” Eles obedeceram à ordem de Iahweh e regressaram, como Iahweh lhes ordenara. 25Jeroboão fortificou Siquém na montanha de Efraim e ali se estabeleceu. Depois saiu de lá e fortificou Fanuel.

O cisma religioso26Jeroboão refletiu consigo mesmo: “Desse jeito, o reino pode voltar à casa de Davi. 27Se este povo continua subindo ao Templo de Iahweh, em Jerusalém, para oferecer sacrifícios, o coração do povo se voltará para seu senhor, Roboão, rei de Judá, e matar-me-ão.”28Depois de ter pedido conselho, fez dois bezerros de ouro e disse ao povo: “Deixai de subir a Jerusalém! Israel, eis o teu Deus que te fez sair da terra do Egito.” 29Erigiu um em Betel, 30e o povo foi em procissão diante do outro até Dã. 31Estabeleceu o templo dos lugares altos, e designou como sacerdotes homens tirados do povo, que não eram filhos de Levi. 32Jeroboão celebrou uma festa no oitavo mês, no décimo quinto dia do mês, à semelhança da que se celebrava em Judá, e subiu ao altar. Assim fez ele em Betel, sacrificando aos bezerros que fizera e estabeleceu em Betel os sacerdotes dos lugares altos que instituíra. 33Subiu ao altar que tinha feito, no décimo quinto dia do oitavo mês, isto é, no mês que ele escolhera arbitrariamente; instituiu uma festa para os filhos de Israel e subiu ao altar para queimar incenso.

13 Condenação do altar de Betel1E eis que um homem de Deus chegou de Judá a Betel, por ordem de Iahweh, no momento em que Jeroboão estava de pé diante do altar para queimar incenso, 2e, por ordem de Iahweh, gritou contra o altar este brado: “Altar, altar! assim fala Iahweh: Eis que na casa de Davi nascerá um filho chamado Josias, que imolará sobre ti os sacerdotes dos lugares altos que sobre ti oferecerem sacrifícios, e ele queimará sobre ti ossadas humanas.” 3Ao mesmo tempo, ele deu um sinal, dizendo: “Esse é o sinal de que Iahweh falou: Este altar vai se fender e se espalhará a cinza que está por cima dele.” 4Quando o rei ouviu o que o homem de Deus bradava contra o altar de Betel, estendeu a mão fora do altar e disse: “Agarrai-o!” Mas a mão que ele estendera contra o homem secou, de sorte que ele não a pôde mais recolher; 5o altar se fendeu e as cinzas do altar se espalharam, conforme o sinal que dera o homem de Deus, por ordem de Iahweh. 6Então o rei tomou a palavra e disse ao homem de Deus: “Aplaca, eu te peço, Iahweh teu Deus, a fim de que me seja restituída a mão.” O homem de Deus aplacou Iahweh e a mão do rei lhe foi restituída, ficando como antes. 7O rei disse ao homem de Deus: “Vem comigo à minha casa para refazeres tuas forças e te darei um presente.” 8Mas o homem de Deus disse ao rei: “Mesmo que me desses a metade de tua casa, não iria contigo. Nada comerei nem beberei neste lugar, 9pois recebi de Iahweh esta ordem: Nada comerás nem beberás; nem voltarás pelo mesmo caminho por onde fores.” 10E ele voltou por outro caminho, sem retomar o caminho pelo qual chegara a Betel.

O homem de Deus e o profeta11Ora, habitava em Betel um profeta já idoso e seus filhos vieram contar-lhe tudo o que o homem de Deus fizera naquele dia em Betel; também contaram ao pai as palavras que dissera ao rei. 12Seu pai lhes perguntou: “Em que direção ele seguiu?” E os filhos lhe mostraram o caminho que tomara o homem de Deus que viera de Judá. 13Disse ele aos filhos: “Selai o jumento”; eles lhe selaram o jumento e o pai montou. 14Partiu no encalço do homem de Deus e encontrou-o sentado debaixo de um terebinto e perguntou-lhe: “És tu o homem de Deus vindo de Judá?” E ele respondeu: “Sim.” 15O profeta continuou: “Vem comigo à minha casa para comer alguma coisa.” 16Mas ele respondeu: “Não posso voltar contigo, nem comer ou beber neste lugar, 17pois recebi de Iahweh esta ordem: Lá não comerás nem beberás nada e não voltarás pelo mesmo caminho por onde fores.” 18Então o outro lhe disse: “Eu também sou profeta como tu e um anjo me disse, por ordem de Iahweh: Leva-o contigo à tua casa, para ele comer e beber”; mas era mentira. 19O homem de Deus voltou, pois, com ele, comeu e bebeu em sua casa. 20Ora, enquanto estavam à mesa, a palavra de Iahweh foi dirigida ao profeta que o havia trazido 21e este clamou ao homem de Deus vindo de Judá: “Assim fala Iahweh. Porque foste rebelde à palavra de Iahweh e não cumpriste a ordem que te dera Iahweh teu Deus, 22mas voltaste, comeste e bebeste no lugar do qual te havia dito: ‘Não comerás nem beberás ali’, teu cadáver não entrará no sepulcro de teus pais.” 23Depois que ele comeu e bebeu, o profeta lhe selou o jumento, e ele partiu de regresso.24No caminho, um leão o encontrou e o matou; seu cadáver ficou estendido no caminho, o jumento ficou a seu lado e o leão também ficou junto do cadáver. 25Passaram por ali algumas pessoas que viram o cadáver estendido no caminho e junto dele o leão; foram e divulgaram a notícia na cidade onde morava o velho profeta. 26Ao saber disso, o profeta que o havia feito voltar atrás do caminho disse: “Deve ser o homem de Deus que desobedeceu à ordem de Iahweh! Iahweh o entregou ao leão, que o dilacerou e matou, conforme a predição que Iahweh lhe tinha feito!” 27E ordenou a seus filhos: “Selai para mim o jumento”; e eles o selaram. 28Partiu e encontrou o cadáver estendido no caminho, com o jumento e o leão ao lado; o leão não tinha devorado o cadáver nem dilacerado o jumento. 29Ergueu o cadáver do homem de Deus, colocou-o sobre o jumento e conduziu-o para a cidade onde morava, para pranteá-lo e sepultá-lo. 30Depositou o cadáver no seu próprio túmulo e pranteou-o dizendo: “Ai, meu irmão!” 31Depois de tê-lo sepultado, disse a seus filhos: “Quando eu morrer, sepultai-me no mesmo túmulo em que foi sepultado o homem de Deus; poreis os meus ossos ao lado dos seus. 32Porque com certeza se cumprirá a palavra que ele bradou por ordem de Iahweh contra o altar de Betel e contra todos os santuários dos lugares altos que estão nas cidades de Samaria.” 33Depois desse fato, Jeroboão não se converteu do seu péssimo comportamento, mas continuou a designar como sacerdotes dos lugares altos homens tirados do povo; a quem a desejasse, ele dava a investidura para se tornar sacerdote dos lugares altos. 34Esse modo de proceder fez cair em pecado a casa de Jeroboão e provocou sua ruína e seu extermínio da face da terra.

IV. Os dois reinos até Elias

14 Continuação do reinado de Jeroboão I (931-910)1Por aquele tempo, adoeceu Abias, filho de Jeroboão, 2e Jeroboão disse à sua mulher: “Levanta-te, por favor, disfarça-te para que não reconheçam que és a esposa de Jeroboão, e vai a Silo, onde está o profeta Aías, aquele que me predisse que eu reinaria sobre este povo. 3Leva contigo dez pães, bolos e um pote de mel e vai ter com ele; ele te indicará o que vai suceder ao menino.” 4Assim fez a mulher de Jeroboão; levantou-se, foi a Silo e entrou na casa de Aías. Ora, este não mais conseguia enxergar, porque a velhice lhe paralisara os olhos. 5Mas Iahweh lhe dissera: “Aí vem a esposa de Jeroboão para te pedir um oráculo a respeito do filho, que está doente; e tu lhe dirás isso e isso. Ela virá fazendo-se passar por outra.” 6Logo que Aías ouviu o barulho de seus passos junto à porta, disse: “Entra, esposa de Jeroboão! Por que queres passar por outra? Fui enviado para te dar uma triste mensagem. 7Vai dizer a Jeroboão: ‘Assim fala Iahweh, Deus de Israel: Eu te elevei do meio do povo e te estabeleci como chefe sobre o meu povo Israel; 8tirei o reino da casa de Davi para dá-lo a ti. Mas tu não foste como o meu servo Davi, que observou meus mandamentos e me seguiu de todo o coração, fazendo somente o que é reto aos meus olhos; 9fizeste mais mal que todos os teus antecessores, e chegaste a fazer para ti outros deuses, imagens fundidas para me irritares; lançaste-me para trás das costas. 10Por isso, farei vir a desgraça sobre a casa de Jeroboão; exterminarei todos os varões da casa de Jeroboão, ligados ou livres em Israel; varrerei a casa de Jeroboão como se varre completamente o lixo. 11Os membros da família de Jeroboão que morrerem na cidade serão devorados pelos cães; e os que morrerem no campo serão comidos pelas aves do céu. É Iahweh quem o diz.’ 12E tu, levanta-te e vai para casa; quando puseres os pés na cidade, o menino morrerá. 13Todo o Israel chorará sobre ele e o sepultará. Com efeito, ele será o único membro da família de Jeroboão a ser posto num sepulcro, pois só nele, entre toda a família de Jeroboão, se achou alguma coisa de agradável a Iahweh, Deus de Israel. 14Iahweh estabelecerá sobre Israel um rei que exterminará a casa de Jeroboão. 15Iahweh fará Israel vacilar como o caniço que se agita na água; arrancará Israel desta boa terra que deu a seus pais e o dispersará do outro lado do Rio, porque fizeram seus postes sagrados, provocando a ira de Iahweh. 16Ele abandonará Israel por causa dos pecados que Jeroboão cometeu e levou Israel a cometer.” 17A mulher de Jeroboão levantou-se e partiu. Chegou a Tersa; quando transpôs a soleira de sua porta, o menino já estava morto. 18Sepultaram- no e todo o Israel o pranteou, como dissera Iahweh, por intermédio de seu servo, o profeta Aías. 19O resto da história de Jeroboão, as guerras que fez e seu governo, tudo isso está escrito nos Anais dos reis de Israel. 20O tempo que reinou Jeroboão foi de vinte e dois anos; adormeceu com seus pais e seu filho Nadab reinou em seu lugar.

Reinado de Roboão (931-913)21 Roboão, filho de Salomão, tornou-se rei de Judá; tinha quarenta e um anos quando subiu ao trono e reinou dezessete anos em Jerusalém, cidade que Iahweh escolhera entre todas as tribos de Israel para nela colocar seu Nome. Sua mãe chamava-se Naama, a amonita. 22Fez o mal aos olhos de Iahweh: irritou seu ciúme mais do que tinham feito seus pais, com todos os pecados que cometeram, 23construindo lugares altos, erguendo esteias e postes sagrados sobre toda colina elevada e debaixo de toda árvore frondosa. 24Houve até prostitutos sagrados na terra. Ele imitou todas as abominações das nações que Iahweh havia expulsado de diante dos filhos de Israel. 25No quinto ano do rei Roboão, o rei do Egito, Sesac, atacou Jerusalém. 26Apoderou-se dos tesouros dó Templo de Iahweh e dos do palácio real, levando tudo, até mesmo todos os escudos de ouro que Salomão mandara fazer. 27Para substituí-los, o rei Roboão mandou fazer escudos de bronze e os confiou aos chefes dos guardas, que vigiavam a porta do palácio real. 28Cada vez que o rei ia ao Templo de Iahweh, os guardas vinham e os tomavam e, depois, os devolviam à sala dos guardas. 29O resto da história de Roboão, tudo o que fez, não está escrito no livro dos Anais dos reis de Judá? 30Houve guerra contínua entre Roboão e Jeroboão. 31Roboão adormeceu com seus pais e foi enterrado na Cidade de Davi; seu filho Abiam reinou em seu lugar.

15 Reinado de Abiam em Judá (913-911)1No décimo oitavo ano do rei Jeroboão, filho de Nabat, Abiam tornou-se rei de Judá 2e reinou três anos em Jerusalém; sua mãe chamava-se Maaca, filha de Absalão 3Imitou os pecados que seu pai cometera antes dele e seu coração não foi plenamente fiel a Iahweh seu Deus como o coração de Davi, seu ancestral. 4Contudo, por consideração para com Davi, Iahweh seu Deus conservou lhe uma lâmpada em Jerusalém, mantendo seu filho depois dele e poupando Jerusalém. 5Davi, com efeito, fizera o que é reto aos olhos de Iahweh e em nada se tinha afastado do que ele lhe ordenara por toda a sua vida (com exceção do episódio de Urias, o heteu). (6) 7O resto da história de Abiam, tudo o que fez, não está escrito no livro dos Anais dos reis de Judá? Houve guerra entre Abiam e Jeroboão. 8Depois Abiam adormeceu com seus pais e foi sepultado na Cidade de Davi; seu filho Asa reinou em seu lugar.

Reinado de Asa em Judá (911-870)9No vigésimo ano de Jeroboão, rei de Israel, Asa tornou-se rei de Judá 10e reinou quarenta e um anos em Jerusalém; sua avó chamava-se Maaca, filha de Absalão. 11Asa fez o que é reto aos olhos de Iahweh, como Davi seu pai. 12Expulsou da terra todos os prostitutos sagrados e aboliu todos os ídolos que seus pais haviam feito. 13Chegou a retirar de sua avó a dignidade de Grande Dama, porque ela fizera um ídolo para Aserá; Asa quebrou o ídolo e queimou-o no vale do Cedron. 14Os lugares altos não desapareceram; mas o coração de Asa foi plenamente fiel a Iahweh, por toda a sua vida. 15Depositou no Templo de Iahweh as oferendas consagradas por seu pai e suas próprias oferendas: prata, ouro e objetos. 16Houve guerra entre Asa e Baasa, rei de Israel, enquanto viveram. 17Baasa, rei de Israel, atacou Judá e fortificou Ramá para impedir as comunicações com Asa, rei de Judá. 18Então Asa tomou a prata e o ouro que restavam nos tesouros do Templo de Iahweh e no do palácio real e entregou- os a seus servos, e os enviou a Ben-Adad, filho de Tabremon, filho de Hezion, rei de Aram, que residia em Damasco, com esta mensagem: 19“Haja aliança entre mim e ti, entre meu pai e teu pai! Envio-te um presente de prata e ouro. Vai e rompe tua aliança com Baasa, rei de Israel, para que se retire de mim!” 20Ben-Adad deu ouvidos ao rei Asa e enviou os chefes de seu exército contra as cidades de Israel; conquistou Aion, Dã, Abel-Bet-Maaca, todo o Quineret e até mesmo toda a região de Neftali. 21Quando Baasa o soube, suspendeu os trabalhos em Ramá e voltou a Tersa. 22Então o rei Asa convocou todo o Judá, sem excetuar ninguém; tiraram as pedras e a madeira com as quais Baasa estava fortificando Ramá e com elas o rei fortificou Gaba de Benjamim e Masfa. 23O resto da história de Asa, toda a sua valentia e todos os seus atos, não está tudo escrito no livro dos Anais dos reis de Judá? No tempo de sua velhice, porém, teve uma doença nos pés. 24Asa adormeceu com seus pais e foi sepultado na Cidade de Davi, seu pai, e reinou em seu lugar seu filho Josafá.

Reinado de Nadab em Israel (910-909)25No segundo ano de Asa, rei de Judá, Nadab, filho de Jeroboão, tornou-se rei de Israel e reinou dois anos em Israel. 26Fez o mal aos olhos de Iahweh; imitou o comportamento de seu pai e o pecado ao qual tinha arrastado Israel. 27Baasa, filho de Aías, da casa de Issacar, conspirou contra ele e o assassinou em Gebeton, cidade filistéia que Nadab e todo o Israel sitiavam. 28Baasa matou-o no terceiro ano de Asa, rei de Judá, e reinou em seu lugar. 29Logo que se tornou rei, massacrou toda a casa de Jeroboão, sem poupar ninguém, até ao extermínio, segundo a predição que Iahweh fizera por intermédio de seu servo Aías de Silo, 30por causa dos pecados que ele cometera e fizera Israel cometer, provocando assim a indignação de Iahweh, Deus de Israel. 31O resto da história de Nadab, todos os seus feitos, não está tudo escrito no livro dos Anais dos reis de Israel?(32).

Reinado de Baasa em Israel (909-886)33No terceiro ano de Asa, rei de Judá, Baasa, filho de Aías, tornou-se rei sobre Israel em Tersa e reinou vinte e quatro anos. 34Fez o mal aos olhos de Iahweh e imitou a conduta de Jeroboão e o pecado ao qual ele tinha arrastado Israel.

16 1A palavra de Deus foi dirigida de Jeú, filho de Hanani, contra Baasa, nestes termos: 2“Elevei-te do pó e te estabeleci chefe sobre o meu povo Israel, mas tu imitaste o comportamento de Jeroboão e levaste Israel, meu povo, a cometer pecados que me irritam. 3Por isso, varrerei Baasa e sua casa; tornarei sua casa semelhante à de Jeroboão, filho de Nabat. 4Todo membro da família de Baasa que morrer na cidade será devorado pelos cães; e o que morrer no campo será comido pelas aves do céu.” 5O resto da história de Baasa, seus atos e proezas, não está tudo escrito no livro dos Anais dos reis de Israel? 6Baasa adormeceu com seus pais e foi sepultado em Tersa. Seu filho Ela reinou em seu lugar. 7Além disso, por intermédio do profeta Jeú,filho de Hanani, a palavra de Iahweh foi transmitida a Baasa e à sua casa, não só por causa de todo o mal que fizera aos olhos de Iahweh, irritando-o com suas ações, tornando-se semelhante à casa de Jeroboão, mas também por ter exterminado essa casa.

Reinado de Ela em Israel (886-885)8No vigésimo sexto ano de Asa, rei de Judá, Ela, filho de Baasa, tornou-se rei de Israel em Tersa e reinou por dois anos. 9Seu servo Zambri, chefe da metade de seus carros, conspirou contra ele. Estando ele em Tersa, bebendo e embriagando-se em casa de Arsa, mordomo do palácio em Tersa, 10Zambri entrou, feriu-o e o matou- o, no vigésimo sétimo ano de Asa, rei de Judá; depois reinou no lugar dele. 11Logo que se tornou rei e sentou-se no trono, massacrou toda a família de Baasa, sem lhe deixar um só varão, e matou também seus parentes e seu amigo. 12Zambri exterminou toda a casa de Baasa, segundo a predição que Iahweh fizera contra Baasa, por intermédio do profeta Jeú, 13por causa de todos os pecados que cometeram Baasa e Ela, seu filho, e fizeram Israel cometer, irritando Iahweh, Deus de Israel, com seus ídolos vãos. 14O resto da história de Ela e todos os seus atos, não está tudo escrito no livro dos Anais dos reis de Israel?

Reinado de Zambri em Israel (885)15No vigésimo sétimo ano de Asa, rei de Judá, Zambri tornou-se rei em Tersa, reinando sete dias. Na ocasião o povo estava acampado diante de Gebeton que pertence aos filisteus. 16Quando o acampamento recebeu esta notícia: “Zambri fez uma conspiração e inclusive matou o rei!”, todo o Israel, na mesma hora, no acampamento, proclamou rei de Israel Amri, chefe do exército. 17Amri e todo o Israel com ele saíram de Gebeton e vieram sitiar Tersa. 18Quando Zambri viu que a cidade ia ser tomada, entrou na cidadela do palácio real, pôs fogo no palácio, estando lá dentro, e morreu. 19Tudo por causa do pecado que cometera, fazendo o mal aos olhos de Iahweh, imitando a conduta de Jeroboão e o pecado que fizera, levando Israel a pecar. 20O resto da história de Zambri e a conspiração que ele tramou, não está tudo escrito no livro dos anais dos reis de Israel? 21Então o povo de Israel se dividiu: metade apoiou Tebni, filho de Ginet, querendo fazê-lo rei; a outra metade apoiou Amri. 22Mas o partido de Amri prevaleceu sobre o de Tebni, filho de Ginet; Tebni morreu e Amri tornou-se rei.

Reinado de Amri em Israel (885-874)23No trigésimo primeiro ano de Asa, rei de Judá, Amri tornou-se rei de Israel, por doze anos. Reinou seis anos em Tersa. 24Depois comprou de Semer o monte Samaria por dois talentos de prata; construiu sobre ele uma cidade a que deu o nome de Sama- ria, por causa do nome de Semer, proprietário do monte. 25Amri fez o mal aos olhos de Iahweh, superando nisso todos os seus antecessores. 26Imitou em tudo a conduta de Jeroboão, filho de Nabat, e os pecados a que este levara Israel, irritando Iahweh, Deus de Israel, com seus ídolos vãos. 27O resto da história de Amri, seus atos e proezas, não está tudo escrito no livro dos anais dos reis de Israel? 28Amri adormeceu com seus pais e foi sepultado em Samaria. Seu filho Acab reinou em seu lugar.

Introdução ao reinado de Acab (874-853)29Acab, filho de Amri, tornou-se rei no trigésimo oitavo ano de Asa, rei de Judá, e reinou vinte e dois anos sobre Israel, em Samaria. 30Acab, filho de Amri, fez o mal aos olhos de Iahweh, mais do que todos os seus antecessores. 31Como se não lhe bastasse imitar os pecados de Jeroboão, filho de Nabat, desposou ainda Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios, e passou a servir Baal e a adorá-lo; 32erigiu-lhe um altar no templo de Baal, que construiu em Samaria. 33Acab erigiu também um poste sagrado e cometeu ainda outros pecados, irritando Iahweh, Deus de Israel, mais que todos os reis de Israel que o precederam. 34No seu tempo, Hiel de Betel reconstruiu Jericó; pelo preço de seu primogênito Abiram lançou-lhe os fundamentos e pelo preço de seu último filho Segub assentou-lhe as portas, conforme a predição que Iahweh fizera por intermédio de Josué, filho de Nun.

V. O ciclo de Elias

1. A GRANDE SECA

17 Anúncio do castigo1Elias, tesbita, de Tesbi em Galaad, disse a Acab: “Pela vida de Iahweh, o Deus de Israel, a quem sirvo: não haverá nestes anos nem orvalho nem chuva, a não ser quando eu o ordenar.”

Na torrente de Carit2A palavra de Iahweh foi-lhe dirigida nestes termos: 3“Vai-te daqui, retira-te para o oriente e esconde-te na torrente de Carit, que está a leste do Jordão. 4Beberás da torrente e ordenei aos corvos que te dêem lá alimento.” 5Elias partiu, pois, e fez como Iahweh ordenara, indo morar na torrente de Carit, a leste do Jordão. 6Os corvos lhe traziam pão de manhã e carne à tarde, e ele bebia da torrente.

Em Sarepta. O milagre da farinha e do óleo7Depois de certo tempo, a torrente secou, porque não chovia mais na terra. 8Então a palavra de Iahweh lhe foi dirigida nestes termos: 9“Levanta-te e vai a Sarepta, que pertence à Sidônia, e lá habitarás. Eis que ordenei lá, a uma viúva, que te dê o sustento.” 10Ele se levantou e foi para Sarepta. Chegando à porta da cidade, eis que estava lá uma viúva apanhando lenha; chamou-a e disse: “Por favor, traze-me num vaso um pouco d’água para eu beber!” 11Quando ela já estava indo para buscar água, ele gritou-lhe: “Traze-me também um pedaço de pão na tua mão!” 12Respondeu ela: “Pela vida de Iahweh, teu Deus, não tenho pão cozido; tenho apenas um punhado de farinha numa vasilha e um pouco de azeite na jarra. Estou ajuntando uns gravetos, vou preparar esse resto para mim e meu filho; nós o comeremos e depois esperaremos a morte.” 13Mas Elias lhe respondeu: “Não temas; vai e faze como disseste. Mas, primeiro, prepara-me com o que tens um pãozinho e traze- mo; depois o prepararás para ti e para teu filho. 14Pois assim fala Iahweh, Deus de Israel: A vasilha de farinha não se esvaziará e a jarra de azeite não acabará, até o dia em que Iahweh enviar a chuva sobre a face da terra.” 15Ela partiu e fez como Elias disse e fizeram uma refeição ele, ela e seu filho: 16A vasilha de farinha não se esvaziou e a jarra de azeite não acabou, conforme a predição que Iahweh fizera por intermédio de Elias.

A ressurreição do filho da viúva17Depois disso, aconteceu que o filho dessa mulher, dona da casa, adoeceu e seu mal foi tão grave que ele veio a falecer. 18Então ela disse a Elias: “Que há entre mim e ti, homem de Deus? Vieste à minha casa para reavivar a lembrança de minhas faltas e causar a morte do meu filho!” 19Ele respondeu: “Dá-me teu filho.” Tomando-o dos braços dela, levou-o ao quarto de cima onde morava e colocou-o sobre seu leito. 20Depois clamou a Iahweh, dizendo: “Iahweh, meu Deus, até a viúva que me hospeda queres afligir, fazendo seu filho morrer?” 21Estendeu-se por três vezes sobre o menino e invocou Iahweh: “Iahweh, meu Deus, eu te peço, faze voltar a ele a alma deste menino!” 22Iahweh atendeu à súplica de Elias e a alma do menino voltou a ele e ele reviveu. 23Elias tomou o menino, desceu-o do quarto de cima para dentro da casa e entregou-o à sua mãe, dizendo: “Olha, teu filho está vivo.” 24A mulher respondeu a Elias: “Agora sei que és um homem de Deus e que Iahweh fala verdadeiramente por tua boca!”

18 Encontro de Elias com Abdias1Passado muito tempo, a palavra de Iahweh foi dirigida a Elias, no terceiro ano, nestes termos: “Vai apresentar-te diante de Acab; vou mandar a chuva sobre a face da terra.” 2E Elias partiu e foi apresentar-se diante de Acab. Era grande a fome em Samaria. 3Acab mandou chamar Abdias, intendente do palácio. — Era um homem muito temente a Iahweh; 4quando Jezabel massacrou os profetas de Iahweh, ele trouxe cem profetas e os escondeu numa gruta em grupos de cinqüenta, providenciando-lhes comida e bebida —.  5Acab disse a Abdias: “Vem! Nós vamos percorrer a terra, procurando todas as fontes e torrentes; talvez encontremos erva para manter vivos os cavalos e os burros e não tenhamos de sacrificar os animais.” 6Repartiram entre si a terra para percorrê-la: Acab partiu sozinho para um lado e Abdias partiu sozinho para o outro. 7Enquanto Abdias caminhava, eis que Elias veio ao seu encontro; ele o reconheceu e se prostrou com o rosto em terra dizendo: “És tu Elias, meu senhor?” 8Ele respondeu: “Sou eu! Vai, dize a teu amo: Elias está aqui.” 9Mas replicou o outro: “Que pecado cometi para entregares teu servo nas mãos de Acab, para ele me matar? 10Pela vida de Iahweh, teu Deus! não há nação nem reino aonde meu amo não tenha mandado te procurar; e quando respondiam: ‘Ele não está aqui’, fazia o reino e a nação jurarem que não te haviam achado. 11E agora mandas: ‘Vai dizer a teu amo: Elias está aqui’, 12mas quando eu me apartar de ti, o espírito de Iahweh te transportará não sei para onde, eu irei informar Acab e ele, não te achando, me matará! No entanto, teu servo teme a Iahweh desde a juventude. 13Porventura não foi contado a meu senhor o que fiz quando Jezabel massacrou os profetas de Iahweh? Escondi cem profetas de Iahweh, em grupos de cinqüenta, numa gruta e lhes forneci pão e água. 14E agora ordenas: ‘Vai dizer a teu amo: Elias está aqui.’ Ele vai me matar!” 15Elias respondeu-lhe: “Pela vida de Iahweh dos Exércitos, a quem sirvo, hoje mesmo me apresentarei a ele”.

Elias e Acab16Abdias foi encontrar-se com Acab e contou-lhe o acontecido; e Acab saiu ao encontro de Elias. 17Logo que viu Elias, Acab lhe disse: “Estás aí, flagelo de Israel!” 18Elias respondeu: “Não sou eu o flagelo de Israel, mas és tu e tua família, porque abandonastes Iahweh e seguiste os baals. 19Pois bem, manda que se reúna junto de mim, no monte Carmelo, todo o Israel com os quatrocentos e cinqüenta profetas de Baal, que comem à mesa de Jezabel.”

O sacrifício no Carmelo20Acab convocou todos os filhos de Israel e reuniu os profetas no monte Carmelo. 21Elias, aproximando-se de todo o povo, disse: “Até quando claudicareis das duas pernas?r Se Iahweh é Deus, segui-o; se é Baal segui-o.” E o povo não lhe pôde dar resposta. 22Então Elias disse ao povo: “Sou o único dos profetas de Iahweh que fiquei, enquanto os profetas de Baal são quatrocentos e cinqüenta. 23Dêem-nos dois novilhos; que eles escolham um para si e depois de esquartejá-lo o coloquem sobre a lenha, sem lhe pôr fogo. Prepararei o outro novilho sem lhe pôr fogo. 24Invocareis depois o nome de vosso deus, e eu invocarei o nome de Iahweh: o deus que responder enviando fogo, é ele o Deus.” Todo o povo respondeu: “Está bem.” 25Elias disse então aos profetas de Baal: “Escolhei para vós um novilho e preparai vós primeiro, pois sois mais numerosos. Invocai o nome de vosso deus, mas não acendais o fogo.” 26Eles tomaram o novilho e o fizeram em pedaços e invocaram o nome de Baal desde a manhã até o meio-dia, dizendo: “Baal, responde-nos!” Mas não houve voz, ninguém respondeu; e eles dançavam dobrando o joelho diante do altar que tinham feito. 27Ao meio-dia, Elias zombou deles, dizendo: “Gritai mais alto; pois, sendo um deus, ele pode estar conversando ou fazendo negócios ou, então, viajando; talvez esteja dormindo e acordará!” 28Gritaram mais forte e, segundo seu costume, fizeram incisões no próprio corpo, com espadas e lanças, até escorrer sangue. 29Quando passou do meio-dia, entraram em transe até a hora da apresentação da oferenda, mas não houve voz, nem resposta, nem sinal de atenção. 30Então Elias disse a todo o povo: “Aproximai-vos de mim”; e todo o povo se aproximou dele. Ele restaurou o altar de Iahweh que fora demolido. 31Tomou doze pedras, segundo o número das doze tribos dos filhos de Jacó, a quem Deus se dirigira, dizendo: “Teu nome será Israel”, 32e edificou com as pedras um altar ao nome de Iahweh. Fez em redor do altar um rego capaz de conter duas medidas de semente. 33Empilhou a lenha, esquartejou o novilho e colocou-o sobre a lenha. 34Depois disse: “Enchei quatro talhas de água e entornai-a sobre o holocausto e sobre a lenha”; assim o fizeram. E ele disse: “Fazei-o de novo”, e eles o fizeram. E acrescentou: “Fazei-o pela terceira vez”, e eles o fizeram. 35A água se espalhou em torno do altar e inclusive o rego ficou cheio d’água.” 36Na hora em que se apresenta a oferenda, Elias, o profeta, aproximou-se e disse: “Iahweh, Deus de Abraão, de Isaac e de Israel, saiba-se hoje que tu és Deus em Israel, que sou teu servo e que foi por ordem tua que fiz todas estas coisas. 37Responde-me, Iahweh, responde-me, para que este povo reconheça que és tu, Iahweh, o Deus, e que convertes os corações deles!”38Então caiu o fogo de Iahweh e consumiu o holocausto e a lenha, secando a água que estava no rego. 39Todo o povo o presenciou; prostrou-se com o rosto em terra, exclamando: “É Iahweh que é Deus! É Iahweh que é Deus!” 40Elias lhes disse: “Prendei os profetas de Baal; que nenhum deles escape!” e eles os prenderam. Elias fê-los descer para perto da torrente do Quison e lá os degolou.

O fim da seca41Disse Elias a Acab: “Sobe, come e bebe, pois estou ouvindo o barulho da chuva.” 42Enquanto Acab subia para comer e beber, Elias subiu ao cume do Carmelo, prostrou-se em terra e pôs o rosto entre os joelhos. 43Disse a seu servo: “Sobe e olha para o lado do mar.” Ele subiu, olhou e disse: “Nada!” E Elias disse: “Retorna sete vezes.” 44Na sétima vez, o servo disse: “Eis que sobe do mar uma nuvem, pequena como a mão de uma pessoa.” Então Elias disse: “Vai dizer a Acab: Prepara o carro e desce, para que a chuva não te detenha.” 45Num instante o céu se escureceu com muita nuvem e vento e caiu uma forte chuva. Acab subiu ao seu carro e partiu para Jezrael.46A mão de Iahweh esteve sobre Elias, ele cingiu os rins e correu diante de Acab até a entrada de Jezrael.

2. ELIAS NO HOREB

19 A caminho do Horeb1Acab contou a Jezabel tudo o que fizera Elias e como passara a fio de espada todos os profetas. 2Então Jezabel mandou a Elias um mensageiro para lhe dizer: “Que os deuses me façam este mal e acrescentem este outro, se amanhã a esta hora eu não tiver feito de tua vida o que fizeste da vida deles!” 3EIias teve medo; levantou-se e partiu para salvar a vida. Chegou a Bersabéia, que pertence a Judá, e deixou lá seu servo. 4Quanto a ele, fez pelo deserto a caminhada de um dia e foi sentar-se debaixo de um junípero. Pediu a morte, dizendo: “Agora basta, Iahweh! Retira-me a vida, pois não sou melhor que meus pais.” 5Deitou-se e dormiu debaixo do junípero. Mas eis que um Anjo o tocou e disse-lhe: “Levanta-te e come.” 6Abriu os olhos e eis que, à sua cabeceira, havia um pão cozido sobre pedras quentes e um jarro de água. Comeu, bebeu e depois tornou a deitar-se. 7Mas o Anjo de Iahweh veio pela segunda vez, tocou-o e disse: “Levanta-te e come, pois do contrário o caminho te será longo demais.” 8Levantou-se, comeu e bebeu e, depois, sustentado por aquela comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites até à montanha de Deus, o Horeb.

O encontro com Deus9Lá ele entrou numa gruta, onde passou a noite. E foi-lhe dirigida a palavra de Iahweh nestes termos: “Que fazes aqui, Elias?” 10Ele respondeu: “Eu me consumo de ardente zelo por Iahweh dos Exércitos, porque os filhos de Israel abandonaram tua aliança, derrubaram teus altares, e mataram teus profetas. Fiquei somente eu e procuram tirar-me a vida.” 11E Deus disse: “Sai e fica na montanha diante de Iahweh.” E eis que Iahweh passou. Um grande e impetuoso furacão fendia as montanhas e quebrava os rochedos diante de Iahweh, mas Iahweh não estava no furacão; e depois do furacão houve um terremoto, mas Iahweh não estava no terremoto; 12e depois do terremoto um fogo, mas Iahweh não estava no fogo; e depois do fogo o murmúrio de uma brisa suave. 13Quando Elias o ouviu, cobriu o rosto com o manto, saiu e pôs-se à entrada da gruta. Então, veio-lhe uma voz, que disse: “Que fazes aqui, Elias?” 14Ele respondeu: “Eu me consumo de ardente zelo por Iahweh dos Exércitos, porque os filhos de Israel abandonaram tua aliança, derrubaram teus altares e mataram teus profetas à espada. Fiquei somente eu e procuram tirar-me a vida.” 15Iahweh lhe disse: “Vai, retoma teu caminho na direção do deserto de Damasco. Irás ungir Hazael como rei de Aram. 16Ungirás Jeú, filho de Namsi, como rei de Israel, e ungirás” Eliseu, filho de Safat, de Abel-Meula, como profeta em teu lugar. 17Quem escapar à espada de Hazael, Jeú o matará, e o que escapar da espada de Jeú, Eliseu o matará. 18Mas pouparei em Israel sete mil homens, todos os joelhos que não se dobraram diante de Baal e todas as bocas que não o beijaram.”

Vocação de Eliseu19Partindo dali, Elias encontrou Eliseu filho de Safat trabalhando tom doze juntas de bois diante dele; ele próprio conduzia a duodécima junta. Elias passou perto dele e lançou sobre ele seu manto. 20Eliseu abandonou seus bois, correu atrás de Elias e disse: “Deixa-me abraçar meu pai e minha mãe, depois te seguirei.” Elias respondeu: “Vai e volta; pois que te fiz eu?” 21Eliseu afastou-se de Elias e, tomando a junta de bois, a imolou. Serviu-se da lenha do arado para cozinhar a carne e deu-a ao pessoal para comer. Depois levantou-se e seguiu Elias na qualidade de servo.

3. GUERRAS CONTRA OS ARAMEUS

20 Samaria é sitiada1Ben-Adad, rei de Aram, mobilizou todo o seu exército — tinha consigo trinta e dois reis, cavalos e carros —, subiu, assediou Samaria e a atacou. 2Enviou mensageiros a Acab, rei de Israel, na cidade, 3incumbidos’de lhe dizerem: “Assim fala Ben-Adad. Tua prata e teu ouro são meus; tuas mulheres e teus filhos fiquem para ti.” 4O rei de Israel deu esta resposta: “Seja como disseste, senhor meu rei. Sou teu, com tudo o que me pertence.” 5Mas os mensageiros voltaram e disseram: “Assim fala Ben-Adad. Eu mando dizer-te: ‘Dá-me tua prata e teu ouro, tuas mulheres e teus filhos.’ 6Amanhã a esta hora enviar-te-ei meus servos, que revistarão tua casa é as casas de teus servos e se apoderarão de tudo quanto lhes aprouver” e o carregarão.” 7Então o rei de Israel convocou todos os anciãos da terra e disse: “Reparai e vede que esse homem quer a nossa perda! Exige de mim minhas mulheres e meus filhos, embora eu não lhe tenha recusado minha prata e meu ouro.” 8Todos os anciãos e todo o povo disseram-lhe: “Não lhe obedeças nem consintas!” 9Ele deu, pois, esta resposta aos mensageiros de Ben-Adad: “Dizei ao senhor meu rei: Farei tudo o que pediste a leu servo da primeira vez; mas esta outra exigência não a posso satisfazer.” E os mensageiros partiram, levando a resposta. 10Então Ben-Adad mandou dizer-lhe: “Que os deuses me façam este mal e acrescentem este outro, se o pó de Samaria for suficiente para encher o côncavo da mão de todo o povo que me acompanha!” 11Mas o rei de Israel deu-lhe esta resposta: “Dizei-lhe: Aquele que cinge seu cinturão não se glorie como aquele que o tira!” 12Quando Ben-Adad ouviu esta resposta — ele estava bebendo com os reis nas suas tendas — ordenou a seus servos: “Tomai posição!” e eles tomaram posição contra a cidade.

Vitória israelita13Então um profeta veio procurar Acab, rei de Israel, e disse: “Assim fala Iahweh. Vês esta imensa multidão? Pois eu a entrego hoje em tuas mãos e reconhecerás que eu sou Iahweh.” 14Acab perguntou: “Por quem?” E o profeta: “Assim fala Iahweh: Pelos servos dos chefes das províncias.” Acab insistiu: “Quem dará início ao combate?” — “Tu mesmo”, respondeu o profeta. 15Acab passou revista aos servos dos chefes das províncias. Eram ao todo duzentos e trinta e dois. Em seguida, passou revista a todo o exército, todos os filhos de Israel, que eram sete mil. 16Fizeram uma incursão ao meio-dia, quando Ben-Adad estava nas tendas embebedando-se junto com os trinta e dois reis, seus aliados. 17Saíram primeiro os servos dos chefes das províncias. Ben-Adad mandou saber o que era e informaram-lhe: “Saíram alguns homens de Samaria.” 18Ele ordenou: “Se saíram com intento de paz, capturai-os vivos, e se saíram para combater, capturai-os vivos também!” 19Saíram então da cidade os servos dos chefes das províncias, seguidos do exército, 20e cada um deles abateu seu adversário. Os arameus fugiram e Israel os perseguiu; Ben-Adad, rei de Aram, salvou-se montando num cavalo de parelha.21Então saiu o rei de Israel; tomou os cavalos e os carros e infligiu a Aram uma grande derrota.

Entreato22O profeta aproximou-se do rei de Israel e lhe disse: “Vamos! Coragem! Pondera com cuidado o que deves fazer, pois na passagem do ano o rei de Aram te atacará.” 23Os servos do rei de Aram disseram-lhe: “O Deus dessa gente é um Deus de montanhas, é por isso que nos venceram. Mas lutemos contra eles na planície e certamente os venceremos. 24Faze, pois, o seguinte; afasta esses reis do seu posto e substitui-os por governadores. 25Recruta um exército tão numeroso como o que perdeste, com o mesmo número de cavalos e carros; depois, combatamo-los na planície e certamente os venceremos.” O rei seguiu o conselho deles e assim fez.

Vitória de Afec26Na passagem do ano, Ben-Adad mobilizou os arameus e subiu a Afec para combater Israel. 27Os filhos de Israel foram mobilizados e providos de víveres, saindo depois ao seu encontro. Acampados diante dos inimigos, os filhos de Israel eram como dois rebanhos de cabras, enquanto os arameus enchiam toda a região. 28O homem de Deus aproximou-se do rei de Israel e disse-lhe: “Assim fala Iahweh. Já que Aram disse que Iahweh é um Deus de montanhas e não um Deus de planícies, entrego em tuas mãos toda essa multidão e reconhecerás que eu sou Iahweh.” 29Durante sete dias estiveram acampados uns diante dos outros. No sétimo dia travou-se a batalha e os filhos de Israel mataram num só dia cem mil soldados de infantaria dos arameus. 30Os sobreviventes fugiram para Afec, para a cidade, mas as muralhas desabaram sobre os vinte e sete mil homens que restaram. Ora, Ben-Adad fugira e se refugiara na cidade num quarto retirado. 31Seus servos disseram-lhe: “Olha! Ouvimos dizer que os reis de Israel são reis clementes. Ponhamos sacos nos rins e cordas no pescoço e iremos ter com o rei de Israel; talvez ele te poupe a vida.” 32Puseram, pois, sacos nos rins e cordas no pescoço e foram ter com o rei de Israel e disseram: “Assim fala teu servo Ben-Adad: Deixa-me viver!” Ele respondeu: “Ele ainda está vivo? É meu irmão!” 33Aqueles homens acolheram essas palavras como um bom augúrio e apressaram-se em tomá-las ao pé da letra, dizendo: “Ben- Adad é teu irmão.” Acab respondeu: “Ide buscá-lo.” Veio Ben-Adad à presença de Acab e este o fez subir a seu carro. 34Ben-Adad então lhe disse: “Vou restituir-te as cidades que meu pai tomou de teu pai; e poderás abrir para ti mercados em Damasco, como meu pai os possuía em Samaria.” — “Quanto a mim”, disse Acab, “deixar-te-ei em liberdade mediante um contrato.” Acab fez um contrato com ele e deixou-o em liberdade.

Um profeta condena a atitude de Acab35Um dos filhos dos profetas disse a seu companheiro, por ordem de Iahweh: “Fere-me!”, mas este recusou-se a feri-lo. 36Replicou-lhe ele: “Porque não obedeceste à voz de Iahweh, logo que te afastares de mim um leão te matará”; logo que ele se afastou, um leão o encontrou e o matou.37O profeta encontrou-se com outro homem e disse: “Fere-me!” O homem desferiu-lhe um golpe e o feriu.’ 38O profeta partiu e ficou aguardando o rei na estrada; tinha ficado irreconhecível com a atadura que pôs sobre os olhos. 39Ao passar o rei, ele gritou-lhe: “Teu servo ia a combate quando alguém saiu das fileiras e trouxe-me um homem, dizendo: ‘Guarda este homem! Se ele desaparecer, tua vida responderá pela sua ou, então, pagarás um talento de prata.’ 40Ora, enquanto teu servo estava ocupado aqui e ali, o outro desapareceu.” O rei de Israel disse-lhe: “Esta é a tua sentença! Tu mesmo a pronunciaste.” 41E, sem demora, o homem tirou a atadura que trazia sobre os olhos e o rei de Israel reconheceu que ele era um dos profetas. 42Ele disse ao rei: “Assim fala Iahweh: porque deixaste escapar um homem que eu tinha votado ao anátema, tua vida responderá por sua vida e teu povo por seu povo.” 43E o rei de Israel voltou para casa aborrecido e irritado e entrou em Samaria.

4. A VINHA DE NABOT

21 Nabot recusa-se a ceder sua vinha1Eis o que se passou depois desses fatos: Nabot de Jezrael tinha uma vinha em Jezrael, ao lado do palácio de Acab, rei de Samaria, 2e Acab assim falou a Nabot: “Cede- me tua vinha, para que eu a transforme numa horta, já que ela está situada junto ao meu palácio; em troca te darei uma vinha melhor, ou, se preferires, pagarei em dinheiro o seu valor.” 3Mas Nabot respondeu a Acab: “Iahweh me livre de ceder-te a herança dos meus pais!”

Acab e Jezabel4Acab voltou para casa aborrecido e irritado por causa desta resposta que lhe dera Nabot de Jezrael: “Não te cederei a herança dos meus pais.” Estendeu-se na cama, voltou o rosto para a parede e não quis comer nada. 5Sua mulher Jezabel aproximou-se dele e disse-lhe: “Por que estás aborrecido e não queres comer?” 6Respondeu ele: “Porque conversei com Nabot de Jezrael e lhe propus: ‘Cede-me tua vinha pelo seu preço em dinheiro, ou, se preferires, dar-te-ei outra vinha em troca.’ Mas ele respondeu: ‘Não te cederei minha vinha.’ ” 7Então sua mulher Jezabel lhe disse: “És tu que agora governas Israel? Levanta-te e come e que teu coração se alegre, pois eu te darei a vinha de Nabot de Jezrael.”

Assassínio de Nabot8Ela escreveu então umas cartas em nome de Acab, selou-as com o selo real, e enviou-as aos anciãos e aos notáveis, concidadãos de Nabot. 9Nessas cartas escrevera o seguinte: “Proclamai um jejum e fazei Nabot sentar-se entre os primeiros do povo.” 10Fazei comparecer diante dele dois homens inescrupulosos que o acusem assim: ‘Tu amaldiçoaste a Deus e ao rei!’ Levai-o para fora, apedrejai-o para que morra!” 11Os homens da cidade de Nabot, os anciãos e os notáveis que moravam na mesma cidade, fizeram conforme Jezabel lhes havia ordenado, segundo estava escrito nas cartas que ela lhes enviara. 12Proclamaram um jejum e colocaram Nabot entre os primeiros do povo. 13Então chegaram os dois homens inescrupulosos, que se sentaram diante dele e testemunharam contra Nabot diante do povo, dizendo: “Nabot amaldiçoou a Deus e ao rei.” Levaram-no para fora da cidade, apedrejaram-no e ele morreu. 14Depois mandaram a notícia a Jezabel: “Nabot foi apedrejado e está morto.” 15Quando Jezabel ouviu que Nabot tinha sido apedrejado e que estava morto, disse a Acab: “Levanta-te e vai tomar posse da vinha de Nabot de Jezrael, que ele não quis te ceder por seu preço em dinheiro; pois Nabot já não vive: está morto.” 16Quando Acab soube que Nabot estava morto, levantou-se para descer à vinha de Nabot de Jezrael e dela tomar posse.

Elias fulmina a condenação divinal17Então a palavra de Iahweh foi dirigida a Elias, o tesbita, nestes termos: 18“Levanta-te e desce ao encontro de Acab, rei de Israel, que está em Samaria. Ele se encontra na vinha de Nabot, aonde desceu para dela tomar posse. 19Isto lhe dirás: Assim fala Iahweh: Mataste e ainda por cima roubas! Por isso, assim fala Iahweh: No mesmo lugar em que os cães lamberam o sangue de Nabot, os cães lamberão também o teu.” 20Acab disse a Elias: “Então me apanhaste, meu inimigo!” Elias respondeu: “Sim, apanhei-te. Porque te deixaste subornar para fazer o que é mau aos olhos de Iahweh, 21farei cair sobre ti a desgraça: varrerei a tua raça, exterminarei os varões da casa de Acab, ligados ou livres em Israel. 22Farei com tua casa como fiz com as de Jeroboão, filho de Nabat, e de Baasa, filho de Aías, porque provocaste a minha ira e fizeste Israel pecar. 23(Também contra Jezabel Iahweh pronunciou uma sentença: ‘Os cães devorarão Jezabel no campo de Jezrael.’) 24A pessoa da família de Acab que morrer na cidade será devorada pelos cães; e quem morrer no campo será comido pelas aves do céu.” 25De fato, não houve ninguém que, como Acab, se tenha vendido para fazer o que desagrada a Iahweh, porque a isso o incitava sua mulher Jezabel. 26Agiu de um modo extremamente abominável, cultuando os ídolos, como fizeram os amorreus que Iahweh expulsara de diante dos filhos de Israel.

Arrependimento de Acab27Quando Acab ouviu essas palavras, rasgou as vestes, cobriu o corpo com pano de saco e jejuou; dormia vestido de pano de saco e andava a passos lentos. 28Então a palavra de Iahweh foi dirigida a Elias, o tesbita, nestes termos: 29“Viste como Acab se humilhou diante de mim? Por se ter humilhado diante de mim, não mandarei a desgraça durante sua vida; é nos dias de seu filho que enviarei a desgraça sobre sua casa.”

5 OUTRA GUERRA CONTRA OS ARAMEUS

22 Acab faz uma expedição a Ramot de Galaad 1Passaram-se três  anos sem guerra entre Aram e Israel. 2No terceiro ano, Josafá, rei de Judá, veio visitar o rei de Israel. 3Disse o rei de Israel a seus servos: “Bem sabeis que Ramot de Galaad nos pertence e nós nada fazemos para tomá-la das mãos do rei de Aram!”4E disse a Josafá: “Queres vir comigo à guerra em Ramot de Galaad?” Josafá respondeu ao rei de Israel: “A  batalha será a mesma para mim como para ti, para meu povo como para teu povo, para meus cavalos como para os teus cavalos.”

Os falsos profetas predizem a vitória5Mas Josafá disse ao rei de Israel: “Rogo-te que antes consultes a palavra de Iahweh.” 6O rei de Israel reuniu os profetas em número de quatrocentos, aproximadamente, e perguntou-lhes: “Devo ir atacar Ramot de Galaad, ou devo deixar de fazê-lo?” Responderam: “Sobe, Iahweh a entregará nas mãos do rei.” 7Mas Josafá disse: “Acaso não existe aqui nenhum outro profeta de Iahweh, pelo qual possamos consultá-lo?” 8O rei de Israel respondeu a Josafá: “Há ainda um, pelo qual se pode consultar Iahweh, mas eu o odeio, pois jamais profetiza o bem a meu respeito, mas sempre a desgraça: é Miquéias, filho de Jemla.” Josafá respondeu: “Que o rei não fale assim!” 9O rei de Israel chamou um eunuco e disse: “Chama depressa Miquéias, filho de Jemla.” 10O rei de Israel e Josafá, rei de Judá, estavam sentados, cada um em seu trono, revestidos com suas vestes reais; estavam sentados numa eira diante da porta de Samaria e todos os profetas profetizavam diante deles. 11Sedecias, filho de Canaana, fez para si uns chifres de ferro e disse: “Assim fala Iahweh: com isto ferirás os arameus até exterminá-los.” 12E todos os profetas faziam a mesma predição, dizendo: “Sobe a Ramot de Galaad! Serás bem sucedido, Iahweh vai entregá-la nas mãos do rei.”

O profeta Miquéias prediz o fracasso13O mensageiro que fora chamar Miquéias lhe disse: “Os profetas são unânimes em falar a favor do rei. Procura falar como eles e predizer o sucesso.” 14Mas Miquéias respondeu: “Pela vida de Iahweh! O que Iahweh me disser, é isso que anunciarei!” 15Chegando à presença do rei, este perguntou-lhe: “Miquéias, devemos ir a Ramot de Galaad para combater ou devemos desistir?” Respondeu ele: “Sobe! Serás bem sucedido. Iahweh vai entregá-la nas mãos do rei.”16Mas o rei lhe disse: “Quantas vezes é preciso que eu te conjure a que me digas somente a verdade, em nome de Iahweh?” 17Então ele disse: “Eu vi todo o Israel disperso pelas montanhas como um rebanho sem pastor. E Iahweh me disse: Eles não têm mais senhores, que cada um volte em paz para sua casa!” 18O rei de Israel disse então a Josafá: “Não te havia dito que ele não profetizava para mim o bem, mas o mal?” 19Miquéias retrucou: “Escuta a palavra de Iahweh: Eu vi Iahweh assentado sobre seu trono; todo o exército do céu estava diante dele, à sua direita e à sua esquerda. 20Iahweh perguntou: ‘Quem enganará Acab, para que ele suba contra Ramot de Galaad e lá pereça?’ Este dizia uma coisa e aquele outra. 21Então o Espírito’ se aproximou e colocou-se diante de Iahweh: ‘Sou eu que o enganarei’, disse ele. Iahweh lhe perguntou: ‘E de que modo?’ 22Respondeu: ‘Partirei e serei um espírito de mentira na boca de todos os seus profetas.’ Iahweh disse: ‘Tu o enganarás, serás bem sucedido. Vai e faze assim.’ 23Eis, pois, que Iahweh infundiu um espírito de mentira na boca de todos esses teus profetas, mas Iahweh pronunciou contra ti a desgraça.” 24Então Sedecias, filho de Canaana, aproximou-se de Miquéias, esbofeteou-o e disse: “Por qual caminho o espírito de Iahweh saiu de mim para te falar?” 25Miquéias respondeu: “Vê-lo-ás no dia em que tiveres de vaguear de um aposento a outro para te esconderes.” 26O rei de Israel ordenou: “Prende Miquéias e conduze-o a Amon, governador da cidade, e a Joás, filho do rei. 27Tu lhes dirás: Assim fala o rei. Lançai este homem na prisão e alimentai-o com pão e água escassos até que eu volte são e salvo.” 28Miquéias disse: “Se voltares são e salvo, é porque Iahweh não falou pela minha boca.”

Morte de Acab em Ramot de Galaad29O rei de Israel e Josafá, rei de Judá, marcharam contra Ramot de Galaad. 30O rei de Israel disse a Josafá: “Vou disfarçar-me para entrar no combate, mas quanto a ti, veste-te com tuas roupas!” O rei de Israel disfarçou-se e foi para o combate. 31O rei de Aram dera esta ordem a seus comandantes de carros: “Não atacareis nem pequeno nem grande, mas somente o rei de Israel.” 32Quando os comandantes de carros viram Josafá, disseram: “O rei de Israel é ele”, e concentraram sobre ele o combate; mas Josafá lançou seu grito de guerra 33e, quando os comandantes de carros viram que não era ele o rei de Israel, deixaram de persegui-lo. 34Ora, um homem atirou com seu arco, ao acaso, e atingiu o rei de Israel numa brecha da couraça. E este disse ao condutor de seu carro: “Volta e faze-me sair da batalha, pois me sinto mal.” 35Mas o combate se tornou mais violento naquele dia; mantiveram o rei de pé sobre seu carro diante dos arameus, e pela tarde ele morreu; o sangue de sua ferida escorria no fundo do carro. 36Ao pôr-do-sol, um grito percorreu o acampamento: “Volte cada um para sua cidade e cada um para sua terra! 37O rei está morto!” Foi transportado para Samaria e lá sepultado. 38Lavaram o carro na piscina de Samaria, os cães lamberam o sangue e as prostitutas ali se banharam, conforme a palavra que Iahweh pronunciara.

6. DEPOIS DA MORTE DE ACAB

Conclusão do reinado de Acab39O resto da história de Acab, todos os seus atos, a casa de marfim que construiu, todas as cidades que fortificou, não está tudo escrito no livro dos Anais dos reis de Israel? 40Acab adormeceu com seus pais, e seu filho Ocozias reinou em seu lugar.

Reinado de Josafá em Judá (870-848)41Josafá, filho de Asa, tornou-se rei de Judá no quarto ano de Acab, rei de Israel. 42Josafá tinha trinta e cinco anos quando começou a reinar e reinou vinte e cinco anos em Jerusalém; sua mãe chamava-se Azuba, filha de Selaqui. 43Seguiu em tudo o procedimento de seu pai Asa, sem dele se apartar, fazendo o que é reto aos olhos de Iahweh. 44Entretanto, os lugares altos não desapareceram; o povo continuou a oferecer sacrifícios e incenso nos lugares altos. 45Josafá viveu em paz com o rei de Israel. 46O resto da história de Josafá, as proezas que realizou e as guerras que empreendeu, não está tudo escrito no livro dos Anais dos reis de Judá? 47Eliminou da terra o resto dos prostitutos sagrados que ainda sobrava do tempo de seu pai Asa. 48Não havia rei em Edom, e o rei 49Josafá construiu navios de Társis para ir a Ofir em busca de ouro, mas ele não pôde ir, porque os navios se quebraram em Asiongaber. 50Então Ocozias, filho de Acab, disse a Josafá: “Meus servos poderiam ir com os teus nos navios”; mas Josafá não concordou. 51Josafá adormeceu com seus pais e foi sepultado” na Cidade de Davi, seu pai; seu filho Jorão reinou em seu lugar.

O rei Ocozias (853-852) e o profeta Elias52Ocozias, filho de Acab, tornou-se rei de Israel em Samaria no décimo sétimo ano de Josafá, rei de Judá, e reinou dois anos sobre Israel. 53Fez o mal aos olhos de Iahweh e imitou o comportamento de seu pai e de sua mãe, e o de Jeroboão, filho de Nabat, que levara Israel a pecar. 54Prestou culto a Baal e prostrou-se diante dele, provocando a ira de Iahweh, Deus de Israel, como o fizera seu pai.

SEGUNDO SAMUEL
SEGUNDO REIS