ISAÍAS

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ECLESIÁSTICO
JEREMIAS

ISAÍAS

I. Primeira parte do livro de Isaías

1. ORÁCULOS ANTERIORES À GUERRA SIRO-EFRAIMITA

1 Título1Visão que teve Isaías, filho de Amós, a respeito de Judá e de Jerusalém, nos dias de Ozias, Joatão, Acaz e Ezequias, reis de Judá.

Contra um povo ingrato

2Ouvi, ó céus, presta atenção, ó terra, porque Iahweh está falando: Criei filhos e fi-los crescer, mas eles se rebelaram contra mim. 3O boi conhece o seu dono, e o jumento, a manjedoura de seu senhor, mas Israel é incapaz de conhecer, o meu povo não pode entender. 4Ai da nação pecadora! do povo cheio de iniqüidade! Da raça dos malfeitores, dos filhos pervertidos! Eles abandonaram a Iahweh, desprezaram o Santo de Israel, e afastaram-se dele. 5Onde podereis ser feridos ainda, vós que perseverais na rebelião? Com efeito, toda a cabeça está contaminada pela doença, todo o coração está enfermo; 6desde a planta dos pés até a cabeça, não há um lugar são. Tudo são contusões, machucaduras, e chagas vivas, que não foram espremidas, não foram atadas nem foram amolecidas com óleo. 7A vossa terra está desolada e vossas cidades estão incendiadas, o vosso solo é devorado por estrangeiros sob os vossos olhos, é a desolação como devastação de estrangeiros. 8A filha de Sião foi deixada só como uma choça em uma vinha, como um telheiro em um pepinal, como uma cidade sitiada. 9Não tivesse Iahweh dos Exércitos nos deixado alguns sobreviventes, estaríamos como Sodoma, seríamos semelhantes a Gomorra.

Contra a hiprocrisia 10Ouvi a palavra de Iahweh, príncipes de Sodoma, prestai atenção à instrução do nosso Deus, povo de Gomorra! 11Que me importam os vossos inúmeros sacrifícios?, diz Iahweh. Estou farto de holocaustos de carneiros e da gordura de bezerros cevados; no sangue de touros, de cordeiros e de bodes não tenho prazer. 12Quando vindes à minha presença quem vos pediu que pisásseis os meus átrios? 13Basta de trazer-me oferendas vãs: elas são para mim um incenso abominável. Lua nova, sábado e assembléia, não posso suportar iniqüidade e solenidade! 14As vossas luas novas e as vossas festas, a minha alma as detesta: elas são para mim um fardo; estou cansado de carregá-lo. 15Quando estendeis as vossas mãos, desvio de vós os meus olhos; ainda que multipliqueis a oração não vos ouvirei. As vossas mãos estão cheias de sangue: 16lavai-vos, purificai-vos! Tirai da minha vista as vossas más ações! Cessai de praticar o mal, 17aprendei a fazer o bem! Buscai o direito, corrigi o opressor! Fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva! 18Então, sim, poderemos discutir, diz Iahweh: Mesmo que os vossos pecados sejam como escarlate, tornar-se-ão alvos como a neve; ainda que sejam vermelhos como carmesim tornar-se-ão como a lã. 19Se estiverdes dispostos a ouvir, comereis o fruto precioso da terra. 20Mas se vos recusardes e vos rebelardes, sereis devorados pela espada! Eis o que a boca de Iahweh falou.

Lamentações sobre Jerusalém

21Como se transformou em uma prostituta, a cidade fiel? Sião, onde prevalecia o direito, onde habitava a justiça, mas agora, povoada de assassinos. 22A tua prata transformou-se em escória, a tua bebida foi misturada com água. 23Os teus príncipes são uns rebeldes, companheiros de ladrões; todos são ávidos por subornos e correm atrás de presentes. Não fazem justiça ao órfão, a causa da viúva não os atinge. 24Por isso mesmo — oráculo do Senhor Iahweh dos Exércitos, o Forte de Israel — ai de ti! Eu me divertirei à custa dos meus adversários; vingar-me-ei dos meus inimigos. 25Voltarei a minha mão contra ti, purificarei as tuas escórias com a potassa, removerei todas as tuas impurezas. 26Farei que os teus juízes voltem a ser o que foram no princípio e que os teus conselheiros sejam o que eram outrora. Quando isso se der, então sim, te chamarão Cidade da Justiça e Cidade Fiel. 27Sião será redimida pelo direito, e os seus retornantes, pela justiça. 28Será a destruição dos ímpios e dos pecadores, todos juntos! Os que abandonaram a Iahweh perecerão.

Contra as árvores sagradas

29Com efeito, ficareis envergonhados dos terebintos, que constituem as vossas delícias, tereis vergonha dos jardins que tanto desejáveis. 30Pois sereis como um terebinto cujas folhas estão murchas, como um jardim sem água. 31O homem forte virá a ser como a estopa, e a sua obra como uma centelha: ambos arderão juntos, e não haverá ninguém que os possa apagar.

2 A paz perpétua

1Visão que teve Isaías, filho de Amós, a respeito de Judá e de Jerusalém. 2Dias virão em que o monte da casa de Iahweh será estabelecido no mais alto das montanhas e se alçará acima de todos os outeiros. A ele acorrerão todas as nações, 3muitos povos virão, dizendo: Vinde, subamos ao monte de Iahweh, à casa do Deus de Jacó, para que ele nos instrua a respeito dos seus caminhos e assim andemos nas suas veredas.” Com efeito, de Sião sairá a Lei, e de Jerusalém, a palavra de Iahweh. 4Ele julgará as nações, ele corrigirá a muitos povos. listes quebrarão as suas espadas, transformando-as em relhas, e as suas lanças, a fim de fazerem podadeiras. Uma nação não levantará a espada contra a outra, e nem se aprenderá mais a fazer guerra. 5Ó casa de Jacó, vinde, andemos na luz de Iahweh.

O esplendor da majestade de Iahweh

6Com efeito, tu rejeitaste o teu povo, a casa de Jacó, porque ele desde tempos antigos está cheio de adivinhos, como os filisteus, no seu meio há muitos filhos de estrangeiros. 7A sua terra está cheia de prata e de ouro: não há fim para seus tesouros; a sua terra está cheia de cavalos: não há fim para seus carros; 8a sua terra está cheia de ídolos, e adoram a obra das suas mãos, aquilo que os seus dedos fizeram. 9O homem se rebaixa, o varão se humilha: mas tu não lhes perdoes! 10Busca refúgio entre as rochas, esconde-te no pó diante da presença espantosa de Iahweh e diante do esplendor da sua majestade, quando ele se levantar para fazer tremer a terra. 11O olhar altivo do homem se abaixará, a altivez do varão será humilhada; naquele dia só Iahweh será exaltado. 12Porque haverá um dia de Iahweh dos Exércitos contra tudo o que é orgulhoso e altivo, contra tudo o que se exalta, para que seja humilhado; 13contra todos os cedros do Líbano, altaneiros e elevados, e contra todos os carvalhos de Basã; 14contra todos os montes altaneiros e contra todos os outeiros elevados; — 15contra toda a torre alta e contra toda a muralha fortificada; 16contra todos os navios de Társis e contra tudo o que parece precioso. 17O orgulho do homem será humilhado, a altivez dos varões se abaterá, e só Iahweh será exaltado naquele dia. 18Os ídolos desaparecerão inteiramente, 19refugiar-se-ão nas cavidades das rochas e nas cavernas da terra, diante da presença espantosa de Iahweh e diante do esplendor de sua majestade, quando ele se levantar para fazer tremer a terra. 20Naquele dia, o homem atirará aos ratos e aos morcegos os ídolos de prata e os ídolos de ouro que lhe fizeram para a sua adoração, 21refugiando-se nas cavernas das rochas e nas fendas dos penhascos, diante da presença espantosa de Iahweh e diante do esplendor de sua majestade, quando ele se levantar para fazer tremer a terra. 22Desisti do homem, que tem o seu fôlego no seu nariz! Com efeito, que pode ele valer?

3 A anarquia em Jerusalém 1Com efeito, o Senhor Iahweh dos Exércitos privará Jerusalém e Judá do seu apoio e arrimo, — de toda a provisão de pão e de toda a provisão de água —, 2do herói e do homem de guerra, do juiz e do profeta, do adivinho e do ancião, 3do comandante do esquadrão e do homem respeitável, do conselheiro, do artífice hábil e do encantador inteligente. 4Dar-lhe-ei adolescentes por príncipes, meninos governarão sobre eles.5No seio do povo haverá choques violentos, de indivíduo contra indivíduo, de vizinho contra vizinho; o adolescente desafiará o ancião e o homem simples ao nobre. 6Um homem qualquer agarrará o seu irmão em casa do seu pai, dizendo-lhe: “Tu tens uma capa, podes ser o nosso chefe, esta ruína ficará sob o teu mando.” 7O outro levantará a voz, naquele dia, para dizer-lhe: “Não sou curador de feridas; ademais, em minha casa não há nem pão nem capa, não queiras fazer de mim um chefe do povo.” 8Com efeito, Jerusalém tropeçou, Judá caiu, porque as suas palavras e os seus atos são contra Iahweh,  insultam o seu olhar majestoso. 9A expressão do seu olhar testifica contra eles, ostentam o seu pecado como Sodoma; não o dissimulam. Ai deles, porque fazem o mal a si mesmos! 10Feliz o justo, porque tudo lhe vai bem! Com efeito, colherá o fruto do seu procedimento. 11Mas ai do ímpio, do homem mau! Porque será tratado de acordo com as suas obras. 12Quanto ao meu povo, os seus opressores o saqueiam, exatores governam sobre ele. Ó meu povo, os teus condutores te desencaminham, baralham as veredas em que deves andar. 13Iahweh levantou-se para acusar, Está em pé para julgar os povos. 14Iahweh entra em julgamento com os anciãos e os príncipes do seu povo: “Fostes vós que pusestes fogo à vinha; o despojo tirado ao pobre está nas vossas casas. 15Que direito tendes de esmagar o meu povo e moer a face dos pobres?” Oráculo do Senhor Iahweh dos Exércitos.

As mulheres de Jerusalém 16Disse Iahweh: Visto que as filhas de Sião estão emproadas e andam de pescoço erguido e com olhos cobiçosos, visto que caminham a passos miúdos, fazendo tilintar as argolas dos seus pés, 17o Senhor cobrirá de tinha a cabeça das filhas de Sião, Iahweh lhes desnudará a fronte. 18Naquele dia, o Senhor as despojará do adorno dos anéis dos seus tornozelos, das testeiras e das lunetas, 19dos pingentes, dos braceletes e dos véus, 20dos diademas, dos chocalhos, dos cintos, das caixinhas de perfumes e dos amuletos, 21dos anéis e dos pendentes do nariz, 22dos vestidos de festa, das capas, dos manteletes e das bolsas, 23dos espelhinhos, das camisas, dos turbantes e das mantilhas. 24Em lugar de bálsamo haverá mau cheiro; em lugar de cinto, uma corda; em lugar do cabelo encrespado, a calvície; em lugar da veste fina, cobertura de saco;  em lugar da beleza ficará a marca do ferro em brasa.

A miséria em Jerusalém

25Os teus homens cairão à espada, os teu heróis tombarão na guerra. 26As suas portas se encherão de lamentação e de luto; ela, despojada, se sentará no pó.

41E naquele dia, sete mulheres lançarão mão de um homem e lhe dirão: “Comeremos do nosso pão e nos vestiremos às nossas custas, contanto que nos seja permitido usar o teu nome. Livra-nos da nossa humilhação.”

O rebento de Iahweh

2Naquele dia, o rebento de Iahweh se cobrirá de beleza e de glória, o fruto da terra será motivo de orgulho e um esplendor para os sobreviventes de Israel. 3Então o resto de Sião e o remanescente de Jerusalém serão chamados santos, a saber, o que está inscrito para a vida em Jerusalém. 4Quando o Senhor tiver lavado a imundície das filhas de Sião e o sangue de Jerusalém do meio dela, pelo sopro do seu julgamento, sopro de fogo abrasador. 5Iahweh criará sobre todos os pontos do monte Sião e sobre todos os ajuntamentos de povo uma nuvem de dia e um fumo acompanhado de um clarão de fogo durante a noite.Com efeito, sobre todas as coisas sua glória será um abrigo 6e uma choupana, para servir de sombra de dia contra o calor, e para ser um refúgio e esconderijo da tempestade e da chuva.

5 O cântico da vinha 1Vou cantar ao meu amado o cântico do meu amigo para a sua vinha. O meu amado tinha uma vinha em uma encosta fértil. 2Ele cavou-a, removeu a pedra e plantou nela uma vinha de uvas vermelhas.No meio dela construiu uma torre e cavou um lagar. Com isto, esperava que ela produzisse uvas boas, mas só produziu uvas azedas. 3Agora, ó moradores de Jerusalém e homens de Judá, servi de juízes entre mim e a minha vinha. 4Que me restava ainda fazer à minha vinha que eu não tenha feito? Por que, quando eu esperava que ela desse uvas boas, deu apenas uvas azedas? 5Agora vos farei saber o que vou fazer da minha vinha! Arrancarei a sua cerca para que sirva de pasto, derrubarei o seu muro para que seja pisada; 6reduzi-la-ei a um matagal: ela não será mais podada nem cavada: espinheiros e ervas daninhas crescerão no meio dela. Quanto às nuvens, ordenar-lhe-ei que não derramem a sua chuva sobre ela. 7Pois bem, a vinha de Iahweh dos Exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a sua plantação preciosa. Deles esperava o direito, mas o que produziram foi a transgressão; esperava a justiça, mas o que apareceu foram gritos de desespero.

Maldições

8Ai dos que juntam casa a casa, dos que acrescentam campo a campo até que não haja mais espaço disponível, até serem eles os únicos moradores da terra. 9Iahweh dos Exércitos jurou aos meus ouvidos:certamente muitas casas serão reduzidas a uma ruína, grandes e belas, não haverá quem nelas habite. 10Dez jeiras de vinha produzirão apenas uma metreta, um coro de semente renderá apenas um almude. 11Ai dos que madrugam cedo para correr atrás de bebidas fortes, e à tarde se demoram até que o vinho os aqueça. 12Os seus banquetes se reduzem a cítaras e harpas, a tamborins e flautas, e vinho para as suas bebedeiras. Mas para os feitos de Iahweh não têm um olhar sequer, eles não vêem a obra das suas mãos. 13Eis por que o meu povo foi exilado: por falta de conhecimento; os seus ilustres são uns homens famintos! Os seus plebeus estão mortos de sede! 14Por isto o Xeol alarga a sua goela; a sua boca se abre desmesuradamente. Para lá descem a sua nobreza, a sua plebe e o seu tumulto, e lá eles exultam! 15O homem curvou-se, o varão humilhou-se; os olhos dos soberbos estão humilhados. 16Iahweh dos Exércitos é exaltado no julgamento e o Deus santo mostra a sua santidade pela justiça. 17Os cordeiros pastarão em seus pastos, os cabritos comerão o resto dos pastos devastados pelos cevados. 18Ai dos que se apegam à iniqüidade, arrastando-a com as cordas da mentira, e o pecado com os tirantes de um carro; 19dos que dizem: “Avie-se ele, faça depressa a sua obra, para que a vejamos; apareça, realize-se o conselho do Santo de Israel, para que o conheçamos!” 20Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem mal, dos que transformam as trevas em luz e a luz em trevas, dos que mudam o amargo em doce e o doce em amargo! 21Ai dos que são sábios a seus próprios olhos e inteligentes na sua própria opinião! 22Ai dos que são fortes para beber vinho e dos que são valentes para misturar bebidas, 23que absolvem o ímpio mediante suborno e negam ao justo a sua justiça! 24Por isto, como a chama devora a palha,  o feno se incendeia e se consome, assim a sua raiz se reduzirá a mofo, a sua flor será levada como o pó. Com efeito, eles rejeitaram a lei de Iahweh dos Exércitos, desprezaram a palavra do Santo de Israel.

A Ira de Iahweh

25Por esta razão inflamou-se a ira de Iahweh contra o seu povo; ele estendeu a sua mão e o feriu, os montes tremeram e os seus cadáveres jazem no meio das ruas como lixo. Com tudo isto não se amainou a sua ira, a sua mão continua estendida.

Um chamado dirigido aos invasores 26Ele deu sinal a um povo distante, assobiou-lhe desde os confins da terra; ei-lo que vem chegando apressado e ligeiro. 27No meio dele não há cansados nem claudicantes, não há nenhum sonolento, ninguém que dormite, ninguém que desate o cinto dos seus lombos, ninguém que rompa a correia dos seus sapatos. 28As suas flechas estão aguçadas e todos os seus arcos retesados, os cascos dos seus cavalos parecem sílex, as rodas dos seus carros lembram um furacão. 29O seu rugido é como o da leoa, ruge como o leão novo: ruge enquanto agarra a sua presa, arrebata-a e não há quem consiga tomar-lha; 30naquele dia, rugirá contra ele com um rugido semelhante ao do mar. Olha para a sua terra: eis que tudo são trevas e angústias, a luz se transformou em trevas por efeito das nuvens.

2. O LIVRO DO EMANUEL

6 Vocação de Isaías1No ano em que faleceu o rei Ozias, vi o Senhor sentado sobre um trono alto e elevado. A cauda da sua veste enchia o santuário. 2Acima dele, em pé, estavam serafins, cada um com seis asas: com duas cobriam a face, com duas cobriam os pés e com duas voavam. 3Eles clamavam uns para os outros e diziam: “Santo, santo, santo é Iahweh dos Exércitos, a sua glória enche toda a terra”. 4À voz dos seus clamores os gonzos das portas oscilavam enquanto o Templo se enchia de fumaça. 5Então disse eu: “Ai de mim, estou perdido! Com efeito, sou um homem de lábios impuros e vivo no meio de um povo de lábios impuros, e os meus olhos viram o Rei, Iahweh dos Exércitos”. 6Nisto, um dos serafins voou para junto de mim, trazendo na mão uma brasa que havia tirado do altar com uma tenaz. 7Com ela tocou-me os lábios e disse: “Vê, isto tocou os teus lábios, a tua iniqüidade está removida, o teu pecado está perdoado.” 8Em seguida ouvi a voz do Senhor que dizia: “Quem hei de enviar? Quem irá por nós?”, ao que respondi: “Eis-me aqui, envia-me a mim”. 9Ele me disse: “Vai e dize a este povo: Podeis ouvir certamente, mas não haveis de entender; podeis ver certamente, mas não haveis de compreender. 10Embota o coração deste povo, torna pesados os seus ouvidos, tapa-lhe os olhos, para que não veja com os olhos, e não ouça com os ouvidos, e não suceda que o seu coração venha a compreender, que ele se converta e consiga a cura.” 11A isto perguntei: “Até quando, Senhor?” Ele respondeu: “Até que as cidades fiquem desertas, por falta de habitantes, e as casas vazias, por falta de moradores; até que o solo se reduza a um ermo, a uma desolação; 12até que Iahweh remova para longe os seus homens e no seio da terra reine uma grande solidão. 13E, se nela ficar um décimo, este tornará a ser desbastado como o terebinto e o carvalho, que, uma vez derrubados, deixam apenas um toco; esse toco será uma semente santa.”

7 Primeira intervenção de Isaías1No tempo de Acaz, filho de Joatão, filho de Ozias, rei de Judá, subiram contra Jerusalém Rason, rei de Aram, e Facéia, filho de Romelias, rei de Israel, a fim de tomá-la de assalto, mas não conseguiram atacá-la. 2Um aviso foi dado à casa de Davi de que Aram conseguira a aliança de Efraim. Com isto agitou-se o seu coração e o coração do seu povo, como se agitam as árvores do bosque impelidas pelo vento. 3Então disse Iahweh a Isaías: Vai ao encontro de Acaz, tu juntamente com o teu filho Sear-Iasub. Encontrá-lo-ás no fim do canal da piscina superior, na estrada do campo do pisoeiro. 4Tu lhe dirás: Toma as tuas precauções, mas conserva a calma e não tenhas medo nem vacile o teu coração diante dessas duas achas de lenha fumegantes, isto é, por causa da cólera de Rason, de Aram, e do filho de Romelias, 5pois que Aram;-Efraim e o filho de Romelias tramaram o mal contra ti, dizendo: 6“Subamos contra Judá e provoquemos a cisão e a divisão em seu seio em nosso benefício e estabeleçamos como rei sobre ele o filho de Tabeel.” 7Assim diz o Senhor Iahweh: Tal não se realizará, tal não há de suceder, 8porque a cabeça de Aram é Damasco, e a cabeça de Damasco é Rason; dentro de sessenta e cinco anos Efraim será arrasado e deixará de constituir um povo. 9A cabeça de Efraim é Samaria e a cabeça de Samaria é o filho de Romelias. Se não o crerdes, não vos mantereis firmes.

Segunda intervenção

10Iahweh tornou a falar a Acaz, dizendo-lhe: 11Pede um sinal a Iahweh, o teu Deus, ou nas profundezas do Xeol, ou nas alturas.12Acaz, porém, respondeu: Não pedirei nada, não tentarei a Iahweh. 13Então disse ele: Ouvi vós, da casa de Davi! Parece-vos pouco o fatigardes os homens, e quereis fatigar também a meu Deus? 14Pois sabei que o Senhor mesmo vos dará um sinal: Eis que a jovem concebeu e dará à luz um filho e pôr-lhe-á o nome de Emanuel. 15Ele se alimentará de coalhada e de mel até que saiba rejeitar o mal e escolher o bem. 16Com efeito, antes que o menino saiba rejeitar o mal e escolher o bem, a terra, por cujos dois reis tu te apavoras, ficará reduzida a um ermo. 17Iahweh trará sobre ti, sobre o teu povo e sobre a casa de teu pai dias tais como não existiram desde o dia em que Efraim se separou de Judá (o rei da Assíria).

Anúncio de uma invasão

18Naquele dia, acontecerá que Iahweh assobiará às moscas que vivem nas regiões remotas dos rios do Egito e às abelhas que vivem na terra da Assíria. 19Elas virão e pousarão todas elas nos vales íngremes dos penhascos e nas fendas das rochas, sobre todos os espinheiros e sobre todos os bebedouros. 20Naquele dia, o Senhor rapará, com uma navalha alugada além do rio, (com o rei da Assíria) a cabeça e o pêlo das pernas; até a barba arrancará. 21E sucederá, naquele dia, que cada pessoa conservará em vida uma novilha e duas ovelhas. Em virtude da produção abundante de leite (todos se alimentarão de coalhada), todos os que forem deixados na terra se alimentarão de coalhada e de mel. 23Sucederá, então, naquele dia, que todo o lugar onde existem atualmente mil videiras, no valor de mil moedas de prata, se transformará em espinheiros e matagal. 24Só armado de arco e flecha se entrará ali, porque a terra inteira estará coberta de espinheiros e matagal. 25Em todos os montes atualmente lavrados à enxada, já não se poderá entrar, de medo dos espinheiros e do matagal; os bois andarão soltos neles e as ovelhas os pisarão.

8 Nascimento de um filho de Isaías1Iahweh me disse: Toma de uma prancheta de bom tamanho e nela escreve com um estilete comum: para Maer-Salal Has-Baz. 2E toma como testemunhas dignas de fé o sacerdote Urias e o filho de Baraquias, Zacarias. 3Em seguida me acheguei à profetisa e ela concebeu e deu à luz um filho. Então Iahweh me disse: Põe-lhe o nome de Maer-Salal Has-Baz, 4porque, antes que a criança saiba dizer “papai” e “mamãe”, as riquezas de Damasco e os despojos de Samaria serão levados para o rei da Assíria.

Siloé e o Eufrates5Tornou Iahweh a falar-me e disse: 6Visto que este povo rejeitou as águas de Siloé que correm mansamente, apavorado diante de Rason e do filho de Romelias, 7o Senhor trará contra ele as águas impetuosas e abundantes do rio, a saber, o rei da Assíria com todo o seu poderio. Ele encherá todos os seus leitos e transbordará por todas as suas ribanceiras; 8ele se espalhará por Judá; com a sua passagem inundará tudo e chegará até o pescoço, e as suas asas abertas cobrirão toda a largura da sua terra, ó Emanuel! 9Ó povos, sabei-o e espantai-vos; prestai atenção, todos os confins da terra. Por mais que vos prepareis para a luta, haveis de ficar apavorados. 10Por mais planos que façais, eles serão frustrados, por mais que pronuncieis a vossa decisão, ela não subsistirá, porque “Deus está conosco”.

A missão de Isaías

11Com efeito, assim me falou Iahweh, tomando-me pela mão e admoestando-me a que não andasse no caminho deste povo. Disse-me: 12“Não chamareis conspiração tudo o que este povo chama conspiração; não participareis do seu medo nem ficareis aterrorizados. 13A Iahweh dos Exércitos é que devereis santificar; ele é que deverá ser objeto do vosso temor e do vosso tremor. 14Ele será um santuário, uma pedra de tropeço e uma rocha de escândalo para ambas as casas de Israel, uma armadilha e um laço para os habitantes de Jerusalém. 15Muitos tropeçarão nelas, cairão e se despedaçarão, serão apanhados no laço e ficarão presos. 16Conserva fechado o testemunho, sela a instrução entre os meus discípulos.” 17Aguardo a Iahweh, que esconde a sua face da casa de Jacó, nele ponho a minha esperança. 18Eis que eu e os filhos que Iahweh me deu nos tornamos, em Israel, sinais e prodígios da parte de Iahweh dos Exércitos, que habita no monte Sião. 19Se vos disserem: “Ide consultar os espíritos e os adivinhos, cochichadores e balbuciadores”, não consultará o povo os seus deuses, e os mortos a favor dos vivos? 20À instrução e ao testemunho! Se eles não falarem de acordo com esta palavra, certamente não nascerá para eles a aurora.

A marcha durante a noite

21Ele transitará pela terra, oprimido e afadigado; e sucederá que ao ter fome, ficando enfurecido, amaldiçoará o seu rei e o seu Deus; olhará para cima, 22em seguida voltará os olhos para a terra: por toda parte só vê angústia, trevas, escuridão e apertura, trevas dissolventes. 23Com efeito, não está mergulhada em trevas a terra que está em apertura?

A libertação — Como no passado ele menosprezou a terra de Zabulon e a terra de Neftali, assim no tempo vindouro cobrirá de glória o caminho do mar, o Além do Jordão, o distrito das nações.

91O povo que andava nas trevas viu uma grande luz,  uma luz raiou para os que habitavam uma terra sombria como a da morte. Multiplicaste o povo, deste-lhe grande alegria; eles alegram-se na tua presença como se alegram os ceifadores na ceifa, como se regozijam os que repartem os despojos. 3Porque o jugo que pesava sobre eles, a canga posta sobre seus ombros, o bastão do opressor, tu os despedaçaste como no dia de Madiã. 4Com efeito, toda a bota que pisa ruidosamente no chão, toda a veste que se revolve no sangue serão queimadas, serão devoradas pelas chamas, 5Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, de recebeu o poder sobre seus ombros, e lhe foi dado este nome: Conselheiro-maravilhoso, Deus-forte, Pai-eterno, Príncipe-da-paz, 6para que se multiplique o poder, assegurando o estabelecimento de uma paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, firmando-o, consolidando-o sobre o direito e sobre a justiça. Desde agora e para sempre, o zelo de Iahweh dos Exércitos fará isto.

As provações do reino do norte

7O Senhor enviou uma palavra a Jacó, ela caiu em Israel. 8Todo o povo teve dela conhecimento, isto é, Efraim e os habitantes de Samaria, que no orgulho e na altivez do seu coração dizem: 9“Os tijolos caíram, mas construiremos com pedras lavradas, os sicômoros foram derrubados, substitui-los-emos por cedros.” 10Mas Iahweh sustentou contra este povo o seu adversário Rason, incitou contra ele os seus inimigos,11Aram do lado do oriente e os filisteus do lado do ocidente: eles devoraram Israel de um só trago. Com tudo isso a sua ira não se amainou, a sua mão continua estendida. 12Nem por isso o povo voltou para aquele que o feria, não buscou a Iahweh dos Exércitos. 13Então Iahweh, em um só dia, decepou de Israel cabeça e cauda, palma e junco. 14(O ancião e o dignitário são a cabeça, o profeta que ensina a mentira é a cauda.) 15Os condutores deste povo o desencaminham; assim, os seus conduzidos estão transviados. 16Por esta razão o Senhor já não tem prazer nos seus jovens, não tem compaixão dos seus órfãos nem das suas viúvas. Com efeito, são todos uns ímpios e malfeitores, toda boca profere loucuras. Com tudo isto a sua ira não se amainou, a sua mão continua estendida. 17Porque a impiedade ardeu como o fogo, devorando espinheiros e matagais, incendiou a espessura da floresta: esta subiu em turbilhões de fumaça. 18Em virtude do furor de Iahweh dos Exércitos a terra foi queimada e o povo se tornou presa do fogo. Ninguém tem compaixão do seu próximo; 19o homem corta à direita, mas continua com fome, come à esquerda, mas não consegue saciar-se. Todos comem até a carne do seu braço. 20Manassés devora a Efraim e Efraim a Manassés, e ambos juntos se viram contra Judá. Com tudo isto a sua ira não se amainou, a sua mão continua estendida.

101Ai dos que promulgam leis iníquas, os que elaboram rescritos de opressão 2para desapossarem os fracos do seu direito e privar da sua justiça os pobres do meu povo, para despojar as viúvas e saquear os órfãos. 3Pois bem, que fareis no dia da visitação, quando a ruína vier de longe? A quem correreis em busca de socorro, onde deixareis as vossas riquezas, 4para não terdes de vos arrastar humildemente entre os prisioneiros, para não cairdes entre os cadáveres? Com tudo isto a sua ira não se amainou, e a sua mão continua estendida.

Contra o rei da Assíria 5Ai da Assíria, vara da minha ira; ela é o bastão do meu furor posto nas suas mãos. 6Contra uma nação ímpia a enviei; a respeito de um povo contra o qual eu estava enfurecido lhe dei ordens, para que o saqueasse e o despojasse, para que o pisasse como a lama das ruas. 7Mas ela não tinha essa intenção; o seu coração não se ateve a esse plano. Antes, o que estava em seu propósito era exterminar e destruir grande número de nações. 8Com efeito, ela dizia:. “Porventura não são reis todos os meus príncipes? 9Não sucedeu a Calane o mesmo que a Carquemis, a Emat o mesmo que a Arfad, à Samaria o mesmo que a Damasco? 10Ora, se a minha mão alcançou os reinos dos ídolos vãos, com as suas imagens mais numerosas do que as de Jerusalém e de Samaria, 11não hei de fazer a Jerusalém e às suas imagens como fiz a Samaria e aos seus ídolos vãos?” 12Pois bem, quando o Senhor concluir toda a sua obra no monte Sião, e em Jerusalém, ele dará ao rei da Assíria os castigos do fruto do seu colação arrogante e da soberba dos seus olhos altivos. 13Pois disse: “Com a força das minhas mãos o fiz e com a minha sabedoria, pois que agi com inteligência. Pus de lado as fronteiras dos povos; saqueei os seus tesouros; como um forte submeti os seus habitantes. 14A minha mão, como em um ninho apanhou as riquezas dos povos, como se colhem ovos abandonados, assim colhi a terra inteira: não houve ninguém que batesse as asas, ninguém que desse um pio.” 15Por acaso se gloria o machado contra aquele que o empunha? Por acaso exalta-se a serra contra aquele que a maneja? Como se o bastão pudesse manejar aquele que o ergue, como se a vara pudesse erguer aquilo que não é madeira! 16Eis por que o Senhor Iahweh dos Exércitos enviará magreza à sua gordura; em lugar da sua glória lavrará um incêndio como o incêndio provocado por fogo. 17A luz de Israel se transformará em fogo, e o seu Santo se tornará em chama: ela queimará e consumirá o seu matagal e os seus espinheiros em um só dia. 18O majestoso viço da sua floresta e do seu vergel, ele o extinguirá corpo e alma, como perece um doente. 19O que restar das árvores da sua floresta constituirá um número insignificante: até um menino poderá contá-las.

O pequeno resto

20Naquele dia, o resto de Israel, os sobreviventes da casa de Jacó não continuarão a apoiar-se sobre aquele que os fere; apoiar-se-ão sobre Iahweh, o Santo de Israel, com fidelidade. 21Um resto, o resto de Jacó, voltará ao Deus forte. 22Com efeito, ó Israel, ainda que o teu povo seja como a areia do mar, só um resto dele voltará, pois a destruição está decidida: a justiça transborda! 23Sim, a destruição está decidida; o Senhor Iahweh dos Exércitos a fará executar no meio de toda a terra.

Confiança em Deus

24Por isto, assim diz o Senhor Iahweh dos Exércitos: Povo meu, que habitas em Sião, não tenhas medo da Assíria! Ela te fere com o seu bastão, ela levanta contra ti a sua vara (no caminho do Egito). 25Só mais um pouco de tempo e o furor chegará ao fim: a minha ira promoverá a sua destruição. 26Iahweh dos Exércitos brandirá o açoite contra ela, como fez ao ferir Madiã junto à rocha de Oreb; a sua vara se erguerá contra o mar, como a ergueu no caminho do Egito. 27Naquele dia, a carga será removida dos teus ombros, e o seu jugo, de sobre o teu pescoço, e o jugo será destruído (…)

A invasão

28Ele chegou a Aiat, passou por Magron, em Macmas depositou a sua bagagem. 29Passou o desfiladeiro, Gaba será o nosso acampamento noturno, Ramá estremeceu, Gabaá de Saul fugiu, 30ligue a tua voz, Bat-Galim, toda atenção, ó Laísa! Responde-lhe, ó Anatot!31Madmena fugiu; os habitantes de Gabim procuraram abrigo. 32Ainda hoje, detendo-se em Nob, meneará a sua mão contra o monte da filha de Sião, contra o outeiro de Jerusalém. 33Eis que o Senhor Iahweh dos Exércitos desbastará a ramagem com terrível violência, os que atingem o cimo serão cortados, os mais altos serão abatidos. 34A espessura da floresta será arrasada a ferro, e o Líbano virá abaixo sob a mão de um Forte.

O descendente de Davi

11 1Um ramo sairá do tronco de Jessé, um rebento brotará das suas raízes. 2Sobre ele repousará o espírito de Iahweh, espírito de sabedoria e de inteligência, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de conhecimento e de temor de Iahweh: 3no temor de Iahweh estará a sua inspiração. Ele não julgará segundo a aparência. Ele não dará sentença apenas por ouvir dizer. 4Antes, julgará os fracos com justiça, com eqüidade pronunciará uma sentença em favor dos pobres da terra. Ele ferirá a terra com o bastão da sua boca, e com o sopro dos seus lábios matará o ímpio. 5A justiça será o cinto dos seus lombos e a fidelidade, o cinto dos seus rins. 6Então o lobo morará com o cordeiro, e o leopardo se deitará com o cabrito. O bezerro, o leãozinho e o gordo novilho andarão juntos e um menino pequeno os guiará. 7 A vaca e o urso pastarão juntos, juntas se deitarão as suas crias. O leão se alimentará de forragem como o boi. 8A criança de peito poderá brincar junto à cova da áspide, a criança pequena porá a mão na cova da víbora. 9Ninguém fará o mal nem destruição nenhuma em todo o meu santo monte, porque a terra ficará cheia do conhecimento de Iahweh, como as águas enchem o mar.

A volta dos dispersos

10Naquele dia, a raiz de Jessé, que se ergue com um sinal para os povos, será procurada pelas nações, e a sua morada se cobrirá de glória. 11Naquele dia, o Senhor tornará a estender a sua mão para resgatar o resto do seu povo, a saber, aquilo que restar na Assíria e no Egito, em Patros, em Cuch e no Elam, em Senaar, em Emat, nas ilhas do mar. 12Ele erguerá um sinal para as nações e reunirá os banidos de Israel. Ajuntará os dispersos de Judá dos quatro cantos da terra. 13Cessará o ciúme de Efraim, os adversários de Judá serão exterminados. Efraim não tornará a ter ciúme de Judá, e Judá não voltará a hostilizar a Efraim. 14Ambos atirar-se-ão sobre os filisteus ao ocidente, juntos despojarão os filhos do oriente. Edom e Moab se sujeitarão ao seu domínio e os filhos de Amon se lhes submeterão. 15Iahweh secará a baía do mar do Egito, ele agitará a sua mão contra o Rio, com a violência do seu sopro. Dividi-lo-á em sete canais, permitindo que seja atravessado até com sandálias. 16Haverá um caminho para o resto do seu povo, para o que restar da Assíria, como houve um caminho para Israel no dia em que subiu da terra do Egito.

Salmo

12 1E dirás naquele dia: Louvo-te, ó Iahweh, porque, embora tivesses estado encolerizado contra mim, a tua ira cessou e agora me deste o teu consolo, li-lo, o Deus da minha salvação: sinto-me inteiramente confiante, de nada tenho medo, porque Iahweh é a minha força e o meu canto. Ele é a minha salvação. 3Com alegria tirareis água das fontes da salvação, 4E direis naquele dia: Louvai a Iahweh, invocai o seu nome; proclamai entre os povos os seus feitos, fazei saber que o seu nome é excelso. 5Salmodiai a Iahweh, porque ele fez coisas sublimes; seja isto sabido no mundo inteiro. 6Erguei alegres gritos, exultai, ó habitantes de Sião, porque grande é o Santo de Israel no meio de ti.

3. ORÁCULOS SOBRE OS POVOS ESTRANGEIROS

13 Contra a Babilônia

1Oráculo que Isaías, filho de Amós, viu a respeito da Babilônia. 2Alçai um sinal sobre um monte escalvado, erguei a voz para eles, acenai-lhes com a mão para que venham às portas dos Nobres. 3Quanto a mim, dei ordens aos meus santos guerreiros,eu mesmo chamei os meus valentes para o serviço da minha ira, os que se regozijam na minha grandeza. 4Eis um tumulto nos montes, semelhante ao de um povo imenso vozerio agitado de reinos, de nações reunidas: é Iahweh dos Exércitos a passar revista o exército para a guerra. 5Ei-los que vêm de uma terra distante, da extremidade dos céus, Iahweh e os instrumentos da sua ira, para devastar toda a terra. 6Uivai, porque está próximo o dia de Iahweh, ele chega como devastação de Shaddai. 7Eis por que todas as mãos desfalecem, todos os corações humanos se derretem; 8estão apavorados, convulsões e dores lancinantes se apoderam deles; contorcem-se como uma parturiente, olham espantados uns para os outros os seus rostos estão abrasados. 9Eis o dia de Iahweh, que vem implacável, e com ele o furor ardente da ira, reduzindo a terra a desolação e extirpando dela os pecadores. 10Com efeito, as estrelas do céu e Órion não darão a sua luz. O sol se escurecerá ao nascer, e a lua não dará a sua claridade. 11Hei de punir o mundo por causa da sua maldade e os ímpios por causa da sua iniqüidade; hei de pôr fim à arrogância dos soberbos, humilharei a altivez dos tiranos. 12Farei com que os homens sejam mais raros do que o ouro fino, os mortais, mais raros do que o ouro de Ofir. 13Por isto farei estremecer os céus, a terra se moverá do seu lugar, em virtude do furor de Iahweh dos Exércitos, no dia em que arder a sua ira. 14Sucederá então o que sucede com uma gazela perseguida, ou com uma ovelha que ninguém recolhe: cada um voltará para o seu povo, cada um fugirá para a sua terra. 15Todo aquele que for encontrado será trespassado; todo aquele que for apanhado cairá à espada. 16As tuas crianças serão despedaçadas sob os seus olhos, as suas casas serão saqueadas e as suas mulheres violentadas. 17Eis que vou suscitar contra eles os medos que não fazem caso de prata, nem dão valor ao ouro. 18Os arcos prostrarão os meninos; eles não terão pena das criancinhas, os seus olhos não pouparão os filhinhos. 19Assim Babilônia, a pérola dentre os reinos, o adorno e o orgulho dos caldeus, será como Sodoma e como Gomorra, que foram reduzidas a ruína por Deus. 20Nunca mais será habitada, de geração em geração não será povoada. Ali não acampará jamais o árabe, e os pastores não farão repousar ali os seus rebanhos. 21Antes, ali farão o seu pouso os animais do deserto, e as suas casas ficarão cheias de bufos; ali habitarão os avestruzes, os bodes ali dançarão. 22As hienas uivarão nas suas torres, os chacais, nos seus palácios suntuosos. Com efeito, o seu tempo está próximo: os seus dias não serão prorrogados.

14 A Fim do exílios1Com efeito, Iahweh mostrará compaixão para com Jacó; ele voltará a escolher a Israel. Estabelecê-los-á em seu território. O estrangeiro se unirá a eles, fazendo parte da casa de Jacó. 2Povos os tomarão e os trarão à sua terra. A casa de Israel os submeterá na terra de Iahweh, fazendo deles servos e servas. Reduzirão ao cativeiro aqueles que os tinham feito cativos e dominarão aqueles que os tinham oprimido.

A morte do rei da Babilônia3E sucederá, no dia em que Iahweh te der descanso do teu sofrimento, da tua inquietude e da dura servidão a que foste sujeitado, 4que entoarás esta sátira a respeito do rei da Babilônia: Como terminou o opressor? Como terminou a arrogância? 5Iahweh quebrou a vara dos ímpios, o cetro dos dominadores, 6daquele que feria os povos com furor, que feria com golpes intermináveis, que com ira dominava as nações, perseguindo-as sem que o pudessem deter. 7O mundo inteiro repousa, está tranqüilo; todos rompem em canto de alegria. 8Até os ciprestes se regozijam por causa de ti, bem como os cedros do Líbano: “Depois que jazes caído, ninguém mais sobe até aqui para pôr-nos abaixo!” 9Nas profundezas, o Xeol se agita por causa de ti, para vir ao teu encontro; para receber-te despertou os mortos, todos os potentados da terra, fez erguerem-se dos seus tronos todos os reis das nações. 10Todos eles se interpelam e se dizem: “Então, também tu foste abatido como nós, acabaste igual a nós. 11O teu fausto foi precipitado no Xeol, juntamente com a música das tuas harpas. Sob o teu corpo os vermes formam como um colchão, os bichos te cobrem como um cobertor. 12Como caíste do céu, ó estrela d’alva, filho da aurora! Como foste atirado à terra, vencedor das nações! 13E, no entanto, dizias no teu coração: ‘Hei de subir até o céu, acima das estrelas de Deus colocarei o meu trono, estabelecer-me-ei na montanha da Assembléia, nos confins do norte. 14Subirei acima das nuvens, tornar-me-ei semelhante ao Altíssimo.’ 15E, contudo, foste precipitado ao Xeol, nas profundezas do abismo”. 16Os que te vêem fitam os olhos em ti, e te observam com toda atenção, perguntando: “Porventura é este o homem que fazia tremer a terra, que abalava reinos? 17Que reduziu o mundo a um deserto, arrasou as suas cidades e nunca permitiu que voltassem para a sua pátria os seus prisioneiros? 18Todos os reis das nações repousam com honra, cada um no seu jazigo. 19Tu, porém, foste lançado fora da tua sepultura, como um ramo abominável, rodeado de gente imolada, trespassada à espada, atirada sobre as pedras da fossa, como uma carcaça pisada aos pés. 20Tu não te reunirás àqueles na sepultura, pois que arruinaste a tua terra, fizeste perecer o teu povo, nunca mais se nomeará essa raça de malvados. 21Por causa da maldade dos pais promovei a matança dos filhos. Não se tornem eles a levantar para submeterem a terra e encherem de cidades a face da terra.” 22Levantar-me-ei contra eles, oráculo de Iahweh dos Exércitos, e extirparei da Babilônia o seu nome e o seu resto, a sua descendência e a sua posteridade, oráculo de Iahweh. 23Farei dela uma morada de ouriços e um brejo. Varrê-la-ei com a vassoura do extermínio, oráculo de Iahweh dos Exércitos.

Contra a Assíria

24Iahweh dos Exércitos jurou, dizendo: Certamente o que projetei se cumprirá, aquilo que decidi se realizará: 25Desmantelarei a Assíria na minha terra, pisá-la-ei nos meus montes. O seu jugo será removido do meu povo, o seu fardo será removido dos seus ombros. 26Este é o projeto que ele decidiu contra a terra inteira, e esta é a mão estendida contra todas as nações. 27Com efeito, Iahweh dos Exércitos tomou uma decisão, quem a anulará? A sua mão está estendida, quem a fará recuar?

Contra os filisteus

28No ano em que morreu o rei Acaz, foi recebido este oráculo: 29Não te alegres, ó Filistéia toda, por ter sido partido o bastão que te feria, porque da raiz da serpente sairá uma víbora, e o seu fruto será uma serpente voadora. 30Os primogênitos dos fracos terão pastagem, os indigentes repousarão em segurança, mas farei perecer pela fome a tua raiz e darei a morte ao que resta de ti. 31Uiva, ó porta! Grita, ó cidade! Tu cambaleias toda, ó Filistéia! Com efeito, do norte vem uma nuvem de fumaça; ninguém deserta do seu posto. 32Que resposta se dará aos mensageiros desta nação? Que Iahweh fundou Sião e ali se refugiarão os pobres do seu povo.

15 A respeito de Moab 1Oráculo a respeito de Moab. Verdadeiramente, em uma noite foi destruída Ar-Moab e calou-se; em uma noite foi destruída Quir-Moab e calou-se. 2A filha de Dibon subiu aos lugares altos para chorar. Sobre o Nebo e em Medaba, Moab se lamenta, todas as cabeças estão raspadas, toda barba está cortada. 3Nas suas ruas o povo está cingido de saco; nos telhados e nas praças todos se lamentam, desfazendo-se em lágrimas. 4Hesebon e Eleale levantam um clamor, até Jasa se ouve a sua voz. Eis por que os soldados de Moab se sentem vacilantes, a sua alma está vacilante diante do que ocorre. 5O seu coração geme por Moab: os seus fugitivos já estão em Segor, em Eglat-Selisia. Com efeito, a multidão sobe a ladeira de Luit a chorar, pelo caminho de Horonaim ergue-se um pranto aflitivo, 6porque as águas de Nemrim estão reduzidas a desolação: a erva secou-se, a relva pereceu, já não há nenhuma verdura. 7Eis a razão por que reuniram o que ainda conseguiram salvar dos seus bens e o transportaram para além da torrente dos Salgueiros. 8Com efeito, o seu clamor espalhou-se por todo o território de Moab, até Eglaim chegam os seus lamentos, até Beer-Elim chegam eles. 9Com efeito, as águas de Dimon estão tingidas de sangue, mas eu imporei a Dimon ainda uma desgraça: um leão aos sobreviventes de Moab, aos que restam no seu solo.

16 O pedido dos moabitas 1Enviai o cordeiro do senhor da terra, de Sela, situada junto do deserto, ao monte da filha de Sião. Como pássaros em fuga, como uma ninhada dispersa, tais são as filhas de Moab, junto aos vaus do Arnon. 3“Formai um conselho; tomai uma decisão. Em pleno meio-dia estende a tua sombra como a da noite, esconde os dispersos, não reveles os fugitivos. 4Possam viver em teu seio os dispersos de Moab, sê para eles um refúgio contra o devastador. Quando a opressão tiver cessado,quando a devastação tiver terminado e os que espezinham a terra tiverem desaparecido, 5o trono será firmado sobre a misericórdia, e sobre ele, na tenda de Davi, se assentará um juiz fiel, que buscará o direito e zelará pela justiça.” 6Ouvimos falar a respeito da arrogância de Moab, da sua altivez desmedida, do seu orgulho, da sua arrogância, da sua raiva e da sua tagarelice vã.

Lamentação de Moab

7Eis por que Moab se lamenta sobre Moab, ele todo se lamenta. Por causa dos bolos de passas de Quir-Hareset,gemeis profundamente consternados. 8É que os terraços cultivados de Hesebon definham, bem como os vinhedos de Sábama, cujas uvas vermelhas subjugavam os príncipes das nações. Chegavam até Jazer, espalhavam-se pelo deserto, os seus sarmentos pululavam e se estendiam além do mar. 9Por isto choro juntamente com Jazer o vinhedo de Sábama; rego-te com as minhas lágrimas, Hesebon, e a ti, Eleale, pois que os gritos desapareceram das tuas colheitas e das tuas ceifas. 10O contentamento e a alegria dos teus vergéis desapareceram, nos teus vinhedos já não há canções alegres nem gritos de júbilo; já não há quem pise o vinho no lagar, os gritos alegres cessaram. 11Eis por que as minhas entranhas vibram por Moab como uma cítara, e o meu coração, por Quir-Hares. 12Ver-se-á Moab a fatigar-se sobre o lugar alto e a entrar no seu santuário para orar, mas nada conseguirá. 13Essa é a palavra que Iahweh dirigiu outrora a Moab. 14E agora Iahweh lhe falou assim: Dentro de três anos, anos como de mercenário, a glória de Moab será reduzida a nada, não obstante a sua imensa multidão. O que restar será insignificante e impotente.

17 Contra Damasco e Israel 1Oráculo a respeito de Damasco. Damasco deixará de ser uma cidade; reduzir-se-á a um montão de ruínas. 2As suas cidades, abandonadas para sempre, pertencerão aos rebanhos: eles se deitarão ali sem que ninguém os espante. 3Efraim deixará de ser uma fortaleza, Damasco deixará de ser um reino. O que restar de Aram terá uma glória semelhante à glória de Israel. Oráculo de Iahweh dos Exércitos. 4Naquele dia, sucederá que a glória de Jacó definhará e a gordura do seu corpo se esvairá. 5Tudo se passará Como quando o ceifeiro colhe o trigo, quando os seus braços apanham as espigas; tudo se passará como quando alguém anda a respigar espigas no vale dos rafaim. 6Sobrará algum restolho, como quando se vareja a oliveira: ficam duas ou três azeitonas nos ramos mais altos, quatro ou cinco nos demais galhos. Oráculo de Iahweh, Deus de Israel. 7Naquele dia o homem atentará para o seu criador e os seus olhos se voltarão para o Santo de Israel. 8Ele não tornará a atentar para os altares, obra das suas mãos, objeto que os seus dedos fabricaram; ele não voltará a olhar para as esteias sagradas, nem para os altares de incenso. 9Naquele dia as suas cidades de refúgio serão abandonadas, como outrora as florestas e os matagais, diante dos filhos de Israel: será uma desolação. 10Visto que te esqueceste do Deus da tua salvação e não te lembraste da rocha da tua fortaleza, tu te pões a formar plantações de deleite e a plantar sarmentos estranhos. 11No dia em que os plantas, tu os fazes crescer, na manhã seguinte fazes com que eles floresçam, mas a colheita se esvai no dia da doença, da dor incurável. 12Ai! Alvoroço de uma multidão de povos, como o rugir dos mares agitados, de povos em tumulto como o tumultuar de grandes águas! 13(De povos em tumulto como o tumultuar de águas poderosas.) Ele as ameaça e elas fogem para longe, arrastadas como a palha dos montes pelo vento, como as hastes secas pelo tufão. 14Ao entardecer sobrevêm o susto; antes do amanhecer não há mais nada. Tal a porção daqueles que nos despojam, a sorte daqueles que nos saqueiam.

18 Contra Cuch

1Ai da terra dos grilos alados, que fica além dos rios de Cuch! 2Que envia mensageiros pelo mar, em barcos de papiro, sobre as águas! Ide, mensageiros velozes, a uma nação de gente de alta estatura e de pele bronzeada, a um povo temido por toda parte, a uma nação poderosa e dominadora, cuja terra é sulcada de rios. 3Todos vós, habitantes do mundo vós, moradores da terra, quando se erguer um sinal nos montes, haveis de ver, quando ressoar a trombeta, haveis de ouvir. 4Com efeito, eis o que me disse Iahweh: Conservar-me-ei tranqüilo no meu posto a contemplar como um calor ardente em plena luz do dia, como uma cerração no calor da ceifa. 5Pois que antes da vindima, ao chegar o fim da florada, quando a flor se transforma em uva que vai amadurecendo, aparam-se os sarmentos com a podadeira, removem-se os ramos luxuriantes, desbasta-se. 6Mas tudo será abandonado às aves de rapina dos montes e aos animais selvagens; as aves de rapina veranearão ali, ali passarão o inverno os animais selvagens. 7Naquele tempo um povo de alta estatura e de pele bronzeada, um povo temido por toda parte, uma nação poderosa e dominadora, cuja terra é sulcada de rios, trará dons a Iahweh dos Exércitos, ao lugar onde se invoca o nome de Iahweh, ao monte Sião.

19 Contra o Egito 1Oráculo a respeito do Egito. Iahweh, montado em uma nuvem veloz, vai ao Egito. Os deuses do Egito tremem diante dele e o coração dos egípcios se derrete no seu peito. 2Excitarei egípcios contra egípcios; eles lutarão entre si, irmãos contra irmãos, cada um contra o seu próximo, cidade contra cidade e reino contra reino. 3O espírito dos egípcios será aniquilado no seu íntimo, confundirei o seu conselho. Eles irão em busca dos seus deuses vãos, dos encantadores e dos adivinhos. 4Entregarei o Egito nas mãos de um senhor cruel; um rei prepotente os dominará. Oráculo do Senhor Iahweh dos Exércitos. 5As águas se esvairão do mar, o rio se esgotará e ficará seco; 6os canais acabarão cheirando mal, as correntes do Egito irão minguando e secarão; a cana e o junco se cobrirão de praga. 7Os caniços do Nilo — das margens do Nilo — e toda planta cultivada do Nilo secarão, se dispersarão e se extinguirão. 8Os pescadores se lamentarão e se cobrirão de luto: todos aqueles que lançam o anzol no Nilo, aqueles que estendem a rede sobre as suas águas ficarão desacorçoados. 9Aqueles que preparam o linho cardado se sentirão frustrados, bem como os que tecem alvos panos; 10acabarão arrasados os seus tecelões, desconsolados ficarão todos os seus assalariados. 11Na verdade, os príncipes de Soã, os mais sábios conselheiros do faraó formam um conselho estulto. Como vos atreveis a dizer ao faraó: “Sou filho de sábios, filho de reis antigos?” 12Onde estão os teus sábios? Que anunciem então, para que se saiba, o que decidiu Iahweh dos Exércitos a respeito do Egito! 13Portam-se como loucos os príncipes de Soã, os príncipes de Nof estão iludidos, aqueles que constituíam a elite dos seus nomos desencaminharam o Egito. 11 Iahweh espalhou entre eles um espírito de confusão; de modo que desencaminham o Egito em todos os seus empreendimentos, como se desencaminha um embriagado que vai vomitando. 15Nenhum empreendimento conseguirá realizar o Egito, seja obra da cabeça ou da cauda, da palma ou do junco.

Conversão do Egito16Naquele dia, os egípcios serão como mulheres: tremerão e sentirão pavor diante do gesto da mão de Iahweh dos Exércitos quando ele a mover contra eles. 17A terra de Judá será motivo de vergonha para o Egito: toda vez que alguém lha lembrar, ele se sentirá apavorado à vista da decisão que Iahweh dos Exércitos tomou a seu respeito. 18Naquele dia haverá no Egito cinco cidades que falarão a língua de Canaã e prestarão juramento a Iahweh dos Exércitos; uma delas se chamará “cidade do sol”. 19Naquele dia, haverá um altar dedicado a Iahweh no seio do Egito e uma estela consagrada a Iahweh junto da sua fronteira. 20Esses servirão de sinal e testemunho a Iahweh dos Exércitos na terra do Egito: quando eles clamarem a Iahweh por causa dos seus opressores, este lhes enviará um salvador e defensor que os livrará. 21Iahweh se dará a conhecer aos egípcios e os egípcios, naquele dia, conhecerão a Iahweh e o servirão com sacrifícios e oblações e farão votos a Iahweh e os cumprirão. 22Iahweh ferirá os egípcios, feri-los-á, mas lhes dará a cura. Então eles se converterão a Iahweh e ele os atenderá e lhes dará a cura. 23Naquele dia, haverá uma vereda do Egito até a Assíria: os assírios irão ao Egito e os egípcios irão à Assíria e os egípcios servirão juntamente com a Assíria. 24Naquele dia, Israel será o terceiro, ao lado do Egito e da Assíria, uma bênção no seio da terra, 25bênção que pronunciará Iahweh dos Exércitos: “Bendito meu povo, o Egito e a Assíria, obra das minhas mãos, e Israel, minha herança”.

20 A propósito da tomada de Azoto1No mesmo ano em que o comandante enviado por Sargon, rei da Assíria, veio a Azoto, atacando- a e tomando-a, 2falou Iahweh por intermédio de Isaías, filho de Amós, e disse: “Eia, tira o pano de saco de sobre os teus lombos e descalça os sapatos dos teus pés”. Ele assim fez, andando nu e descalço. 3Então disse Iahweh: “Da mesma maneira que o meu servo Isaías andou nu e descalço durante três anos — sinal e presságio que diz respeito ao Egito e a Cuch —, 4dessa mesma maneira o rei da Assíria levará os cativos do Egito e os exilados de Cuch — jovens e velhos — nus e descalços, com as nádegas descobertas — vergonha do Egito! 5Eles ficarão apavorados e envergonhados por causa de Cuch, a sua esperança, e por causa do Egito, o seu orgulho. 6Naquele dia dirão os habitantes destas costas: ‘Eis o que ficou da nossa esperança, à qual recorremos para o nosso socorro, a fim de nos livrarmos do rei da Assíria. Como havemos de nos salvar agora?’ ”

21 A queda da Babilônia

1Oráculo a respeito do deserto do mar. Como os furacões que percorrem o Negueb, assim esta calamidade vem do deserto, de uma terra onde domina o terror. 2Uma visão sinistra foi-me revelada: “O traidor trai, o devastador devasta. Sobe, Elam, sitia, ó Média!” Pus fim a todo gemido. 3Eis por que as minhas entranhas se contorcem, contorções se apoderam de mim como as de uma parturiente; estou tão confuso que não consigo ouvir, estou tão fora de mim que não consigo ver. 4O meu coração está desvairado, o terror me subjuga; a hora do crepúsculo, tão desejada, se me torna em pavor. 5A mesa está posta, os lugares estão dispostos; come-se e bebe-se. De pé, príncipes! Untai os escudos! 6Com efeito, assim me falou o Senhor: “Vai, põe de prontidão um espia! Ele anunciará o que vir! 7Ele verá carros e cavaleiros aos pares, caravanas de jumentos e caravanas de camelos; ele que preste atenção, muita atenção.” 8li o espia gritou: “No posto de vigia do Senhor estou de prontidão o dia todo, no meu posto de guarda estou em pé a noite inteira. 9Pois bem, o que vem vindo são homens em caravanas e cavaleiros aos pares.” Ele acrescentou: “Caiu, caiu Babilônia! E todas as imagens dos seus deuses ele as despedaçou no chão!” 10Ó tu que foste malhado, produto da minha eira, aquilo que ouvi da parte de Iahweh dos Exércitos, Deus de Israel, isto te anunciei.

A respeito de Edom

11Oráculo a respeito de Duma. De Seir chamam por mim: “Guarda, que resta da noite? Guarda, que resta da noite?” 12O guarda responde: “A manhã vem chegando, mas ainda é noite. Se quereis perguntar, perguntai! Vinde de novo!”

Contra os árabes

13Oráculo na estepe. No matagal, na estepe passais a noite, caravanas de dadanitas. 14Vinde com água ao encontro dos sedentos! Os habitantes de Tema vieram ao encontro dos fugitivos, trazendo pão. 15Pois que estes estão fugindo diante das espadas, diante das espadas desembainhadas, diante dos arcos retesados, e diante da veemência da guerra. 16Porque assim me falou o Senhor: Ainda um ano — ano como de um assalariado — e acabou-se toda a glória de Cedar. 17E do grande número dos valentes flecheiros, dos filhos de Cedar, sobrará apenas um resto insignificante, pois Iahweh, Deus de Israel, falou.

22 Contra a alegria de Jerusalém 1Oráculo referente ao vale da Visão. Que tens tu, afinal, que todos os teus habitantes sobem aos telhados Cheios de júbilo, cidade ruidosa, cidade vibrante? Os teus trespassados não foram trespassados à espada, nem foram mortos na guerra. 3Os teus comandantes fugiram todos juntos, sem arcos, foram capturados, todos juntos foram capturados; eles tinham fugido para longe. 4Diante disso, eu disse: “Desviai de mim os vossos olhos, que eu choro amargamente; não insistais em consolar-me da ruína sofrida pela filha do meu povo.” 5Na verdade, este dia é um dia de inquietude, de derrota e de confusão, obra do Senhor Iahweh dos Exércitos, no vale da Visão. O muro é minado, gritos de socorro se elevam para o monte. 6Elam trouxe a aljava, juntamente com carros montados e cavaleiros; Quir descobre os seus escudos. 7Os teus vales mais belos estão cobertos de carros e os cavaleiros estão postados junto à porta: 8com isto a defesa de Judá ficou exposta. Naquele dia, voltastes os olhos para as armas da Casa da Floresta. 9Então vistes que eram muitas as brechas da cidade de Davi! Tratastes de coletar as águas da piscina inferior; 10contastes as casas de Jerusalém, demolistes as casas para reforçar o muro. 11Fizestes um reservatório entre os dois muros para as águas da piscina antiga. Mas não voltastes os olhos para aquele que fez estas coisas, não vistes aquele que há muito as planejou. 12E no entanto, naquele dia fez o Senhor Iahweh uma convocação para o choro, para o luto, para que raspásseis a cabeça e vos vestísseis com pano de saco. 13Em lugar disto, o que houve foi exultação e alegria, matança de bois e degola de ovelhas: come-se carne e bebe-se vinho, dizendo: “Comamos e bebamos porque amanhã morreremos!” 14Mas Iahweh dos Exércitos disse aos meus ouvidos: “Certamente esta perversidade não vos será perdoada até a vossa morte”, disse o Senhor Iahweh dos Exércitos.

Contra Sobna

15 Assim disse o Senhor Iahweh dos Exércitos: Vai procurar a esse intendente, a Sobna, intendente do palácio, e dize-lhe: 16“Que possuis aqui? Que tens aqui para quereres talhar para ti neste lugar um sepulcro?” Pois ele talha para si um sepulcro no alto, e cava na rocha um sepulcro para si mesmo. 17Mas Iahweh te lançará para longe, ó homem! Sim, ele te apanhará 18e te fará rolar como uma bola em terreno espaçoso. Ali perecerás juntamente com os teus carros suntuosos, como uma vergonha da casa do teu senhor. 19Alastar-te-ei do teu cargo, remover-te-ei do teu posto. 20Naquele mesmo dia chamarei e meu servo Eliacim, filho de Helcias. 21Vesti-lo-ei com a tua túnica, cingi-lo-ei com o teu cinto, porei nas suas mãos as tuas funções; ele será um pai para os habitantes de Jerusalém e para a casa de Judá. 22Porei sobre os seus ombros a chave da casa de Davi: quando ele abrir, ninguém fechará; quando ele fechar, ninguém abrirá. 23Cravá-lo-ei como uma cavilha em lugar firme: ele virá a ser um trono de glória para a casa de seu pai. 24Nele suspenderão toda a glória da casa de seu pai, os seus rebentos e os seus ramos, todos os objetos miúdos, desde as taças até os jarros. 25Nesse dia, oráculo de Iahweh dos Exércitos, será removida a cavilha cravada em lugar firme, ela será cortada e cairá; então se desprenderá o fardo que pesava sobre ele, porque Iahweh falou.

23 Contra Tiro

1Oráculo a respeito de Tiro.Uivai, navios de Társis, porque tudo está destruído: já não há casas nem entrada para o porto! Da terra de Cetim chegou a nova. 2Calai-vos, vós, habitantes da costa, mercadores de Sidônia, cujos mensageiros percorriam os mares, 3de águas volumosas. As searas do Canal, as colheitas do Nilo, eram a sua fonte de renda. Ela constituía o mercado das nações. 4Cobre-te de vergonha, Sidônia (fortaleza dos mares), porque o mar te disse: “Não tive dores de parto, nem dei à luz, não criei meninos, nem eduquei meninas”. 5Ao chegar esta notícia ao Egito, ele se afligirá com a sorte de Tiro. 6Habitantes da costa, dirigi-vos a Társis, uivai. 7É ela o vosso orgulho, ela, cujas origens vêm de épocas antigas, cujas andanças resultavam em longas peregrinações? 8Quem decidiu isto a respeito de Tiro, a distribuidora de coroas, cujos mercadores eram príncipes, cujos negociantes eram nobres do mundo? 9Foi Iahweh dos Exércitos quem o decidiu, a fim de humilhar o orgulho de toda a majestade, a fim de rebaixar os nobres do mundo. 10Lavra a tua terra como o Nilo, ó filha de Társis, porque o teu porto se acabou. 11Ele estendeu a mão sobre o mar, fez tremer os reinos; quanto a Canaã, Iahweh decidiu destruir as suas fortalezas. 12E disse-lhe: Não continues na tua exultação pretensiosa, ó virgem oprimida, filha de Sidônia! Ergue-te, vai-te a Cetim, mas também ali não haverá repouso para ti. 13Vede a terra dos caldeus, esse povo que não existia. Os assírios a estabeleceram para os animais do deserto; erigiram as suas torres de vigia, demoliram os seus palácios e a transformaram em ruínas.14Uivai, ó navios de Társis, porque a vossa fortaleza foi destruída. 15Naquele dia, sucederá que Tiro ficará esquecida por setenta anos, isto é, o  equivalente aos dias da vida de um rei. Ao fim dos setenta anos, acontecerá a Tiro como na canção da prostituta: 16“Toma uma cítara, perambula pela cidade, prostituta esquecida! Toca a tua flauta o melhor que puderes, repete a tua canção, para que se lembrem de ti!” 17Então, ao fim dos setenta anos, Iahweh visitará Tiro. Esta voltará ao seu ofício de prostituta e se prostituirá com todos os reinos existentes sobre a face da terra. 18Mas o seu lucro e o seu salário acabarão consagrados a Iahweh. Eles não serão amontoados nem guardados; antes, o seu ganho pertencerá àqueles que habitam na presença de Iahweh, para o seu alimento e a sua saciedade e para que se vistam ricamente.

4. APOCALIPSE

24 O julgamento de Iahweh

1Eis que Iahweh vai assolar a terra e devastá-la, porá em confusão a sua superfície e dispersará os seus habitantes. 2O mesmo sucederá ao sacerdote e ao povo, ao servo e ao seu senhor, à serva e à sua senhora, ao comprador e ao vendedor, ao que empresta e ao que toma emprestado, ao devedor e ao credor. 3Certamente a terra será devastada, certamente ela será despojada, pois foi Iahweh quem pronunciou esta sentença. 4A terra cobre-se de luto, ela perece; o mundo definha, ele perece; a nata do povo da terra definha. 5A terra está profanada sob os pés dos seus habitantes; com efeito, eles transgrediram as leis, mudaram o decreto e romperam a aliança eterna. 6Por este motivo a maldição devorou a terra e os seus habitantes recebem o castigo; por esse motivo os habitantes da terra foram consumidos: poucos são os que restam.

Cântico sobre a cidade destruídas 7O vinho novo se lamenta, a videira perece, gemem todos os que estavam alegres. 8O som alegre dos tambores calou-se, o estrépito das pessoas em festa cessou; cessou o som alegre das cítaras. 9Já não se bebe vinho ao som do cântico, a bebida forte tem um sabor amargo para os que a bebem. 10A cidade da desolação está arruinada, todas as suas casas estão fechadas, ninguém pode entrar nelas. 11Nas ruas clama-se por vinho, toda a alegria se acabou: o júbilo foi desterrado da terra. 12Na cidade só ficou a desolação, a porta ficou reduzida a ruínas. 13O que se passa na terra, entre os povos, é algo semelhante ao varejar da oliveira, à respiga do fim da vindima. 14Estes elevam a voz, gritam de alegria. Desde o Ocidente proclamam ruidosamente a glória de Iahweh: 15“Por isto glorificai a Iahweh no Oriente, o nome de Iahweh, Deus de Israel, nas ilhas do mar”. 16Desde as extremidades da terra ouvimos ressoar o cântico “glória ao Justo”.

Os últimos combates

Mas eu disse: “Que desgraça para mim! Que desgraça para mim! Ai de mim!” Os traidores traíram; sim, os traidores cometeram uma traição! 17O pavor, a cova e a armadilha te ameaçam, ó habitante da terra! 18Aquele que fugir ao grito de pavor cairá na cova, aquele que conseguir subir da cova será apanhado na armadilha. Com efeito, as cataratas do alto se abriram, os fundamentos da terra se abalaram. 19A terra será toda arrasada, a terra será sacudida violentamente, a terra será fortemente abalada. 20A terra cambaleará como um embriagado, ela oscilará como uma cabana, seu crime pesará sobre ela, ela cairá e não mais se levantará. 21E acontecerá naquele dia: Iahweh visitará o exército do alto, no alto, e os reis da terra, na terra. 22Eles serão reunidos, como um bando de prisioneiros destinado à cova; serão encerrados no cárcere; depois de longo tempo, serão chamados as contas. 23A lua ficará confusa, o sol se cobrirá de vergonha, porque Iahweh dos Exércitos reina no monte Sião e em Jerusalém, e a sua Glória resplandece diante dos seus anciãos.

25 Hino de ação de graças

1Iahweh, tu és o meu Deus, exaltar-te-ei, louvarei o teu nome, porque tu realizaste os teus desígnios maravilhosos de outrora, com toda a fidelidade. 2Sim, da cidade fizeste um entulho, a cidade fortificada está uma ruína. A cidadela dos estrangeiros deixou de ser uma cidade, nunca mais será reconstruída. 3Eis por que um povo forte te glorifica, a cidade das nações tirânicas teme a ti. 4Porque foste um refúgio para o fraco, um refúgio para o indigente na sua angústia, um abrigo contra a chuva e uma sombra contra o calor. Com efeito, o sopro dos tiranos é como a chuva de inverno. 5Como o calor em uma terra árida, assim tu abates o tumulto dos estrangeiros: o calor se abranda sob a sombra das nuvens; assim o canto dos tiranos se cala.

O banquete divino

6Iahweh dos Exércitos prepara para todos os povos, sobre esta montanha, um banquete de carnes gordas, um banquete de vinhos finos, de carnes suculentas, de vinhos depurados. 7Destruiu neste monte o véu que envolvia todos os povos e a cortina que se estendia sobre todas as nações; 8destruiu a morte para sempre. O Senhor Iahweh enxugou a lágrima de todos os rostos; ele há de remover de toda a terra o opróbrio do seu povo, porque Iahweh o disse. 9Nesse dia se dirá: Vede, este é o nosso Deus, nele esperávamos, certos de que nos salvaria; este é Iahweh, em quem esperávamos. Exultemos, alegremo-nos na sua salvação. 10Com efeito, a mão de Iahweh repousará neste monte, mas Moab será pisado sob os pés, como se pisa a palha nas águas de Madmena. 11Estenderá, em meio da montanha, as suas mãos, como faz o nadador para nadar, mas acabará pondo por terra a sua própria altivez, apesar da habilidade das suas mãos. 12A fortaleza inacessível dos teus muros, ele a abateu, rebaixou e fê-la lamber o pó da terra.

26 Hino de ação de graças

1Naquele dia, cantar-se-á este cântico na terra de Judá: Temos uma cidade forte; para nossa salvação ele nos deu muro e antemuro. 2Abri as portas da cidade, para que entre uma nação justa, que observa a fidelidade! 3Está decidido: tu manterás a paz, sim, a paz, porque a ti foi ela confiada. 4Ponde a vossa confiança em Iahweh para todo o sempre, porque Iahweh é uma rocha eterna. 5Com efeito, ele abateu os habitantes das alturas, a cidade inacessível; ele fê-la vir abaixo, vir abaixo até o solo, fê-la lamber o pó. 6Ela será pisada aos pés: pisá-la-ão os pés dos pobres e os passos dos fracos.

Salmo

7A vereda do justo é reta, tu aplanas o trilho reto do justo. 8Sim, Iahweh, na vereda dos teus julgamentos pomos a nossa esperança; o teu nome e a lembrança de ti resumem todo o desejo da nossa alma. 9A minha alma suspira por ti de noite, sim, no meu íntimo, o meu espírito te busca, pois quando os teus julgamentos se manifestam na terra, os habitantes do mundo aprendem a justiça. 10De fato, se o ímpio recebe graça, sem que aprenda a justiça, mesmo na terra da retidão, ele praticará o mal, sem ver a majestade de Iahweh. 11Iahweh, a tua mão está levantada, mas eles não a vêem! Eles verão o teu zelo pelo teu povo e ficarão confundidos; sim, o fogo preparado para aos teus adversários os consumirá.12Iahweh, tu nos asseguras a paz; na verdade, todas as nossas obras tu as realizas para nós. 13Ó Iahweh, nosso Deus, ao lado de ti temos tido outros senhores, mus, apegados a ti, só ao teu nome invocamos. 14Os mortos não reviverão, as sombras não ressurgirão, porque tu as visitaste e as exterminaste, tu destruíste toda a sua memória. 15Expandiste a nossa nação, ó Iahweh, expandiste a nossa nação e te cobriste de glória. Alargaste todas as fronteiras da terra. 16 Iahweh, na angústia eles te buscaram, entregaram-se à oração, porque o teu castigo os atingiu. 17Como a mulher grávida, ao aproximar-se a hora do parto, v se contorce e, nas suas dores, dá gritos, assim nos encontrávamos nós na tua presença, ó Iahweh: 18Concebemos e tivemos as dores de parto, mas quando demos à luz, eis que era vento: não asseguramos a salvação para a terra; não nasceram novos habitantes para o mundo. 19Os teus mortos tornarão a viver, os teus cadáveres ressurgirão. Despertai e cantai, vós os que habitais o pó, porque o teu orvalho será um orvalho luminoso, e a terra dará à luz sombras.

A passagem do Senhor

20Eia, povo meu, entra nos teus aposentos e fecha as tuas portas sobre ti; esconde-te por um pouco de tempo, até que a cólera tenha passado. 21Porque Iahweh está para sair do seu domicílio, a fim de punir o crime dos habitantes da terra; e a terra descobrirá os seus crimes de sangue, ela não continuará a esconder os seus assassinados.

27 1Naquele dia, punirá Iahweh, com a sua espada dura, grande e forte, a Leviatã, serpente escorregadia, a Leviatã, serpente tortuosa, e matará o monstro que habita o mar.

A vinha de Iahweh

2Naquele dia, haveis de cantar a vinha graciosa. 3Eu, Iahweh, sou o seu guarda, rego-a continuamente; para que não a danifiquem, vigio-a noite e dia. 4— Já não tenho muro. Quem me reduzirá a um espinheiro ou a um sarçal? — Na guerra, hei de pisá-la e de pôr-lhe fogo. 5Ou então que busquem a minha proteção, façam as pazes comigo, sim, façam as pazes comigo.

Graça e castigo

6Nos dias vindouros Jacó criará raízes, Israel brotará e se cobrirá de flores, o mundo inteiro terá uma grande colheita. 7Porventura ele o feriu como o feriram aqueles que o feriam? Porventura matou ele como mataram os seus assassinos? 8Ao tocá-la, ao rejeitá-la, tu exerceste um julgamento; ele expeliu-a com o seu sopro violento, como o vento oriental. 9Porque, com isto, será expiada a iniqüidade de Jacó. Este será o fruto que ele há de recolher da renúncia ao seu pecado, quando reduzir todas as pedras do altar a pedaços, como pedras de calcário, quando as esteias e os altares de incenso já não permanecerem de pé. 10Com efeito, a cidade fortificada ficou reduzida a solidão, a uma campina largada e abandonada como um deserto, onde pastarão os novilhos e aí se deitarão, destruindo os seus ramos. 11Ao secarem, os galhos são quebrados; vêm mulheres e os levam para queimar. Este povo não é inteligente, por isto o seu criador não tem compaixão dele; aquele que o modelou não lhe mostrou misericórdia.

Retorno dos israelitas

12Sucederá naquele dia que Iahweh fará uma debulha, desde a corrente do Rio até o canal do Egito, e vós, filhos de Israel, sereis respigados um por um. 13Sucederá naquele dia que se tocará uma grande trombeta, e os que andam perdidos na terra da Assíria, bem como os que estão desterrados na terra do Egito, virão e adorarão a Iahweh no monte santo, em Jerusalém.

5. POEMAS A RESPEITO DE ISRAEL E DE JUDÁ

28 Contra Samaria

1Ai da coroa orgulhosa dos bêbados de Efraim, da flor caduca do seu magnífico esplendor que está no cume do vale da fertilidade, e dos que estão prostrados pelo vinho! 2Eis um homem forte e vigoroso a serviço do Senhor: como uma chuva de pedras e uma tempestade devastadora, como uma chuva torrencial que tudo inunda, ele os atira ao solo com a sua mão. 3Sim, a orgulhosa coroa dos bêbados de Efraim será calcada aos pés, 4bem como a flor caduca do seu magnífico esplendor que está no cume do vale da fertilidade, li como um figo temporão: quem o vê, devora-o mal o tem na mão. 5 Naquele dia, Iahweh dos Exércitos é que será uma coroa de esplendor e uma grinalda magnífica para o resto do seu povo, 6e um espírito de justiça para aquele que exerce o julgamento, e a força daqueles que repelem o ataque na porta.

Contra os falsos profetas

7Também estes se puseram a cambalear por efeito do vinho, andam a divagar sob a influência da bebida forte. Sacerdote e profeta ficaram confusos pela bebida, ficaram tomados pelo vinho, divagaram sob o efeito da bebida, ficaram confusos nas suas visões, divagaram nas suas sentenças. 8Com efeito, todas as suas mesas estão cheias de vômito e de imundície já não há um lugar limpo. 9A quem ensinará ele o conhecimento? A quem fará ele entender o que foi dito? A crianças apenas desmamadas, apenas tiradas do seio, 10quando diz: çav laçav, çav laçav; qav laqav, qav laqav; ze’êr sham, ze’êr sham.11Com efeito, é com lábios gaguejantes e em uma língua estranha que ele falará a este povo.12Ele lhes dissera: “Este é o repouso! Dai repouso ao cansado: este é um lugar tranqüilo.” Mas não quiseram escutar. 13Diante disso a palavra de Iahweh para eles será: çav laçav, çav laçav; qav laqav, qav laqav; ze’êr sham, ze’êr sham, a fim de que ao caminharem caiam para trás, e se despedacem, ao serem apanhados no laço e aprisionados.

Contra os maus conselheiros

14Ouvi a palavra de Iahweh, homens insolentes, vós, governadores deste povo que está em Jerusalém. 15Pois que dizeis: “Firmamos uma aliança com a morte, e com o Xeol fizemos um pacto: quanto ao flagelo ameaçador, ele passará sem atingir-nos, porque fizemos da mentira o nosso refúgio e atrás da falsidade nos escondemos.”  16Certamente assim diz o Senhor Iahweh: Eis que porei em Sião uma pedra, uma pedra de granito, pedra angular e preciosa, uma pedra de alicerce bem firmada: aquele que nela puser a sua confiança não será abalado. 17Porei o direito como regra e a justiça como nível. Mas quanto ao refúgio da mentira, o granizo o levará e o seu esconderijo, as águas o submergirão. 18A vossa aliança com a morte será rompida, o vosso pacto com o Xeol não subsistirá. Quanto ao flagelo destruidor, ao passar, ele vos calcará aos pés. 19Toda vez que passar, ele lançará mão de vós. Com efeito, ele passará de manhã em manhã, de dia e de noite. Em suma, só o medo fará entender a mensagem, 20porque a cama será muito curta para que alguém se deite nela, e o cobertor muito estreito para que alguém possa envolver-se nele. 21Certamente, Iahweh se erguerá como no monte Farasim, inflamar-se-á como no vale de Gabaon, a fim de realizar a sua obra, a sua obra estranha, a fim de executar a sua tarefa insólita. 22Agora não continueis a zombar, para que não se reforcem as vossas cadeias. Com efeito, ouvi falar de destruição — e é coisa decidida pelo Senhor Iahweh dos Exércitos — que atingirá toda a terra.

Parábola

23Prestai atenção e ouvi a minha voz; estai atentos e ouvi as minhas palavras. 24Porventura o lavrador passa o tempo todo a arar para a semeadura? A preparar e a arrotear o seu solo? 25Antes, depois de nivelar a sua superfície, não semeia ele a nigela? Não espalha ele o cominho? Não lança na terra o trigo, o painço e a cevada (…) e a espelta em uma faixa marginal? 26O seu Deus mostrou-lhe o modo de fazê-lo. Ele lhe ensinou. 27Não se debulha a nigela com o trilho, nem se passam as rodas de um carro sobre o cominho. Antes, é com a vara que se bate a nigela e com o bastão o cominho. 28Quando se trilha o trigo, não se debulha continuamente. Antes, põem-se em movimento as rodas de um carro e os seus animais, mas não se trituram os grãos. 29Tudo isto vem de Iahweh dos Exércitos, maravilhoso nos seus conselhos, grandioso nos seus feitos.

29A respeito de Jerusalém 1Ai de Ariel, de Ariel, a cidade em que Davi acampou! Ajuntai ano a ano, completem as festas anuais o seu ciclo, 2mas eu porei Ariel em aperto; haverá gemidos e luto, e ela será para mim como Ariel. 3Eu te sitiarei como um círculo, estabelecerei postos contra ti e levantarei trincheiras contra ti. 4Serás abatida: desde o chão passarás a falar; a tua palavra virá abafada pelo pó da terra, a tua voz será como a de um espírito que se encontra debaixo da terra o teu falar será um murmúrio que brota do chão. 5A horda dos teus inimigos será como o pó, a horda dos tiranos, como a palha que voa. Tudo virá como em um instante: 6serás visitada por Iahweh dos Exércitos com trovões, com estrondos e com grande rugido, com tufões e tempestades, com chamas de fogo devorador. 7Será como em um sonho, como em uma visão noturna: a horda de todas as nações a guerrear contra Ariel, de todos os que a combatem, a sitiam e a põem em aperto. 8E suceder-lhes-á como ao faminto, o qual sonha que está comendo, mas ao acordar está com o estômago vazio, ou como ao sedento, o qual sonha que está bebendo, mas, quando acorda, se sente exaurido e com a boca seca. E o que sucederá à horda de todas as nações em guerra contra o monte Sião. 9Enchei-vos de pasmo; sim, ficai pasmos; cegai-vos; sim, ficai cegos; embriagai-vos, mas não com vinho, cambaleai, mas não por causa da bebida forte, 10pois Iahweh derramou sobre vós um espírito de torpor, fechou-vos os olhos a vós (os profetas), cobriu-vos a cabeça a vós (os videntes). 11Toda visão é para vós como as palavras de um livro lacrado que se dê a uma pessoa que sabe ler, dizendo-lhe: “Lê isto, por favor”, ao que ela responde: “Impossível, pois o livro está lacrado”. 12Em seguida se dá o livro a uma pessoa que não sabe ler, dizendo-lhe: “Lê isto, por favor”. A isto responde ela: “Eu não sei ler”.

Oráculo

13O Senhor disse: Visto que este povo se chega junto a mim com palavras e me glorifica com os lábios, mas o seu coração está longe de mim e a sua reverência para comigo não passa de mandamento humano, de coisa aprendida por rotina, 14o que me resta é continuar a assustar este povo com coisas espantosas e assombrosas; a sabedoria dos seus sábios perecerá e o entendimento dos seus entendidos se desfará.

O triunfo do direito

15Ai dos que procuram refugiar-se nas profundezas, a fim de ocultar a Iahweh os seus desígnios, e realizam as suas obras nas trevas e dizem: “Quem há de ver-nos? Quem irá conhecer-nos?” 16Que perversão é a vossa! Tratar o oleiro como a argila! Com efeito, ousará a obra dizer àquele que a fez: “Ele não me fez”, e um vaso a respeito do oleiro que o moldou: “Ele nada entende do ofício?” 17Porventura não sucederá dentro de muito pouco tempo que o Líbano se transformará em vergel, e o vergel será tido como floresta? 18Naquele dia, os surdos ouvirão o que se lê, e os olhos dos cegos, livres da escuridão e das trevas, tornarão a ver. 19Os pobres terão maior alegria em Iahweh, os indigentes da terra se regozijarão no Santo de Israel. 20Porque já não haverá tirano e o escarnecedor será destruído, todos os que andam à espreita para fazer o mal serão extirpados: 21os que cobrem os homens de culpa com as suas palavras, que armam ciladas ao juiz junto à porta e, sem razão, privam do direito o justo. 22Por isto mesmo, assim diz Iahweh, Deus da casa de Jacó, ele que resgatou Abraão: Jacó não mais ficará envergonhado, a sua face já não se cobrirá de palidez, 23porque, ao ver os seus filhos, obra das minhas mãos, no seu seio, ele santificará o meu nome, santificará o Santo de Jacó e temerá o Deus de Israel. 24Os que estão com o espírito confuso terão entendimento e os murmuradores adquirirão a instrução.

30 Contra a embaixada enviada ao Egito

1Ai dos filhos rebeldes — oráculo de Iahweh — que fazem projetos, mas não vindos de mim! Que formam alianças, mas não sugeridas pelo meu espírito, que acumulam pecado sobre pecado! 2Que partem para descer ao Egito, sem me consultarem, buscando socorro no faraó, procurando abrigo à sombra do Egito. 3Mas o socorro do faraó se vos tornará em vergonha e o abrigo à sombra do Egito, em ultraje. 4Com efeito, os seus príncipes estiveram em Soã, os seus embaixadores chegaram até Hanes. 5Todos se desmoralizam por causa de um povo que não lhes pode ser de proveito, que não pode trazer-lhes ajuda nem socorro, mas antes, vergonha e opróbrio.

Outro oráculo contra uma embaixada

6Oráculo sobre as bestas do Negueb. Pela terra da penúria e da aflição, de leoa e do leão rugidor, da víbora e da serpente voadora, vão eles levando as suas riquezas sobre os dorsos dos jumentos, os seus tesouros sobre as gibas dos camelos, a um povo que não lhes pode valer. 7Sim, o auxílio do Egito é inútil e vão. Eis por que lhe chamei “Raab, a rebaixada”.

Testamento

8Vai agora e escreve-o sobre uma prancheta, grava-o em um livro que se conserve para dias futuros, para todo o sempre, 9porque este povo é rebelde, constituído de filhos desleais, de filhos que se recusam a ouvir a Lei de Iahweh, 10e dizem aos videntes: “Não queirais ver” e aos seus profetas: “Não procureis ter visões que nos revelem o que é reto. Dizei-nos antes coisas agradáveis, procurai ter visões ilusórias. 11Afastai-vos do caminho, apartai-vos da vereda, fazei desaparecer da nossa presença o Santo de Israel”. 12Por isto, assim diz o Santo de Israel: Visto que rejeitastes esta palavra e pusestes a vossa confiança na fraude e na tortuosidade e vos estribais sobre elas, 13este comportamento perverso será para vós como uma brecha que forma uma saliência em um alto muro, cujo desmoronamento se dá em um repente, 14ou como a quebra de um vaso de oleiro, despedaçado sem piedade: dele não se consegue encontrar um caco entre os fragmentos, com que se possa tirar um tição da lareira ou com que se possa tirar água da cisterna. 15Com efeito, assim diz o Senhor Iahweh, o Santo de Israel: Na conversão e na calma estaria a vossa salvação, na tranqüilidade e na confiança estaria a vossa força, mas vós não o quisestes! 16Mas dissestes: “Não, antes, fugiremos a cavalo!” Pois bem, haveis de fugir. E ainda: “Montaremos sobre cavalos velozes!” Pois bem, os vossos perseguidores serão velozes.17Mil tremerão diante da ameaça de um; diante da ameaça de cinco haveis de fugir, até que sejais deixados como um mastro no alto de um monte, como um sinaleiro sobre uma colina.

Deus há de perdoar

18Mus Iahweh espera a hora de poder mostrar-vos a sua graça, de se ergue para mostrar-vos a sua compaixão, porque Iahweh é um Deus de justiça: bem-aventurado todo aquele que nele espera. 19O povo de Sião, que habitas Jerusalém, certamente tu não tornarás a chorar. Á voz do teu clamor, ele fará sentir a sua graça; no ouvi-lo, ele te responderá; 20dar-vos-á o pão da angústia e água racionada; aquele que te instrui não tornará a esconder-se, sim, os teus olhos verão aquele que te instrui. 21Teus ouvidos ouvirão uma palavra atrás de ti: “Este é o caminho, segui-o, quer andeis à direita quer à esquerda”. 22Os teus ídolos revestidos de prata, tu os terás por impuros, e as tuas imagens cobertas de ouro, lançá-las-ás fora como coisa imunda e lhes dirás: “Fora daqui!” 23Ele enviará chuva à sementeira que semeaste em teu solo, e o pão — produto do solo — será rico e nutritivo. Naquele dia o teu gado terá pastos espaçosos. 24Os bois e os jumentos que lavram o solo comerão uma forragem feita à base de azedas, joeirada com a pá e com o forcado. 25Sobre todo monte alto e sobre todo outeiro elevado, haverá cursos d’água e mananciais, no dia da grande matança, ao ruírem as fortalezas. 26Então a luz da lua será igual à luz do sol, e a luz do sol será sete vezes mais forte, como a luz de sete dias reunidos, no dia em que Iahweh pensar a ferida do seu povo e curar a chaga resultante dos golpes que sofreu.

Contra a Assíria

27Eis que o nome de Iahweh vem de longe; ardente é a sua ira, e grave é a sua ameaça. Os seus lábios transpiram indignação, a sua língua é como um fogo devorador. 28O seu sopro é como uma torrente transbordante, que chega até o pescoço, sacudindo as nações com uma sacudida que as leva à frustração, impondo aos povos um freio que os desencaminha. 29O cântico se apoderará de vós como em uma noite de festa, e a alegria inundará os vossos corações como a alegria de quem marcha ao som da flauta, ao dirigir-se ao monte de Iahweh, à rocha de Israel. 30Iahweh fará ouvir a sua voz majestosa, ele mostrará o seu braço a mover-se, no ardor da sua ira acompanhada de chamas de fogo, de raios, de chuva e de granizo. 31Com efeito, à voz de Iahweh, a Assíria ficará apavorada; com o seu bastão ele a ferirá. 32A cada passagem de Iahweh, virá o bastão do castigo que ele lhe imporá; ao som de tambores e de cítaras, em uma guerra sagrada a combaterá. 33Com efeito, já há muito Tofet está preparada — aprestada também para o rei —, profunda e larga a sua fogueira; fogo e lenha em abundância! Como uma torrente de enxofre, o sopro de Iahweh a incendiará.

31 Contra a aliança egípcia 

1Ai dos que descem ao Egito, à busca do socorro. Procuram apoiar-se em cavalos, põem a sua confiança nos carros, porque são muitos, e nos cavaleiros, porque são de grande força, mas não voltam os seus olhares para o Santo de Israel, não buscam a Iahweh. 2Pois bem, também ele tem sabedoria e pode trazer a desgraça; ele não deixa de cumprir a sua palavra; assim, levantar-se-á contra a corja dos malfeitores e contra o socorro dado aos que praticam a iniqüidade. 3Pois o egípcio é homem e não deus, os seus cavalos são carne e não espírito. Quando Iahweh estender a sua mão, aquele que socorre tropeçará e o socorrido cairá, e perecerão ambos juntos.

Contra a Assíria

4Porque assim me disse Iahweh: Como ruge o leão — o leão novo — sobre a sua presa,  quando se convocam contra ele todos os pastores, sem que ele se apavore com os seus gritos, nem se assuste com o seu tumulto, assim descerá Iahweh dos Exércitos para guerrear sobre o monte Sião, sobre o seu outeiro. Como aves que voam, assim Iahweh dos Exércitos velará sobre Jerusalém, velará sobre ela e a livrará, protegê-la-á e a libertará. 6Voltai para aquele contra o qual se rebelaram tão profundamente os filhos de Israel. 7Porque naqueles dias todos porão fora os seus ídolos de prata e os seus ídolos de ouro, que as vossas mãos pecaminosas fizeram para vós. 8Intão a Assíria cairá à espada, mas não de homem; por uma espada, mas não de homem, ela será devorada. Sim, ela há de fugir diante da espada, e os seus jovens serão submetidos a trabalho forçado. 9No seu terror, ela abandonará a sua rocha, os seus príncipes, apavorados, desertarão o estandarte. Oráculo de Iahweh, cujo fogo está em Sião e cuja fornalha está em Jerusalém.

32 O rei justo

1Um rei reinará de acordo com a justiça, os seus príncipes governarão de acordo com o direito. 2Cada um deles será como um refúgio contra o vento, como um abrigo contra a tempestade, como ribeiros de água em terra seca, como a sombra de um grande rochedo em terra desolada. 3Os olhos dos que vêem já não estarão vendados, os ouvidos dos que ouvem perceberão distintamente. 4O coração dos irrefletidos procurará adquirir o conhecimento, a língua dos gagos falará com desembaraço e com clareza. 5Já não se chamará nobre ao tolo nem se dirá ilustre àquele que é trapaceiro.

O tolo e o nobre

6Porque o tolo diz tolices e o seu coração pratica à iniqüidade, agindo impiedosamente e proferindo disparates contra Deus, deixando o faminto sem comer e privando de bebida o sedento. 7Quanto ao trapaceiro, perversas são as suas trapaças, faz tramas indignas, a fim de arruinar os pobres com palavras mentirosas, quando os indigentes defendem o seu direito. 8Quanto ao nobre, nobres são os seus desígnios; firme se mantém ele na sua nobreza.

Contra as mulheres de Jerusalém

9Vós, mulheres descuidadas, ponde-vos de pé e ouvi a minha voz; filhas cheias de soberba, dai ouvidos às minhas palavras. 10Vós que estais tão seguras de vós mesmas, dentro de um ano e alguns dias haveis de tremer, porque a vindima estará arruinada, a colheita nada renderá. 11Estremecei, ó descuidadas, tremei, vós que estais tão cheias de soberba; despojai-vos, despi-vos, cingi os vossos lombos. 12Batei no peito, por causa dos campos ridentes, por causa das vinhas carregadas de frutos. 13Sarças e espinhos crescerão nos campos do meu povo, bem como sobre todas as casas alegres da cidade delirante. 14Com efeito, a cidadela ficará deserta e o tumulto da cidade cessará. Ofel e a Torre de Vigiai reduzidos a campinas escalvadas, alegria dos jumentos selvagens e pasto dos rebanhos,

A efusão do Espírito

15até que seja derramado sobre nós o Espírito do alto. Então o deserto se transformará em vergel, e o vergel será tido como floresta. 16O direito habitará no deserto e a justiça morará no vergel. 17O fruto da justiça será a paz, e a obra da justiça consistirá na tranqüilidade e na segurança para sempre. 18O meu povo habitará em moradas de paz, em mansões seguras e em lugares tranqüilos. 19Embora a floresta venha abaixo,embora a cidade seja humilhada, 20sereis felizes, semeando junto de águas abundantes, deixando andar livres os bois e os jumentos.

33 A salvação esperada 1Ai de ti que destróis quando não foste destruído, que ages traiçoeiramente, quando não foste traído! Quando tiveres acabado de devastar, serás devastado; quando acabareis a tua traição, serás traído, 2Iahweh, tem misericórdia de nós, pois em ti esperamos. Sê o nosso braço de manhã em manhã; nu, sê a nossa salvação no tempo da angústia. 3A voz do teu tumulto fogem os povos; quando te ergues, dispersam-se as nações. 4O vosso despojo é amontoado como se amontoam lagartas; unam-se todos sobre ele como se atiram os gafanhotos, 5Iahweh é exaltado, pois está entronizado nas alturas; ele assegura abundantemente a Sião o direito e a justiça. 6Nisto estará a segurança dos teus dias: a sabedoria e o conhecimento serão a riqueza capaz de salvar-te, o temor de Iahweh, eis o seu tesouro. 7Vede! Ariel grita por socorro nas ruas, os mensageiros da paz choram amargamente. 8As estradas estão desertas, não há transeuntes nos caminhos. Rompeu-se a aliança, as testemunhas são desprezadas, a pessoa humana não é tida em nenhuma conta. 9A terra, coberta de luto, fenece, o Líbano, coberto de vergonha, está tomado pela praga, o Saron se tornou como a estepe, Basã e o Carmelo perdem a sua folhagem. 10Agora me erguerei, diz Iahweh, agora me levantarei, agora serei exaltado. 11Concebeis feno e dais à luz palha; o meu sopro, como o fogo, vos consumirá. 12Os povos serão como que calcinados; como espinhos cortados serão queimados no fogo. 13Vós que estais longe, ouvi o que fiz, vós que estais perto, conhecei o meu poder, 14Em Sião, os pecadores ficaram apavorados: o tremor se apoderou dos ímpios. Quem dentre nós poderá permanecer junto ao fogo devorador? Quem dentre nós poderá manter-se junto aos braseiros eternos? 15Aquele que pratica a justiça e fala o que é reto, que despreza o ganho explorador, que se recusa a aceitar o suborno, que tapa os ouvidos para não ouvir falar em crimes de sangue, que fecha os olhos para não ver o mal, 16este habitará nas alturas, os lugares inacessíveis dos rochedos serão o seu refúgio. O pão de que necessita lhe será dado, e a água para a sua subsistência lhe será assegurada.

A volta a Jerusalém

17Os teus olhos contemplarão o rei na sua beleza, eles verão uma terra distante. 18O teu coração relembrará os sustos de outrora: “Onde está aquele que contava? Onde está aquele que pesava? Onde está aquele que contava as torres?” 19Não tornarás a ver o povo insolente, um povo de linguagem ininteligível, de falar bárbaro e sem sentido. 20Olha para Sião, cidade das nossas festas solenes, vejam os teus olhos a Jerusalém, morada tranqüila, tenda que não será mudada, cujas estacas jamais serão arrancadas, cujas cordas nunca serão rompidas. 21É ali que Iahweh mostra o seu poder, em um lugar de rios e de largos canais, mas onde não navegarão barcos de remos, nem passará nenhum navio suntuoso, (22Com efeito, Iahweh será o nosso juiz, será o nosso legislador, Iahweh será o nosso rei: ele nos salvará.) 23As tuas cordas estão frouxas: não conseguem segurar o mastro, nem manter tesas as velas. Então o grande despojo foi repartido: os coxos se entregaram ao saque. 24Nenhum habitante seu tornará a dizer: “Estou doente.” O povo que nela morar alcançará o perdão das suas transgressões.

34 O julgamento de Edom  1Aproximai-vos, nações, a fim de ouvirdes; povos, atenção! Ouça a terra e tudo o que há nela, o mundo e os que o povoam, 2porque a cólera de Iahweh atinge todas as nações, o seu furor, todo o seu exército.Anatematizou-as, entregou-as à matança. 3Os seus mortos são lançados fora, o mau cheiro dos seus cadáveres se espalha, os montes se inundam com o seu sangue, 4todo o exército dos céus se desfaz; os céus se enrolam como um livro, todo o seu exército fenece, como fenecem as folhas da videira, como fenecem as folhas da figueira. 5Porque a minha espada se abeberou nos céus: Eis que se precipita sobre Edom, sobre o povo que anatematizei, entregando-o ao julgamento. 6A espada de Iahweh está cheia de sangue, e besuntada de gordura: cheia do sangue de cordeiros e de bodes, besuntada da gordura dos rins dos carneiros; porque em Bosra se realiza um sacrifício a Iahweh, uma grande matança na terra de Edom. 7Juntamente com eles tombam bois selvagens, novilhos juntamente com touros. A sua terra está encharcada de sangue, o pó do seu chão está besuntado de gordura. 8Com efeito, Iahweh tem um dia de vingança, um ano de retribuição em prol da causa de Sião. 9As suas torrentes se converterão em pez, o pó do seu chão, em enxofre; a sua terra ficará reduzida a pez ardente, 10que não se apagará noite e dia: a sua fumaça subirá para sempre; de geração em geração subsistirá a ruína; pelos séculos dos séculos não haverá quem passe por ela. 11O pelicano e o ouriço a possuirão; a coruja e o corvo farão nela morada. Iahweh estenderá sobre ela o cordel do caos e o prumo do vazio. 12Já não haverá nobres que proclamam a realeza; os seus príncipes desaparecerão. 13Nos seus palácios crescerão espinhos, urtigas e cardos, nas suas fortalezas: ela servirá de morada para os chacais, de habitação para os avestruzes. 14Os gatos selvagens conviverão aí com as hienas, os sátiros chamarão os seus companheiros. Ali descansará Lilit, e achará um pouso para si. 15Ali a serpente fará o seu ninho, porá os seus ovos, chocá-los-á e recolherá à sua sombra a sua ninhada. Também ali se encontrarão as aves de rapina, cada uma com a sua companheira. 16Buscai no livro de Iahweh e lede: nenhum deles faltará, nenhum deles ficará sem o seu companheiro, porque assim ordenou a sua boca; o seu espírito os ajuntou. 17Ele mesmo lançou a sorte para eles, a sua mão distribuiu-lhes, com o cordel, a porção de cada um. Eles a possuirão para sempre, de geração em geração a habitarão.

35 O triunfo de Jerusalém

1Alegrem-se o deserto e a terra seca, rejubile-se a estepe e floresça; como o narciso, 2cubra-se de flores, sim, rejubile-se com grande júbilo e exulte. A glória do Líbano lhe será dada, bem como a beleza do Carmelo e do Saron. Eles verão a glória de Iahweh, o esplendor do nosso Deus. 3Fortalecei as mãos abatidas, revigorai os joelhos cambaleantes. 4Dizei aos corações conturbados: “Sede fortes, não temais. Eis que o vosso Deus vem para vingar-vos, trazendo a recompensa divina. Ele vem para salvar-vos.” 5Então se abrirão os olhos dos cegos, e os ouvidos dos surdos se desobstruirão. 6Então o coxo saltará como o cervo, e a língua do mudo cantará canções alegres, porque a água jorrará do deserto, e rios, da estepe. 7A terra seca se transformará em brejo, e a terra árida em mananciais de água. Onde repousavam os chacais ungirá um campo de juncos e de papiros. 8Ali haverá uma estrada — um caminho que será chamado caminho sagrado. O impuro não passará por ele. Ele mesmo andará por esse caminho, de modo que até os estultos não se desgarrarão. 9Ali não haverá leão; o mais feroz dos animais selvagens não o trilhará, nele não será encontrado. Antes, por ele trilharão os redimidos. 10 Assim voltarão os que foram libertados por Iahweh, chegarão a Sião gritando de alegria, trazendo consigo uma alegria eterna; o gozo e a alegria os acompanharão, a dor e os gemidos cessarão.

APÊNDICES

36 A invasão de Senaquerib1No décimo quarto ano do rei Ezequias, subiu Senaquerib, rei da Assíria, contra todas as cidades fortificadas de Judá e as ocupou. 2De Laquis, o rei da Assíria enviou ao rei Ezequias o seu copeiro-mor, a Jerusalém, com um grande exército. Este postou-se junto ao aqueduto da piscina superior, na estrada que conduz ao campo do Pisoeiro. 3O prefeito do palácio, Eliacim, filho de Helcias, o secretário Sobna e o arauto Joaé, filho de Asaf, saíram ao seu encontro. 4O copeiro-mor lhes disse: “Ide dizer a Ezequias: Assim diz o grande rei, o rei da Assíria: Que confiança é esta em que te apóias? 5Pensas que simples palavras podem proporcionar conselho e força para a guerra? Em quem puseste a tua confiança, para te rebelares contra mim? 6No mínimo, estás confiando no apoio dessa cana quebrada que é o Egito, a qual penetra e fura a mão daquele que se apóia nela. Tal é o faraó, rei do Egito para todos os que nele confiam. 7Ou, talvez, me direis: ‘Nós confiamos em Iahweh, nosso Deus.’ Ora, não foram os seus lugares altos e os seus altares que Ezequias suprimiu, dizendo a Judá e a Jerusalém: ‘Este é o único altar diante do qual haveis de prostrar-vos’? 8Pois bem, faze uma aposta com o meu senhor, o rei da Assíria: eu te darei dois mil cavalos, se fores capaz de arranjar cavaleiros para eles. 9Como então poderás repelir um só dos menores ser- vos do meu senhor? Mas tu pões a tua confiança no Egito, esperando obter dele carros e cavaleiros! 10Mas, por acaso foi sem a vontade de Iahweh que subi a esta terra, a fim de devastá-la? Antes, foi Iahweh que me disse: ‘Sobe a esta terra e devasta-a’.” 11Então Eliacim, Sobna e Joaé disseram ao copeiro-mor: “Por favor, fala em aramaico aos teus servos, pois nós o entendemos; não nos fales em judaico aos ouvidos do povo que está no muro.” 12Mas o copeiro-mor respondeu: “Por acaso foi ao teu senhor ou a ti que o meu senhor me enviou a dizer essas coisas? Não foi antes aos homens que estão assentados sobre o muro, condenados a comerem o seu excremento e a beberem a sua urina juntamente convosco?” 13Então o copeiro-mor se pôs de pé e, falando na língua judaica, clamou em alta voz: “Ouvi as palavras do grande rei, do rei da Assíria! 14Assim diz o rei: Não vos engane Ezequias, pois ele não será capaz de livrar-vos. 15Não tente Ezequias levar-vos a confiar em Iahweh, dizendo: ‘Certamente Iahweh nos livrará: esta cidade não será entregue nas mãos do rei da Assíria.’ 16Não deis ouvidos a Ezequias. Com efeito, eis o que diz o rei da Assíria: Fazei as pazes comigo, chegai-vos a mim e coma cada um o fruto da sua videira e da sua figueira, beba cada um da sua cisterna, 17até que eu venha para vos conduzir a uma terra semelhante à vossa, terra de trigo e de mosto, terra de pão e de vinhas. 18Cuidado, não deixeis Ezequias seduzir-vos, dizendo: ‘Iahweh nos livrará.’ Por acaso os deuses das demais nações livraram cada um a sua terra das mãos do rei da Assíria? 19Onde estão os deuses de Emat e de Arfad? Onde os deuses de Sefarvaim? Onde os deuses da terra de Samaria? Conseguiram eles livrar Samaria das minhas mãos? 20Quem dentre todos os deuses dessas terras livrou a sua terra da minha mão? Como livrará Iahweh da minha mão a Jerusalém?” 21O povo conservou-se calado, não lhe respondendo palavra, porque o rei dera esta ordem: “Não lhe respondais.” 22O prefeito do palácio, Eliacim, filho de Helcias, o secretário Sobna e o arauto Joaé, filho de Asaf, dirigiram-se a Ezequias, com as vestes rasgadas, e relataram-lhe as palavras do copeiro-mor.

37 Recurso ao profeta Isaías —  1Ao ouvir isto, o rei Ezequias rasgou as suas vestes, cobriu-se de pano de saco e dirigiu-se ao Templo de Iahweh. 2Ao mesmo tempo, enviou o prefeito do palácio, Eliacim, o secretário Sobna, e os anciãos dentre os sacerdotes, vestidos de pano de saco, ao profeta Isaías, filho de Amós, 3os quais lhe disseram: “Eis o recado de Ezequias: Este dia é um dia de angústia, de castigo e de humilhação. Com efeito, os filhos chegaram ao ponto de nascer, mas não há força para dar à luz. 4Oxalá o teu Deus tenha ouvido as palavras do copeiro-mor enviado pelo rei da Assíria, seu senhor, para insultar o Deus vivo, e Iahweh, teu Deus, castigue as palavras que ouviu! Eleva uma prece em prol do resto que ainda subsiste.” 5Ao chegarem os servos do rei Ezequias à presença de Isaías, 6este lhes disse: “Aqui está o que haveis de dizer ao vosso senhor: Assim diz Iahweh: Não te apavores diante das palavras com que te injuriaram os servos do rei da Assíria. 7Eu farei vir sobre ele um espírito de alucinação; ele ouvirá um boato e voltará para a sua terra, onde o farei cair à espada.”

Partida do copeiro-mor8O copeiro-mor voltou, indo encontrar o rei da Assíria que combatia contra Lebna. Com efeito, aquele tinha ouvido dizer que o rei havia abandonado Laquis, 9por ter recebido um recado a respeito de Taraca, rei de Cuch, dizendo: “Ele partiu para a guerra contra ti.”

Segundo relato a respeito da intervenção de Senaquerib — Senaquerib tornou a enviar mensageiros a Ezequias com este recado: 10“Direis a Ezequias, rei de Judá: Não te engane o teu Deus, em quem confias, dizendo: ‘Jerusalém não será entregue nas mãos do rei da Assíria.’ 11Sem dúvida, ouviste o que os reis da Assíria fizeram a todas as terras entregando-as ao anátema. Como haverás tu de escapar? 12Por acaso conseguiram libertá-las os deuses das nações que os meus pais destruíram, a saber, de Gozã, de Harã, de Resef e dos edenitas estabelecidos em Telbasar?13Onde estão o rei de Emat, o rei de Arfad, o rei de Lair, de Sefarvaim, de Ana e de Ava?” 14Ezequias tomou a carta das mãos dos mensageiros, leu-a e subiu ao Templo de Iahweh e aí a abriu na presença de Iahweh. 15Ezequias orou a Iahweh com estas palavras: 16“Ó Iahweh dos Exércitos, Deus de Israel, que habitas entre os querubins, tu és o único Deus de todos os reinos da terra; tu criaste os céus e a terra. 17Inclina os ouvidos, ó Iahweh, e ouve, abre os teus olhos, ó Iahweh, e vê. Ouve todas as palavras de Senaquerib, que ele enviou para insultar ao Deus vivo. 18É verdade, ó Iahweh, que os reis da Assíria destruíram todas as nações (e as suas terras) 19e lançaram os seus deuses ao fogo, porque não eram deuses, mas sim obra de mãos humanas, feitos de madeira e de pedra, que aqueles destruíram. 20Mas agora, Iahweh nosso Deus, salva-nos da sua mão, a fim de que todos os reinos da terra saibam que só tu, Iahweh, és Deus.”

Intervenção de Isaías21Então Isaías, filho de Amós, mandou dizer a Ezequias: “Assim diz Iahweh, o Deus de Israel, a respeito da oração que me dirigiste referente a Senaquerib, rei da Assíria. 22Eis a palavra que Iahweh pronunciou contra ele: A virgem, a filha de Sião, te despreza, ela zomba de ti; ela meneia a cabeça por trás de ti, a filha de Jerusalém. 23 A quem insultaste e injuriaste? Contra quem levantaste a voz e ergueste o teu olhar altivo? Contra o Santo de Israel! 24Por meio dos teus servos insultaste o Senhor, dizendo: ‘Com a multidão dos meus carros subi ao cume dos montes,aos recessos mais remotos do Líbano. Cortei os seus cedros mais altos e os seus mais belos zimbros. Cheguei até o seu cume mais elevado, até o seu vergel frondoso. 25Cavei águas estrangeiras e as bebi; com as plantas dos meus pés sequei todos os rios do Egito.’ 26Não o ouviste? Já de há muito tracei este desígnio; desde tempos antigos o planejei. Agora o executo. Teu destino era reduzir cidades fortificadas a montões de ruínas. 27Os seus habitantes, impotentes, amendrotados e confundidos, pois eram como a relva do campo, como a verdura dos prados, como a erva dos telhados exposta ao vento oriental.28Conheço o teu levantar e o teu sentar, o teu sair e o teu entrar, (bem como o teu furor contra mim).29Visto que te enfureceste contra mim e que o teu rugido arrogante chegou porei a minha argola nas tuas narinas e o meu freio nos teus lábios, e te farei retornar pelo caminho pelo qual vieste.

O sinal dado a Ezequias 30E isto te será por sinal: este ano comereis do que nasceu por si, de grãos caídos, o ano próximo, daquilo que daí nasceu, mas no terceiro ano semeareis e ceifareis, plantareis vinhas e comereis os seus frutos. 31O resto que escapou da casa de Judá tornará a lançar raízes em terra e a produzir frutos em cima. 32Com efeito, de Jerusalém sairá um resto e do monte Sião o que escapou. O zelo de Iahweh dos Exércitos fará isto.

Oráculo a respeito da Assíria 33Quanto ao rei da Assíria, eis o que diz Iahweh: Ele não entrará nesta cidade, não atirará contra ela uma flecha,não a atacará com escudos, não a cercará de trincheiras. 34Pelo mesmo caminho por que veio, voltará; ele não entrará nesta cidade, oráculo de Iahweh. 35Eu mesmo cercarei esta cidade, a fim de salvá-la por amor de mim e do meu servo Davi.”

Castigo de Senaquerib36Nessa mesma noite, saiu o Anjo de Iahweh e feriu cento e oitenta e cinco mil homens no acampamento dos assírios. De manhã, ao despertar, só havia cadáveres. 37Senaquerib, rei da Assíria, levantou acampamento e partiu. Voltou para Nínive e ali ficou. 38Aí sucedeu que, estando ele prostrado no templo de Nesroc, seu deus, os seus filhos Adramelec e Sarasar o feriram a espada e fugiram para a terra de Ararat. Em seu lugar reinou o seu filho Asaradon.

38 Doença e cura de Ezequias1Por aquele tempo, adoeceu Ezequias de uma enfermidade mortal. O profeta Isaías, filho de Amós, veio procurá-lo e lhe disse: “Assim diz Iahweh: Dá as tuas últimas ordens à tua casa porque hás de morrer; não te recuperarás.” 2Ezequias voltou-se para a parede e orou a Iahweh 3e disse: “Ah, Iahweh, lembra-te de que lenho andado na tua presença com fidelidade e de coração inteiro, e fiz o que é agradável aos teus olhos.” E chorou Ezequias abundantemente. 4Então veio a palavra de Iahweh a Isaías: 5“Vai dizer a Ezequias: Eis a palavra de Iahweh, o Deus de teu pai Davi: Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas. Pois bem, eu te curarei; dentro de três dias, subirás ao Templo de Iahweh. Acrescentarei quinze anos à tua vida. 6Das mãos do rei da Assíria te livrarei, a ti e a esta cidade, e a esta cidade assegurarei a proteção. 21Então disse Isaías: “Tome-se uma pasta de figos e aplique-se como emplastro sobre o abscesso e ele viverá.” 22Ezequias perguntou: “Qual o sinal de que subirei ao Templo de Iahweh?” 7Ao que respondeu Isaías: “Eis o sinal da parte de Iahweh de que ele cumprirá a palavra que pronunciou. 8Eu farei recuar dez degraus a sombra que o sol avançou sobre os degraus da câmara alta de Acaz — dez degraus para trás.” O sol recuou dez degraus sobre os degraus que tinha avançado.

Cântico de Ezequias

9Cântico de Ezequias, rei de Judá, por ocasião da sua enfermidade e da sua cura: 10Disse eu: No meio dos meus dias eu me vou. Para o resto dos meus anos ficarei postado às portas do Xeol. 11Eu disse: Não tornarei a ver Iahweh na terra dos viventes, já não contemplarei a ninguém entre os habitantes do mundo. 12A minha morada foi arrancada, removida para longe de mim, como uma tenda de pastores; como um tecelão enrolei a minha vida, da urdidura ele me separou. Dia e noite me consumiste. 13Clamei até o amanhecer, como um leão quebra ele todos os meus ossos; dia e noite tu me consumias. 14Pipilo como a andorinha, gemo como a pomba; os meus olhos se cansam de olhar para o alto. Senhor, estou oprimido, socorre-me! 15Que falarei? Que hei de dizer-lhe? Foi ele que o fez. Caminharei todos os anos da minha vida curtindo a amargura da minha alma. 16O Senhor está sobre eles; eles vivem e tudo o que está neles é vida do seu espírito. Tu, restaura-me, faze-me viver. 17Com isto a minha amargura se transformou em bem-estar. Tu preservaste a minha alma do abismo da destruição. Lançaste atrás de ti todos os meus pecados. 18Com efeito, não é o Xeol que te louva, nem a morte que te glorifica, pois já não esperam em tua fidelidade aqueles que descem à cova. 19Os vivos, só os vivos é que te louvam, como estou fazendo hoje. O pai dá a conhecer aos filhos a tua fidelidade. 20Ó Iahweh, salva-me e faremos ressoar as nossas harpas todos os dias da nossa vida no Templo de Iahweh.

39 Embaixada da Babilônia1Por esse tempo, Merodac-Baladã, filho de Baladã, rei da Babilônia, enviou cartas e um presente a Ezequias, pois soubera que tinha estado doente e que estava restabelecido. 2Ezequias alegrou-se com isto e mostrou aos mensageiros a sua casa do tesouro, a saber, a prata, o ouro, os perfumes, o óleo fino, bem como todo o seu arsenal, tudo o que se encontrava entre os seus tesouros. Nada houve em seu palácio e no seu domínio que Ezequias não lhes mostrasse. 3O profeta Isaías foi ter com o rei Ezequias e lhe perguntou: “Que disseram estes homens e de onde vieram ter contigo?” Ezequias respondeu-lhe: “Vieram de uma terra distante, da Babilônia.” 4Tornou Isaías a perguntar: “Que viram eles no teu palácio?” A isto respondeu Ezequias: “Viram tudo o que há no meu palácio: nada há entre os meus tesouros que eu deixasse de mostrar-lhes.” 5Disse então Isaías a Ezequias: “Ouve a palavra de Iahweh dos Exércitos: 6Dias virão em que tudo o que há no teu palácio, o que os teus pais entesouraram até este dia, será levado para a Babilônia: nada será deixado, disse Iahweh. 7Dentre os teus filhos, nascidos de ti, dos que tu geraste, tomarão eles para serem eunucos no palácio do rei da Babilônia.” 8Então Ezequias respondeu a Isaías: “Boa é a palavra de Iahweh, que acabas de pronunciar.” “Com efeito, — dizia ele de si para consigo — nos meus dias haverá paz e segurança.”

II. Livro da consolação de Israel

40 Anúncio da libertação 1“Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus, 2falai ao coração de Jerusalém e dizei-lhe em alta voz que o seu serviço está cumprido, que a sua iniqüidade está expiada, que ela recebeu da mão de Iahweh paga dobrada por todos os seus pecados”. 3Uma voz clama: “No deserto, abri um caminho para Iahweh; na estepe, aplainai uma vereda para o nosso Deus. 4Seja entulhado todo vale, todo monte e toda colina sejam nivelados; transformem-se os lugares escarpados em planície, e as elevações, em largos vales. 5Então a glória de Iahweh há de revelar-se e toda carne, de uma só vez, o verá, pois a boca de Iahweh o afirmou”. 6Eis uma voz que diz: “Clama”, ao que pergunto: “Que hei de clamar?” — “Toda carne é erva e toda a sua graça como a flor do campo. 7Seca-se a erva e murcha-se a flor, quando o vento de Iahweh sopra sobre elas; (com efeito, o povo é erva) 8seca-se a erva, murcha-se a flor, mas a palavra do nosso Deus subsiste para sempre”. 9Sobe a um alto monte, mensageira de Sião; eleva a tua voz com vigor, mensageira de Jerusalém; eleva-a, não temas; dize às cidades de Judá: “Eis aqui o vosso Deus!” 10Eis aqui o Senhor Iahweh: ele vem com poder, o seu braço lhe assegura o domínio; eis com ele o seu salário, diante dele a sua recompensa. 11Como um pastor apascenta ele o seu rebanho, com o seu braço reúne os cordeiros, carrega-os no seu regaço, conduz carinhosamente as ovelhas que amamentam.

A grandeza divina

12Quem pôde medir as águas do mar na cavidade da sua mão? Quem conseguiu avaliar a extensão dos céus a palmos, medir o pó da terra com o alqueire e pesar os montes na balança e os outeiros nos seus pratos? 13Quem dirigiu o espírito de Iahweh ou, como conselheiro, o instruiu? 14Com quem se aconselhou para que o fizesse compreender, para que o instruísse na vereda da justiça, para que lhe ensinasse o conhecimento, para que o fizesse conhecer o caminho do entendimento? 15Para ele as nações não passam de uma gota que cai de um balde, são reputadas como o pó depositado nos pratos de uma balança. As ilhas pesam tanto como um grão de areia!16O Líbano não bastaria para o seu fogo, nem a sua fauna para um holocausto. 17Todas as nações são como nada diante dele, não passam de coisa vã e irreal. 18Que haveis de comparar a Deus? Que semelhança podereis produzir dele? 19Um artífice funde uma imagem, um ourives a reveste de ouro, para ela funde cadeias de prata. 20Aquele que faz uma oferenda pobre escolhe uma madeira que não apodreça, busca um artífice perito, capaz de erigir uma imagem que não vacile. 21Não o sabeis? Não o ouvistes? Não vos foi anunciado desde o princípio? Não compreendestes os fundamentos da terra? 22Ele está entronizado sobre o círculo da terra, cujos habitantes são como gafanhotos; ele estende os céus como uma tela, abre-os como uma tenda que sirva de habitação. 23Ele reduz os príncipes a nada e faz dos juízes da terra uma coisa vã. 24Mal foram plantados, mal foram semeados, mal o seu tronco deita raízes, já o sopro de Deus cai sobre eles e eles se secam; a tempestade os leva como a palha. 25A quem me haveis de comparar? A quem me assemelharei?, pergunta o Santo. 26Elevai os olhos para o alto e vede: Quem criou estes astros? É ele que faz sair o seu exército em número certo e fixo; a todos chama pelo nome. Tal é o seu vigor, tão grande a sua força que nenhum deles deixa de apresentar-se. 27Por que dizes tu, Jacó, e por que afirmas, Israel: “O meu caminho está oculto a Iahweh; o meu direito passa despercebido a Deus?”28Pois não sabes? Por acaso não ouviste isto? Iahweh é um Deus eterno, criador das regiões mais remotas da terra. Ele não se cansa nem se fatiga, a sua inteligência é insondável. 29É ele que dá forças ao cansado, que prodigaliza vigor ao enfraquecido. 30Mesmo os jovens se cansam e se fatigam; até os moços vivem a tropeçar, 31mas os que põem a sua esperança em Iahweh renovam as suas forças, abrem asas como as águias, correm e não se fatigam, caminham e não se cansam.

41 Ciro instrumento de Iahweh

1Ilhas, calai-vos, escutai, renovem os povos as suas forças, aproximem-se e então falem, juntos apresentemo-nos para o julgamento. 2Quem suscitou do Oriente aquele que a justiça chama para segui-la, a quem entrega as nações e sujeita os reis? A sua espada os reduz a pó, o seu arco os torna como a palha levada pelo vento. 3Ele os persegue e avança tranqüilamente por uma vereda que os seus pés mal tocam. 4Quem o fez e cumpriu? Aquele que desde o princípio chamou à existência as gerações. Eu, Iahweh, sou o primeiro, e com os últimos ainda serei o mesmo. 5As ilhas viram e sentiram medo, os confins da terra tremeram, eles se aproximam, eles vêm chegando. 6Cada um ajuda o seu companheiro, e diz ao seu irmão: “Coragem!” 7O artífice dá coragem ao ourives; aquele que alisa com o martelo, ao que bate na bigorna, dizendo a respeito da solda: “Ela está boa”; ele firma-a com pregos para que não se abale.

Israel escolhido e protegido por Iahweh 8E tu, Israel, meu servo, Jacó, a quem escolhi, descendência de Abraão, meu amigo, 9tu, a quem tomei desde os confins da terra, a quem chamei desde os seus recantos mais remotos e te disse: “Tu és o meu servo, eu te escolhi, não te rejeitei”. 10Não temas, porque eu estou contigo, não fiques apavorado, pois eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, sim, eu te ajudo; eu te sustenho com a minha destra justiceira. 11Serão envergonhados e humilhados todos os que se encolerizam contra ti. Reduzir-se-ão a nada e perecerão aqueles que contendem. 12Tu os procurarás, mas não os encontrarás, os que te combatem; serão reduzidos a nada, ficarão aniquilados aqueles que te fazem guerra. 13Com efeito, eu, Iahweh, teu Deus, te tomarei pela tua destra e te direi: “Não temas, sou eu que te ajudo”. 14Não temas, vermezinho de Jacó, e tu, bichinho de Israel. Eu mesmo te ajudarei, oráculo de Iahweh; o teu redentor é o Santo de Israel. 15Eis que farei de ti um trilho capaz de malhar, novo e bem cortante. Trilharás os montes, reduzindo-os a pó, dos outeiros farás um montão de palha. 16Tu os joeirarás e o vento os levará; o furacão os dispersará. Tu te regozijarás em Iahweh, no Santo de Israel te gloriarás. 17Os pobres e os indigentes buscam água, e nada! A sua língua está seca de sede, mas eu, Iahweh, os atenderei, eu, o Deus de Israel, não os abandonarei.18Farei jorrar rios por entre montes desnudos, e fontes por entre os vales. Transformarei o deserto em pântanos e a terra seca em nascentes de água. 19No deserto estabelecerei o cedro, a acácia, o mirto e a oliveira; na estepe colocarei o zimbro, o cipreste e o plátano, 20a fim de que vejam e saibam, a fim de que prestem atenção e compreendam que a mão de Iahweh fez isto, e o Santo de Israel o criou.

A nulidade dos ídolos

21Trazei a vossa queixa, diz Iahweh, apresentai as vossas razões, diz o rei de Jacó. 22Tragam-nos e mostrem-nos o que há de acontecer. Mostrai-nos as coisas passadas, para que meditemos sobre elas e conheçamos o seu fim. Ou então anunciai-nos o que está por vir, 23mostrai-nos o que há de vir em seguida, e saberemos que sois deuses. Sim, fazei algo de bom ou de mau, de modo que sintamos pavor e respeito! 24Mas vós sois menos do que nada e a vossa obra é menos do que zero; escolher-vos é apenas uma abominação! 25Suscitei-o do Norte e ele veio, desde o Oriente foi chamado pelo seu nome. Ele pisa governadores como o lodo, da mesma maneira que o oleiro amassa a argila. 26Quem o anunciou desde o princípio, para que o soubéssemos, desde os tempos antigos para que disséssemos: É justo? Mas não havia quem o anunciasse, não havia quem o fizesse ouvir, nem quem ouvisse as vossas palavras. 27Primícias de Sião, ei-las, ei-las aqui, a Jerusalém envio um mensageiro.28Olho, mas não há ninguém! Entre eles ninguém que dê um conselho, a quem eu possa perguntar e que me responda! 29Sim, todos eles nada são, as suas obras não são coisa alguma, os seus ídolos não passam de um sopro e de uma ilusão.

42 Primeiro canto do Servo

1Eis o meu servo que eu sustenho, o meu eleito, em quem tenho prazer. Pus sobre ele o meu espírito, ele trará o julgamento às nações. 2Ele não clamará, não levantará a voz, não fará ouvir a sua voz nas ruas; 3não quebrará a cana rachada, não apagará a mecha bruxuleante, com fidelidade trará o julgamento. 4Não vacilará nem desacorçoará até que estabeleça o julgamento na terra; na sua lei as ilhas põem a sua esperança. Assim diz Deus, Iahweh, que criou os céus e os estendeu, e fez a imensidão da terra e tudo o que dela brota, que deu o alento aos que a povoam e o sopro da vida aos que se movem sobre ela. 6“Eu, Iahweh, te chamei para o serviço da justiça, tomei-te pela mão e te modelei,eu te pus como aliança do povo, como luz das nações, 7a fim de abrir os olhos dos cegos, a fim de soltar do cárcere os presos, e da prisão os que habitam nas trevas.” 8Eu sou Iahweh; este é o meu nome! Não cederei a outrem a minha glória, nem a minha honra aos ídolos. 9As primeiras coisas já se realizaram, agora vos anuncio outras, novas; antes que elas surjam, eu vo-las anuncio.

Canto de vitória

10Cantai a Iahweh num cântico novo, cantem o seu louvor desde as extremidades os que descem ao mar e tudo o que o povoa, as ilhas e os seus habitantes. 11Levantem a sua voz o deserto e as suas cidades, os acampamentos habitados por Cedar; exultem os habitantes da Rocha, do alto dos montes dêem gritos de alegria. 12Rendam glória a Iahweh, proclamem o seu louvor nas ilhas. 13Iahweh sai como um herói, como se fosse um guerreiro o seu zelo se inflama, ele ergue o grito de guerra, sim, ele grita, atira-se vitoriosamente sobre os seus inimigos. 14“Há muito que me calei, guardei silêncio e me contive. Como uma mulher que está de parto eu gemia, suspirava, respirando ofegante. 15Reduzirei a ruínas montes e outeiros, farei definhar toda a sua verdura; mudarei as correntes de água em terra secae secarei os pântanos. 16Conduzirei os cegos por um caminho que não conhecem, fá-los-ei andar por veredas que não conhecem: na sua frente mudarei as trevas em luz, e os campos escabrosos em terreno plano. Estas coisas farei eu, nada omitirei. 17Cobertos de vergonha, recuarão aqueles que confiam em ídolos, que dizem às suas imagens fundidas: Vós sois os nossos deuses.”

A cegueira de Israel

18Ouvi, ó surdos! Olhai e vede, ó cegos! 19Mas quem é cego senão o meu servo? Quem é surdo como o mensageiro que envio?(Quem é cego como aquele do qual fiz meu amigo e surdo como o servo de Iahweh?) 20Viste muitas coisas, mas não as retiveste. Abriste os ouvidos, mas não ouviste. 21Aprouve a Iahweh, por causa da sua justiça, tornar a lei grande e majestosa, 22Entretanto, este povo foi despojado e saqueado; todos eles estão presos em cavernas, estão retidos em calabouços. Foram submetidos ao saque, e não há quem os liberte; foram levados como despojo, e não há quem reclame a sua devolução. 23Quem dentre vós dará ouvidos a isto? Quem prestará atenção e dará ouvidos daqui por diante? 24Quem entregou Jacó ao saque, e Israel aos despojadores? Não foi Iahweh, aquele contra quem pecamos, aquele em cujos caminhos não quiseram andar, nem deram ouvidos à sua Lei? 25Assim derramou ele sobre Israel a sua ira e o furor da guerra; ela ardeu por todo lado, mas ele não compreendeu; ela chegou a queimá-lo, mas ele não se impressionou.

43A Deus protetor e libertador de Israel

1Mas agora, diz Iahweh, aquele que te criou, ó Jacó, aquele que te modelou ó Israel: não temas, porque eu te resgatei, chamei-te pelo teu nome: tu és meu. 2Quando passares pela água, estarei contigo quando passares rios, eles não te submergirão. Quando andares pelo fogo, não te queimarás, a chama não te atingirá. 3Com efeito, eu sou Iahweh, o teu Deus, o Santo de Israel, o teu Salvador. Por teu resgate dei o Egito, Cuch e Sebá, dei-os em teu lugar. 4Pois que és precioso aos meus olhos és honrado e eu te amo, entrego pessoas no teu lugar e povos pela tua vida. 5Não temas porque estou contigo, do Oriente trarei a tua raça, e do Ocidente te congregarei.6Direi ao Norte: Entrega-os!, e ao Sul: Não os retenhas! Reconduze os meus filhos de longe e as minhas filhas dos confins da terra, 7todos os que são chamados pelo meu nome, os que criei para a minha glória, os que formei e fiz.

Iahweh é o único Deus

8Faze com que apareça este povo que é cego, embora tenha olhos, este povo de surdos, apesar de ter ouvidos. 9Congreguem-se todas as nações, reúnam-se todos os povos! Quem dentre eles anunciou isto, trazendo aos nossos ouvidos acontecimentos antigos? Apresentem as suas testemunhas e se justifiquem, sejam ouvidos e seja-lhes dito: O que dizeis é verdade! 10As minhas testemunhas sois vós — oráculo de Iahweh — vós sois o servo que escolhi, a fim de que saibais e creiais em mim e que possais compreender que eu sou: antes de mim nenhum Deus foi formado e depois de mim não haverá nenhum. 11Eu, eu sou Iahweh, e fora de mim não há nenhum Salvador. 12Fui eu que revelei, que salvei e falei, nenhum outro Deus houve jamais entre vós. Vós sois as minhas testemunhas — oráculo de Iahweh —, eu sou Deus, 13desde toda a eternidade1, eu o sou; não há ninguém que possa livrar da minha mão; quando faço, quem poderá desfazer?

Contra a Babilônia

14Assim diz Iahweh, o vosso Redentor, o Santo de Israel: Por vossa causa enviei alguém à Babilônia e mandei pôr abaixo todos os seus ferrolhos. Os caldeus mudarão os seus gritos em lamentações. 15Eu sou Iahweh, o vosso Santo, o criador de Israel, o vosso rei.

Os prodígios do novo Êxodo

16Assim diz Iahweh, aquele que abre um caminho pelo mar, uma vereda por meio das águas impetuosas, 17que conduziu para a luta carros e cavalos, um exército de homens de valor, todos unidos.Ei-los prostrados, para não tornarem a levantar-se; extinguiram-se, foram apagados como uma mecha. 18Não fiqueis a lembrar coisas passadas, não vos preocupeis com acontecimentos antigos. 19Eis que vou fazer uma coisa nova, ela já vem despontando: não a percebeis? Com efeito, estabelecerei um caminho no deserto, e rios em lugares ermos. 20Os animais selvagens me honrarão, sim, os chacais e os avestruzes, porque fiz jorrar água no deserto, e rios nos lugares ermos, a fim de dar de beber ao meu povo, o meu eleito. 21O povo que formei para mim proclamará o meu louvor.

A ingratidão de Israel

22Mas tu não me invocaste, ó Jacó, porque te cansaste de mim, ó Israel. 23Não me trouxeste os cordeiros dos teus holocaustos, não me honraste com os teus sacrifícios. Não te obriguei a servir-me com as tuas oblações, nem te cansei com pedidos de oferendas de incenso, 24não me compraste por dinheiro cana aromática, não me saciaste com a gordura dos teus sacrifícios. Antes, com os teus pecados me encheste de trabalhos, cansaste-me com as tuas iniqüidades. 25Eu sou o que apaga as tuas transgressões por amor de mim, e já não me lembro dos teus pecados. 26Aviva-me a memória; juntos entremos em processo; enumera as tuas razões, a fim de seres justificado. 27Já o teu primeiro pai pecou,os teus porta-vozes se rebelaram contra mim. 28Destituí então os chefes do santuário, entreguei Jacó ao anátema e Israel aos ultrajes.

44 Bênção sobre Israel

1E agora ouve, Jacó, meu servo, Israel, a quem escolhi. 2Assim diz Iahweh, aquele que te fez, que te modelou desde o ventre materno e te socorre. Não temas, Jacó, meu servo, Jesurun, a quem escolhi, 3porque derramarei água sobre o solo sedento e correntes sobre a terra seca. Derramarei o meu espírito sobre a tua raça e a minha bênção sobre os teus descendentes. 4Eles brotarão por entre a erva como os salgueiros junto a correntes de água. 5Este dirá: Eu sou de Iahweh, aquele se chamará pelo nome de Jacó, enquanto aquele outro escreverá na sua mão: “A Iahweh”, e receberá o nome de Israel.

Só há um Deus

6Assim diz Iahweh, o rei de Israel, Iahweh dos Exércitos, o seu redentor: Eu sou o primeiro e o último, fora de mim não há Deus. 7Quem é como eu? Que clame, que anuncie, que o declare na minha presença; desde que estabeleci um povo eterno, diga ele o que se passa, e anuncie o que deve acontecer. 8Não vos apavoreis, não temais; não vo-lo dei a conhecer há muito tempo e não o anunciei? Vós sois as minhas testemunhas. Porventura existe um Deus fora de mim? Não existe outra Rocha: eu não conheço nenhuma!

Os ídolos são nada9Os que modelam ídolos nada são, as suas obras preciosas não lhes trazem nenhum proveito! Elas são as suas testemunhas, elas que nada vêem e nada sabem, para a sua própria vergonha. 10Quem fabrica um deus e funde um ídolo que de nada lhe pode valer? 11Certamente, todos os seus devotos ficarão envergonhados, bem como os seus artífices, que não passam de seres humanos. Reúnam-se todos eles e apresentem-se; todos eles se encherão de espanto e de vergonha! 12O ferreiro faz o machado na brasa, trabalha-o a martelo, fá-lo com a força do seu braço. Acaba faminto e sem forças; por não ter bebido água, sente-se cansado. 13O carpinteiro estende o cordel, esboça a imagem com o giz, trabalha-a com a plaina e a desenha com o compasso, dá-lhe a forma humana, a beleza de um ser humano, a fim de que habite uma casa. 14Cortou cedros, escolheu um terebinto e um carvalho, permitindo que crescessem vigorosos entre as árvores da floresta; plantou um abeto que a chuva fez crescer. 15Os homens o empregam para queimar; ele mesmo tomou dele para aquecer-se; pôs-lhe fogo e assou pães. Com outra parte fez um deus e o adorou, fabricou um ídolo e se prostrou diante dele. 16Uma metade ele queimou ao fogo; com ela fez um assado, que come até saciar-se. Aquece-se ao fogo e diz: “Que delícia! Aqueci-me e vi a luz.” 17Com o resto faz um deus — o seu ídolo —, prostra-se diante dele e o adora e lhe dirige súplicas, dizendo: “Salva-me, porque tu és o meu deus.” 18Eles nada sabem nem entendem, porque os seus olhos são incapazes de ver e os seus corações não conseguem compreender. 19Nenhum deles, tem conhecimento ou inteligência para dizer: “A metade queimei ao fogo, com ela assei pão sobre a brasa, assei carne e a comi; com o resto fiz uma coisa abominável e me prostrei diante de um pedaço de lenha!” 20Aquele que se apascenta de cinzas, o seu coração ludibriado o desencaminha: ele não consegue salvar a sua vida nem é capaz de dizer: “Aquilo que tenho na minha mão não será apenas uma mentira?”

Fidelidade a Iahweh 21Lembra-te destas coisas, Jacó, e tu, Israel, pois que és o meu servo. Eu te modelei, tu és o meu servo, Israel, tu não serás esquecido. 22Dissipei as tuas trangressões como uma névoa, e os teus pecados como uma nuvem; volta-te para mim, porque eu te redimi. 23Exultai ó céus, porque Iahweh o fez! Erguei altos gritos, ó profundezas da terra! Dai gritos de alegria, ó montes e florestas e todas as árvores que aí se encontram, porque Iahweh resgatou Jacó e se gloriou em Israel.

Deus criador do mundo e senhor da história 24Assim diz Iahweh, o teu redentor, aquele que te modelou desde o ventre materno: eu, Iahweh, é que tudo fiz, e sozinho estendi os céus e firmei a terra (com efeito, quem estava comigo?); 25sou eu que frustro os sinais dos áugures e faço delirar o espírito dos adivinhos, que confundo os sábios e converto a sua ciência em loucura; 26que confirmo a palavra do meu servo e asseguro o êxito do conselho dos meus mensageiros; que digo a Jerusalém: “Tu serás reabitada”, e às cidades de Judá: “Vós sereis reconstruídas, e reerguerei as ruínas de Jerusalém”, 27que digo ao oceano: “Seca-te, eu farei secar os teus rios”, 28que digo a Ciro: “Meu pastor.” Ele cumprirá toda a minha vontade, dizendo a Jerusalém: “Tu serás reconstruída”, e ao Templo: “Tu serás restabelecido.”

45 Ciro instrumento de Deus

1Assim diz Iahweh ao seu ungido, a Ciro que tomei pela destra, a fim de subjugar a ele nações e desarmar reis, a fim de abrir portas diante dele, a fim de que os portões não sejam fechados. 2Eu mesmo irei na tua frente e aplainarei lugares montanhosos, arrebentarei as portas de bronze, despedaçarei as barras de ferro 3e dar-te-ei tesouros ocultos e riquezas escondidas, a fim de que saibas que eu sou Iahweh, aquele que te chama pelo teu nome, o Deus de Israel. 4Foi por causa do meu servo Jacó, por causa de Israel, o meu escolhido, que eu te chamei pelo teu nome, e te dei um nome ilustre, embora não me conhecesses. 5Eu sou Iahweh, e não há nenhum outro, fora de mim não há Deus. Embora não me conheças, eu te cinjo, 6a fim de que se saiba desde o nascente do sol até o poente que, fora de mim, não há ninguém: eu sou Iahweh e não há nenhum outro! 7Eu formo a luz e crio as trevas, asseguro o bem-estar e crio a desgraça: sim eu, Iahweh, faço tudo isto.

Prece

8Gotejai, ó céus, lá do alto, derramem as nuvens a justiça, abra-se a terra e produza a salvação, ao mesmo tempo faça a terra brotar a justiça! Eu, Iahweh, criei isto.

O poder soberano de Iahweh

9Ai daquele que contende com o que o modelou, vaso entre os vasos de terra! Por acaso dirá a argila àquele que a molda: “Que estás fazendo? A tua obra não tem mãos!” 10Ai daquele que diz ao seu pai: “Que é que geras?” E a uma mulher: “Que é que dás à luz?” 11Assim diz Iahweh, o Santo de Israel, seu criador: Pedem-me sinais a respeito dos meus filhos, querem dar-me ordens a respeito da obra das minhas mãos! 12Ora, fui eu que fiz a terra e criei o homem sobre ela! Foram as minhas mãos que estenderam os céus, eu é que dei ordens a todo o seu exército. 13Fui eu que suscitei este homem para assegurar a implantação da justiça e aplainarei todos os seus caminhos. Ele reconstruirá a minha cidade e reconduzirá os meus exilados, sem preço e sem indenização, diz Iahweh dos Exércitos.

Conversão das nações pagãs

14Assim diz Iahweh: Os produtos do Egito e a riqueza de Cuch, bem como os sabeus, homens de grande estatura, passarão para o teu domínio e te pertencerão. Caminharão atrás de ti, seguindo-te em cadeias, prostrar-se-ão diante de ti e com voz súplice dirão: “Só contigo Deus está! Fora dele não há nenhum Deus”. 15Entretanto tu és um Deus que se esconde, ó Deus de Israel, o Salvador. 16Todos juntos, eles estão envergonhados e humilhados; estão sujeitos à humilhação os que fabricam ídolos. 17Mas Israel será salvo por Iahweh, com uma salvação eterna; não sereis confundidos nem humilhados, por todo o sempre. 18Com efeito, assim diz Iahweh, o criador dos céus, – ele é Deus, o que modelou a terra e a fez, ele a estabeleceu; não a criou como um deserto, antes modelou-a para ser habitada. Eu sou Iahweh; não há nenhum outro. 19Não falei em segredo, em um recanto obscuro da terra. Eu não disse à descendência de Jacó: Procurai-me no caos! Eu sou Iahweh que proclamo a justiça, que revelo o que é reto.

Deus, Senhor de todo o universo

20Reuni-vos e vinde! Chegai-vos todos juntos, vós os que escapastes às nações! Não têm conhecimento os que carregam os seus ídolos de madeira, os que dirigem as suas súplicas a um deus que não pode salvar. 21Anunciai, trazei as vossas provas, – sim, tomem conselho entre si! Quem proclamou isto desde os tempos antigos? Quem o anunciou desde há muito tempo? Não fui eu, Iahweh? Não há outro Deus fora de mim, Deus justo e salvador não existe, a não ser eu. 22Voltai-vos para mim e sereis salvos, todos os confins da terra, porque eu sou Deus e não há nenhum outro! 23Eu juro por mim mesmo, o que sai da minha boca é justiça, uma palavra que não voltará atrás: Com efeito, diante de mim se dobrará todo o joelho, toda a língua jurará por mim, 24dizendo: Só em Iahwehhá justiça e força. A ele virão, cobertos de vergonha, todos os que se irritaram contra ele. 25Em Iahweh alcançará a justiça e nele se gloriará toda a descendência de Israel.

46 Queda da Babilônia 1Bel caiu por terra, Nebo ficou prostrado, os seus ídolos estão entregues aos animais selvagens e às bestas de carga,esta carga que leváveis é um fardo para a besta cansada. 2Todos juntos ficaram prostrados, caíram por terra, já não conseguem salvar o seu fardo, eles mesmos foram conduzidos ao cativeiro. 3Ouvi-me, vós, da casa de Jacó, tudo o que resta da casa de Israel, vós, a quem carreguei desde o seio materno, a quem levei desde o berço. 4Até a vossa velhice continuo o mesmo, até vos cobrirdes de cãs continuo a carregar-vos: eu vos criei e eu vos conduzirei, eu vos carregarei e vos salvarei. 5A quem haveis de assemelhar-me? Quem igualareis a mim?p A quem haveis de comparar-me, como se fôssemos semelhantes? 6Há os que tiram ouro da sua bolsa e pesam prata na balança, contratam um ourives para lhes fazer um deus, prostram-se diante dele e o adoram. 7Em seguida, põem-no sobre os ombros e carregam-no, colocam-no no seu lugar para que aí fique, sem afastar-se da sua posição. Por mais que alguém o chame, ele não responde, da sua tribulação não se salva. 8Lembrai-vos disto e sede homens; caí em vós mesmos, vós, infiéis. 9Lembrai-vos das coisas passadas há muito tempo, porque eu sou Deus e não há outro! Sim, sou Deus e não há quem seja igual a mim. 10Desde o princípio anunciei o futuro, desde a antiguidade, aquilo que ainda não acontecera. Eu digo: o meu propósito será realizado, hei de cumprir aquilo que me apraz. 11Chamo do oriente uma ave de rapina,de uma terra distante o homem da minha escolha. Eu o disse, eu o executarei, eu o delineei, eu o cumprirei. 12Dai-me ouvidos, homens de coração empedernido, que estais longe da justiça. 13A minha justiça eu a trouxe para perto, ela não está longe; a minha salvação não há de tardar. Estabelecerei em Sião a salvação e darei a Israel a minha glória.

47 Lamentação sobre a Babilônia

1Desce e assenta-te no pó, virgem, filha da Babilônia, senta-te na terra — já não tens trono —, filha dos caldeus, porque nunca mais te chamarão meiga e delicada. 2Toma da mó e mói a farinha; tira o teu véu, ergue a cauda da tua veste e descobre as tuas pernas, atravessa os rios. 3Apareça a tua nudez, seja vista a tua vergonha; eu tomo vingança de ti: ninguém se oporá a isto. 4O nosso redentor — Iahweh dos Exércitos é o seu nome —, o Santo de Israel, disse:5Senta-te em silêncio, refugia-te nas trevas, filha dos caldeus, porque nunca mais tornarão a chamar-te senhora dos reinos. 6Eu estava irritado contra o meu povo, reduzi a minha herança à humilhação, entreguei-a nas tuas mãos, mas tu não usaste de compaixão para com ela: até sobre os velhos impuseste o duro peso do teu jugo. 7Certamente dizias: “Por todo o sempre hei de ser senhora”. Estas coisas não puseste no teu coração, não te preocupaste com o que viria depois. 8Ouve isto, agora, ó voluptuosa! Tu que te sentas despreocupada e dizes no teu coração: “Eu sou, e fora de mim não há nada! Não me tornarei viúva, nem ficarei desfilhada!” 9Pois bem, justamente estas duas desgraças te sobrevirão, de repente em um só dia. Sim, desfilhamento e viuvez te sobrevirão repentinamente, apesar dos teus inúmeros sortilégios, apesar do poder dos teus encantamentos. 10Puseste a tua confiança na tua maldade e disseste: “Não há quem me veja.” A tua sabedoria e o teu conhecimento é o que te transtornaram, e assim disseste no teu coração: “Eu sou, fora de mim não há nada.” 11Uma desgraça te sobrevirá, tu não saberás como conjurá-la; uma ruína se desencadeará sobre ti e tu não poderás afastá-la. Repentinamente virá sobre ti a calamidade, sem que o saibas. 12Persiste, pois, nos teus encantamentos e na multidão dos teus sortilégios, com os quais te fatigaste desde a tua juventude. Talvez consigas tirar deles algum proveito, talvez consigas inspirar medo. 13Estás cansada de tuas inúmeras consultas; apresentem-se, pois, e te salvem aqueles que praticam a astrologia, que observam as estrelas, que te dão a conhecer de mês em mês o que há de sobrevir-te. 14Eles são como o restolho, o fogo os queimará; não conseguirão salvar a sua vida do poder das chamas, pois não se tratará de um braseiro próprio para aquentar-se, ou de um fogo próprio para sentar-se junto dele! 15Tais serão os teus adivinhos, com os quais te fatigaste desde a tua juventude: todos eles se desgarraram do seu caminho, nenhum conseguiu salvar-te.

48 Iahweh tinha predito tudo

1Ouvi isto vós, casa de Jacó, vós que sois chamados pelo nome de Israel que brotastes das águas de Judá, que jurais pelo nome de Iahweh, que invocais o Deus de Israel, mas não com fidelidade e com justiça. 2Com efeito, o seu nome, eles o derivam da cidade santa, apóiam-se sobre o Deus de Israel — Iahweh dos Exércitos é o seu nome —. 3As coisas antigas, proclamei-as há muito tempo; elas saíram da minha boca, eu as proclamei, de repente passei à ação e elas se realizaram. 4Porque eu sabia que tu és obstinado, que o músculo do teu pescoço é de ferro, e que a tua testa é de bronze. 5Eu to anunciei há muito, proclamei-o antes que acontecesse, para que não dissesses: “O meu ídolo fez estas coisas, a minha imagem esculpida ou a minha imagem fundida o determinaram.” 6Ouviste e viste tudo isto, e vós, não haveis de anunciá-lo? Desde agora te faço ouvir coisas novas, coisas ocultas, que não conhecias. 7Foram criadas agora, e não em tempos antigos, até o dia de hoje nada tinhas ouvido a respeito delas, para que não dissesses: “Ora, isto eu já sabia.” 8Mas tu não só não tinhas ouvido; antes, também não o sabias; há muito que os teus ouvidos não estavam atentos. Com efeito, eu sabia que agias com muita perfídia e que desde o berço te chamavam rebelde. 9Mas por causa do meu nome retardo a minha ira, por causa da minha honra procuro conter-me, a fim de não exterminar-te. 10Vê que te comprei, mas não por dinheiro, escolhi-te quando estavas no cadinho da aflição. 11Por causa de mim mesmo, só de mim mesmo, é que vou agir; com efeito, como haveria de ser profanado o meu nome? A minha glória, não a darei a outrem.

Iahweh escolheu Ciro

12Ouve-me, Jacó, Israel, a quem chamei, eu sou; sou o primeiro e sou também o último. 13A minha mão fundou a terra, a minha destra estendeu os céus; eu chamo-os e todos juntos se apresentam. 14Reuni-vos todos e ouvi: quem dentre vós anunciou estas coisas? Iahweh o ama; ele realizará aquilo que lhe apraz a respeito da Babilônia e da raça dos caldeus. 15Eu, eu é que lhe falei, sim, eu o chamei, eu o trouxe; eis por que o seu empreendimento se cobrirá de êxito.

O destino de Israel 16Chegai-vos a mim e ouvi isto:desde o princípio não vos falei às escondidas, quando estas coisas aconteceram eu estava lá, e agora o Senhor Iahweh me enviou com o seu espírito. 17Assim diz Iahweh, o teu redentor, o Santo de Israel: Eu sou Iahweh teu Deus, aquele que te ensina para o teu bem, aquele que te conduz pelo caminho que deves trilhar. 18Se ao menos tivesses dado ouvidos aos meus mandamentos! Então a tua paz seria como um rio e a lua justiça como as ondas do mar. 19A tua raça seria como a areia; os que saíram das tuas entranhas, como os seus grãos! O seu nome não seria cortado nem extirpado diante de mim;

O fim do Exílio

20Saí da Babilônia, fugi dentre os caldeus, com voz de júbilo anunciai, proclamai isto, espalhai-o até os confins da terra. Dizei: Iahweh redimiu o seu servo Jacó. 21Ides não tiveram sede quando os conduziu pelo deserto, porque ele fez brotar água da rocha para seu uso, fendeu a rocha e a água jorrou. 22Mas para os maus não há paz, diz Iahweh.

49 Segundo canto do Servo

1Ilhas, ouvi-me! Povos distantes, prestai atenção! Desde o seio materno Iahweh me chamou, desde o ventre de minha mãe pronunciou o meu nome. 2De minha boca fez uma espada cortante, abrigou-me na sombra da sua mão; fez de mim uma seta afiada, escondeu-me na sua aljava. 3Disse-me: “Tu és meu servo, Israel,em quem me gloriarei.” 4Mas eu disse: “Foi em vão que me fatiguei, debalde, inutilmente, gastei as minhas forças.” E no entanto o meu direito está com Iahweh, o meu salário está com o meu Deus. 5Mas agora disse Iahweh, aquele que me modelou desde o ventre materno para ser seu servo, para reconduzir Jacó a ele, para que a ele se reúna Israel; assim serei glorificado aos olhos de Iahweh, meu Deus será a minha força! 6Sim, ele disse: “Pouca coisa é que sejas o meu servo para restaurares as tribos de Jacó e reconduzires os sobreviventes de Israel. Também te estabeleci como luz das nações, a fim de que a minha salvação chegue até as extremidades da terra.” 7Assim diz Iahweh, o redentor de Israel, o seu Santo, àquele cuja alma é desprezada, vilipendiada pela nação, ao servo dos tiranos: reis o verão e se erguerão, príncipes o verão e se prostrarão, por causa de Iahweh, que é fiel, do Santo de Israel, que te escolheu.

A alegria da volta

8Assim diz Iahweh: No tempo do meu favor te respondi, no dia da salvação te socorri. Modelei-te e te pus por aliança do povo a fim de restaurar a terra, a fim de redistribuir as propriedades devastadas, 9a fim de dizer aos cativos: “Saí”, aos que estão nas trevas: “Aparecei.” Eles apascentarão junto aos caminhos, sobre todos os montes escalvados encontrarão pastagem. 10Não terão fome nem sede, a canícula e o sol não os molestarão, porque aquele que se compadece deles os guiará, conduzi-los-á aos mananciais. 11De todos os meus montes farei caminhos, as minhas estradas serão elevadas. 12Ei-los que vêm de longe, uns do norte e do ocidente, outros da terra de Sinim. 13Ó céus, dai gritos de alegria, ó terra, regozija-te, os montes rompam em alegres cantos, pois Iahweh consolou o seu povo, ele se compadece dos seus aflitos.14Sião dizia: “Iahweh me abandonou; o Senhor se esqueceu de mim.” 15Por acaso uma mulher se esquecerá da sua criancinha de peito? Não se compadecerá ela do filho do seu ventre? Ainda que as mulheres se esquecessem eu não me esqueceria de ti. 16Eis que te gravei nas palmas da minha mão, os teus muros estão continuamente diante de mim. 17Os teus reedificadores se apressam, os que te arrasaram e te devastaram vão-se embora. 18Levanta os olhos em torno e vê: todos se reúnem e vêm a ti. Por minha vida, oráculo de Iahweh, todos eles são como um adorno com que te cobres, tu te cingirás deles como uma noiva. 19Com efeito, tuas ruínas, teus escombros, tua terra desolada são agora estreitos demais para os teus habitantes, e os teus devoradores estão longe. 20Os teus filhos, de que estavas privada, ainda dirão aos teus ouvidos: “O espaço é muito estreito para mim, arranja-me lugar para que eu tenha onde morar.” 21Então dirás no teu coração: “Quem me deu à luz todos estes? Pois que eu estava desfilhada e estéril, exilada e rejeitada! Estes, quem os criou? Eu tinha sido deixada só. Onde, então, estavam estes?” 22Assim diz o Senhor Iahweh: Eis que levantarei a minha mão para as nações, darei um sinal aos povos e eles trarão os teus filhos nos seus braços, as tuas filhas serão carregadas nos seus ombros. 23Reis serão os teus tutores, as suas princesas serão as tuas amas-de-leite. Prostrar-se-ão diante de ti com o rosto em terra e lamberão o pó dos teus pés. Então saberás que eu sou Iahweh: aqueles que esperam em mim não ficarão confundidos. 24Por acaso pode alguém arrancar ao valente a sua presa? Pode alguém libertar o prisioneiro de um tirano? 25Pois bem, assim diz Iahweh: Sim, o prisioneiro será arrancado ao valente, e a presa do tirano será libertada Eu mesmo contenderei com aqueles que contendem contigo; eu mesmo trarei a salvação aos teus filhos. 26Obrigarei os teus opressores a comerem a sua própria carne! Eles embriagar-se-ão com o seu sangue como com vinho novo. E toda carne saberá que eu, Iahweh, sou o teu salvador, e o teu redentor, o Poderoso de Jacó.

50 A punição de Israel

1Assim diz Iahweh: Onde está a carta de divórcio de vossa mãe pela qual eu a repudiei? Ou ainda: A qual dos meus credores vos vendi? Antes, pelas vossas transgressões é que fostes vendidos; pelas vossas maldades é que a vossa mãe foi repudiada. 2Por que vim e não havia ninguém? Por que chamei e ninguém respondeu? Por acaso a minha mão é muito curta para resgatar? Ou não tenho força para libertar? É sabido que, com uma ameaça, seco o mar, reduzo os rios a um deserto. Os seus peixes se deterioram por falta de água, eles morrem de sede. 3Revisto os céus de negrume e dou-lhes saco como veste.

Terceiro canto do Servo

4O Senhor Iahweh me deu uma língua de discípulo para que eu soubesse trazer ao cansado uma palavra de conforto. De manhã em manhã ele me desperta, sim, desperta o meu ouvido para que eu ouça como os discípulos. 5O Senhor Iahweh abriu-me os ouvidos e eu não fui rebelde, não recuei. 6Ofereci o dorso aos que me feriam e as faces aos que me arrancavam os fios da barba; não ocultei o rosto às injúrias e aos escarros.7O Senhor Iahweh virá em meu socorro, eis porque não me sinto humilhado, eis porque fiz do meu rosto uma pederneira e tenho a certeza de que não ficarei confundido. 8Perto está aquele que defende a minha causa. Quem ousará mover ação contra mim? Compareçamos juntos! Quem é meu adversário? Ele que se apresente! 9É o Senhor Iahweh que me socorrerá, quem será aquele que me condenará? Certamente todos eles se desgastarão como uma veste: a traça os devorará. 10Quem dentre vós teme a Iahweh e ouve a voz do seu servo? Aquele que tem caminhado nas trevas, sem nenhuma luz, ponha a sua confiança nó nome de Iahweh,a tome como arrimo o seu Deus. 11Mas todos vós que acendeis um fogo, que vos munis de setas incendiárias, atirai-vos às chamas do vosso fogo e às setas que acendestes. Por minha mão isto vos há de sobrevir: deitar-vos-eis no meio dos tormentos.

51 Eleição e bênção de Israel 1Ouvi-me, vós, que estais à procura da justiça vós, que buscais a Iahweh. Olhai para a rocha da qual fostes talhados, para a cova de que fostes extraídos. 2Olhai para Abraão, vosso pai, e para Sara, aquela que vos deu à luz. Ele estava só quando o chamei, mas eu o abençoei e o multipliquei. 3Iahweh consolou Sião, consolou todas as suas ruínas; ele transformará o seu deserto em um Éden e as suas estepes em um jardim de Iahweh. Nela se encontrarão gozo e alegria, cânticos de ações de graças e som de música.

O Reino da justiça de Deus

4Atende-me, povo meu, dá-me ouvidos, gente minha! Porque de mim sairá uma lei, farei brilhar o meu direito como uma luz entre os povos. 5Breve chegará a minha justiça, surgirá a minha salvação. O meu braço executará o julgamento sobre os povos. Em mim as ilhas esperarão, na proteção do meu braço porão a sua confiança. 6Erguei ao céu os vossos olhos, olhai para a terra cá em baixo, porque os céus se desfarão como a fumaça, e a terra se desgastará como uma veste; os seus habitantes perecerão como mosquitos; mas a minha salvação será eterna e a minha justiça não terá fim. 7Ouvi-me, vós que conheceis a justiça, povo que tens a minha lei no coração. Não temais a injúria dos homens; não fiqueis apavorados com os seus insultos. 8Com efeito a traça os devorará como a um vestido; as larvas os devorarão como à lã, mas a minha justiça durará para sempre e a minha salvação de geração em geração.

O despertar de Iahweh

9Desperta, desperta! Mune-te de força, ó braço de Iahweh! Desperta como nos dias antigos, nas gerações de outrora. Por acaso não és tu aquele que despedaçou Raab, que trespassou o dragão? 10Não és tu aquele que secou o mar, as águas do Grande Abismo? E fez do fundo do mar um caminho, a fim de que os resgatados passassem? 11Assim voltarão os que foram libertados por Iahweh, chegarão a Sião gritando de alegria, trazendo consigo uma alegria eterna; o gozo e a alegria os acompanharão, a dor e os gemidos cessarão.

Iahweh, o consolador 12Eu, eu mesmo sou aquele que te consola; quem te julgas tu para teres medo do homem, que há de morrer, do filho do homem, cujo destino é o da erva? 13E te esqueces de Iahweh, aquele que te criou, aquele que estendeu os céus e fundou a terra? Tens vivido apavorado o tempo todo diante da cólera do opressor, enquanto ele estava armado para destruir-te; mas onde está agora a cólera do opressor? 14Aquele que estava em cadeias logo será solto, ele não descerá morto à cova, nem terá falta de pão. 15Eu sou Iahweh teu Deus, que agito o mar e as suas ondas se tornam tumultuosas; Iahweh dos Exércitos é o meu nome. 16Pus as minhas palavras na tua boca, na sombra da minha mão te escondi, para estender os céus e fundar a terra, para dizer a Sião: “Tu és o meu povo.”

O despertar de Jerusalém

17Desperta, desperta, levanta-te! Jerusalém, tu que da mão de Iahweh bebeste a taça da sua ira, foi um cálice, uma taça de vertigem, que bebeste e esvaziaste. 18Dentre todos os filhos que deu à luz, não há nenhum que a conduza; nenhum que a tome pela mão, dentre todos os filhos que criou. 19Esta dupla desgraça te sobreveio, quem se condoerá de ti? A devastação e a ruína, a fome e a espada; quem te consolará? 20Os teus filhos jazem desmaiados nos cantos de todas as ruas, como o antílope apanhado na rede, atingidos em cheio pela cólera de Iahweh, pela repreensão do teu Deus. 21Assim, ouve isto, ó infeliz, que estás embriagada, mas não de vinho: 22Eis o que diz o teu Senhor Iahweh, o teu Deus, o que pleiteia a causa do seu povo: Certamente vou tirar das tuas mãos a taça da vertigem, isto é, o cálice, a taça da minha cólera. Tu não tornarás a bebê-la jamais. 23Antes, pô-la-ei na mão dos teus opressores, daqueles que te diziam: Deita-te, para que passemos por cima de ti! Assim fazias das tuas costas um chão batido, uma rua que serve de passagem aos transeuntes.

Libertação de Jerusalém

52 1Desperta, desperta, mune-te da tua força, ó Sião! Põe os teus vestidos de gala, ó Jerusalém, cidade santa, pois nunca mais tornarão a entrar em ti o incircunciso e o impuro. 2Sacode de ti o pó, levanta-te, Jerusalém cativa! Desatadas estão as cadeias do teu pescoço, filha de Sião cativa! 3Com efeito, assim diz Iahweh: Sem paga fostes vendidos, sem dinheiro haveis de ser resgatados, 4pois assim diz o Senhor Iahweh: Em tempos antigos foi ao Egito que meu povo desceu e peregrinou ali. Mais tarde a Assíria o oprimiu. 5Mas agora que tenho a fazer aqui? — oráculo de Iahweh — porque o meu povo foi levado sem paga, os seus dominadores cantam vitória — oráculo de Iahweh — e continuamente, durante todo o tempo, o meu nome é vilipendiado. 6Por isto mesmo o meu povo conhecerá o meu nome, por isto mesmo ele saberá, naquele dia, que eu sou o que diz: “Eis-me aqui.”

Anúncio da salvação

7Como são belos, sobre os montes, os pés do mensageiro que anuncia a paz, do que proclama boas novas e anuncia a salvação, do que diz a Sião: “O teu Deus reina.” 8Eis a voz das tuas sentinelas; ei-las que levantam a voz, juntas lançam gritos de alegria, porque com os seus próprios olhos vêem a Iahweh que volta a Sião. 9Regozijai-vos, juntas lançai gritos de alegria, ó ruínas de Jerusalém!Porque Iahweh consolou o seu povo, ele redimiu Jerusalém. 10Iahweh descobriu o seu braço santo aos olhos de todas as nações, e todas as extremidades da terra viram a salvação do nosso Deus. 11Ide-vos! Ide-vos! Saí daqui! Não toqueis nada do que seja impuro, saí do meio dela, purificai-vos, vós os que levais os utensílios de Iahweh. 12Mas não haveis de sair apressadamente, não deveis partir como fugitivos, porque Iahweh irá à vossa frente, o Deus de Israel será a vossa retaguarda.

Quarto canto do Servo

13Eis que o meu Servo há de prosperar, ele se elevará, será exaltado, será posto nas alturas. 14Exatamente como multidões ficaram pasmadas à vista dele — tão desfigurado estava o seu aspecto e a sua forma não parecia a de um homem — 15assim agora nações numerosas ficarão estupefactas a seu respeito, reis permanecerão silenciosos, ao verem coisas que não lhes haviam sido contadas e ao tomarem consciência de coisas que não tinham ouvido.

53 1Quem creu naquilo que ouvimos, e a quem se revelou o braço de Iahweh? 2Ele cresceu diante dele como um renovo, como raiz que brota de uma terra seca; não tinha beleza nem esplendor que pudesse atrair o nosso olhar, nem formosura capaz de nos deleitar. 3Era desprezado e abandonado pelos homens, um homem sujeito à dor, familiarizado com a enfermidade, como uma pessoa de quem todos escondem o rosto; desprezado, não fazíamos caso nenhum dele. 4E no entanto, eram as nossas enfermidades que ele levava sobre si, as nossas dores que ele carregava. Mas nós o tínhamos como vítima do castigo, ferido por Deus e humilhado. 5Mas ele foi trespassado por causa das nossas transgressões, esmagado em virtude das nossas iniqüidades. O castigo que havia de trazer-nos a paz, caiu sobre ele, sim, por suas feridas fomos curados. 6Todos nós como ovelhas, andávamos errantes, seguindo cada um o seu próprio caminho, mas Iahweh fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós. 7Foi maltratado, mas livremente humilhou-se e não abriu a boca, como um cordeiro conduzido ao matadouro; como uma ovelha que permanece muda na presença dos seus tosquiadores ele não abriu a boca. 8Após detenção e julgamento, foi preso. Dentre os seus contemporâneos, quem se preocupou com o fato de ter ele sido cortado da terra dos vivos, de ter sido ferido pela transgressão do seu povo? 9Deram-lhe sepultura com os ímpios, o seu túmulo está com os ricos,se bem que não tivesse praticado violência nem tivesse havido engano em sua boca. 10Mas Iahweh quis feri-lo, submetê-lo à enfermidade. Mas, se ele oferece a sua vida como sacrifício pelo pecado, certamente verá uma descendência, prolongará os seus dias, e por meio dele o desígnio de Deus há de triunfar. 11Após o trabalho fatigante da sua alma ele verá a luz e se fartará. Pelo seu conhecimento, o justo, meu Servo, justificará a muitos e levará sobre si as suas transgressões. 12Eis por que lhe darei um quinhão entre as multidões; com os fortes repartirá os despojos, visto que entregou a sua alma à morte e foi contado com os transgressores, mas na verdade levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores fez intercessão.

54 A compensação de Jerusalém

1Entoa alegre canto, ó estéril, que não deste à luz; ergue gritos de alegria, exulta, tu que não sentiste as dores de parto, porque mais numerosos são os filhos da abandonada do que os filhos de uma esposa, diz Iahweh. Alarga o espaço da tua tenda, estende as cortinas das tuas moradas, não te detenhas, alonga as cordas, reforça as estacas, 3pois hás de transbordar para a direita e para a esquerda, a tua descendência se apoderará de outras terras e repovoará cidades abandonadas. 4Não temas, porque não tornarás a ficar envergonhada; não te sintas humilhada, porque não ficarás confundida. Com efeito, hás de esquecer a condição vergonhosa da tua mocidade, não tornarás a lembrar o opróbrio da tua viuvez, 5porque o teu esposo será o teu criador, Iahweh dos Exércitos é o seu nome. O Santo de Israel é o teu redentor, ele se chama o Deus de toda a terra. 6Como a uma esposa abandonada e acabrunhada, Iahweh te chamou; como à mulher da sua mocidade, que teria sido repudiada, diz o teu Deus. 7Por um pouco de tempo te abandonei, mas agora com grande compaixão torno a recolher-te. 8Em um momento de cólera escondi de ti o meu rosto, mas logo me compadeci de ti, levado por um amor eterno, diz Iahweh, o teu redentor. 9Como nos dias de Noé, quando jurei que as águas de Noé nunca mais inundariam a terra, do mesmo modo juro agora que nunca mais me encolerizarei contra ti, que não mais te ameaçarei. 10Os montes podem mudar de lugar e as colinas podem abalar-se, mas o meu amor não mudará, a minha aliança de paz não será abalada, diz Iahweh, aquele que se compadece de ti.

A nova Jerusalém

11Ó aflita, batida de tempestades, desconsolada, certamente vou revestir de carbúnculo as tuas pedras, vou estabelecer os teus alicerces sobre a safira. 12Farei de rubi as tuas ameias e de berilo as tuas portas, de pedras preciosas todas as tuas muralhas. 13Todos os teus filhos serão discípulos de Iahweh; grande será a paz dos teus filhos. 14Serás edificada sobre a justiça; livre da opressão, nada terás a temer; estarás livre do terror; com efeito, ele não te atingirá. 15Se fores atacada, não será com o meu consentimento: aquele que te atacar, cairá nas tuas mãos. 16Sabe que fui eu quem criou o ferreiro, que sopra as brasas no fogo e tira delas o instrumento para o seu uso; também fui eu quem criou o exterminador, com a sua função de criar ruínas. 17Nenhum instrumento forjado contra ti terá êxito. Toda língua que se levantar contra ti em julgamento tu a provarás culpada. Tal será a sorte dos servos de Iahweh, a justiça que de mim obterão. Oráculo de Iahweh.

55 Convite final

1Ah! todos que tendes sede, vinde à água. Vós, os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; comprai, sem dinheiro e sem pagar, vinho e leite. 2Por que gastais dinheiro com aquilo que não é pão, e o produto do vosso trabalho com aquilo que não pode satisfazer? Ouvi-me com toda atenção e comei o que é bom; haveis de deleitar-vos com manjares revigorantes. 3Escutai-me e vinde a mim, ouvi-me e haveis de viver. Farei convosco uma aliança eterna, assegurando-vos as graças prometidas a Davi. 4Com efeito, eu o pus como testemunha aos povos, como regente e comandante de povos. 5Assim, tu chamarás por uma nação que não conheces, sim, uma nação que não te conhece acorrerá a ti, por causa de Iahweh teu Deus, à busca do Santo de Israel, porque ele te cobriu de esplendor. 6Procurai a Iahweh enquanto pode ser achado, invocai-o enquanto está perto. 7Abandone o ímpio o seu caminho, e o homem mau os seus pensamentos, e volte para Iahweh, pois terá compaixão dele, e para o nosso Deus, porque é rico em perdão. 8Com efeito, os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, e os vossos caminhos não são os meus caminhos, oráculo de Iahweh. 9Quanto os céus estão acima da terra, tanto os meus caminhos estão acima dos vossos caminhos, e os meus pensamentos acima dos vossos pensamentos. 10Como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam, sem terem regado a terra, tornando-a fecunda e fazendo-a germinar, dando semente ao semeador e pão ao que come, 11tal ocorre com a palavra que sai da minha boca: ela não torna a mim sem fruto; antes, ela cumpre a minha vontade e assegura o êxito da missão para a qual a enviei.

Conclusão

12Haveis de sair com alegria e em paz sereis reconduzidos. Na vossa presença, montes e outeiros romperão em canto, e todas as árvores do campo baterão palmas. 13Em lugar do espinheiro crescerá o zimbro, em lugar da urtiga crescerá o mirto; isto trará renome a Iahweh e um sinal eterno, que nunca será extirpado.

III. Terceira parte do livro de Isaías

56 Promessa aos estrangeiros

1Assim diz Iahweh: Observai o direito e praticai a justiça, porque a minha salvação está prestes a chegar e a minha justiça, a manifestar-se. 2Bem-aventurado o homem que assim procede, o filho de homem que nisto se firma, que guarda o sábado e não o profana e que guarda sua mão de praticar o mal. 3Não diga o estrangeiro que se entregou a Iahweh: “Naturalmente Iahweh vai excluir-me do seu povo”, nem diga o eunuco: “Não há dúvida, eu não passo de uma árvore seca”, 4pois assim diz Iahweh aos eunucos que guardam os meus sábados e optam por aquilo que é a minha vontade, permanecendo fiéis à minha aliança: 5Hei de dar-lhes, na minha casa e dentro dos meus muros, um monumento e um nome mais preciosos do que teriam com filhos e filhas; hei de dar-lhes um nome eterno, que não será extirpado. 6E quanto aos estrangeiros que se entregaram a Iahweh para servi-lo, sim, para amar o nome de Iahweh e tornarem-se servos seus, a saber, todos os que se abstêm de profanar o sábado e que se mantêm fiéis à minha aliança, 7trá-los-ei ao meu monte santo e os cobrirei de alegria na minha casa de oração. Os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão bem aceitos no meu altar. Com efeito, a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos. 8Oráculo do Senhor Iahweh, que reúne os dispersos de Israel: Reunirei ainda outros àqueles que já foram reunidos. 9Vós, todos os animais do campo, vinde refestelar-vos, e todos vós, animais do bosque.

Indignidade dos chefes

10Todas as sentinelas são cegas, nada percebem; todas elas são uns cães mudos, incapazes de latir; vivem a resfolegar deitados, gostam de dormir. 11Os cães são vorazes: desconhecem a saciedade; são pastores incapazes de compreender. Todos seguem o seu próprio caminho: cada um deles, até o último, volta-se para o seu interesse, dizendo: 12“Vinde, vou buscar vinho, embriaguemo-nos com bebida forte; amanhã será como hoje, um dia incomparavelmente grandioso!”

57 1O justo perece e ninguém se incomoda, os homens piedosos são ceifados, sem que ninguém tome conhecimento.Sim, o justo foi ceifado, vitima da maldade, 2mas ele alcançará a paz: os que trilham o caminho reto repousarão no seu leito.

Contra a idolatria 3Quanto a vós, filhos de feiticeira, chegai-vos aqui, geração adúltera, que te prostituíste! 4De quem zombais? Para quem estais fazendo caretas e mostrando a língua? Porventura não sois filhos da revolta, estirpe da mentira? 5Vós que vos deixais inflamar pela incontinência sob os terebintos, debaixo de toda árvore verdejante, que imolais crianças junto às torrentes e sob as fendas das rochas.6As pedras lisas da correnteza são a tua porção; são elas que te cabem por sorte. Foi a elas que fizeste libações, que ofereceste oblações. Devo eu satisfazer-me com isto? 7Sobre um monte alto e elevado puseste o teu leito: ali subiste para oferecer sacrifícios. 8Atrás da porta e das ombreiras puseste o teu memorial. Longe de mim te descobriste, subiste ao teu leito, alargaste-o. Praticaste o teu comércio com aqueles cujo leito te atraía, enquanto contemplavas o monumento. 9Procuraste Melec com dádivas de óleo, prodigalizaste os teus ungüentos; enviaste para longe os teus mensageiros, fizeste-os descer até o Xeol. 10De tanto andar ficaste cansada, mas nem por isto disseste: “Isto é de desanimar!” Recuperaste o vigor da tua mão, eis por que não baqueaste. 11De quem tiveste receio ou medo, pois que mentiste e não te lembraste de mim, nem te preocupaste comigo? Por acaso não estava eu silencioso há muito tempo, e por isto não me tinhas medo? 12Vou anunciar essa tua justiça e as tuas obras, mas certamente isto nada te aproveitará. 13Quando clamares para que te livrem aqueles que estão junto de ti, o vento os arrebatará a todos, um sopro os levará embora, mas aquele que põe a sua confiança em mim herdará a terra, possuirá o meu santo monte.

A salvação para os fracos

14Então se dirá: Aterrai, aterrai, abri um caminho, removei os tropeços do caminho do meu povo, 15porque assim diz aquele que está nas alturas, em lugar excelso, que habita a eternidade e cujo nome é santo: “Eu habito em lugar alto e santo, mas estou junto ao abatido e humilde, a fim de animar o espírito dos humildes, a fim de animar os corações abatidos. 16Com efeito, não contenderei para sempre, nem estarei perpetuamente encolerizado, pois à minha presença desfaleceria o espírito, a alma que eu criei. 17Estive encolerizado contra a sua iniqüidade, contra a sua cobiça, enquanto me escondia e conservei a minha ira, feri-o, enquanto ele se desviou pelo caminho da sua predileção. 18Vi o seu caminho e o curarei, conduzi-los-eis, prodigalizar-lhes-ei consolação, a. ele e aos seus enlutados. 19Farei brotar o louvor dos seus lábios: “Paz! Paz ao que está longe e ao que está perto, diz Iahweh, eu o curarei.” 20Mas os ímpios são como um mar agitado que não pode acalmar-se, cujas águas revolvem sargaço e lodo. 21“Para os ímpios não há paz”, diz o meu Deus.

58 O jejum que agrada a Deus.  1Grita a plenos pulmões, não te contenhas, levanta a tua voz como uma trombeta e faze ver ao meu povo a sua transgressão, à casa de Jacó o seu pecado. 2E no entanto eles me buscam todos os dias, mostram interesse em conhecer os meus caminhos como se fossem uma nação que pratica a justiça, que não abandona o direito estabelecido pelo seu Deus. Pedem-me leis justas, mostram interesse em estar junto de Deus! 3E perguntam: “Por que temos jejuado e tu não o vês? Temos mortificado as nossas almas e tu não tomas conhecimento disso?’ A razão está em que, no dia mesmo do vosso jejum, correis atrás dos vossos negócios e explorais os vossos trabalhadores; 4a razão está em que jejuais para entregar-vos a contendas e rixas, para ferirdes com punho perverso. Não continueis a jejuar como agora, se quereis que a vossa voz seja ouvida nas alturas! 5Por acaso é este o jejum que escolhi, um dia em que o homem mortifique a sua alma? Por acaso a esse inclinar de cabeça como um junco, a esse fazer a cama sobre pano de saco e cinza, acaso é a isso que chamas jejum e dia agradável a Iahweh? 6Por acaso não consiste nisto o jejum que escolhi: em romper os grilhões da iniqüidade, em soltar as ataduras do jugo e pôr em liberdade os oprimidos e despedaçar todo o jugo? 7Não consiste em repartires o teu pão com o faminto, em recolheres em tua casa os pobres desabrigados, em vestires aquele que vês nu e em não te esconderes daquele que é tua carne? 8Se fizeres isto, a tua luz romperá como a aurora, a cura das tuas feridas se operará rapidamente, a tua justiça irá à tua frente e a glória de Iahweh irá à tua retaguarda. 9Então clamarás e Iahweh responderá, clamarás por socorro e ele dirá:”Eis-me aqui!” Isto, se afastares do meio de ti o jugo, o gesto ameaçador e a linguagem iníqua; 10se tu te privares para o faminto, e se tu saciares o oprimido, a tua luz brilhará nas trevas, a escuridão será para ti como a claridade do meio-dia. 11Iahweh será o teu guia continuamente e te assegurará a fartura, mesmo em terra árida; ele revigorará os teus ossos, e tu serás como um jardim regado, como uma fonte borbulhante cujas águas nunca faltam. 12Os teus escombros antigos serão reconstruídos; reerguerás os alicerces dos tempos passados e serás chamado Reparador de brechas, Restaurador de estradas, para que se possa habitar.

O sábado

13Se te abstiveres de violar o sábado, de cuidar dos teus negócios, chamando ao sábado “deleitoso” e “venerável” ao dia santo de Iahweh, se o honrares, abstendo-te de viagens, de correres atrás dos teus negócios, de fazeres planos, 14então te deleitarás em Iahweh, e eu te farei levar em triunfo sobre as alturas da terra, nutrir-te-ei com a herança de Jacó, teu pai, porque a boca de Iahweh o falou.

59 Salmo de penitência

1Não, a mão de Iahweh não é muito curta para salvar, nem o seu ouvido tão duro que não possa ouvir. 2Antes, foram as vossas iniqüidades que criaram um abismo entre vós e o vosso Deus. Por causa dos vossos pecados ele escondeu de vós o seu rosto, para não vos ouvir. 3Com efeito, as vossas mãos estão manchadas de sangue e os vossos dedos, de iniqüidade; e os vossos lábios falam mentira e a vossa língua profere maldade. 4Não há quem acuse com justiça, não há quem mova uma causa com lealdade. Todos põem a sua confiança em coisas vãs e pronunciam falsidade, concebem trabalheira e dão à luz iniqüidade. 5Chocam ovos de víbora e tecem teias de aranha. Aquele que lhes come os ovos morre; esmagados, sai deles uma serpente, 6as suas teias não darão um vestido, não poderão vestir-se do seu próprio trabalho; os seus trabalhos são trabalhos iníquos, ações violentas estão nas suas mãos. 7Os seus pés correm após o mal; eles apressam-se a derramar sangue inocente. Os seus pensamentos são pensamentos iníquos: ruína e devastação estão nas suas veredas. 8Não conhecem o caminho da paz, não há julgamento reto nos seus trilhos; fazem para si sendas tortuosas, todo aquele que por elas caminha não conhece a paz. 9Por isto o julgamento reto está longe de nós; a justiça não está ao nosso alcance. Esperávamos a luz, e o que veio foram trevas; a claridade, e, no entanto, caminhamos na escuridão. 10Como cegos que andam a apalpar um muro, sim, como os que não têm olhos, andamos às apalpadelas. Tropeçamos ao meio-dia como se fosse no crepúsculo; somos como mortos entre pessoas sadias. 11Todos rugimos como ursos, vivemos a gemer como pombas; esperamos o direito, e nada! a salvação, mas ela ficou distante! 12Porque são numerosas nossas trangressões contra ti, e os nossos pecados testificam contra nós. Com efeito, as nossas transgressões nos estão presentes; conhecemos as nossas iniqüidades: 13rebelar-nos, negar a Iahweh, afastar-nos do nosso Deus; proferir violência e revolta, conceber e meditar a mentira. 14O direito foi expelido, mantém-se a justiça a distância, porque a verdade estrebuchou na praça e a retidão não pode apresentar-se. 15Com isto a verdade ausentou-se e aquele que renuncia ao mal ficou despojado. Iahweh viu e lhe pareceu mau que não houvesse direito. 16Viu que não havia ninguém, espantou-se de que ninguém interviesse. Então o seu próprio braço veio em seu socorro, a sua justiça o sustentou. 17Vestiu-se da justiça como de uma couraça, pôs na cabeça o capacete da salvação, cobriu-se de vestes de vingança — como de uma túnica —, vestiu-se de zelo como de uma capa. 18Conforme as obras de cada um, tal a recompensa; para os adversários a ira, para os inimigos o castigo merecido; às ilhas recompensará de acordo com as suas obras. 19Assim, desde o ocidente se temerá o nome de Iahweh e desde o oriente, a sua glória, pois ele virá como uma torrente impetuosa, conduzido pelo espírito de Iahweh. 20Virá um redentor a Sião, aos que se converterem da sua rebelião em Jacó. Oráculo de Iahweh.

Oráculo21Quanto a mim, esta é a minha aliança com eles, diz Iahweh, o meu espírito está sobre ti e as minhas palavras que pus na tua boca não se afastarão dela, nem da boca dos teus filhos, nem da boca dos filhos dos teus filhos, diz Iahweh, desde agora e para sempre.

60 Esplendor de Jerusalém

1Põe-te em pé, resplandece, porque a tua luz é chegada, a glória de Iahweh raia sobre ti. 2Com efeito, as trevas cobrem a terra, a escuridão envolve as nações, mas sobre ti levanta-se Iahweh e a sua glória aparece sobre ti. 3As nações caminharão na tua luz, e os reis, no clarão do teu sol nascente. 4Ergue os olhos em torno e vê: todos eles se reúnem e vêm a ti. Os teus filhos vêm de longe, as tuas filhas são carregadas sobre as ancas. 5Então verás e ficarás radiante;o teu coração estremecerá e se dilatará, porque as riquezas do mar afluirão a ti, a ti virão os tesouros das nações. 6Uma horda de camelos te inundará, os camelinhos de Madiã e Efa; todos virão de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando os louvores de Iahweh. 7Todas as ovelhas de Cedar se reunirão em ti, os carneiros de Nabaiot estarão a teu serviço,subirão ao meu altar em sacrifício agradável, e cobrirei de esplendor a minha casa. 8Quem são estes que vêm deslizando como nuvens, como pombas de volta aos seus pombais? 9lim mim esperam as ilhas, os navios de Társis vêm à frente, trazendo os seus filhos de longe, com a sua prata e o seu ouro, por causa do nome de Iahweh teu Deus, por causa do Santo de Israel, pois ele te glorificou. 10Estrangeiros reedificarão os teus muros e os seus reis te servirão, pois que, se na minha cólera te feri, agora, na minha graça, me compadeci de ti. 11As tuas portas estarão sempre abertas, não se fecharão nem de dia nem de noite, a fim de que se traga a ti a riqueza das nações e os seus reis sejam conduzidos a ti. 12Com efeito, a nação e o reino que não te servirem perecerão, sim, essas nações serão reduzidas a uma ruína. 13A glória do Líbano virá a ti, o zimbro, o plátano e o cipreste, todos juntos, para inundarem de brilho o lugar do teu santuário, e assim glorificarei o lugar em que pisam os meus pés. 14Os filhos dos teus opressores se dirigirão a ti humildemente; prostrar-se-ão aos teus pés todos os que te desprezavam, e te chamarão “Cidade de Iahweh”, “Sião do Santo de Israel.” 15Em vez de seres abandonada e odiada, sem pessoa que passe pelo meio de ti, farei de ti um eterno motivo de orgulho, um motivo de alegria, de geração em geração. 16Sugarás o leite das nações, amamentar-te-ás das riquezas dos reis. E saberás que sou eu, Iahweh, que te salvo, que o teu redentor é o Poderoso de Jacó. 17Em lugar de bronze, trarei ouro; em lugar de ferro, trarei prata; e em lugar de madeira, bronze; em lugar de pedra, ferro. Farei da Paz a tua administradora, e da Justiça a tua autoridade suprema. 18Na tua terra não se tornará a falar em violência, nem em devastação e destruição nas tuas fronteiras. Aos teus muros chamarás “Salvação” e às tuas portas “Louvor”. 19Não terás mais o sol como luz do dia, nem o clarão da lua te iluminará, porque Iahweh será a tua luz para sempre, e o teu Deus será o teu esplendor. 20O teu sol não voltará a pôr-se, e a tua lua não minguará, porque Iahweh te servirá de luz eterna e os dias do teu luto cessarão. 21O teu povo, todo ele constituído de justos, possuirá a terra para sempre, como um renovo de minha própria plantação, como obra das minhas mãos, para a minha glória. 22O menor deles chegará a mil, o mais fraco, a uma nação poderosa. Eu, Iahweh, no tempo próprio apressarei a realização destas coisas.

61 Vocação de um profeta

1O espírito do Senhor Iahweh está sobre mim, porque Iahweh me ungiu; enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres, a curar os quebrantados de coração e proclamar a liberdade aos cativos, a libertação aos que estão presos, 2a proclamar um ano aceitável a Iahweh e um dia de vingança do nosso Deus,a fim de consolar todos os enlutados 3(a fim de pôr aos enlutados de Sião…), a fim de dar-lhes um diadema em lugar de cinza e óleo de alegria em lugar de luto, uma veste festiva em lugar de um espírito abatido. Chamar-lhes-ão terebintos de justiça, plantação de Iahweh para a sua glória. 4Eles reedificarão as ruínas antigas, recuperarão as regiões despovoadas de outrora; repararão as cidades devastadas, as regiões que ficaram despovoadas por muitas gerações. 5Estrangeiros estarão aí para apascentar os vossos rebanhos; alienígenas serão os vossos lavradores e os vossos vinhateiros. 6Quanto a vós, sereis chamados sacerdotes de Iahweh; sereis chamados ministros do nosso Deus; alimentar-vos-eis das riquezas das nações; haveis de suceder-lhes na sua glória. 7Em lugar da vergonha que tendes sofrido, tereis porção dobrada; em lugar de humilhação, tereis gritos de júbilo como vossa porção. Eis por que terão porção dobrada em sua terra e gozarão de uma alegria eterna. 8Com efeito, eu, Iahweh, que amo o direito e detesto o roubo e a injustiça, lhes darei fielmente a sua recompensa estabelecerei com eles uma aliança eterna. 9A sua posteridade será conhecida entre as nações, sua descendência no meio dos povos. Todos aqueles que os virem reconhecerão que eles são a raça que Iahweh abençoou,

Ação de graças 10Transbordo de alegria em Iahweh, a minha alma se regozija no meu Deus, porque ele me vestiu com vestes de salvação, cobriu-me com um manto de justiça, como um noivo que se adorna com um diadema, como uma noiva que se enfeita com as suas jóias, 11Com efeito, como a terra faz brotar a sua vegetação, e o jardim faz germinar as suas sementes, assim o Senhor Iahweh faz germinar a justiça e o louvor mi presença de todas as nações.

62 Esplendor de Jerusalém

1Por amor de Sião não me calarei, por amor de Jerusalém não descansarei, até que a sua justiça raie como um clarão e a sua salvação arda como uma tocha. 2Então as nações hão de contemplar a tua justiça, e todos os reis, a tua glória. Receberás um nome novo, que a boca de Iahweh enunciará. 3Serás uma coroa gloriosa nas mãos de Iahweh, um turbante real na palma do teu Deus. 4Já não te chamarão “Abandonada”, nem chamarão à tua terra “Desolação”. Antes, serás chamada “Meu prazer está nela”, e tua terra, “Desposada”. Com efeito, Iahweh terá prazer em ti e se desposará com a tua terra. 5Como um jovem desposa uma virgem, assim te desposará o teu edificador. Como a alegria do noivo pela sua noiva, tal será a alegria que o teu Deus sentirá em ti. 6Sobre os teus muros, ó Jerusalém, postei guardas; eles não se calarão nem de dia nem de noite. Para vós, que vos lembrais de Iahweh, não há descanso. 7Não lhe concedais descanso enquanto ele não estabelecer firmemente Jerusalém e não fizer dela um objeto de louvor na terra. 8Iahweh jurou pela sua destra e pelo seu braço vigoroso: “Não tornarei a dar o teu trigo como alimento aos teus inimigos, nem os estrangeiros tornarão a beber do teu vinho, aquele com que tu te afadigaste. 9Antes, aqueles que ceifaram o trigo o comerão, louvando Iahweh, aqueles que fizeram a vindima beberão o vinho nos meus átrios sagrados”

Conclusão

10Passai, passai pelas portas, preparai um caminho para o meu povo; construí, construí a estrada, removei as pedras. Erguei um sinal para os povos. 11Certamente, Iahweh faz ouvir a sua voz até os confins da terra: dizei à filha de Sião: Eis que a tua salvação está chegando, eis com ele o seu salário: diante dele a sua recompensa. 12Eles serão chamados “O povo santo”, “Os redimidos de Iahweh”. Quanto a ti, serás chamada “Procurada”, “Cidade não abandonada”.

63 O julgamento dos povos

1Quem é este que vem de Edom, de Bosra com vestes fulgurantes, que vem majestoso no seu traje, marchando na plenitude do seu vigor? “Sou eu, que promovo a justiça, que sou poderoso para salvar”. 2— E por que essa cor vermelha do teu traje? Por que as tuas vestes se parecem com as de alguém que tenha pisado a uva no lagar? 3—Sozinho pisei a dorna; do meu povo ninguém estava comigo. Pisei as uvas na minha ira, na minha cólera as esmaguei. O seu sangue salpicou as minhas vestes; com isto sujei toda a minha roupa. 4Com efeito, decidi-me por um dia de vingança: chegou o ano da minha retribuição. 5Olhei, mas não havia ninguém para me ajudar! Eu estava consternado, mas não havia quem me sustentasse! Contudo, o meu braço veio em meu socorro e a minha cólera me sustentou. 6Na minha ira calquei aos pés os povos, na minha cólera os despedacei e derramei por terra o seu sangue.

Meditação sobre a história de Israel 7Hei de celebrar as graças de Iahweh, os louvores de Iahweh, por tudo o que Iahweh fez por nós, por sua grande bondade para com a casa de Israel, pelo que fez na sua compaixão, segundo a grandeza do Senhor. 8Com efeito, ele disse: Sem dúvida, eles são o meu povo, filhos que não hão de me trair; assim ele se fez o seu salvador. 9Em todas as suas agruras, não foi um mensageiro ou um anjo, mas a sua própria face que os salvou. No seu amor e na sua misericórdia, ele mesmo os resgatou: ergueu-os e carregou-os, durante todo o tempo passado. 10Mas eles se rebelaram e magoaram o seu Espírito santo. Foi então que ele se transformou em seu inimigo e guerreou contra eles. 11Mas depois lembrou-se dos tempos antigos, de Moisés, seu servo.Onde está aquele que os fez subir do mar, o pastor do seu rebanho? Onde está aquele que pôs o seu Espírito santo no seio do povo? 12Aquele que acompanhou a destra de Moisés com o seu braço glorioso, que fendeu as águas diante deles, assegurando para si mesmo um renome eterno; 13que os fez trilhar pelos abismos como o cavalo trilha o deserto sem tropeçar; 14como o gado que desce para um vale, assim o Espírito de Iahweh os conduziu para o repouso. Assim conduziste o teu povo, fazendo para ti um nome glorioso. 15Olha desde o céu e vê, desde a tua morada santa e gloriosa. Onde estão o teu zelo e o teu valor? O frêmito das tuas entranhas e a tua compaixão para comigo se recolheram? 16Com efeito, tu és o nosso pai. Ainda que Abraão não nos conhecesse e Israel não tomasse conhecimento de nós, tu, Iahweh, és nosso pai, nosso redentor: tal é o teu nome desde a antigüidade. 17Por que fazes com que nos desviemos dos teus caminhos? Por que endureces os nossos corações para que não te temamos? Volta, por amor dos teus servos e das tribos da tua herança. 18Por pouco tempo o teu povo santo possuiu a sua herança; então os nossos inimigos pisaram o teu santuário. 19Há muito que somos um povo sobre o qual não exerces o teu domínio, sobre o qual não se invoca o teu nome. Oxalá que fendesses o céu e descesses, diante da tua face os montes se abalariam;

64 1como o fogo faz arder os gravetos, como o fogo ferve a água — para dares a conhecer o teu nome aos teus adversários; as nações tremeriam perante a tua face no lazeres prodígios que não esperávamos. (Tu desceste: perante a tua face os montes se abalaram.)3Desde os tempos antigos nunca se ouviu, nunca se havia sabido, o olho não tinha visto um Deus que agisse em prol dos que esperam nele, exceto a ti. 4Tu te chegaste àquele que, cheio de alegria, pratica a justiça; aos que, seguindo pelos teus caminhos, se lembram de ti. Sim, tu te irritaste contra nós e, com efeito, nós pecamos, mas havemos de permanecer para sempre nos teus caminhos e assim seremos salvos. 5Todos nós éramos como pessoas impuras, e as nossas boas ações como um pano imundo. Murchamos todos como folhas que secam, as nossas transgressões nos levam como o vento. 6Não há ninguém que invoque o teu nome, que se erga, firmando-se em ti, porque escondeste de nós a tua face e nos abandonaste ao capricho das nossas transgressões, 7E no entanto, Iahweh, tu és o nosso pai, nós somos a argila e tu és o nosso oleiro, todos nós somos obras das tuas mãos. 8Não te irrites, Iahweh excessivamente, não conserves para sempre a lembrança do pecado. Olha, pois, para nós: somos todos o teu povo. 9As tuas cidades santas estão desertas; em deserto se transformou Sião, Jerusalém está reduzida a uma desolação. 10O nosso Templo santo e nosso esplendor, onde os nossos pais te louvavam, foi queimado pelo fogo. Tudo o que tínhamos de mais precioso foi reduzido a ruínas. 11Porventura podes manter-te insensível diante de tudo isto? Calas-te e a tal ponto nos humilhas?

65 O julgamento futuro

1Consenti em ser buscado por aqueles que não perguntavam por mim, consenti em ser encontrado por aqueles que não me procuravam. A uma nação que não invocava o meu nomeeu disse: “Eis-me aqui! Eis-me aqui!” 2Todos os dias estendi as mãos a um povo rebelde, que andava por um caminho que não era bom, correndo após os seus próprios pensamentos; 3a um povo que me provoca de frente sem cessar, sacrificando nos jardins, queimando incenso sobre lajes, 4que habita nos sepulcros, passando a noite nos escaninhos, comendo carne de porco, pondo nos seus pratos postas impuras. 5Eles dizem: “Fica-te aí onde estás, não me toques, porque eu te infundiria a minha santidade”. Essas palavras são como fumaça no meu nariz, como um fogo a arder o dia todo. 6Pois bem, tudo está gravado diante de mim: eu não me calarei, enquanto não lhes tiver pago tudo plenamente, enquanto não tiver pago no seu regaço. 7Sim, enquanto não tiver pago as vossas iniquidades e as iniquidades de vossos pais, diz Iahweh; a eles que queimaram perfumes sobre os montes e me ultrajaram sobre as colinas deste modo os recompensarei, com medida plena, pelas suas obras antigas. 8Assim diz Iahweh: Como quando se encontra o suco em um cacho de uva, se diz: “Não vás destruí-lo pois ele contém uma bênção”, do mesmo modo agirei em prol dos meus servos, não os destruirei de todo. 9Farei surgir de Jacó uma raça, e de Judá, herdeiros dos meus montes. Os meus eleitos os possuirão, os meus servos habitarão ali. 10Saron servirá de pasto de ovelhas e o vale de Acor, de acampamento de bois para o meu povo que me buscar. 11Mas, quanto a vós que abandonais a Iahweh, que vos esqueceis do meu monte santo, que preparais uma mesa para Gad, que ofereceis misturas em taças cheias a Meni, 13eu vos destinarei à espada; todos vós dobrareis as costas para a matança, visto que chamei e não respondestes, falei e não ouvistes; antes, fizestes o que é mau aos meus olhos e escolhestes aquilo que não é do meu agrado. 13Eis por que, assim diz o Senhor Iahweh: Certamente os meus servos comerão, enquanto vós passareis fome; certamente os meus servos beberão, enquanto vós tereis sede; certamente os meus servos terão alegria, enquanto vós vos cobrireis de vergonha; 14certamente os meus servos exultarão na alegria dos seus corações, enquanto vós, na dor dos vossos corações, lamentareis e uivareis, quebrantados no vosso espírito. 15Fareis do vosso nome uma fórmula de maldição para os meus eleitos: “Que o Senhor Iahweh te faça perecer!”, mas aos seus servos dará ele outro nome. 16Aqueles que se bendisserem na terra se bendirão no nome do Deus da verdade, aqueles que jurarem na terra jurarão pelo Deus da verdade, porque as angústias de outrora serão esquecidas, desaparecerão de diante dos meus olhos. 17Com efeito, vou criar novos céus e nova terra; as coisas de outrora não serão lembradas, nem tornarão a vir ao coração. 18Alegrai-vos, pois, e regozijai-vos para sempre com aquilo que estou para criar: eis que farei de Jerusalém um júbilo e do seu povo uma alegria. 19Sim, regozijar-me-ei em Jerusalém, sentirei alegria em meu povo. Nela não se tornará a ouvir choro nem lamentação. 20Já não haverá ali criancinhas que vivam apenas alguns dias, nem velho que não complete a sua idade; com efeito, o menino morrerá com cem anos; o pecador só será amaldiçoado aos cem anos. 21Os homens construirão casas e as habitarão, plantarão videiras e comerão os seus frutos. 22Já não construirão para que outro habite a sua casa, não plantarão para que outro coma o fruto, pois a duração da vida do meu povo será como os dias de uma árvore, os meus eleitos consumirão eles mesmos o fruto do trabalho das suas mãos. 23Não se fatigarão inutilmente, nem gerarão filhos para a desgraça; porque constituirão a raça dos benditos de Iahweh, juntamente, com os seus descendentes. 24Acontecerá então que antes de me invocarem, eu já lhes terei respondido; enquanto ainda estiverem falando, eu já os terei atendido. 25O lobo e o cordeiro pastarão juntos e o leão comerá feno como o boi. Quanto à serpente, o pó será o seu alimento. Não se fará mal nem violência em todo o meu monte santo, diz Iahweh.

66 Oráculo sobre o Templo1Assim diz Iahweh: O céu é o meu trono, e a terra o escabelo dos meus pés. Que casa me haveis de fazer, que lugar, para o meu repouso? 2Tudo isto foi a minha mão que fez, tudo isto me pertence, oráculo de Iahweh! Eis para que estão voltados os meus olhos, para o pobre e para o abatido, para aquele que treme diante da minha palavra. 3O que mata um boi ou fere um homem, o que sacrifica um cordeiro ou destronca o pescoço de um cão, o que oferece uma oblação — isto é, sangue de porco —, o que apresenta incenso como um memorial, o que bendiz um ídolo, todos eles escolheram os seus próprios caminhos; sua alma se deleitou nas suas abominações! 4Também eu zombarei deles e trarei sobre eles aquilo de que têm pavor, pois chamei e ninguém respondeu, falei, mas eles não deram ouvidos; antes, fizeram o que é mau aos meus olhos e optaram por aquilo que não me apraz.

Julgamento sobre Jerusalém

5Ouvi a palavra de Iahweh, vós que tendes reverência à sua palavra. Os vossos irmãos, que vos odeiam, que vos repelem por causa do meu nome, dizem: “Manifeste Iahweh a sua glória e vejamos a vossa alegria”. Eles é que ficarão envergonhados! 6Uma voz, um alarido que vem da cidade, uma voz que vem do templo: é a voz de Iahweh pagando o seu salário aos seus inimigos! 7Antes de sentir as dores de parto ela deu à luz, antes de lhe sobrevirem as contorções ela pôs no mundo um menino! 8Quem já ouviu tal coisa? Quem já viu acontecimento semelhante? Por acaso uma terra pode nascer em um dia? Pode uma nação ser gerada de uma só vez? Pois Sião, assim que sentiu as dores de parto, deu à luz os seus filhos! 9Por acaso eu que abro o seio não farei nascer?, diz Iahweh. Se sou eu que faço nascer, impedirei de dar à luz?, diz o teu Deus. 10Alegrai-vos com Jerusalém, exultai nela, todos os que a amais; regozijai-vos com ela, todos os que por ela estáveis de luto, 11pois sereis amamentados e saciados pelo seu seio consolador, pois sugareis e vos deleitareis no seu peito fecundo. 12Com efeito, assim diz Iahweh: Eis que vou trazer a paz como um rio e a glória das nações como uma torrente transbordante. Sereis amamentados, sereis carregados sobre as ancas e acariciados sobre os joelhos. 13Como a uma pessoa que a sua mãe consola, assim eu vos consolarei; sim, em Jerusalém sereis consolados. 14Vós o vereis e o vosso coração se regozijará: os vossos membros serão viçosos como a erva; a mão de Iahweh se revelará aos seus servos, mas a sua cólera, aos seus inimigos. 15Com efeito, Iahweh virá no fogo, com os seus carros de guerra, como um furacão, para acalmar com ardor a sua ira e a sua ameaça com chamas de fogo. 16Sim, por meio do fogo Iahweh executa o julgamento, com a sua espada, sobre toda a carne; muitas serão as vítimas de Iahweh. 17Quanto aos que se santificam e purificam para o rito de consagração dos jardins, atrás daquele que está no meio, que comem carne de porco, outras coisas abomináveis e ratos, estes cessarão de uma só vez, oráculo de Iahweh, os seus atos e os seus pensamentos.

Discurso escatológico18Eu virei, a fim de reunir todas as nações e línguas; elas virão e verão a minha glória. 19Porei um sinal no meio deles e enviarei sobreviventes dentre eles às nações: a Társis, a Fut, a Lud, a Mosoc, a Tubal e a Javã, às ilhas distantes que nunca ouviram falar a meu respeito, nem viram a minha glória. Estes proclamarão a minha glória entre as nações, 20e de todas as nações trarão todos os vossos irmãos como uma oferenda a Iahweh, montados em cavalos, em quadrigas, em liteiras, em mulos e em camelos, conduzindo-os ao meu santo monte, a Jerusalém, diz Iahweh, exatamente como os filhos de Israel costumam trazer a oblação à casa de Iahweh em vasos puros. 21 Dentre estes tomarei alguns para sacerdotes e levitas, diz Iahweh. 22Sim, da mesma maneira que os novos céus e a nova terra que eu estou para criar subsistirão na minha presença — oráculo de Iahweh — assim subsistirá a vossa descendência e o vosso nome. 23De lua nova em lua nova e de sábado em sábado, toda carne virá adorar na minha presença, diz Iahweh. 24Eles sairão para ver os cadáveres dos homens que se rebelaram contra mim, porque o seu verme não morrerá e o seu fogo não se apagará: eles serão uma abominação para toda a carne.

ECLESIÁSTICO
JEREMIAS
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