GÊNESIS

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ÊXODO

GÊNESIS

I. As origens do mundo e da humanidade

1. A CRIAÇÃO E A QUEDA

1Primeiro relato da criação 1No princípio, Deus criou o céu e a terra.2Ora, a terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo, e um vento de Deus pairava sobre as águas. 3Deus disse: “Haja luz” e houve luz. 4Deus viu que a luz era boa, e Deus separou a luz e as trevas. 5Deus chamou à luz “dia” e às trevas “noite”. Houve uma tarde e uma manhã: primeiro dia. 6Deus disse: “Haja um firmamento no meio das águas e que ele separe as águas das águas”, e assim se fez. 7Deus fez o firmamento, que separou as águas que estão sob o firmamento das águas que estão acima do firmamento, 8e Deus chamou ao firmamento “céu”. Houve uma tarde e uma manhã: segundo dia. 9Deus disse: “Que as águas que estão sob o céu se reúnam numa só massa e que apareça o continente” e assim se fez. 10Deus chamou ao continente “terra” e à massa das águas “mares”, e Deus viu que isso era bom. 11Deus disse: “Que a terra verdeje de verdura: ervas que dêem semente e árvores frutíferas que dêem sobre a terra, segundo sua espécie, frutos contendo sua semente” e assim se fez. 12A terra produziu verdura: ervas que dão semente segundo sua espécie, árvores que dão, segundo sua espécie,frutos contendo sua semente, e Deus viu que isso era bom. 13Houve uma tarde e uma manhã: terceiro dia. 14Deus disse: “Que haja luzeiros no firmamento do céu para separar o dia e a noite; que eles sirvam de sinais, tanto para as festas quanto para os dias e os anos; 15que sejam luzeiros no firmamento do céu para iluminar a terra” e assim se fez. 16Deus fez os dois luzeiros maiores: o grande luzeiro para governar o dia e o pequeno luzeiro para governar a noite, e as estrelas. 17Deus os colocou no firmamento do céu para iluminar a terra, 18para governarem o dia e a noite, para separarem a luz e as trevas, e Deus viu que isso era bom. 19Houve uma tarde e uma manhã: quarto dia. 20Deus disse: “Fervilhem as águas um fervilhar de seres vivos e que as aves voem acima da terra, sob o firmamento do céu” e assim se fez. 21Deus criou as grandes serpentes do mar e todos os seres vivos que rastejam e que fervilham nas águas segundo sua espécie, e as aves aladas segundo sua espécie, e Deus viu que isso era bom. 22Deus os abençoou e disse: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a água dos mares, e que as aves se multipliquem sobre a terra.” 23Houve uma tarde e uma manhã: quinto dia. 24Deus disse: “Que a terra produza seres vivos segundo sua espécie: animais domésticos, répteis e feras segundo sua espécie” e assim se fez. 25Deus fez as feras segundo sua espécie, os animais domésticos segundo sua espécie e todos os répteis do solo segundo sua espécie, e Deus viu que isso era bom. 26Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança, e que eles dominem sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra”. 27Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou. 28Deus os abençoou e lhes disse: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a; dominai sobre os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que rastejam sobre a terra.” 29Deus disse: “Eu vos dou todas as ervas que dão semente, que estão sobre toda a superfície da terra, e todas as árvores que dão frutos que dão semente: isso será vosso alimento. 30A todas as feras, a todas as aves do céu, a tudo o que rasteja sobre a terra e que é animado de vida, eu dou como alimento toda a verdura das plantas” e assim se fez. 31Deus viu tudo o que tinha feito: e era muito bom. Houve uma tarde e uma manhã: sexto dia.

2 1Assim foram concluídos o céu e a terra, com todo o seu exército. 2Deus concluiu no sétimo dia a obra que fizera e no sétimo dia descansou, depois de toda a obra que fizera. 3Deus abençoou o sétimo dia e o santificou, pois nele descansou depois de toda a sua obra de criação. 4aEssa é a história do céu e da terra, quando foram criados.

A experiência da liberdade. O paraíso4bNo tempo em que Iahweh Deus fez a terra e o céu, 5não havia ainda nenhum arbusto dos campos sobre a terra e nenhuma erva dos campos tinha ainda crescido, porque Iahweh Deus não tinha feito chover sobre a terra e não havia homem para cultivar o solo. 6Entretanto, um manancial subia da terra e regava toda a superfície do solo. 7Então Iahweh Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente. 8Iahweh Deus plantou um jardim em Éden, no oriente, e aí colocou o homem que modelara. 9Iahweh Deus fez crescer do solo toda espécie de árvores formosas de ver e boas de comer, e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal. 10Um rio saía de Éden para regar o jardim e de lá se dividia formando quatro braços. 11O primeiro chama-se Fison; rodeia toda a terra de Hévila, onde há ouro; 12é puro o ouro dessa terra na qual se encontram o bdélio e a pedra de ônix. 13O segundo rio chama-se Geon: rodeia toda a terra de Cuch. 14O terceiro rio se chama Tigre: corre pelo oriente da Assíria. O quarto rio é o Eufrates. 15Iahweh Deus tomou o homem e o colocou no jardim de Éden pára o cultivar e o guardar. 16E Iahweh Deus deu ao homem este mandamento: “Podes comer de todas as árvores do jardim. 17Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás, porque no dia em que dela comeres terás que morrer. 18Iahweh Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só. Vou fazer uma auxiliar que lhe corresponda.”19Iahweh Deus modelou então, do solo, todas as feras selvagens e todas as aves do céu e as conduziu ao homem para ver como ele as chamaria: cada qual devia levar o nome que o homem lhe desse. 20O homem deu nomes a todos os animais, às aves do céu e a todas as feras selvagens, mas, para o homem, não encontrou a auxiliar que lhe correspondesse. 21Então Iahweh Deus fez cair um torpor sobre o homem, e ele dormiu. Tomou uma de suas costelas e fez crescer carne em seu lugar. 22Depois, da costela que tirara do homem, Iahweh Deus modelou uma mulher e a trouxe ao homem. 23Então o homem exclamou: “Esta, sim, é osso de meus ossos e carne de minha carne! Ela será chamada ‘mulher’, porque foi tirada do homem!” 24Por isso um homem deixa seu pai e sua mãe, se une à sua mulher, e eles se tornam uma só carne. 25Ora, os dois estavam nus, o homem e sua mulher, e não se envergonhavam.

3 A queda1A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos, que Iahweh Deus tinha feito. Ela disse à mulher: “Então Deus disse: Vós não podeis comer de todas as árvores do jardim?” 2A mulher respondeu à serpente: “Nós podemos comer do fruto das árvores do jardim. 3Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: Dele não comereis, nele não tocareis, sob pena de morte.” 4A serpente disse então à mulher: “Não, não morrereis! 5Mas Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão e vós sereis como deuses, versados no bem e no mal.” 6A mulher viu que a árvore era boa ao apetite e formosa à vista, e que essa árvore era desejável para adquirir discernimento. Tomou-lhe do fruto e comeu. Deu-o também a seu marido, que com ela estava e ele comeu. 7Então abriram-se os olhos dos dois e perceberam que estavam nus; entrelaçaram folhas de figueira e se cingiram. 8Eles ouviram o passo de Iahweh Deus que passeava no jardim à brisa do dia e o homem e sua mulher se esconderam da presença de Iahweh Deus, entre as árvores do jardim. 9Iahweh Deus chamou o homem: “Onde estás?”, disse ele. 10“Ouvi teu passo no jardim,” respondeu o homem; “tive medo porque estou nu, e me escondi.” 11Ele retomou: “E quem te fez saber que estavas nu? Comeste, então, da árvore que te proibi de comer!” 12O homem respondeu: “A mulher que puseste junto de mim me deu da árvore, e eu comi!” 13Iahweh Deus disse à mulher: “Que fizeste?” E a mulher respondeu: “A serpente me seduziu e eu comi.” 14Então Iahweh Deus disse à serpente: “Porque fizeste isso és maldita entre todos os animais domésticos e todas as feras selvagens. Caminharás sobre teu ventre e comerás poeira todos os dias de tua vida. 15Porei hostilidade entre ti e a mulher, entre tua linhagem e a linhagem dela. Ela te esmagará a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar.” 16À mulher ele disse: “Multiplicarei as dores de tuas gravidezes, na dor darás à luz filhos. Teu desejo te impelirá ao teu marido e ele te dominará.” 17Ao homem, ele disse: “Porque escutaste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te proibira, comer, maldito é o solo por causa de ti! Com sofrimentos dele te nutrirás todos os dias de tua vida. 18Ele produzirá para ti espinhos e cardos, e comerás a erva dos campos. 19Com o suor de teu rosto comerás teu pão até que retornes ao solo, pois dele foste tirado. Pois tu és pó e ao pó tornarás.” 20O homem chamou sua mulher “Eva”, por ser a mãe de todos os viventes.21Iahweh Deus fez para o homem e sua mulher túnicas de pele, e os vestiu. 22Depois disse Iahweh Deus: “Se o homem já é como um de nós, versado no bem e no mal,” que agora ele não estenda a mão e colha também da árvore da vida, e coma e viva para sempre!”23E Iahweh Deus o expulsou do jardim de Éden para cultivar o solo de onde fora tirado. 24Ele baniu o homem e colocou, diante do jardim de Éden, os querubins e a chama da espada fulgurante para guardar o caminho da árvore da vida. 18Ele produzirá para ti espinhos e cardos, e comerás a erva dos campos. 19Com o suor de teu rosto comerás teu pão até que retornes ao solo, pois dele foste tirado. Pois tu és pó e ao pó tornarás.” 20O homem chamou sua mulher “Eva”, por ser a mãe de todos os viventes.21Iahweh Deus fez para o homem e sua mulher túnicas de pele, e os vestiu. 22Depois disse Iahweh Deus: “Se o homem já é como um de nós, versado no bem e no mal,” que agora ele não estenda a mão e colha também da árvore da vida, e coma e viva para sempre!”23E Iahweh Deus o expulsou do jardim de Éden para cultivar o solo de onde fora tirado. 24Ele baniu o homem e colocou, diante do jardim de Éden, os querubins e a chama da espada fulgurante para guardar o caminho da árvore da vida.

4 Caim e Abel1O homem conheceu Eva, sua mulher; ela concebeu e deu à luz Caim, e disse: “Adquiri um homem com a ajuda de Iahweh.”  2Depois ela deu também à luz Abel, irmão de Caim. Abel tornou- se pastor de ovelhas e Caim cultivava o solo. 3Passado o tempo, Caim apresentou produtos do solo em oferenda a Iahweh; 4Abel, por sua vez, também ofereceu as primícias e a gordura de seu rebanho. Ora, Iahweh agradou-se de Abel e de sua oferenda. 5Mas não se agradou de Caim e de sua oferenda, e Caim ficou muito irritado e com o rosto abatido. 6Iahweh disse a Caim: “Por que estás irritado e por que teu rosto está abatido? 7Se estivesses bem disposto, não levantarias a cabeça? Mas se não estás bem disposto não jaz o pecado à porta, como animal acuado que te espreita; podes acaso dominá-lo?” 8Entretanto Caim disse a seu irmão Abel: “Saiamos.” E, como estavam no campo, Caim se lançou sobre seu irmão Abel e o matou. 9Iahweh disse a Caim: “Onde está teu irmão Abel?” Ele respondeu: “Não sei. Acaso sou guarda de meu irmão?” 10Iahweh disse: “Que fizeste! Ouço o sangue de teu irmão, do solo, clamar para mim! 11Agora, és maldito e expulso do solo fértil que abriu a boca para receber de tua mão o sangue de teu irmão. 12Ainda que cultives o solo, ele não te dará mais seu produto: serás um fugitivo errante sobre a terra.” 13Então Caim disse a Iahweh: “Minha culpa é muito pesada para suportá-la. 14Vê! Hoje tu me banes do solo fértil, terei de ocultar-me longe de tua face e serei um errante fugitivo sobre a terra: mas o primeiro que me encontrar me matará!” 15Iahweh lhe respondeu: “Quem matar Caim será vingado sete vezes.” E Iahweh colocou um sinal sobre Caim, a fim de que não fosse morto por quem o encontrasse. 16Caim se retirou da presença de Iahweh e foi morar na terra de Nod, a leste de Éden.

A descendência de Caim17Caim conheceu sua mulher, que concebeu e deu à luz Henoc. Tornou-se um construtor de cidade e deu à cidade o nome de seu filho, Henoc. 18A Henoc nasceu Irad, e Irad gerou Maviael, e Maviael gerou Matusael, e Matusael gerou Lamec. 19Lamec tomou para si duas mulheres: o nome da primeira era Ada e o nome da segunda, Sela. 20Ada deu à luz Jabel: ele foi o pai dos que vivem sob tenda e têm rebanhos. 21O nome de seu irmão era Jubal: ele foi o pai de todos os que tocam lira e charamela. 22Sela, por sua vez, deu à luz Tubalcaim: ele foi o pai de todos os laminadores em cobre e ferro; a irmã de Tubalcaim era Noema. 23Lamec disse às suas mulheres: “Ada e Sela, ouvi minha voz, mulheres de Lamec, escutai minha palavra: Eu matei um homem por uma ferida, uma criança por uma contusão. 24É que Caim é vingado sete vezes, mas Lamec, setenta e sete vezes!”

Set e seus descendentes25Adão conheceu sua mulher. Ela deu à luz um filho e lhe pôs o nome de Set “porque,” disse ela, “ele me concedeu” outra descendência no lugar de Abel, que Caim matou.” 26Também a Set nasceu um filho, e ele lhe deu o nome de Enós, que foi o primeiro a invocar o nome de Iahweh.

5 Os Patriarcas anteriores ao dilúvio1Eis o livro da descendência de Adão: No dia em que Deus criou Adão, ele o fez à semelhança de Deus. 2Homem e mulher ele os criou, abençoou-os e lhes deu o nome de “Homem”, no dia em que foram criados. 3Quando Adão completou cento e trinta anos, gerou um filho à sua semelhança, como sua imagem, e lhe deu o nome de Set. 4O tempo que viveu Adão depois do nascimento de Set foi de oitocentos anos, e gerou filhos e filhas. 5Toda a duração da vida de Adão foi de novecentos e trinta anos, depois morreu. 6Quando Set completou cento e cinco anos, gerou Enós. 7Depois do nascimento de Enós, Set viveu oitocentos e sete anos, e gerou filhos e filhas. 8Toda a duração da vida de Set foi de novecentos e doze anos, depois morreu. 9Quando Enós completou noventa anos, gerou Cainã. 10Depois do nascimento de Cainã, Enós viveu oitocentos e quinze anos, e gerou filhos e filhas. 11Toda a duração da vida de Enós foi de novecentos e cinco anos, depois morreu. 12Quando Cainã completou setenta anos, gerou Malaleel. 13Depois do nascimento de Malaleel, Cainã viveu oitocentos e quarenta anos, e gerou filhos e filhas. 14Toda a duração da vida de Cainã foi de novecentos e dez anos, depois morreu. 15Quando Malaleel completou sessenta e cinco anos, gerou Jared. 16Depois do nascimento de Jared, Malaleel viveu oitocentos e trinta anos, e gerou filhos e filhas. 17Toda a duração da vida de Malaleel foi de oitocentos e noventa e cinco anos, depois morreu. 18Quando Jared completou cento e sessenta e dois anos, gerou Henoc. 19Depois do nascimento de Henoc, Jared viveu oitocentos anos e gerou filhos e filhas. 20Toda a duração da vida de Jared foi de novecentos e sessenta e dois anos, depois morreu. 21Quando Henoc completou sessenta e cinco anos, gerou Matusalém. 22Henoc andou com Deus. Depois do nascimento de Matusalém, Henoc viveu trezentos anos, e gerou filhos e filhas. 23Toda a duração da vida de Henoc foi de trezentos e sessenta e cinco anos. 24Henoc andou com Deus, depois desapareceu, pois Deus o arrebatou. 25Quando Matusalém completou cento e oitenta e sete anos, gerou Lamec. 26Depois do nascimento de Lamec, Matusalém viveu setecentos e oitenta e dois anos, e gerou filhos e filhas. 27Toda a duração da vida de Matusalém foi de novecentos e sessenta e nove anos, depois morreu. 28Quando Lamec completou cento e oitenta e dois anos, gerou um filho. 29Deu-lhe o nome de Noé, porque, disse ele, “este nos trará, em nossas tarefas e no trabalho de nossas mãos, uma consolação tirada do solo que Iahweh amaldiçoou.” 30Depois do nascimento de Noé, Lamec viveu quinhentos e noventa e cinco anos, e gerou filhos e filhas. 31Toda a duração da vida de Lamec foi de setecentos e setenta e sete anos, depois morreu. 32Quando Noé completou quinhentos anos, gerou Sem, Cam e Jafé.

6 Filhos de Deus e filhas dos homens1 Quando os homens começaram a ser numerosos sobre a face da terra, e lhes nasceram filhas, 2os filhos de Deus viram que as filhas dos homens eram belas e tomaram como mulheres todas as que lhes agradaram. 3Iahweh disse: “Meu espírito não se responsabilizará indefinidamente pelo homem, pois ele é carne; não viverá mais que cento e vinte anos.”4Ora, naquele tempo (e também depois), quando os filhos de Deus se uniam às filhas dos homens e estas lhes davam filhos, os Nefilim habitavam sobre a terra; estes homens famosos foram os heróis dos tempos antigos.

2. O DILÚVIO

A corrupção da humanidade5Iahweh viu que a maldade do homem era grande sobre a terra, e que era continuamente mau todo desígnio de seu coração. 6Iahweh arrependeu-se de ter feito o homem sobre a terra, e afligiu-se o seu coração. 7E disse Iahweh: “Farei desaparecer da superfície do solo os homens que criei — e com os homens os animais, os répteis e as aves do céu —, porque me arrependo de os ter feito.” 8Mas Noé encontrou graça aos olhos de Iahweh. 9Eis a história de Noé: Noé era um homem justo, íntegro entre seus contemporâneos, e andava com Deus. 10Noé gerou três filhos: Sem, Cam e Jafé. 11A terra se perverteu diante de Deus e encheu-se de violência. 12Deus viu a terra: estava pervertida, porque toda carne tinha uma conduta perversa sobre a terra.

Preparativos do dilúvio13Deus disse a Noé: “Chegou o fim de toda carne, eu o decidi, pois a terra está cheia de violência por causa dos homens, e eu os farei desaparecer da terra. 14Faze uma arca de madeira resinosa; tu a farás de caniços e a calafetarás com betume por dentro e por fora. 15Eis como a farás: para o comprimento da arca, trezentos côvados; para sua largura, cinqüenta côvados; para sua altura, trinta côvados. 16Farás um teto para a arca e o rematarás um côvado mais alto; farás a entrada da arca pelo lado, e farás um primeiro, um segundo e um terceiro andares. 17“Quanto a mim, vou enviar o dilúvio, as águas, sobre a terra, para exterminar de debaixo do céu toda carne que tiver sopro de vida: tudo o que há na terra deve perecer. 18Mas estabelecerei minha aliança contigo e entrarás na arca, tu e teus filhos, tua mulher e as mulheres de teus filhos contigo. 19De tudo o que vive, de tudo o que é carne, farás entrar na arca dois de cada espécie, um macho e uma fêmea, para os conservares em vida contigo. 20De cada espécie de aves, de cada espécie de animais, de cada espécie de todos os répteis do solo, virá contigo um casal, para os conservares em vida. 21Quanto a ti, reúne todo tipo de alimento e armazena-o; isto servirá de alimento para ti e para eles.” 22Noé assim fez; tudo o que Deus lhe ordenara, ele o fez.

7 1Iahweh disse a Noé: “Entra na arca, tu e toda a tua família, porque és o único justo que vejo diante de mim no meio desta geração. 2De todos os animais puros, tomarás sete pares, o macho e sua fêmea; dos animais que não são puros, tomarás um casal, o macho e sua fêmea 3(e também das aves do céu, sete pares, o macho e sua fêmea), para perpetuarem a raça sobre toda a terra. 4Porque, daqui a sete dias, farei chover sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites, e farei desaparecer da superfície do solo todos os seres que eu fiz.” 5Noé fez tudo o que Iahweh lhe ordenara. 6Noé tinha seiscentos anos quando veio o dilúvio, as águas sobre a terra. 7Noé — com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos — entrou na arca para escapar das águas do dilúvio. 8(Dos animais puros e dos animais que não são puros, das aves e de tudo o que rasteja sobre o solo, 9um casal entrou na arca de Noé, um macho e uma fêmea, como Deus ordenara a Noé.)” 10Passados sete dias chegaram as águas do dilúvio sobre a terra. 11No ano seiscentos da vida de Noé, no segundo mês, no décimo sétimo dia do segundo mês, nesse dia jorraram todas as fontes do grande abismo e abriram-se as comportas do céu. 12A chuva caiu sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites. 13Nesse mesmo dia, Noé e seus filhos, Sem, Cam e Jafé, com a mulher de Noé, e as três mulheres de seus filhos, entraram na arca, 14e com eles as feras de toda espécie, os animais domésticos de toda espécie, os répteis de toda espécie que rastejam sobre a terra, os pássaros de toda espécie, todas as aves, tudo o que tem asas. 15Com Noé, entrou na arca um casal de tudo o que é carne, que tem sopro de vida, 16e os que entraram eram um macho e uma fêmea de tudo o que é carne, conforme Deus lhe ordenara. E Iahweh fechou a porta por fora.

A inundação17Durante quarenta dias houve o dilúvio sobre a terra; cresceram as águas e ergueram a arca, que ficou elevada acima da terra. 18As águas subiram e cresceram muito sobre a terra e a arca flutuava sobre as águas. 19As águas subiram cada vez mais sobre a terra e as mais altas montanhas que estão sob todo o céu foram cobertas.20As águas subiram quinze côvados mais alto, cobrindo as montanhas. 21Pereceu então toda carne que se move sobre a terra: aves, animais domésticos, feras, tudo o que fervilha sobre a terra, e todos os homens. 22Morreu tudo o que tinha um sopro de vida nas narinas. Isto é, tudo o que estava em terra firme. 23Assim desapareceram todos os seres que estavam na superfície do solo, desde o homem até os animais, os répteis e as aves do céu: eles foram extintos da terra; ficou somente Noé e os que estavam com ele na arca. 24A enchente sobre a terra durou cento e cinqüenta dias.

8 Vazão das águas1Deus lembrou-se então de Noé e de todas as feras e de todos os animais domésticos que estavam com ele na arca; Deus fez passar um vento sobre a terra e as águas baixaram. 2Fecharam-se as fontes do abismo e as comportas do céu: — deteve-se a chuva do céu 3e as águas pouco a pouco se retiraram da terra; — as águas baixaram ao cabo de cento e cinqüenta dias 4e, no sétimo mês, no décimo sétimo dia do mês, a arca encalhou sobre os montes de Ararat. 5As águas continuaram escoando até o décimo mês e, no primeiro do décimo mês, apareceram os picos das montanhas. 6No fim de quarenta dias, Noé abriu a janela que fizera na arca 7e soltou o corvo, que foi e voltou, esperando que as águas secassem sobre a terra. 8Soltou então a pomba que estava com ele para ver se tinham diminuído as águas na superfície do solo. 9A pomba, não encontrando um lugar onde pousar as patas, voltou para ele na arca, porque havia água sobre toda a superfície da terra; ele estendeu a mão, pegou-a e a fez entrar para junto dele na arca. 10Ele esperou ainda outros sete dias e soltou de novo a pomba fora da arca. 11A pomba voltou para ele ao entardecer, e eis que ela trazia, no bico, um ramo novo de oliveira! Assim Noé ficou sabendo que as águas tinham escoado da superfície da terra. 12Ele esperou ainda outros sete dias e soltou a pomba, que não mais voltou para ele. 13Foi no ano seiscentos e um da vida de Noé, no primeiro mês, no primeiro do mês que as águas secaram sobre a terra. Noé retirou a cobertura da arca; olhou, e eis que a superfície do solo estava seca! 14No segundo mês, no vigésimo sétimo dia do mês, a terra estava seca.

A saída da arca15Então assim falou Deus a Noé: 16“Sai da arca, tu e tua mulher, teus filhos e as mulheres de teus filhos contigo. 17Todos os animais que estão contigo, tudo o que é carne, aves, animais e tudo o que rasteja sobre a terra, faze-os sair contigo: que pululem sobre a terra, sejam fecundos e multipliquem-se sobre a terra.” 18Noé saiu com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos; 19e todas as feras, todos os animais, todas as aves, todos os répteis que rastejam sobre a terra saíram da arca, uma espécie após a outra. 20Noé construiu um altar a Iahweh e, tomando de animais puros e de todas as aves puras, ofereceu holocaustos sobre o altar. 21Iahweh respirou o agradável odor e disse consigo: “Eu não amaldiçoarei nunca mais a terra por causa do homem, porque os desígnios do coração do homem são maus desde a sua infância; nunca mais destruirei todos os viventes, como fiz. 22Enquanto durar a terra, semeadura e colheita, frio e calor, verão e inverno, dia e noite não hão de faltar.”

9 A nova ordem do mundo 1Deus abençoou Noé e seus filhos, e lhes disse: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra. 2Sede o medo e o pavor de todos os animais da terra e de todas as aves do céu, como de tudo o que se move na terra e de todos os peixes do mar: eles são entregues nas vossas mãos.3Tudo o que se move e possui a vida vos servirá de alimento, tudo isso eu vos dou, como vos dei a verdura das plantas. 4Mas não comereis a carne com sua alma, isto é, o sangue. 5Pedirei contas porém, do sangue de cada um de vós. Pedirei contas a todos os animais e ao homem, aos homens entre si, eu pedirei contas da alma do homem. 6Quem derrama o sangue do homem pelo homem terá seu sangue derramado. Pois à imagem de Deus o homem foi feito. 7Quanto a vós, sede fecundos, multiplicai-vos, povoai a terra e dominai-a.” 8Deus falou assim a Noé e a seus filhos: 9“Eis que estabeleço minha aliança convosco e com os vossos descendentes depois de vós, 10e com todos os seres animados que estão convosco: aves, animais, todas as feras, tudo o que saiu da arca convosco, todos os animais da terra. 11Estabeleço minha aliança convosco: tudo o que existe não será mais destruído pelas águas do dilúvio; não haverá mais dilúvio para devastar a terra.” 12Disse Deus: “Eis o sinal da aliança que instituo entre mim e vós e todos os seres vivos que estão convosco, para todas as gerações futuras: 13porei meu arco na nuvem e ele se tornará um sinal da aliança entre mim e a terra. 14Quando eu reunir as nuvens sobre a terra e o arco aparecer na nuvem, 15eu me lembrarei da aliança que há entre mim e vós e todos os seres vivos: toda carne e as águas não mais se tornarão um dilúvio para destruir toda carne. 16Quando o arco estiver na nuvem, eu o verei e me lembrarei da aliança eterna que há entre Deus e os seres vivos com toda carne que existe sobre a terra.” 17Deus disse a Noé: “Este é o sinal da aliança que estabeleço entre mim e toda carne que existe sobre a terra.”

3. DO DILÚVIO A ABRAÃO

Noé e seus filhos18Os filhos de Noé, que saíram da arca, foram Sem, Cam e Jafé; Cam é o pai de Canaã. 19Esses três foram os filhos de Noé e a partir deles se fez o povoamento de toda a terra. 20Noé, o cultivador, começou a plantar a vinha. 21Bebendo vinho, embriagou-se e ficou nu dentro de sua tenda. 22Cam, pai de Canaã, viu a nudez de seu pai e advertiu, fora, a seus dois irmãos. 23Mas Sem e Jafé tomaram o manto, puseram-no sobre os seus próprios ombros e, andando de costas, cobriram a nudez de seu pai; seus rostos estavam voltados para trás e eles não viram a nudez de seu pai. 24Quando Noé acordou de sua embriaguez, soube o que lhe fizera seu filho mais jovem. 25E disse: “Maldito seja Canaã! Que ele seja, para seus irmãos, o último dos escravos!” 26E disse também: “Bendito seja Iahweh, o Deus de Sem, e que Canaã seja seu escravo! 27Que Deus dilate Jafé, que ele habite nas tendas de Sem, e que Canaã seja seu escravo!” 28Depois do dilúvio, Noé viveu trezentos e cinqüenta anos. 29Toda a duração da vida de Noé foi de novecentos e cinqüenta anos, depois morreu.

10 povoamento da terra1Eis a descendência dos filhos de Noé, Sem, Cam e Jafé, aos quais nasceram filhos depois do dilúvio: 2Filhos de Jafé: Gomer, Magog, Madai, Javã, Tubal, Mosoc, Tiras. 3Filhos de Gomer: Asquenez, Rifat, Togorma. 4Filhos de Javã: Elisa, Társis, os Cetim, os Dodanim. 5A partir deles fez-se a dispersão nas ilhas das nações. Esses foram os filhos de Jafé, segundo suas terras e cada qual segundo sua língua, segundo seus clãs e segundo suas nações. 6Filhos de Cam: Cuch, Mesraim, Fut, Canaã. 7Filhos de Cuch: Saba, Hévila, Sabata, Regma, Sabataca. Filhos de Regma: Sabá, Dadã. 8Cuch gerou Nemrod, que foi o primeiro potentado sobre a terra. 9Foi um valente caçador diante de Iahweh, e é por isso que se diz: “Como Nemrod, valente caçador diante de Iahweh.” 10Os sustentáculos de seu reino foram Babel, Arac e Acad, cidades que estão todas na terra de Senaar. 11Dessa terra saiu Assur, que construiu Nínive, Reobot-Ir, Cale, 12e Resen entre Nínive e Cale (é a grande cidade).13Mesraim gerou os de Lud, de Anam, de Laab, de Naftu, 14de Patros, de Caslu e de Cáftor, de onde saíram os filisteus. 15Canaã gerou Sídon, seu primogênito, depois Het, 16e o jebuseu, o amorreu, o gergeseu, 17o heveu, o araceu, o sineu, 18o arádio, o samareu, o emateu; em seguida dispersaram-se os clãs cananeus. 19A fronteira dos cananeus ia de Sidônia em direção de Gerara, até Gaza, depois em direção de Sodoma, Gomorra, Adama e Seboim, até Lesa. 20Esses foram os filhos de Cam, segundo seus clãs e suas línguas, segundo suas terras e suas nações. 21Uma descendência nasceu também a Sem, o pai de todos os filhos de Héber e irmão mais velho de Jafé. 22Filhos de Sem: Elam, Assur, Arfaxad, Lud, Aram. 23Filhos de Aram: Hus, Hul, Geter e Mes. 24Arfaxad gerou Salé e Salé gerou Héber. 25A Héber nasceram dois filhos: o primeiro chamava-se Faleg, porque em seus dias a terra foi dividida, e seu irmão chamava-se Jectã. 26Jectã gerou Elmodad, Salef, Asarmot, Jaré, 27Aduram, Uzal, Decla, 28Ebal, Abimael, Sabá, 29Ofir, Hévila, Jobab; todos esses são filhos de Jectã. 30Eles habitavam a partir de Mesa, em direção de Sefar, a montanha do Oriente. 31Esses foram os filhos de Sem, segundo seus clãs e suas línguas, segundo suas terras e suas nações. 32Esses foram os clãs dos descendentes de Noé, segundo suas linhagens e segundo suas nações. Foi a partir deles que os povos se dispersaram sobre a terra depois do dilúvio.

11 torre de Babel1Todo o mundo se servia de uma mesma língua e das mesmas palavras. 2Como os homens emigrassem para o oriente, encontraram um vale na terra de Senaar e aí se estabeleceram. 3Disseram um ao outro: “Vinde! Façamos tijolos e cozamo-los ao fogo!” O tijolo lhes serviu de pedra e o betume de argamassa. 4Disseram: “Vinde! Construamos uma cidade e uma torre cujo ápice penetre nos céus! Façamo-nos um nome e não sejamos dispersos sobre toda a terra!” 5Ora, Iahweh desceu para ver a cidade e a torre que os homens tinham construído. 6E Iahweh disse: “Eis que todos constituem um só povo e falam uma só língua. Isso é o começo de suas iniciativas! Agora, nenhum desígnio será irrealizável para eles. 7Vinde! Desçamos! Confundamos a sua linguagem para que não mais se entendam uns aos outros.” 8Iahweh os dispersou dali por toda a face da terra, e eles cessaram de construir a cidade. 9Deu-se-lhe por isso o nome de Babel, pois foi lá que Iahweh confundiu a linguagem de todos os habitantes da terra e foi lá que ele os dispersou sobre toda a face da terra.

Os Patriarcas depois do dilúvio10Eis a descendência de Sem: Quando Sem completou cem anos, gerou Arfaxad, dois anos depois do dilúvio. 11Depois do nascimento de Arfaxad, Sem viveu quinhentos anos, e gerou filhos e filhas. 12Quando Arfaxad completou trinta e cinco anos, gerou Salé. 13Depois do nascimento de Salé, Arfaxad viveu quatrocentos e três anos, e gerou filhos e filhas. 14Quando Salé completou trinta anos, gerou Héber. 15Depois do nascimento de Héber, Salé viveu quatrocentos e três anos, e gerou filhos e filhas. 16Quando Héber completou trinta e quatro anos, gerou Faleg. 17Depois do nascimento de Faleg, Héber viveu quatrocentos e trinta anos, e gerou filhos e filhas. 18Quando Faleg completou trinta anos, gerou Reu. 19Depois do nascimento de Reu, Faleg viveu duzentos e nove anos, e gerou filhos e filhas. 20Quando Reu completou trinta e dois anos, gerou Sarug. 21Depois do nascimento de Sarug, Reu viveu duzentos e sete anos e gerou filhos e filhas. 22Quando Sarug completou trinta anos, gerou Nacor. 23Depois do nascimento de Nacor, Sarug viveu duzentos anos, e gerou filhos e filhas. 24Quando Nacor completou vinte e nove anos, gerou Taré. 25Depois do nascimento de Taré, Nacor viveu cento e dezenove anos, e gerou filhos e filhas. 26Quando Taré completou setenta anos, gerou Abrão, Nacor e Arã.

A descendência de Taré27Eis a descendência de Taré: Taré gerou Abrão, Nacor e Arã. Afã gerou Ló. 28Arã morreu na presença de seu pai Taré, em sua terra natal, Ur dos caldeus. 29Abrão e Nacor se casaram: a mulher de Abrão chamava-se Sarai; a mulher de Nacor chamava-se Melca, filha de Arã, que era o pai de Melca e de Jesca. 30Ora, Sarai era estéril, não tinha filhos. 31Taré tomou seu filho Abrão, seu neto Ló, filho de Arã, e sua nora Sarai, mulher de Abrão. Ele os fez sair de Ur dos caldeus para ir à terra de Canaã, mas, chegados a Harã, ali se estabeleceram. 32A duração da vida de Taré foi de duzentos e cinco anos, depois ele morreu em Harã.

II. História de Abraão

12 Vocação de Abraão1Iahweh disse a Abrão: “Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que te mostrarei. 2Eu farei de ti um grande povo, eu te abençoarei, engrandecerei teu nome; sê uma bênção! 3Abençoarei os que te abençoarem, amaldiçoarei os que te amaldiçoarem. Por ti serão benditos todos os clãs da terra.” 4Abrão partiu, como lhe disse Iahweh, e Ló partiu com ele. Abrão tinha setenta e cinco anos quando deixou Harã. 5Abrão tomou sua mulher Sarai, seu sobrinho Ló, todos os bens que tinham reunido e o pessoal que tinham adquirido em Harã; partiram para a terra de Canaã, e lá chegaram. 6Abrão atravessou a terra até o lugar santo de Siquém, no Carvalho de Moré. Nesse tempo os cananeus habitavam nesta terra. 7Iahweh apareceu a Abrão e disse: “É à tua posteridade que eu darei esta terra.” Abrão construiu ali um altar a Iahweh, que lhe aparecera. 8Dali passou à montanha, a oriente de Betel, e armou sua tenda, tendo Betel a oeste e Hai a leste. Construiu ali um altar a Iahweh e invocou seu nome. 9Depois, de acampamento em acampamento, foi para o Negueb.

Abraão no Egito10Houve uma fome na terra e Abrão desceu ao Egito, para aí ficar, pois a fome assolava a terra. 11Quando estava chegando ao Egito, disse à sua mulher Sarai: “Vê, eu sei que és uma mulher muito bela. 12Quando os egípcios te virem, dirão: ‘É sua mulher,’ e me matarão, deixando-te com vida. 13Dize, eu te peço, que és minha irmã, para que me tratem bem por causa de ti e, por tua causa, me conservem a vida.” 14De fato, quando Abrão chegou ao Egito, os egípcios viram que a mulher era muito bela. 15Viram-na os oficiais de Faraó e gabaram-na junto dele; e a mulher foi levada para o palácio de Faraó. 16Este, por causa dela, tratou bem a Abrão: ele veio a ter ovelhas, bois, jumentos, escravos, servas, jumentas e camelos. 17Mas Iahweh feriu Faraó com grandes pragas, e também sua casa, por causa de Sarai, a mulher de Abrão. 18Faraó chamou Abrão e disse: “Que me fizeste? Por que não me declaraste que ela era tua mulher? 19Por que disseste: ‘Ela é minha irmã!’, de modo que eu a tomasse como mulher? Agora eis a tua mulher: toma-a e vai-te!” 20Faraó o confiou a homens que os conduziram à fronteira, ele, sua mulher e tudo o que possuía.

13 Separação de Abraão e de Ló1Do Egito, Abrão, com sua mulher e tudo que possuía, e Ló com ele, subiu ao Negueb. 2Abrão era muito rico em rebanhos, em prata e em ouro. 3Seus acampamentos conduziram-no do Negueb até Betel, no lugar onde primeiro armara sua tenda, entre Betel e Hai, 4no lugar em que outrora construíra o altar, e lá Abrão invocou o nome de Iahweh. 5Ló, que acompanhava Abrão, tinha igualmente ovelhas, bois e tendas. 6A terra não era suficiente para sua instalação comum: tinham posses imensas para poderem habitar juntos. 7Houve uma disputa entre os pastores dos rebanhos de Abrão e os dos rebanhos de Ló (nesse tempo os cananeus e os ferezeus habitavam essa terra). 8Abrão disse a Ló: “Que não haja discórdia entre mim e ti, entre meus pastores e os teus, pois somos irmãos! 9Toda a terra não está diante de ti? Peço-te que te apartes de mim. Se tomares a esquerda, irei para a direita; se tomares a direita, irei para a esquerda.” 10Ló ergueu os olhos e viu toda a Planície do Jordão, que era toda irrigada — antes que Iahweh destruísse Sodoma e Gomorra — como o jardim de Iahweh, como a terra do Egito, até Segor. 11Ló escolheu para si toda a Planície do Jordão e emigrou para o oriente. Assim eles se separaram um do outro. 12Abrão estabeleceu-se na terra de Canaã e Ló estabeleceu-se nas cidades da Planície; ele armou suas tendas até Sodoma. 13Ora, os habitantes de Sodoma eram grandes criminosos e pecavam contra Iahweh. 14Iahweh disse a Abrão, depois que Ló se separou dele: “Ergue os olhos e olha, do lugar em que estás, para o norte e para o sul, para o oriente e para o ocidente. 15Toda a terra que vês, eu ta darei, a ti e à tua posteridade para sempre. 16Tornarei a tua posteridade como poeira da terra: quem puder contar os grãos de poeira da terra poderá contar teus descendentes! 17Levanta-te! Percorre essa terra no seu comprimento e na sua largura, porque eu ta darei.” 18Com suas tendas, Abrão foi estabelecer-se no Carvalho de Mambré, que está em Hebron, e lá construiu um altar a Iahweh.

14 A campanha dos quatro grandes reis1No tempo de Amrafel, rei de Senaar, de Arioc, rei de Elasar, de Codorlaomor, rei de Elam, e de Tadal, rei dos goim, 2estes fizeram guerra contra Bara, rei de Sodoma, Bersa, rei de Gomorra, Senaab, rei de Adama, Semeber, rei de Seboim e o rei de Bela (este é Segor). 3Estes últimos se juntaram no vale de Sidim (que é o mar do Sal). 4Por doze anos ficaram sujeitos a Codorlaomor, mas no décimo terceiro anose revoltaram. 5No décimo quarto ano vieram Codorlaomor e os reis que estavam com ele. Derrotaram os rafaim em Astarot-Carnaim, os zuzim em Ham, os emim na planície de Cariataim, 6os horitas nas montanhas de Seir até El-Farã, na margem do deserto. 7Eles voltaram e vieram à Fonte do Julgamento (que é Cades); derrotaram todo o território dos amalecitas e dos amorreus, que habitavam Asasontamar. 8Então o rei de Sodoma, o rei de Gomorra, o rei de Adama, o rei de Seboim e o rei de Bela (este é Segor) fizeram uma expedição e se colocaram em ordem de batalha contra eles no vale de Sidim, 9contra Codorlaomor, rei de Elam, Tadal, rei dos goim, Amrafel, rei de Senaar, e Arioc, rei de Elasar: quatro reis contra cinco! 10Ora, o vale de Sidim estava cheio de poços de betume; na sua fuga o rei de Sodoma e o rei de Gomorra caíram neles, e o resto se refugiou na montanha. 11Os vencedores tomaram todos os bens de Sodoma e de Gomorra, e todos os seus alimentos, e se foram. 12Eles tomaram também Ló (o sobrinho de Abrão) e seus bens, e se foram; ele morava em Sodoma. 13Um sobrevivente veio informar Abrão, o hebreu, que habitava no Carvalho do amorreu Mambré, irmão de Escol e de Aner; eles eram os aliados de Abrão. 14Quando Abrão soube que seu parente fora levado prisioneiro, fez sair seus aliados, seus familiares, em número de trezentos e dezoito, e deu perseguição até Dã. 15Ele os atacou de noite, em ordem dispersa, ele e seus homens, derrotou-os e perseguiu-os até Hoba, ao norte de Damasco. 16Recuperou todos os bens, e também seu parente Ló e seus bens, assim como as mulheres e a tropa.

Melquisedec17Quando Abrão voltou, depois de ter derrotado Codorlaomor e os reis que estavam com ele, o rei de Sodoma foi ao seu encontro no vale de Save (que é o vale do Rei). 18Melquisedec, rei de Salém, trouxe pão e vinho; ele era sacerdote do Deus Altíssimo. 19Ele pronunciou esta bênção: “Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo que criou o céu e a terra, 20e bendito seja o Deus Altíssimo que entregou teus inimigos entre tuas mãos.” E Abrão lhe deu o dízimo de tudo. 21O rei de Sodoma disse a Abrão: “Dá-me as pessoas e toma os bens para ti.” 22Mas Abrão respondeu ao rei de Sodoma: “Levanto a mão diante do Deus Altíssimo que criou o céu e a terra: 23nem um fio, nem uma correia de sandália, nada tomarei do que te pertence, para que não digas: ‘Eu enriqueci Abrão’. 24Nada para mim. Somente o que meus servos comeram, e a parte dos homens que vieram comigo, Aner, Escol e Mambré; eles tomarão sua parte.”

15 As promessas e a aliança divinas1Depois desses acontecimentos, a palavra de Iahweh foi dirigida a Abrão, numa visão: “Não temas, Abrão! Eu sou o teu escudo, tua recompensa será muito grande.” 2Abrão respondeu: “Meu Senhor Iahweh, que me darás? Continuo sem filho…”3Abrão disse: “Eis que não me deste descendência e um dos servos de minha casa será meu herdeiro.” 4Então foi-lhe dirigida esta palavra de Iahweh: “Não será esse o teu herdeiro, mas alguém saído de teu sangue.” 5Ele o conduziu para fora e disse: “Ergue os olhos para o céu e conta as estrelas, se as podes contar”, e acrescentou: “Assim será a tua posteridade.” 6Abrão creu em Iahweh, e lhe foi tido em conta de justiça. 7Ele lhe disse: “Eu sou Iahweh que te fez sair de Ur dos caldeus, para te dar esta terra como herança.” 8 Abrão respondeu: “Meu Senhor Iahweh, como saberei que hei de possuí-la?” 9Ele lhe disse: “Procura-me uma novilha de três anos, uma cabra de três anos, um cordeiro de três anos, uma rola e um pombinho.” 10Ele lhe trouxe todos esses animais, partiu-os pelo meio e colocou cada metade em face da outra; entretanto, não partiu as aves. 11As aves de rapina desceram sobre os cadáveres, mas Abrão as expulsou. 12Quando o sol ia se pôr, um torpor caiu sobre Abrão e eis que foi tomado de grande pavor. 13Iahweh disse a Abrão: “Sabe, com certeza, que teus descendentes serão estrangeiros numa terra que não será a deles. Lá eles serão escravos, serão oprimidos durante quatrocentos anos. 14Mas eu julgarei a nação à qual serão sujeitos, e em seguida sairão com grandes bens. 15Quanto a ti, em paz, irás para os teus pais, serás sepultado numa velhice feliz. 16É na quarta geração que eles voltarão para cá, porque até lá a iniqüidade dos amorreus não terá atingido o seu cúmulo.” 17Quando o sol se pôs e estenderam-se as trevas, eis que uma fogueira fumegante e uma tocha de fogo passaram entre os animais divididos. 18Naquele dia Iahweh estabeleceu uma aliança com Abrão nestes termos: “À tua posteridade darei esta terra, do Rio do Egito até o Grande Rio, o rio Eufrates, 19os quenitas, os cenezeus, os cadmoneus, 20os heteus, os ferezeus, os rafaim, os amorreus, os cananeus, os gergeseus e os jebuseus.”

16 Nascimento de Ismael1A mulher de Abrão, Sarai, não lhe dera filho. Mas tinha uma serva egípcia, chamada Agar, 2e Sarai disse a Abrão: “Vê, eu te peço: Iahweh não permitiu que eu desse à luz. Toma, pois, a minha serva. Talvez, por ela, eu venha a ter filhos.” E Abrão ouviu a voz de Sarai. 3Assim, depois de dez anos que Abrão residia na terra de Canaã, sua mulher Sarai tomou Agar, a egípcia, sua serva, e deu-a como mulher a seu marido, Abrão. 4Este possuiu Agar, que ficou grávida. Quando ela se viu grávida, começou a olhar sua senhora com desprezo. 5Então Sarai disse a Abrão: “Tu és responsável pela injúria que me está sendo feita! Coloquei minha serva entre teus braços e, desde que ela se viu grávida, começou a olhar-me com desprezo. Que Iahweh julgue entre mim e ti!” 6Abrão disse a Sarai: “Pois bem, tua serva está em tuas mãos; faze-lhe como melhor te parecer.” Sarai a maltratou de tal modo que ela fugiu de sua presença. 7O anjo de Iahweh a encontrou perto de uma certa fonte no deserto, a fonte que está no caminho de Sur. 8E ele disse: “Agar, serva de Sarai, de onde vens e para onde vais?” Ela respondeu: “Fujo da presença de minha senhora Sarai.” 9O Anjo de Iahweh lhe disse: “Volta para a tua senhora e sê-lhe submissa.” 10O Anjo de Iahweh lhe disse: “Eu multiplicarei grandemente a tua descendência, de tal modo que não se poderá contá-la.” 11O Anjo de Iahweh lhe disse: “Estás grávida e darás à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Ismael, pois Iahweh ouviu tua aflição. 12Ele será um potro de homem, sua mão contra todos, a mão de todos contra ele; ele se estabelecerá diante de todos os seus irmãos.” 13A Iahweh, que lhe falou, Agar deu este nome: “Tu és El-Roí”, pois, disse ela, “Vejo eu ainda aqui, depois daquele que me vê?”14Foi por isso que se chamou a este poço de poço de Laai-Roí; ele se encontra entre Cades e Barad. 15Agar deu à luz um filho a Abrão, e Abrão deu ao filho que lhe dera Agar o nome de Ismael. 16Abrão tinha oitenta e seis anos quando Agar o fez pai de Ismael.

17 A aliança e a circuncisão1Quando Abrão completou noventa e nove anos, Iahweh lhe apareceu e lhe disse: “Eu sou El Shaddai, anda na minha presença e sê perfeito. 2Eu instituo minha aliança entre mim e ti, e te multiplicarei extremamente.” 3E Abrão caiu com a face por terra. Deus lhe falou assim: 4“Quanto a mim, eis a minha aliança contigo: serás pai de uma multidão de nações. 5E não mais te chamarás Abrão, mas teu nome será Abraão, pois eu te faço pai de uma multidão de nações. 6Eu te tornarei extremamente fecundo, de ti farei nações, e reis sairão de ti. 7Estabelecerei minha aliança entre mim e ti, e tua raça depois de ti, de geração em geração, uma aliança perpétua, para ser o teu Deus e o de tua raça depois de ti. 8A ti, e à tua raça depois de ti, darei a terra em que habitas, toda a terra de Canaã, em possessão perpétua, e serei o vosso Deus. 9Deus disse a Abraão: “Quanto a ti, observarás a minha aliança, tu e tua raça depois de ti, de geração em geração. 10E eis a minha aliança, que será observada entre mim e vós, isto é, tua raça depois de ti: todos os vossos machos sejam circuncidados. 11Fareis circuncidar a carne de vosso prepúcio, e este será o sinal da aliança entre mim e vós. 12Quando completarem oito dias, todos os vossos machos serão circuncidados, de geração em geração. Tanto o nascido em casa quanto o comprado por dinheiro a algum estrangeiro que não é de tua raça, 13deverá ser circuncidado o nascido em casa e o que for comprado por dinheiro. Minha aliança estará marcada na vossa carne como uma aliança perpétua. 14O incircunciso, o macho cuja carne do prepúcio não tiver sido cortada, esta vida será eliminada de sua parentela: ele violou minha aliança.” 15Deus disse a Abraão: “A tua mulher Sarai, não mais a chamarás de Sarai, mas seu nome é Sara. 16Eu a abençoarei, e dela te darei um filho; eu a abençoarei, ela se tornará nações, e dela sairão reis de povos.” 17Abraão caiu com o rosto por terra e se pôs a rir, pois dizia a si mesmo: “Acaso nascerá um filho a um homem de cem anos, e Sara que tem noventa anos dará ainda à luz?” 18Abraão disse a Deus: “Oh! Que Ismael viva diante de ti!” 19Mas Deus respondeu: “Não, mas tua mulher Sara te dará um filho: tu o chamarás Isaac; estabelecerei minha aliança com ele, como uma aliança perpétua, para ser seu Deus e o de sua raça depois dele. 20Em favor de Ismael também, eu te ouvi: eu o abençôo, o tornarei fecundo, o farei crescer extremamente; gerará doze príncipes e dele farei uma grande nação. 21Mas minha aliança eu a estabelecerei com Isaac, que Sara dará à luz no próximo ano, nesta estação.” 22Quando terminou de falar, Deus retirou-se de junto de Abraão. 23Então Abraão tomou seu filho Ismael, todos os que nasceram em sua casa, todos os que comprara com seu dinheiro, todos os machos dentre os de sua casa e circuncidou a carne de seu prepúcio, nesse mesmo dia, como Deus lhe dissera. 24Abraão tinha noventa e nove anos de idade quando foi circuncidada a carne de seu prepúcio, 25e Ismael, seu filho, tinha treze anos de idade quando foi circuncidada a carne de seu prepúcio. 26Nesse mesmo dia foram circuncidados Abraão e seu filho Ismael, 27e todos os homens de sua casa, filhos da casa ou comprados por dinheiro a um estrangeiro, foram circuncidados com ele.

18 A aparição de Mambré1Iahweh lhe apareceu no Carvalho de Mambré, quando ele estava sentado na entrada da tenda, no maior calor do dia. 2Tendo levantado os olhos, eis que viu três homens de pé, perto dele; logo que os viu, correu da entrada da tenda ao seu encontro e se prostrou por terra. 3E disse: “Meu senhor, eu te peço, se encontrei graça a teus olhos, não passes junto de teu servo sem te deteres. 4Traga-se um pouco de água e vos lavareis os pés, e vos estendereis sob a árvore. 5Trarei um pedaço de pão, e vos reconfortareis o coração antes de irdes mais longe; foi para isso que passastes junto de vosso servo!” Eles responderam: “Faze, pois, como disseste”. 6Abraão apressou-se para a tenda, junto a Sara, e disse: “Toma depressa três medidas de farinha, de flor de farinha, amassa-as e faze pães cozidos.” 7Depois correu Abraão ao rebanho e tomou um vitelo tenro e bom; deu-o ao servo que se apressou em prepará-lo. 8Tomou também coalhada, leite e o vitelo que preparara e colocou tudo diante deles; permaneceu de pé, junto deles, sob a árvore, e eles comeram. 9Eles lhe perguntaram: “Onde está Sara, tua mulher?” Ele respondeu: “Está na tenda.” 10O hóspede disse: “Voltarei a ti no próximo ano; então tua mulher Sara terá um filho”. Sara escutava, na entrada da tenda, atrás dele. 11Ora Abraão e Sara eram velhos, de idade avançada, e Sara deixara de ter o que têm as mulheres. 12Riu-se, pois, Sara no seu íntimo, dizendo: “Agora que estou velha e velho também está o meu senhor, terei ainda prazer?” 13Mas Iahweh disse a Abraão: “Por que se ri Sara, dizendo: ‘Será verdade que vou dar à luz, agora que sou velha?’ 14Acaso existe algo de tão maravilhoso para Iahweh? Na mesma estação, no próximo ano, voltarei a ti, e Sara terá um filho.” 15Sara desmentiu: “Eu não ri”. disse ela, porque tinha medo; mas ele replicou: “Sim, tu riste.”

A intercessão de Abraão16Tendo-se levantado, os homens partiram de lá e chegaram a Sodoma. Abraão caminhava com eles, para os encaminhar. 17Iahweh disse consigo: “Ocultarei a Abraão o que vou fazer, 18já que Abraão se tornará uma nação grande e poderosa e por ele serão benditas todas as nações da terra? 19Pois eu o escolhi para que ele ordene a seus filhos e à sua casa depois dele que guardem o caminho de Iahweh, realizando a justiça e o direito; deste modo Iahweh realizará para Abraão o que lhe prometeu.” 20Disse então Iahweh: “O grito contra Sodoma e Gomorra é muito grande! Seu pecado é muito grave! 21Vou descer e ver se eles fizeram ou não tudo o que indica o grito que, contra eles, subiu até mim; então ficarei sabendo.” 22Os homens partiram de lá e foram a Sodoma. Iahweh se mantinha ainda junto de Abraão. 23Este aproximou-se e disse: “Destruirás o justo com o pecador? 24Talvez haja cinqüenta justos na cidade. Destruirás e não perdoarás à cidade pelos cinqüenta justos que estão em seu seio?25Longe de ti fazeres tal coisa: fazer morrer o justo com o pecador, de modo que o justo seja tratado como o pecador! Longe de ti! Não fará justiça o juiz de toda a terra?”26Iahweh respondeu: “Se eu encontrar em Sodoma cinqüenta justos na cidade, perdoarei toda a cidade por causa deles.” 27Disse mais Abraão: “Eu me atrevo a falar ao meu Senhor, eu que sou poeira e cinza. 28Mas talvez faltem cinco aos cinqüenta justos: por causa de cinco destruirás toda a cidade?” Ele respondeu: “Não, se eu encontrar quarenta e cinco justos.” 29Abraão retomou ainda a palavra e disse: “Talvez só existam quarenta.” E ele respondeu: “Eu não o farei por causa dos quarenta.” 30Disse Abraão: “Que meu senhor não se irrite e que eu possa falar: talvez ali se encontrem trinta.” E ele respondeu: “Eu não o farei se ali encontrar trinta.” 31Ele disse: “Eu me atrevo a falar a meu Senhor: talvez se encontrem vinte.” E ele respondeu: “Não destruirei por causa dos vinte.” 32Ele disse: “Que meu Senhor não se irrite e falarei uma última vez: talvez se encontrem dez.” E ele respondeu: “Não destruirei, por causa dos dez.” 33Iahweh, tendo acabado de falar com Abraão, foi-se e Abraão voltou para o seu lugar.  19 A destruição de Sodoma1Ao anoitecer, quando os dois Anjos chegaram a Sodoma, Ló estava sentado à porta da cidade. Logo que os viu, Ló se levantou ao seu encontro e prostrou-se com a face por terra. E disse: “Eu vos peço, meus senhores! Descei à casa de vosso servo para aí passardes a noite e lavar-vos os pés; de manhã retomareis vosso caminho.” Mas eles responderam: “Não, nós passaremos a noite na praça.” Tanto os instou que foram para sua casa e entraram. Preparou-lhes uma refeição, fez cozer pães ázimos, e eles comeram. Eles não tinham ainda deitado quando a casa foi cercada pelos homens da cidade, os homens de Sodoma, desde os jovens até os velhos, todo o povo sem exceção. 5Chamaram Ló e lhe disseram: “Onde estão os homens que vieram para tua casa esta noite? Traze-os para que deles abusemos.” Ló saiu à porta e, fechando-a atrás de si, 7disse-lhes: “Suplico-vos, meus irmãos, não façais o mal! 8Ouvi: tenho duas filhas que ainda são virgens; eu vo-las trarei: fazei-lhes o que bem vos parecer, mas a estes homens nada façais, porque entraram sob a sombra de meu teto.” 9Mas eles responderam: “Retira-te daí! Um que veio como estrangeiro agora quer ser juiz! Pois bem, nós te faremos mais mal que a eles!” Arremessaram-se contra ele, Ló, e chegaram para arrombar a porta. 10Os homens, porém, estendendo o braço, fizeram Ló entrar para junto deles, na casa, e fecharam a porta. 11Quanto aos homens que estavam na entrada da casa, eles os feriram de cegueira, do menor até o maior, de modo que não conseguiam encontrar a entrada. 12Os homens disseram a Ló: “Ainda tens alguém aqui? Teus filhos,tuas filhas, todos os teus que estão na cidade, faze-os sair deste lugar. 13Porque vamos destruir este lugar, pois é grande o grito que se ergueu contra eles diante de Iahweh, e Iahweh nos enviou para exterminá-los.” 14Ló foi falar com seus futuros genros, que estavam para casar com suas filhas: “Levantai-vos,” disse ele, “deixai este lugar, porque Iahweh vai destruir a cidade.” Mas seus futuros genros acharam que ele gracejava. 15Raiando a aurora, os Anjos insistiram com Ló, dizendo: “Levanta-te! Toma tua mulher e tuas duas filhas que aqui se encontram, para que não pereças no castigo da cidade.” 16E como ele hesitasse, os homens o tomaram pela mão, bem como sua mulher e suas duas filhas, pela piedade que Iahweh tinha dele. Eles o fizeram sair e o deixaram fora da cidade. 17Enquanto o levavam para fora, ele disse: “Salva-te, pela tua vida! Não olhes para trás de ti nem te detenhas em nenhum lugar da Planície; foge para a montanha, para não pereceres!” 18Ló lhe respondeu: “Não, meu Senhor, eu te peço! 19Teu servo encontrou graça a teus olhos e mostraste uma grande misericórdia a meu respeito, salvando-me a vida. Mas eu não posso me salvar na montanha, sem que me atinja a desgraça e eu venha a morrer. 20Lá está aquela cidade, bastante próxima, para a qual posso fugir; ela é pouca coisa. Permite que eu fuja para lá (porventura ela não é pouca coisa?), e nela viverei!” 21Ele lhe respondeu: “Faço-te ainda esta graça: não destruirei a cidade de que falas. 22Depressa, refugia-te lá, porque nada posso fazer enquanto não tiveres chegado lá.” É por isso que se deu a essa cidade o nome de Segor. 23Quando o sol se erguia sobre a terra e Ló entrou em Segor, 24Iahweh fez chover, sobre Sodoma e Gomorra, enxofre e fogo vindos de Iahweh, 25e destruiu essas cidades e toda a Planície, com todos os habitantes da cidade e a vegetação do solo. 26Ora, a mulher de Ló olhou para trás e converteu-se numa estátua de sal. 27Levantando de madrugada, Abraão foi ao lugar onde estivera na presença de Iahweh 28e olhou para Sodoma, para Gomorra e para toda a Planície, e eis que viu a fumaça subir da terra, como a fumaça de uma fornalha! 29Assim, quando Deus destruiu as cidades da Planície, ele se lembrou de Abraão e retirou Ló do meio da catástrofe, na destruição das cidades em que Ló habitava.

Origem dos moabitas e dos amonitas30Ló subiu de Segor e se estabeleceu na montanha com suas duas filhas, porque não ousava continuar em Segor. Ele se instalou numa caverna, ele e suas duas filhas. 31A mais velha disse à mais nova: “Nosso pai é idoso e não há homem na terra que venha unir-se a nós, segundo o costume de todo o mundo. 32Vem, façamos nosso pai beber vinho e deitemo-nos com ele; assim suscitaremos uma descendência de nosso pai.” 33Elas fizeram seu pai beber vinho, naquela noite, e a mais velha veio deitar-se junto de seu pai, que não percebeu nem quando ela se deitou, nem quando se levantou. 34No dia seguinte, a mais velha disse à mais nova: “Na noite passada eu dormi com meu pai; façamo-lo beber vinho também nesta noite e vai deitar-te com ele; assim suscitaremos uma descendência de nosso pai.” 35Elas fizeram seu pai beber vinho também naquela noite, e a menor deitou-se junto dele, que não percebeu nem quando ela se deitou, nem quando se levantou. 36As duas filhas de Ló ficaram grávidas de seu pai. 37A mais velha deu à luz um filho e o chamou Moab; é o pai dos moabitas de hoje. 38A mais nova deu também à luz um filho e o chamou Ben-Ami; é o pai dos Benê-Amon de hoje.

20 Abraão em Gerara1Abraão partiu dali para a terra do Negueb e habitou entre Cades e Sur. Ele foi morar em Gerara. 2Abraão disse de sua mulher Sara: “É minha irmã,” e Abimelec, rei de Gerara, mandou buscar Sara. 3Mas Deus visitou Abimelec em sonho durante a noite, e lhe disse: “Vais morrer por causa da mulher que tomaste, pois ela é uma mulher casada.” 4Abimelec, que ainda não tinha se aproximado dela, disse: “Meu Senhor, vais matar alguém inocente? 5Acaso não foi ele que me disse: ‘É minha irmã,’ e ela, ela mesma, não disse: ‘É meu irmão’? Foi com boa consciência e mãos puras que fiz isso!” 6Deus lhe respondeu no sonho: “Também eu sei que fizeste isso em boa consciência, e fui eu quem te impediu de pecar contra mim, não permitindo que a tocasses. 7Agora, devolve a mulher desse homem: ele é profeta e intercederá por ti, para que vivas. Mas se não a devolveres, saibas que certamente morrerás, com todos os teus.” 8Abimelec levantou-se cedo e chamou todos os seus servos. Narrou-lhes tudo isso e os homens tiveram grande temor. 9Em seguida Abimelec chamou Abraão e lhe disse: “Que nos fizeste? Que ofensa cometi contra ti para que atraias tão grande culpa sobre mim e sobre meu reino? Tu me fizeste como não se deve fazer.” 10E Abimelec disse a Abraão: “Quem te pediu para agir assim?” 11Abraão respondeu: “Eu disse para comigo: Certamente não haverá nenhum temor de Deus neste lugar, e me matarão por causa de minha mulher. 12Além disso, ela é realmente minha irmã, filha de meu pai, mas não filha de minha mãe, e tornou-se minha mulher. 13Então, quando Deus me fez andar errante longe de minha família, eu disse a ela: Eis o favor que me farás: em todo lugar em que estivermos, dirás a meu respeito que eu sou teu irmão.” 14Abimelec tomou ovelhas e bois, servos e servas e os deu a Abraão, e lhe devolveu sua mulher Sara. 15Disse ainda Abimelec: “Eis que a minha terra está aberta diante de ti. Estabelece-te onde bem quiseres.” 16A Sara, ele disse: “Eis aqui mil siclos de prata que dou a teu irmão. Isto será para ti um como véu lançado sobre os olhos de todos os que estão contigo, e estás justificada de tudo isso.” 17Abraão intercedeu junto de Deus e Deus curou Abimelec, sua mulher e seus servos, a fim de que pudessem ter filhos. 18Pois Iahweh tornara estéril o seio de todas as mulheres na casa de Abimelec, por causa de Sara, a mulher de Abraão.

21 Nascimento de Isaac1Iahweh visitou Sara, como dissera, e fez por ela como prometera. 2Sara concebeu e deu à luz um filho a Abraão já velho, no tempo que Deus tinha marcado. 3Ao filho que lhe nasceu, gerado por Sara, Abraão deu o nome de Isaac. 4Abraão circuncidou seu filho Isaac, quando ele completou oito dias, como Deus lhe ordenara. 5 Abraão tinha cem anos quando lhe nasceu seu filho Isaac. 6E disse Sara: “Deus me deu motivo de riso, todos os que o souberem rirão comigo.” 7Ela disse também: “Quem teria dito a Abraão que Sara amamentaria filhos! Pois lhe dei um filho na sua velhice.”

Expulsão de Agar e Ismael8A criança cresceu e foi desmamada, e Abraão deu uma grande festa no dia em que Isaac foi desmamado. 9Ora, Sara percebeu que o filho nascido a Abraão da egípcia Agar, brincava” com seu filho Isaac, 10e disse a Abraão: “Expulsa esta serva e seu filho, para que o filho desta serva não seja herdeiro com meu filho Isaac.” 11Esta palavra, acerca de seu filho, desagradou muito a Abraão, 12mas Deus lhe disse: “Não te lastimes por causa da criança e de tua serva: tudo o que Sara te pedir, concede-o, porque é por Isaac que uma descendência perpetuará o teu nome, 13mas do filho da serva eu farei também uma grande nação, pois ele é de tua raça.” 14Abraão levantou-se cedo, tomou pão e um odre de água que deu a Agar; colocou-lhe a criança sobre os ombros e depois a mandou embora. Ela saiu andando errante no deserto de Bersabéia. 15Quando acabou a água do odre, ela colocou a criança debaixo de um arbusto 16e foi sentar-se defronte, à distância de um tiro de arco. Dizia consigo mesma: “Não quero ver morrer a criança!” Sentou-se defronte e se pôs a gritar e chorar. 17Deus ouviu os gritos da criança e o Anjo de Deus, do céu, chamou Agar, dizendo: “Que tens, Agar? Não temas, pois Deus ouviu  os gritos da criança, do lugar onde ele está. 18Ergue-te! Levanta a criança, segura-a firmemente, porque eu farei dela uma grande nação.” 19Deus abriu os olhos de Agar e ela enxergou um poço. Foi encher o odre e deu de beber ao menino. 20Deus esteve com ele; ele cresceu e residiu no deserto, e tornou-se um flecheiro. 21Ele morou no deserto de Farã e sua mãe lhe escolheu uma mulher da terra do Egito.

Abraão e Abimelec em Bersabéia22Naquele tempo, Abimelec veio, com Ficol, o chefe de seu exército, dizer a Abraão: “Deus está contigo em tudo o que fazes. 23Agora pois, jura-me aqui, por Deus, que não me enganarás, nem a minha linhagem e parentela, e que terás para comigo é para com esta terra em que vieste como hóspede a mesma amizade que tive por ti.” 24Abraão respondeu: “Sim, eu o juro!” 25Abraão repreendeu a Abimelec a respeito do poço que os servos de Abimelec tinham usurpado. 26E Abimelec respondeu: “Eu não sei quem pôde fazer isso: tu jamais me informaste a respeito, e somente hoje ouço falar disso.” 27Abraão tomou ovelhas e bois e os deu a Abimelec, e ambos concluíram uma aliança. 28Abraão pôs à parte sete ovelhas do rebanho, 29e Abimelec lhe perguntou: “A que servem essas sete ovelhas que puseste à parte?” 30Ele respondeu: “É para que aceites de minha mão essas sete ovelhas, a fim de que sejam um testemunho de que eu cavei este poço.” 31Por isso se chamou este lugar Bersabéia, porque ali ambos fizeram juramento. 32Depois que concluíram aliança em Bersabéia, Abimelec levantou-se, com Ficol, o chefe de seu exército, e retornaram à terra dos filisteus. 33Abraão plantou uma tamargueira em Bersabéia, e aí invocou o nome de Iahweh, Deus de Eternidade. 34Abraão residiu por muito tempo na terra dos filisteus.

22 O sacrifício de Abraão1Depois desses acontecimentos, sucedeu que Deus pôs Abraão à prova e lhe disse: “Abraão! Abraão!” Ele respondeu: “Eis-me aqui!” 2Deus disse: “Toma teu filho, teu único, que amas, Isaac, e vai à terra de Moriá, e lá o oferecerás em holocausto sobre uma montanha que eu te indicarei.” 3Abraão se levantou cedo, selou seu jumento e tomou consigo dois de seus servos e seu filho Isaac. Ele rachou a lenha do holocausto e se pôs a caminho para o lugar que Deus havia indicado. 4No terceiro dia, Abraão, levantando os olhos, viu de longe o lugar. 5Abraão disse a seus servos: “Permanecei aqui com o jumento. Eu e o menino iremos até lá, adoraremos e voltaremos a vós.” 6Abraão tomou a lenha do holocausto e a colocou sobre seu filho Isaac, tendo ele mesmo tomado nas mãos o fogo e o cutelo, e foram-se os dois juntos. 7Isaac dirigiu-se a seu pai Abraão e disse: “Meu pai!” Ele respondeu: “Sim, meu filho!” — “Eis o fogo e a lenha,” retomou ele, “mas onde está o cordeiro para o holocausto?” 8Abraão respondeu: “É Deus quem proverá o cordeiro para o holocausto, meu filho”, e foram-se os dois juntos. 9Quando chegaram ao lugar que Deus lhe indicara, Abraão construiu o altar, dispôs a lenha, depois amarrou seu filho e o colocou sobre o altar, em cima da lenha. 10Abraão estendeu a mão e apanhou o cutelo para imolar seu filho. 11Mas o anjo de Iahweh o chamou do céu e disse: “Abraão! Abraão!” Ele respondeu: “Eis-me aqui!” 12O Anjo disse: “Não estendas a mão contra o menino! Não lhe faças nenhum mal! Agora sei que temes a Deus: tu não me recusaste teu filho, teu único.” 13Abraão ergueu os olhos e viu um cordeiro, preso pelos chifres num arbusto; Abraão foi pegar o cordeiro e o ofereceu em holocausto no lugar de seu filho. 14A este lugar Abraão deu o nome de “Iahweh proverá”, de sorte que se diz hoje: “Sobre a montanha, Iahweh proverá.” 15O Anjo de Iahweh chamou uma segunda vez a Abraão, do céu, 16dizendo: “Juro por mim mesmo, palavra de Iahweh: porque me fizeste isso, porque não me recusaste teu filho, teu único, 17eu te cumularei de bênçãos, eu te darei uma posteridade tão numerosa quanto as estrelas do céu e quanto a areia que está na praia do mar, e tua posteridade conquistará a porta de seus inimigos. 18Por tua posteridade serão abençoadas todas as nações da terra, porque tu me obedeceste.” 19Abraão voltou aos seus servos e juntos puseram-se a caminho para Bersabéia. Abraão residiu em Bersabéia.

A descendência de Nacor20Depois desses acontecimentos anunciou-se a Abraão que Melca também dera filhos a seu irmão Nacor: 21seu primogênito Hus, Buz, seu irmão, Camuel, pai de Aram, 22Cased, Azau, Feldas, Jedlad, Batuel 23(e Batuel gerou Rebeca). São os oito filhos que Melca deu a Nacor, o irmão de Abraão. 24Ele tinha uma concubina, chamada Roma, que também teve filhos: Tabé-Gaam, Taás e Maaca.

23 O túmulo dos Patriarcas1A duração da vida de Sara foi de cento e vinte e sete anos, 2e ela morreu em Cariat Arbe (que é Hebron), na terra de Canaã. Abraão veio cumprir o luto por Sara e chorá-la. 3Depois Abraão levantou-se diante de seu morto e falou assim aos filhos de Het: 4“No meio de vós sou um estrangeiro e um residente. Concedei-me uma posse funerária, entre vós, para que leve meu morto e o enterre.” 5Os filhos de Het deram esta resposta a Abraão: 6“Meu senhor, ouve-nos! Tu és um príncipe de Deus entre nós; enterra teu morto na melhor de nossas sepulturas; ninguém te recusará sua sepultura a fim de que possas enterrar teu morto.” 7Abraão levantou-se e se inclinou diante dos homens da terra, os filhos de Het, 8e assim lhes falou: “Se consentis que eu leve meu morto e o enterre, ouvi-me e intercedei por mim junto a Efron, filho de Seor, 9a fim de que ele me ceda a gruta de Macpela, que lhe pertence e que está na extremidade de seu campo. Que ele ma dê por seu pleno valor, na vossa presença, como posse funerária.” 10Ora, Efron estava sentado entre os filhos de Het, e Efron, o heteu, respondeu a Abraão, ouvindo-o os filhos de Het e todos os que entravam pela porta de sua cidade: 11“Não, meu senhor, ouve-me! Eu te dou o campo e te dou também a gruta que nele está, faço-te este dom na presença dos filhos de meu povo. Enterra teu morto.” 12Abraão se inclinou diante dos homens da terra 13e assim falou a Efron, diante dos homens da terra: “Se concordas, ouve-me, eu te peço! Darei o preço do campo, aceita-o de mim, e lá enterrarei meu morto.” 14Efron respondeu a Abraão: 15“Meu senhor, ouve-me; uma terra de quatrocentos siclos de prata, o que é isso entre mim e ti? Enterra teu morto.” 16Abraão deu seu consentimento a Efron. Abraão pesou para Efron o dinheiro de que falara, diante dos filhos de Het: quatrocentos siclos de prata corrente entre os mercadores. 17Assim o campo de Efron, que está em Macpela, defronte de Mambré, o campo e a gruta que ali está, e todas as árvores que estão no campo, em seu limite, 18passaram a ser propriedade de Abraão, diante dos filhos de Het, de todos os que entravam pela porta de sua cidade. 19Em seguida Abraão enterrou Sara na gruta do campo de Macpela, defronte de Mambré (que é Hebron), na terra de Canaã. 20Foi assim que o campo e a gruta que ali está foram adquiridos por Abraão dos filhos de Het, como posse funerária.

A Casamento de Isaac1Abraão era então um velho avançado em dias, e Iahweh em tudo havia abençoado a Abraão. 2Abraão disse ao servo mais velho de sua casa, que governava todos os seus bens: “Põe tua mão debaixo de minha coxa. 3Eu te faço jurar por Iahweh, o Deus do céu e o Deus da terra, que não tomarás para meu filho uma mulher entre as filhas dos cananeus, no meio dos quais eu habito. 4Mas irás à minha terra, à minha parentela, e escolherás uma mulher para meu filho Isaac.”5Perguntou-lhe o servo: “Talvez a mulher não queira me seguir aqui nesta terra; será preciso que eu conduza teu filho para a terra de onde saíste?” 6 Abraão lhe respondeu: “Em nenhum caso leva meu filho para lá. 7Iahweh, o Deus do céu e o Deus da terra, que me tomou de minha terra paterna e da terra de minha parentela, que me disse e que jurou que daria esta terra à minha descendência, Iahweh enviará seu anjo diante de ti, para que tomes lá uma mulher para meu filho. 8Se a mulher não quiser te seguir, ficarás desobrigado do juramento que te imponho. Em todo caso, não conduzas meu filho para lá.” 9O servo pôs a mão sob a coxa de seu senhor Abraão e jurou assim proceder. 10O servo tomou dez camelos de seu senhor e, levando consigo de tudo o que seu senhor tinha de bom, pôs-se a caminho para Aram Naaraim, para a cidade de Nacor. 11Ele fez ajoelhar os camelos fora da cidade, perto do poço, à tarde, na hora em que as mulheres saem para tirar água. 12E disse: “Iahweh, Deus de meu senhor Abraão, sê-me hoje propício e mostra tua benevolência para com meu senhor Abraão! 13Eis que estou junto à fonte e as filhas dos homens da cidade saem para tirar água. 14A jovem a quem eu disser: ‘Inclina o teu cântaro para que eu beba’ e que responder: ‘Bebe, e também a teus camelos darei de beber,’ esta será a que designaste para teu servo Isaac, e assim saberei que mostraste benevolência para com meu senhor.” 15Não havia ele acabado de falar, eis que saiu Rebeca, filha de Batuel, filho de Melca, a mulher de Nacor, irmão de Abraão, trazendo seu cântaro sobre o ombro. 16A jovem era muito bela; era virgem, nenhum homem dela se aproximara. Ela desceu à fonte, encheu seu cântaro e subiu. 17O servo correu para diante dela e disse: “Por favor, deixa-me beber um pouco da água de teu cântaro.” 18Ela respondeu: “Bebe, meu senhor”, e abaixou depressa seu cântaro sobre o braço e o fez beber. 19Quando acabou de lhe dar de beber, ela disse: “Vou dar de beber também a teus camelos, até que fiquem saciados.” 20Apressou-se em esvaziar seu cântaro no bebedouro, correu ao poço para tirar água e tirou-a para todos os camelos. 21O homem a observava em silêncio, perguntando-se se Iahweh tinha ou não levado a bom termo sua missão. 22Quando os camelos acabaram de beber, o homem tomou um anel de ouro pesando meio siclo, que pôs em sua narinas, e, em seus braços, dois braceletes pesando dez siclos de ouro, 23e disse: “De quem és filha? Peço-te que mo digas. Haverá lugar na casa de teu pai para que passemos a noite?” 24Ela respondeu: “Eu sou filha de Batuel, o filho que Melca gerou a Nacor,” 25e prosseguiu: “Em nossa casa há palha e forragem em quantidade, e lugar para pernoitar.” 26Então o homem se prostrou e adorou a Iahweh, 27e disse: “Bendito seja Iahweh, Deus de meu senhor Abraão, que não retirou sua benevolência e sua bondade a meu senhor. Iahweh guiou meus passos à casa do irmão de meu senhor!” 28A jovem correu para anunciar aos da casa de sua mãe o que acontecera. 29Ora, Rebeca tinha um irmão que se chamava Labão, e Labão correu para o homem, na fonte. 30Pois quando viu o anel e os braceletes que trazia sua irmã, e quando ouviu sua irmã Rebeca dizer: “Eis como este homem me falou”, ele foi ao encontro do homem e o achou ainda de pé junto aos camelos, na fonte. 31Ele lhe disse: “Vem, bendito de Iahweh! Por que permaneces de fora, quando já preparei a casa e lugar para os camelos?” 32O homem veio à casa e Labão descarregou os camelos, deu palha e forragem aos camelos e, a ele e aos homens que o acompanhavam, água para lavarem os pés. 33Quando lhe ofereceram comida, ele disse: “Não comerei antes de ter dito o que tenho a dizer.” E Labão respondeu: “Fala.” 34Ele disse: “Eu sou servo de Abraão. 35Iahweh cumulou meu senhor de bênçãos e ele tornou-se muito rico: deu-lhe ovelhas e bois, prata e ouro, servos, servas, camelos e jumentos. 36Sara, a mulher de meu senhor, quando ele já era velho, gerou-lhe um filho, ao qual ele transmitiu todos os seus bens. 37Meu senhor me fez prestar este juramento: ‘Não tomarás para meu filho uma mulher entre as filhas dos cananeus, em cuja terra habito. 38Infeliz de ti se não fores à minha casa paterna, à minha família, escolher uma mulher para meu filho!’ 39Eu disse a meu senhor: ‘Talvez essa mulher não queira me seguir,’ 40e ele me respondeu: ‘Iahweh, na presença de quem eu ando, enviará seu Anjo contigo, ele te dará êxito, e tomarás para meu filho uma mulher de minha família, de minha casa paterna. 41Então ficarás desobrigado da minha maldição: irás à minha família e, se eles te recusarem, estarás livre de minha maldição.’ 42Hoje cheguei à fonte e disse: ‘Iahweh, Deus de meu senhor Abraão, mostra, eu te peço, se estás disposto a levar a bom termo o caminho que percorri: 43eis-me aqui junto à fonte; a jovem que sair para tirar água, a quem eu disser: Por favor, dá-me de beber um pouco da água de teu cântaro, 44e que me responder: Bebe, e tirarei água também para teus camelos, será a mulher que Iahweh destinou ao filho de meu senhor.’ 45Eu não acabara de falar comigo mesmo e eis que saiu Rebeca com seu cântaro sobre o ombro. Ela desceu à fonte e tirou água. Eu lhe disse: ‘Dá-me de beber, por favor!’ 46Ela logo abaixou seu cântaro e disse: ‘Bebe; darei de beber também a teus camelos.’ Eu bebi e ela deu de beber também a meus camelos. 47Eu lhe perguntei: ‘De quem és filha?,’ e ela respondeu: ‘Eu sou a filha de Batuel, o filho que Melca deu a Nacor.’ Então eu coloquei este anel em suas narinas e estes braceletes em seus braços, 48prosternei-me, adorei a Iahweh, bendisse a Iahweh, Deus de meu senhor Abraão, que me conduziu por um caminho de bondade, a fim de tomar para seu filho a filha do irmão de meu senhor.49Agora, se estais dispostos a mostrar benevolência e bondade a meu senhor, declarai-mo; se não, declarai-mo, para que eu vá para a direita ou para a esquerda.” 50Labão e Batuel tomaram a palavra e disseram: “Isto procede de Iahweh, não te podemos dizer nem sim e nem não. 51Eis Rebeca na tua presença; toma-a e parte, que ela seja a mulher do filho de teu senhor, como disse Iahweh.” 52Quando o servo de Abraão ouviu essas palavras, prostrou-se por terra diante de Iahweh. 53Tirou jóias de prata e de ouro, e vestidos, e os deu a Rebeca; fez também ricos presentes a seu irmão e sua mãe. 54Comeram e beberam, ele e os homens que o acompanhavam, e passaram a noite. De manhã, quando se levantaram, ele disse: “Deixai-me ir para o meu senhor.” 55Então o irmão e a mãe de Rebeca disseram: “Que a jovem fique ainda dez dias conosco, em seguida ela partirá.” 56Mas ele lhes respondeu: “Não me detenhais, pois foi Iahweh quem me deu êxito; deixai-me partir, a fim de que eu vá para o meu senhor.” 57Eles disseram: “Chamemos a jovem e peçamos-lhe seu parecer.” 58Eles chamaram Rebeca e lhe disseram: “Queres partir com este homem?” E ela respondeu: “Quero.” 59Então eles deixaram partir sua irmã Rebeca, com sua ama, o servo de Abraão e seus homens. 60Eles abençoaram Rebeca e lhe disseram: “Tu és nossa irmã: sê tu milhares de miríades! Que tua posteridade conquiste a porta de seus inimigos!” 61Rebeca e suas servas se levantaram, montaram sobre os camelos e seguiram o homem. O servo tomou Rebeca e partiu. 62Isaac voltara do poço de Laai-Roí, e habitava na terra do Negueb. 63Ora, Isaac saiu para passear no campo, ao pôr-do-sol, e, erguendo os olhos, viu que chegavam camelos. 64E Rebeca, erguendo os olhos, viu Isaac. Ela apeou do camelo 65e disse ao servo: “Quem é aquele homem, no campo, que vem ao nosso encontro?” O servo respondeu: “É meu senhor.” Então ela tomou seu véu e se cobriu. 66O servo contou a Isaac todas as coisas que havia feito. 67E Isaac introduziu Rebeca em sua tenda: ele a tomou e ela se tornou sua mulher e ele a amou. E Isaac se consolou da morte de sua mãe.

25 A descendência de Cetura1Abraão tomou ainda uma mulher, que se chamava Cetura. 2Ela lhe gerou Zamrã, Jecsã, Madã, Madiã, Jesboc e Sué — 3Jecsã gerou Sabá e Dadã, e os filhos de Dadã foram os assurim, os latusim e os loomim. — 4Filhos de Madiã: Efa, Ofer, Henoc, Abida, Eldaá. Todos esses são filhos de Cetura. 5Abraão deu todos os seus bens a Isaac. 6Quanto aos filhos de suas concubinas, Abraão lhes deu presentes e os enviou, ainda em vida, para longe de seu filho Isaac, para o leste, para a terra do Oriente.

Morte de Abraão7Eis a duração da vida de Abraão: cento e setenta e cinco anos. 8Depois Abraão expirou; morreu numa velhice feliz, idoso, e foi reunido à sua parentela. 9Isaac e Ismael, seus filhos, enterraram-no na gruta de Macpela, no campo de Efron, filho de Seor, o heteu, que está defronte de Mambré. 10É o campo que Abraão comprara dos filhos de Het; nele foram enterrados Abraão e sua mulher Sara. 11Depois da morte de Abraão, Deus abençoou seu filho Isaac, e Isaac habitou junto ao poço de Laai-Roí.

A descendência de Ismael12Eis a descendência de Ismael, o filho de Abraão, que lhe gerou Agar, a serva egípcia de Sara. 13Eis os nomes dos filhos de Ismael, segundo seus nomes e sua linhagem: o primogênito de Ismael, Nabaiot, depois Cedar, Adbeel, Mabsam, 14Masma, Duma, Massa, 15Hadad, Tema, Jetur, Nafis e Cedma. 16Esses são os filhos de Ismael e esses são os seus nomes por aduares e acampamentos: doze chefes de clãs. 17Eis a duração da vida de Ismael: cento e trinta e sete anos. Depois ele expirou; morreu e foi reunido à sua parentela. 18Ele habitou desde Hévila até Sur, que está a leste do Egito, na direção da Assíria. Ele se estabeleceu defronte de todos os seus irmãos.

III. História de Isaac e de Jacó

Nascimento de Esaú e Jacó19Eis a história de Isaac, filho de Abraão. Abraão gerou Isaac. 20Isaac tinha quarenta anos quando se casou com Rebeca, filha de Batuel, o arameu de Padã-Aram, e irmã de Labão, o arameu.21Isaac implorou a Iahweh por sua mulher, porque ela era estéril: Iahweh o ouviu e sua mulher Rebeca ficou grávida. 22Ora, as crianças lutavam dentro dela e ela disse: “Se é assim, para que viver?” Foi então consultar a Iahweh, 23e Iahweh lhe disse: “Há duas nações em teu seio, dois povos saídos de ti, se separarão, um povo dominará um povo, o mais velho servirá ao mais novo.” 24Quando chegou o tempo de dar à luz, eis que ela trazia gêmeos. 25Saiu o primeiro: era ruivo e peludo como um manto de pêlos; foi chamado de Esaú. 26Em seguida saiu seu irmão, e sua mão segurava o calcanhar de Esaú; foi chamado de Jacó. Isaac tinha sessenta anos quando eles nasceram. 27Os meninos cresceram: Esaú tornou-se um hábil caçador, correndo a estepe; Jacó era um homem tranqüilo, morando sob tendas. 28Isaac preferia Esaú, porque apreciava a caça, mas Rebeca preferia Jacó.

Esaú cede seu direito de primogenitura29Certa vez, Jacó preparou um cozido e Esaú voltou do campo, esgotado. 30Esaú disse a Jacó: “Deixa-me comer dessa coisa ruiva, pois estou esgotado.” — É por isso que ele foi chamado de Edom. — 31Jacó disse: “Vende-me primeiro teu direito de primogenitura.” 32Esaú respondeu: “Eis que eu vou morrer, de que me servirá o direito de primogenitura?” 33Jacó retomou: “Jura-me primeiro.” Ele lhe jurou e vendeu seu direito de primogenitura a Jacó. 34Então Jacó lhe deu pão e o cozido de lentilhas; ele comeu e bebeu, levantou-se e partiu. Assim desprezou Esaú o direito de primogenitura.

26 Isaac em Gerara1Houve uma fome na terra — além da primeira fome que teve lugar no tempo de Abraão — e Isaac foi a Gerara, junto a Abimelec, rei dos filisteus. 2Iahweh lhe apareceu e disse: “Não desças ao Egito; fica na terra que eu te disser. 3Habita nesta terra, eu estarei contigo e te abençoarei. Porque é a ti e à tua raça que eu darei todas estas terras e manterei o juramento que fiz a teu pai Abraão. 4Eu farei a tua posteridade numerosa como as estrelas do céu, eu lhe darei todas estas terras, e por tua posteridade serão abençoadas todas as nações da terra, 5porque Abraão me obedeceu, guardou meus preceitos, meus mandamentos, minhas regras e minhas leis.” 6Isaac, pois, ficou em Gerara. 7Os homens do lugar interrogaram-no sobre sua mulher e ele respondeu: “É minha irmã.” Ele teve medo de dizer: “Minha mulher,” pensando: “Os homens do lugar me matarão por causa de Rebeca, pois ela é bonita”. 8Ele estava lá há muito tempo quando Abimelec, rei dos filisteus, olhando uma vez pela janela, viu que Isaac acariciava Rebeca, sua mulher. 9Abimelec chamou Isaac e disse: “É evidente que é tua mulher! Como pudeste dizer: ‘É minha irmã’?” Isaac lhe respondeu: “Pensei comigo: corro o risco de morrer por causa dela.” 10Retomou Abimelec: “Que nos fizeste? Por pouco alguém do povo dormia com tua mulher e tu nos atrairias uma falta!” 11Então Abimelec deu esta ordem a todo o povo: “Quem tocar neste homem e na sua mulher, morrerá.” 12Isaac semeou naquela terra e, naquele ano, colheu o cêntuplo. Iahweh o abençoou 13e o homem se enriqueceu, enriqueceu-se cada vez mais, até tornar-se extremamente rico. 14Ele tinha rebanhos de bois e ovelhas e numerosos servos. Por causa disso os filisteus ficaram invejosos.

Os poços entre Gerara e Bersabéia15Todos os poços que os servos de seu pai haviam cavado, — do tempo de seu pai Abraão, — os filisteus os haviam entulhado e coberto de terra. 16Abimelec disse a Isaac: “Vai-te daqui, pois te tornaste muito mais poderoso do que nós.” 17Isaac partiu, pois, de lá e acampou no vale de Gerara, onde se estabeleceu. 18Isaac cavou de novo os poços que tinham cavado os servos de seu pai Abraão e que os filisteus tinham entulhado depois da morte de Abraão, e lhes deu os mesmos nomes que seu pai lhes dera. 19Os servos de Isaac cavaram no vale e encontraram lá um poço de águas vivas. 20Mas os pastores de Gerara entraram em disputa com os pastores de Isaac, dizendo: “A água é nossa!” Isaac chamou a este poço de Esec, pois querelaram por causa dele. 21Cavaram outro poço e houve ainda uma disputa a seu respeito; ele o chamou de Sitna. 22Então partiu de lá e cavou outro poço; e como por esse não disputaram, chamou-o de Reobot e disse: “Agora Iahweh nos deu o campo livre para que prosperemos na terra.” 23De lá ele subiu a Bersabéia. 24Iahweh lhe apareceu naquela noite e disse: “Eu sou o Deus de teu pai Abraão. Nada temas, pois estou contigo. Eu te abençoarei, multiplicarei tua posteridade em consideração a meu servo Abraão.” 25Ali ele construiu um altar e invocou o nome de Iahweh. Ali ele armou sua tenda. Os servos de Isaac cavaram um poço.

Aliança com Abimelec26Veio vê-lo Abimelec de Gerara, com Ocozat, seu conselheiro, e Ficol, o chefe de seu exército. 27Isaac lhes disse: “Por que vindes a mim, já que me odiais e me expulsastes do vosso meio?” 28Eles responderam: “Vimos com clareza que Iahweh estava contigo e dissemos: Que haja um juramento entre nós e ti e concluamos uma aliança contigo: 29jura que não nos farás nenhum mal, como também nós não te molestamos e te deixamos partir em paz. Agora, és um abençoado de Iahweh.” 30Ele lhes preparou uma festa, e comeram e beberam. 31Levantando-se de madrugada, fizeram um juramento mútuo. Depois Isaac os despediu e eles o deixaram em paz. 32Ora, foi naquele dia que os servos de Isaac lhe trouxeram notícias do poço que cavaram, dizendo: “Encontramos água!” 33Chamou ao poço Seba, donde o nome da cidade Bersabéia, até hoje.

As mulheres hetéias de Esaú34Quando Esaú completou quarenta anos, tomou como mulheres Judite, filha de Beeri, o heteu, e Basemat, filha de Elon, o heteu. 35Elas se tornaram uma amargura para Isaac e Rebeca.

27 Jacó intercepta a bênção de Isaac1Isaac tornou-se velho e seus olhos se enfraqueceram a ponto de não mais enxergar. Ele chamou seu filho mais velho, Esaú: “Meu filho!”, disse-lhe, e este respondeu: “Sim!” 2Ele retomou: “Vês, estou velho e não conheço o dia de minha morte. 3Agora, toma tuas armas, tua aljava e teu arco, sai ao campo e apanha-me uma caça. 4Faze-me um bom prato, como eu gosto e traze-mo, a fim de que eu coma e minha alma te abençoe antes que eu morra.” — 5Ora, Rebeca ouvia enquanto Isaac falava com seu filho Esaú. — Esaú foi, pois, ao campo apanhar uma caça para seu pai. 6Rebeca disse a seu filho Jacó: “Ouvi teu pai dizer a teu irmão Esaú: 7‘Traze-me uma caça e faze-me um bom prato, eu comerei e te abençoarei diante de Iahweh antes de morrer.’ 8Agora, ouve-me e faze como te ordeno. 9Vai ao rebanho e traze-me de lá dois belos cabritos, e prepararei para teu pai um bom prato, como ele gosta. 10Tu o apresentarás a teu pai e ele comerá, a fim de que te abençoe antes de morrer.” 11Jacó disse à sua mãe Rebeca: “Vê: meu irmão Esaú é peludo, e eu tenho a pele muito lisa. 12Talvez meu pai me apalpe: verá que zombei dele e atrairei sobre mim a maldição em lugar da bênção.” 13Mas sua mãe lhe respondeu: “Caia sobre mim tua maldição, meu filho! Obedece-me, vai e traze-me os cabritos.” 14Ele foi buscá-los e os trouxe para a sua mãe que preparou um bom prato, a gosto de seu pai. 15Rebeca tomou as mais belas roupas de Esaú, seu filho mais velho, que tinha em casa, e com elas revestiu Jacó, seu filho mais novo. 16Com a pele dos cabritos ela lhe cobriu os braços e a parte lisa do pescoço. 17Depois colocou o prato e o pão que preparara nas mãos de seu filho Jacó. 18Jacó foi a seu pai e disse: “Meu pai!” Este respondeu: “Sim! Quem és tu, meu filho?” 19Jacó disse a seu pai: “Sou Esaú, teu primogênito; fiz o que me ordenaste. Levanta-te, por favor, assenta-te e come de minha caça, a fim de que tua alma me abençoe.” 20Isaac disse a Jacó: “Como a encontraste depressa, meu filho!” E ele respondeu: “É que Iahweh teu Deus me foi propício.” 21Isaac disse a Jacó: “Aproxima-te, pois, para que te apalpe, meu filho, para saber se és ou não o meu filho Esaú.” 22Jacó aproximou-se de seu pai Isaac, que o apalpou e disse: “A voz é a de Jacó, mas os braços são os de Esaú!” 23Ele não o reconheceu porque seus braços estavam peludos como os de Esaú, seu irmão, e ele o abençoou. 24Disse: “Tu és meu filho Esaú?” E o outro respondeu: “Sim.” 25Isaac retomou: “Serve-me e que eu coma da caça de meu filho, a fim de que minha alma te abençoe.” Ele o serviu e Isaac comeu, apresentou-lhe vinho e ele bebeu. 26Seu pai Isaac lhe disse: “Aproxima-te e beija-me, meu filho!” 27Ele se aproximou e beijou o pai, que respirou o odor de suas roupas. Ele o abençoou assim: “Sim, o odor de meu filho é como o odor de um campo fértil que Iahweh abençoou. 28Que Deus te dê o orvalho do céu e as gorduras da terra, trigo e vinho em abundância! 29Que os povos te sirvam, que nações se prostrem diante de ti! Sê um senhor para teus irmãos, que se prostrem diante de ti os filhos de tua mãe! Maldito seja quem te amaldiçoar! Bendito seja quem te abençoar!” 30Isaac tinha acabado de abençoar a Jacó e Jacó acabava de sair de junto de seu pai Isaac, quando seu irmão Esaú voltou da caça. 31Também ele preparou um bom prato e o trouxe a seu pai. Ele lhe disse: “Que meu pai se levante e coma da caça de seu filho, a fim de que tua alma me abençoe!” 32Seu pai Isaac lhe perguntou: “Quem és tu?” — “Sou teu filho primogênito, Esaú,” respondeu ele. 33Então Isaac estremeceu com grande emoção e disse: “Quem é, pois, aquele que apanhou a caça e ma trouxe? Confiando, eu comi antes que tu viesses e o abençoei, e ele ficará abençoado!” 34Quando Esaú ouviu as palavras de seu pai, gritou com muita força e amargor e disse ao pai: “Abençoa-me também, meu pai!” 35Mas este respondeu: “Teu irmão veio com astúcia e tomou tua bênção.” 36Esaú retomou: “Com razão se chama Jacó: é a segunda vez que me enganou. Ele tomou meu direito de primogenitura e eis que agora tomou minha bênção!” Mas, acrescentou, “não reservaste nenhuma bênção para mim?” 37Isaac, tomando a palavra, respondeu a Esaú: “Eu o estabeleci teu senhor, dei-lhe todos os seus irmãos como servos e o provi de trigo e de vinho. Que poderia eu fazer por ti, meu filho?” 38Esaú disse a seu pai: “É, pois, tua única bênção, meu pai? Abençoa-me também, meu pai!” Isaac ficou silencioso e Esaú se pôs a chorar. 39Então seu pai Isaac tomou a palavra e disse: “Longe das gorduras da terra será tua morada, longe do orvalho que cai do céu. 40Tu viverás de tua espada, servirás a teu irmão. Mas, quando te libertares, sacudirás seu jugo de tua cerviz.” 41Esaú passou a odiar a Jacó por causa da bênção que seu pai lhe dera, e disse consigo mesmo: “Estão próximos os dias de luto de meu pai. Então matarei meu irmão Jacó.” 42Quando foram relatadas a Rebeca as palavras de Esaú, seu filho mais velho, ela chamou Jacó, seu filho mais novo, e lhe disse: “Teu irmão Esaú quer vingar-se de ti, matando-te. 43Agora, meu filho, ouve-me: parte, foge para junto de meu irmão Labão, em Harã. 44Habitarás com ele algum tempo, até que se passe o furor de teu irmão, 45até que a cólera de teu irmão se desvie de ti e esqueça o que lhe fizeste; então te mandarei buscar. Por que vos perderia os dois num só dia?”

Isaac envia Jacó a Labão46Rebeca disse a Isaac: “Estou aborrecida com a vida por causa das filhas de Het. Se Jacó se casar com uma das filhas de Het, como estas, uma das jovens da terra, que me importa a vida?”  28 1Isaac chamou Jacó, abençoou-o e lhe deu esta ordem: “Não tomes uma mulher entre as filhas de Canaã. 2Levanta-te, vai a Padã-Aram, à casa de Batuel, o pai de tua mãe, e escolhe uma mulher de lá, entre as filhas de Labão, o irmão de tua mãe. 3Que El Shaddai te abençoe, que ele te faça frutificar e multiplicar, a fim de que te tornes uma assembléia de povos. 4Que ele te conceda, bem como à tua descendência, a bênção de Abraão, a fim de que possuas a terra em que vives e que Deus deu a Abraão.” 5Isaac despediu a Jacó e este partiu para Padã-Aram, para a casa de Labão, filho de Batuel, o arameu, e irmão de Rebeca, a mãe de Jacó e Esaú.

Outro casamento de Esaú6Esaú viu que Isaac tinha abençoado a Jacó e o tinha enviado a Padã-Aram para lá tomar mulher, e abençoando-o, lhe dera esta ordem: “Não tomes uma mulher entre as filhas de Canaã.” 7E Jacó obedecera a seu pai e sua mãe e partira para Padã-Aram. 8Esaú soube que as filhas de Canaã eram malvistas por seu pai Isaac; 9foi à casa de Ismael e tomou como mulher — além das que possuía — Maelet, filha de Ismael, filho de Abraão, e irmã de Nabaiot.

O sonho de Jacó10Jacó deixou Bersabéia e partiu para Harã. 11Coincidiu de ele chegar a certo lugar e nele passar a noite, pois o sol havia-se posto. Tomou uma das pedras do lugar, colocou-a sob a cabeça e dormiu nesse lugar. 12Teve um sonho: Eis que uma escada se erguia sobre a terra e o seu topo atingia o céu, e anjos de Deus subiam e desciam por ela! 13Eis que Iahweh estava de pé diante dele e lhe disse: “Eu sou Iahweh, o Deus de Abraão, teu pai, e o Deus de Isaac. A terra sobre a qual dormiste, eu a dou a ti e à tua descendência. 14Tua descendência se tornará numerosa como a poeira do solo; estender-te-ás para o ocidente e o oriente, para o norte e o sul, e todos os clãs da terra serão abençoados por ti e por tua descendência. 15Eu estou contigo e te guardarei em todo lugar aonde fores, e te reconduzirei a esta terra, porque não te abandonarei enquanto não tiver realizado o que te prometi.” 16Jacó acordou de seu sonho e disse: “Na verdade Iahweh está neste lugar e eu não o sabia!” 17Teve medo e disse: “Este lugar é terrível! Não é nada menos que uma casa de Deus e a porta do céu!” 18Levantando-se de madrugada, tomou a pedra que lhe servira de travesseiro, ergueu-a como uma estela e derramou óleo sobre o seu topo.” 19A este lugar deu o nome de Betel, mas anteriormente a cidade se chamava Luza. 20Jacó fez este voto: “Se Deus estiver comigo e me guardar no caminho por onde eu for, se me der pão para comer e roupas para me vestir, 21se eu voltar são e salvo para a casa de meu pai, então Iahweh será meu Deus 22e esta pedra que ergui como uma estela será uma casa de Deus, e de tudo o que me deres eu te pagarei fielmente o dízimo.”

29 Jacó chega à casa de Labão1Jacó se pôs a caminho e foi para a terra dos filhos do Oriente. 2E eis que viu um poço no campo, junto ao qual estavam deitados três rebanhos de ovelhas: era neste poço que se dava de beber aos rebanhos, mas a pedra que tapava a sua boca era grande. 3Quando todos os rebanhos estavam lá reunidos, removia-se a pedra da boca do poço, dava-se de beber aos rebanhos, depois recolocava-se a pedra no mesmo lugar, na boca do poço. 4Jacó perguntou aos pastores: “Meus irmãos, de onde sois vós?” E eles responderam: “Nós somos de Harã.” 5Ele lhes disse: “Conheceis a Labão, filho de Nacor?” — “Nós o conhecemos,” responderam eles. 6Ele lhes perguntou: “Ele vai bem?” Responderam: “Ele vai bem, e eis justamente sua filha Raquel que vem com o rebanho.” 7Jacó disse: “É ainda pleno dia, não é o momento de recolher o rebanho. Dai de beber aos animais e retornai à pastagem.” 8Mas eles responderam: “Não podemos fazê-lo antes que se reúnam todos os rebanhos e que se retire a pedra da boca do poço; então nós daremos de beber aos animais”. 9Conversava ainda com eles quando chegou Raquel com o rebanho do seu pai, pois era pastora. 10Logo que Jacó viu Raquel, a filha de seu tio Labão, e o rebanho de seu tio Labão, aproximou-se, retirou a pedra da boca do poço e deu de beber ao rebanho de seu tio. 11Jacó deu um beijo em Raquel e depois caiu em soluços. 12Contou a Raquel que ele era parente de seu pai e filho de Rebeca, e ela correu para informar ao pai. 13Ouvindo que se tratava de Jacó, filho de sua irmã, Labão correu ao seu encontro, apertou-o em seus braços, cobriu-o de beijos e o conduziu para sua casa. E Jacó lhe contou toda essa história. 14Então Labão lhe disse: “Sim, tu és de meus ossos e de minha carne!” E Jacó ficou com ele um mês inteiro.

Os dois casamentos de Jacó15Então Labão disse a Jacó: “Por seres meu parente, irás servir-me de graça? Indica-me qual deve ser teu salário.” 16Ora, Labão tinha duas filhas: a mais velha se chamava Lia e a mais nova, Raquel. 17Os olhos de Lia eram ternos, mas Raquel tinha um belo porte e belo rosto 18e Jacó amou Raquel. Ele respondeu: “Eu te servirei sete anos por Raquel, tua filha mais nova.” 19Labão disse: “Melhor dá-la a ti do que a um estrangeiro; fica comigo.” 20Jacó serviu então, por Raquel, durante sete anos, que lhe pareceram alguns dias, de tal modo ele a amava. 21Depois Jacó disse a Labão: “Dá-me minha mulher, pois venceu o prazo, e que eu viva com ela!” 22Labão reuniu todos os homens do lugar e deu um banquete. 23Mas eis que de noite ele tomou sua filha Lia e a conduziu a Jacó; e este uniu-se a ela! — 24Labão deu sua serva Zelfa como serva à sua filha Lia. — 25Chegou a manhã, e eis que era Lia! Jacó disse a Labão: “Que me fizeste? Não foi por Raquel que eu servi em tua casa? Por que me enganaste?” 26Labão respondeu: “Não é uso em nossa região casar-se a mais nova antes da mais velha. 27Mas acaba esta semana de núpcias e te darei também a outra como prêmio pelo serviço que farás em minha casa durante outros sete anos.” 28Jacó fez assim: acabou essa semana de núpcias e Labão lhe deu sua filha Raquel como mulher. — 29Labão deu sua serva Bala como serva à sua filha Raquel. — 30Jacó uniu-se também a Raquel e amou Raquel mais do que a Lia; ele serviu na casa de seu tio ainda outros sete anos.

Os filhos de Jacó31Iahweh viu que Lia não era amada e ele a tornou fecunda, enquanto Raquel permanecia estéril. 32Lia concebeu e deu à luz um filho, que chamou de Rúben, pois, disse ela, “Iahweh viu minha aflição; agora meu marido me amará.” 33Concebeu ainda e deu à luz um filho; disse: “Iahweh ouviu que eu não era amada e me deu também este;” e ela o chamou de Simeão. 34Concebeu ainda e deu à luz um filho; disse: “Desta vez meu marido se unirá a mim, porque lhe dei três filhos,” e ela o chamou de Levi. 35Concebeu ainda e deu à luz um filho; disse: “Desta vez, darei glória a Iahweh”; é por isso que ela o chamou de Judá. Depois deixou de gerar filhos.

30 1Raquel, vendo que não dava filhos a Jacó, tornou-se invejosa de sua irmã e disse a Jacó: “Faze-me ter filhos também, ou eu morro.” 2Jacó se irou contra Raquel e disse: “Acaso estou eu no lugar de Deus que te recusou a maternidade?” 3Ela retomou: “Eis minha serva Bala. Aproxima-te dela e que ela dê à luz sobre meus joelhos: por ela também eu terei filhos!” 4Ela lhe deu, pois, como mulher sua serva Bala e Jacó uniu-se a ela. 5Bala concebeu e deu à luz um filho para Jacó. 6Raquel disse: “Deus me fez justiça, ele me ouviu e me deu um filho;” por isso ela o chamou de Dã. 7Bala, a serva de Raquel, concebeu ainda e gerou para Jacó um segundo filho. 8Raquel disse: “Eu lutei contra minha irmã as lutas de Deus e prevaleci”; e ela o chamou de Neftali. 9Lia, vendo que tinha deixado de ter filhos, tomou sua serva Zelfa e a deu por mulher a Jacó. 10Zelfa, a serva de Lia, gerou um filho para Jacó. 11Lia disse: “Que sorte!”; e ela o chamou de Gad. 12Zelfa, a serva de Lia, gerou um segundo filho para Jacó. 13Lia disse: “Que felicidade! pois as mulheres me felicitarão;” e o chamou de Aser. 14Tendo chegado o tempo da ceifa do trigo, Rúben encontrou nos campos mandrágoras, que trouxe para sua mãe Lia. Raquel disse a Lia: “Dá- me, por favor, as mandrágoras de teu filho.” 15Mas Lia lhe respondeu: “Não é bastante que me tenhas tomado o marido e queres tomar também as mandrágoras de meu filho?” Raquel retomou: “Pois bem, que ele durma contigo esta noite em troca das mandrágoras de teu filho”. 16Quando Jacó voltou dos campos, de tarde, Lia foi ao seu encontro e lhe disse: “É preciso que durmas comigo, pois paguei por ti com as mandrágoras de meu filho.” E ele dormiu com ela naquela noite. 17Deus ouviu Lia; ela concebeu e gerou um quinto filho para Jacó; 18Lia disse: “Deus me deu meu salário, por ter dado minha serva a meu marido;” e ela o chamou de Issacar. 19Lia concebeu ainda e gerou um sexto filho para Jacó. 20Disse Lia: “Deus me fez um belo presente; desta vez meu marido me honrará, pois lhe dei seis filhos;” e o chamou de Zabulon. 21Em seguida ela deu à luz uma filha e pôs-lhe o nome de Dina. 22Então Deus se lembrou de Raquel: ele a ouviu e a tornou fecunda. 23Ela concebeu e deu à luz um filho; e disse: “Deus retirou minha vergonha;” 24e ela o chamou de José, dizendo: “Que Iahweh me dê outro!”

Como Jacó se enriqueceu25Quando Raquel gerou José, Jacó disse a Labão: “Deixa-me partir, que eu volte para minha casa, em minha terra. 26Dá-me minhas mulheres, pelas quais te servi, e meus filhos, e que eu parta. Tu bem sabes o quanto te servi.” 27Labão lhe disse: “Se encontrei graça a teus olhos… Fiquei sabendo por presságios que Iahweh me abençoou por causa de ti. 28Assim,” acrescentou ele, “fixa-me teu salário e eu te pagarei.” 29Ele lhe respondeu: “Tu sabes de que maneira te servi e o que teus bens se tornaram comigo. 30O pouco que tinhas antes de mim cresceu enormemente e Iahweh te abençoou com a minha chegada. Agora, quando trabalharei eu para minha casa?” 31Labão retomou: “Que te devo pagar?” Jacó respondeu: “Nada terás a me pagar: se fizeres por mim o que te vou dizer, voltarei a apascentar teu rebanho. 32“Passarei hoje por todo o teu rebanho. Separa dele todo animal negro entre os cordeiros e o que é malhado ou salpicado entre as cabras. Esse será meu salário, 33e minha honestidade testemunhará por mim no futuro: quando vieres verificar meu salário, tudo o que não for salpicado ou malhado entre as cabras, ou negro entre os cordeiros, será em minha casa um roubo.” 34Labão disse: “Está bem, seja como disseste.” 35Naquele dia, ele separou os bodes listrados e malhados, todas as cabras salpicadas e malhadas, tudo o que tivesse brancura, e tudo o que fosse negro entre os cordeiros. Ele os confiou a seus filhos 36e pôs a distância de três dias de caminho entre ele e Jacó. E Jacó apascentava o resto do rebanho de Labão. 37Jacó tomou varas verdes de álamo, de amendoeira e de plátano, descascou-as em tiras brancas, deixando aparecer a brancura das varas. 38Colocou as varas que descascara diante dos animais nos tanques e bebedouros onde os animais vinham beber, e os animais se acasalavam quando vinham beber. 39Eles se acasalavam, portanto, diante das varas e pariam crias listradas, salpicadas e malhadas. 40Quanto aos cordeiros, Jacó os separou e virou o rebanho para o lado dos listrados e de tudo o que era negro no rebanho de Labão. Assim ele manteve separados os seus rebanhos, e não os pôs junto com o rebanho de Labão. 41Além disso, cada vez que se acasalavam animais robustos, Jacó colocava as varas diante dos olhos dos animais nos tanques, para que se acasalassem diante das varas. 42Quando os animais eram fracos, ele não as colocava, e assim o que era fraco ficava para Labão e o que era robusto ficava para Jacó. 43O homem se enriqueceu enormemente e teve rebanhos em quantidade, servas e servos, camelos e jumentos.

31 Fuga de Jacó1Jacó soube que os filhos de Labão diziam: “Jacó tomou tudo o que era de nosso pai, e foi às custas de nosso pai que ele constituiu toda esta riqueza.” 2Jacó percebeu que Labão não o tratava mais como antes. 3Iahweh disse a Jacó: “Volta à terra de teus pais, em tua pátria, e eu estarei contigo.” 4Jacó chamou Raquel e Lia nos campos onde estavam seus rebanhos, 5e lhes disse: “Vejo que o rosto de vosso pai não me trata como antes, mas o Deus de meu pai está comigo. 6Vós sabeis que eu servi o vosso pai com todas as minhas forças. 7Vosso pai me enganou e mudou dez vezes o meu salário, mas Deus não lhe permitiu que me fizesse mal. 8Cada vez que ele dizia: ‘O que for salpicado será teu salário,’ todos os animais pariam crias salpicadas; cada vez que me dizia: ‘O que for listrado será teu salário,’ todos os animais pariam crias listradas, 9e Deus tomou seu rebanho e o deu a mim. 10Aconteceu que, chegado o tempo em que os animais entram em cio, ergui os olhos e vi em sonho que os bodes que cobriam as fêmeas eram listrados, malhados ou mosqueados. 11O Anjo de Deus me disse em sonho: ‘Jacó.’ E eu respondi: ‘Sim.’ 12Ele disse: ‘Ergue os olhos e vê: todos os bodes que cobrem as fêmeas são listrados, malhados ou mosqueados, pois eu vi tudo o que te fez Labão. 13Eu sou o Deus que te apareceu em Betel, onde ungiste uma estela e me fizeste um voto. Agora levanta-te, sai desta terra e retorna à tua pátria’ “. 14Raquel e Lia responderam-lhe: “Temos nós ainda uma parte e uma herança na casa de nosso pai? 15Não nos considera ele como estrangeiras, pois nos vendeu e em seguida consumiu nosso dinheiro? 16Sim, toda a riqueza que Deus retirou de nosso pai é nossa e de nossos filhos. Faze, pois, agora tudo o que Deus te disse.” 17Então Jacó se levantou, fez montar seus filhos e suas mulheres sobre os camelos, 18e conduziu diante de si todo o seu rebanho, — com todos os bens que adquirira, o rebanho que lhe pertencia e que ele adquirira em Padã-Aram, — para ir a Isaac, seu pai, na terra de Canaã. 19Labão fora tosquiar seu rebanho e Raquel roubou os ídolos domésticos que pertenciam a seu pai. 20Jacó dissimulou com Labão, o arameu, não lhe deixando suspeitar que fugia. 21Ele fugiu com tudo o que tinha; partiu, atravessou o Rio e dirigiu-se para o monte Galaad.

Labão persegue Jacó22No terceiro dia, avisou-se a Labão que Jacó tinha fugido. 23Ele tomou consigo a seus irmãos, perseguiu-o durante sete dias de caminho, e o alcançou no monte Galaad. 24Deus visitou Labão, o arameu, numa visão noturna e lhe disse: “Guarda-te de dizer a Jacó o que quer que seja.”25Labão alcançou Jacó, que tinha plantado sua tenda na montanha, e Labão plantou sua tenda no monte Galaad. 26Labão disse a Jacó: “Que fizeste, enganando meu espírito e levando minhas filhas como prisioneiras de guerra? 27Por que fugiste secretamente e me enganaste em vez de me advertir, para que eu te despedisse na alegria e com cânticos, com tamborins e liras? 28Não me deixaste beijar meus filhos e minhas filhas. Verdadeiramente, agiste como um insensato! 29Poderia causar-te danos, mas o Deus de teu pai, na noite passada, me disse isto: ‘Guarda-te de dizer a Jacó o que quer que seja.’ 30Agora que já partiste, uma vez que tinhas tanta saudade da casa de teu pai, por que roubaste meus deuses?” 31Jacó respondeu assim a Labão: “Eu tive medo, pensei que irias me roubar tuas filhas. 32Mas aquele junto ao qual encontrares teus deuses não ficará vivo: diante de nossos irmãos, verifica o que te pertence e que está comigo, e leva-o.” Com efeito, Jacó ignorava que Raquel os tivesse roubado. 33Labão foi procurar na tenda de Jacó, depois na tenda de Lia, depois na tenda das duas servas, e nada encontrou. Ele saiu da tenda de Lia e entrou na de Raquel. 34Ora, Raquel tomara os ídolos domésticos, pusera-os na sela do camelo e sentara-se por cima; Labão procurou em toda a tenda e nada encontrou. 35Raquel disse a seu pai: “Que meu senhor não veja com cólera que eu não me levante na tua presença, pois tenho o que é costumeiro às mulheres.” Labão procurou e não encontrou os ídolos. 36Enfureceu-se Jacó e discutiu com Labão. E Jacó dirigiu assim a palavra a Labão: “Qual é meu crime, qual é minha falta, para que me persigas? 37Procuraste em todos os meus utensílios: encontraste acaso algum utensílio de tua casa? Põe-no aqui, diante de meus irmãos e teus irmãos, e que eles julguem entre nós dois! 38Eis que há vinte anos estou contigo: tuas ovelhas e tuas cabras não abortaram e eu não comi os cordeiros do teu rebanho. 39Não te apresentei os animais despedaçados pelas feras, mas eu mesmo compensava sua perda: de mim reclamavas o que fora roubado de dia e o que fora roubado de noite.40Durante o dia devorava-me o calor, durante a noite o frio, e o sono fugia de meus olhos. 41Eis que já estou há vinte anos em tua casa: eu te servi catorze anos por tuas duas filhas e seis anos por teu rebanho, e dez vezes tu mudaste meu salário. 42Se o Deus de meu pai, o Deus de Abraão, o Parente de Isaac, não estivesse comigo, tu me terias despedido de mãos vazias. Mas Deus viu minhas canseiras e o trabalho de meus braços e, na noite passada, fez-me justiça.”

Tratado entre Jacó e Labão43Assim respondeu Labão a Jacó: “Minhas são as filhas, minhas estas crianças, meu é o rebanho, tudo o que vês é meu. Mas que posso fazer hoje por minhas filhas e pelas crianças que elas deram ao mundo? 44“Vamos, concluamos um tratado, eu e tu… , e que isso sirva de testemunho entre mim e ti.” 45Então Jacó tomou uma pedra e a erigiu como estela. 46E Jacó disse a seus irmãos: “Ajuntai pedras.” Eles pegaram pedras e com elas fizeram um monte, sobre o qual comeram. 47Labão o chamou de Jegar-Saaduta e Jacó o chamou de Galed.48Disse Labão: “Que este monte seja hoje um testemunho entre mim e ti.” Por isso o chamou de Galed, 49e Masfa, pois disse: “Que Iahweh seja um vigia entre mim e ti quando nos separarmos um do outro. 50Se maltratares minhas filhas ou se tomares outras mulheres além de minhas filhas, e ninguém estiver conosco, vê: Deus é testemunha entre mim e ti.” 51E Labão disse a Jacó: “Eis este monte que reuni entre mim e ti, e eis a estela. 52Este monte é testemunha, a estela é testemunha, de que não devo ultrapassar este monte para o teu lado, e de que não deves ultrapassar este monte e esta estela para o meu lado, com más intenções. 53Que o Deus de Abraão e o Deus de Nacor julguem entre nós.” E Jacó jurou pelo Parente de Isaac, seu pai. 54Jacó ofereceu um sacrifício sobre a montanha e convidou seus irmãos para a refeição. Eles comeram e passaram a noite sobre a montanha.

32 1Labão levantou-se de madrugada, beijou seus netos e suas filhas e os abençoou. Depois Labão partiu e voltou para sua casa. 2Como Jacó seguisse seu caminho, anjos de Deus o afrontaram. 3Vendo-os, disse Jacó: “É o campo de Deus!” E deu a esse lugar o nome de Maanaim.

Jacó prepara seu reencontro com Esaú4Jacó enviou adiante dele mensageiros a seu irmão Esaú, na terra de Seir, a estepe de Edom. 5Deu-lhes esta ordem: “Assim falareis a Esaú, meu senhor: Eis a mensagem de teu servo Jacó: Habitei junto a Labão e ali fiquei até agora. 6Adquiri bois e jumentos, ovelhas, servos e servas. Quero dar a notícia a meu senhor, para encontrar graça a seus olhos.” 7Os mensageiros voltaram a Jacó, dizendo: “Fomos a teu irmão Esaú. Ele mesmo vem agora ao teu encontro e há quatrocentos homens com ele.” 8Jacó teve grande medo e sentiu-se angustiado. Então dividiu em dois grupos os homens que estavam com ele, as ovelhas e os bois. 9Disse para consigo: “Se Esaú se dirigir para um dos bandos e o atacar, o outro bando poderá se salvar.” 10Disse Jacó: “Deus de meu pai Abraão e Deus de meu pai Isaac, Iahweh, que me ordenaste: ‘Retorna à tua terra e à tua pátria e te farei bem,’ 11eu sou indigno de todos os favores e de toda a bondade que tiveste para com teu servo. Eu não tinha senão meu cajado para atravessar este Jordão, e agora posso formar dois bandos. 12Livra-me da mão de meu irmão Esaú, pois tenho medo dele, para que não venha matar-nos, a mãe com os filhos. 13Foste tu, com efeito, que disseste: ‘Eu te cumularei de favores e tornarei a tua descendência como a areia do mar, que se não pode contar, de tão numerosa.'” 14E Jacó passou a noite naquele lugar. De tudo o que tinha, separou um presente para seu irmão Esaú: 15duzentas cabras e vinte bodes, duzentas ovelhas e vinte cordeiros, 16trinta camelas de leite, com seus filhotes, quarenta vacas e dez touros, vinte, jumentas e dez jumentinhos. 17Ele os confiou a seus servos, cada rebanho à parte, e disse a seus servos: “Ide adiante de mim e deixai espaço entre os rebanhos.” 18Ao primeiro deu esta ordem: “Quando meu irmão Esaú te encontrar e te disser: ‘De quem és? Para onde vais? A quem pertence o que está adiante de ti?,’ 19responderás: ‘É de teu servo Jacó, é um presente enviado a Esaú, meu senhor, e ele mesmo chegará atrás de nós.'” 20Ele deu a mesma ordem ao segundo e ao terceiro e a todos os que caminhavam atrás dos rebanhos: “Eis,” disse ele, “como falareis a Esaú quando o encontrardes, 21e direis: ‘Teu servo Jacó, ele mesmo, chegará atrás de nós.'” Com efeito, dizia ele para si mesmo: “Eu o aplacarei com o presente que me antecede, em seguida me apresentarei a ele, e talvez me conceda graça.” 22O presente seguiu adiante e ele ficou aquela noite no campo.

A luta com Deus23Naquela mesma noite, ele se levantou, tomou suas duas mulheres, suas duas servas, seus onze filhos e passou o vau do Jaboc. 24Ele os tomou e os fez passar a torrente e fez passar também tudo o que possuía. 25E Jacó ficou só. E alguém lutou com ele até surgir a aurora. 26Vendo que não o dominava, tocou-lhe na articulação da coxa, e a coxa de Jacó se deslocou enquanto lutava com ele. 27Ele disse: “Deixa-me ir, pois já rompeu o dia.” Mas Jacó respondeu: “Eu não te deixarei se não me abençoares.” 28Ele lhe perguntou: “Qual é o teu nome?” — “Jacó”, respondeu ele. 29Ele retomou: “Não te chamarás mais Jacó, mas Israel, porque foste forte” contra Deus e contra os homens, e tu prevaleceste.” 30Jacó fez esta pergunta: “Revela-me teu nome, por favor.” Mas ele respondeu: “Por que perguntas pelo meu nome?” E ali mesmo o abençoou. 31Jacó deu a este lugar o nome de Fanuel, “porque,” disse ele, “eu vi a Deus face a face e a minha vida foi salva.” 32Nascendo o sol, ele tinha passado Fanuel e manquejava de uma coxa. 33Por isso os israelitas, até hoje, não comem o nervo ciático que está na articulação da coxa, porque ele feriu a Jacó na articulação da coxa, no nervo ciático.

33 O encontro com Esaú1Erguendo os olhos, Jacó viu que chegava Esaú com quatrocentos homens. Dividiu então as crianças entre Lia, Raquel e as duas servas, 2colocou à frente as servas e seus filhos, mais atrás Lia e seus filhos e por último Raquel e José. 3E ele mesmo, passando adiante de todos, por sete vezes prostrou-se por terra antes de abordar seu irmão. 4Mas Esaú, correndo ao seu encontro, tomou-o em seus braços, arrojou-se-lhe ao pescoço e, chorando, o beijou. 5Quando ergueu os olhos e viu as mulheres e as crianças, perguntou: “Quem são estes contigo?” Jacó respondeu: “São os filhos com que Deus gratificou teu servo.” 6Aproximaram-se as servas, elas e seus filhos, e prostraram-se. 7Aproximou-se também Lia, com seus filhos, e se prostraram; enfim aproximaram-se Raquel e José, e se prostraram. 8Esaú perguntou: “Que queres fazer de todo esse grupo que encontrei?” — “É para encontrar graça aos olhos de meu senhor,” respondeu ele. 9Esaú retomou: “Eu tenho o suficiente, meu irmão, guarda o que é teu.” 10Mas Jacó disse: “Não, eu te peço! Se encontrei graça a teus olhos, recebe o presente de minha mão. Pois afrontei tua presença como se afronta a presença de Deus, e tu me recebeste bem. 11Aceita, pois, o presente que te ofereço, porque Deus me favoreceu, e eu tenho tudo de que necessito.” Instado, Esaú aceitou.

Jacó separa-se de Esaú12Disse este: “Tomemos o bando e partamos; eu caminharei na frente.” 13Mas Jacó lhe respondeu: “Meu senhor sabe que as crianças são delicadas e que devo pensar nas ovelhas e vacas de leite; se os forçar um só dia, todo o rebanho vai morrer. 14Que meu senhor parta, pois, adiante de seu servo; quanto a mim, caminharei calmamente ao passo do rebanho que tenho diante de mim e ao passo das crianças, até chegar à casa de meu senhor, em Seir.” 15Então disse Esaú: “Deixarei contigo ao menos uma parte dos homens que me acompanham!” Mas Jacó respondeu: “Por que isso? Basta-me encontrar graça aos olhos de meu senhor!” 16Naquele dia Esaú retomou o caminho para Seir, 17mas Jacó partiu para Sucot, construiu uma casa e fez palhoças para seu rebanho; é por isso que se deu ao lugar o nome de Sucot.

Chegada a Siquém18Jacó chegou são e salvo à cidade de Siquém, na terra de Canaã, quando voltou de Padã-Aram, e acampou diante da cidade. 19Aos filhos de Hemor, pai de Siquém, comprou, por cem moedas de prata, a parcela do campo em que erguera sua tenda 20e lá erigiu um altar, que chamou de “El, Deus de Israel!’

34 Violência feita a Dina1Dina, a filha que Lia havia dado a Jacó, saiu para ir ver as filhas da terra. 2Siquém, o filho de Hemor, o heveu, príncipe da terra, tendo-a visto, tomou-a, dormiu com ela e lhe fez violência. 3Mas seu coração inclinou-se por Dina, filha de Jacó, amou a jovem e falou-lhe ao coração. 4Assim falou Siquém a seu pai Hemor: “Toma-me esta jovem como mulher.” 5Jacó soube que ele tinha desonrado sua filha Dina, mas como seus filhos estavam nos campos com seu rebanho, Jacó guardou silêncio até que voltassem.

Pacto matrimonial com os siquemitas6Hemor, o pai de Siquém, foi a Jacó para lhe falar. 7Quando os filhos de Jacó voltaram dos campos e souberam disso, esses homens ficaram indignados e furiosos pelo fato de se ter cometido uma infâmia em Israel, dormindo com a filha de Jacó: isso não se faz! 8Hemor lhes falou assim: “Meu filho Siquém enamorou-se de vossa filha, peço-vos que lha deis como mulher. 9Aliai-vos a nós: vós nos dareis vossas filhas e tomareis as nossas para vós. 10Ficareis conosco e a terra estará a vosso dispor: podereis nela habitar, circular e vos estabelecer.” 11Siquém disse ao pai e aos irmãos da jovem: “Que eu encontre graça aos vossos olhos, e darei o que me pedirdes! 12Podeis impor uma elevada soma, como preço e como presente: eu pagarei tanto quanto pedirdes, mas dai-me a jovem como mulher!” 13Os filhos de Jacó responderam com falsidade a Siquém e a seu pai Hemor, e falaram com falsidade, porque ele tinha desonrado sua irmã Dina. 14Eles lhes disseram: “Não podemos fazer semelhante coisa: dar nossa irmã a um homem incircunciso, porque entre nós é uma desonra. 15Não vos daremos nosso consentimento senão com uma condição: deveis tornar-vos como nós e circuncidar todos os vossos machos. 16Então vos daremos nossas filhas e tomaremos as vossas para nós, permaneceremos convosco e formaremos um só povo. 17Mas se não nos ouvirdes, acerca da circuncisão, tomaremos nossa filha e partiremos.” 18Suas palavras agradaram a Hemor e a Siquém, filho de Hemor. 19O jovem não tardou em fazer isso, porque estava enamorado da filha de Jacó; ora, ele era o mais considerado de toda a família. 20Hemor e seu filho Siquém foram à porta de sua cidade e falaram assim aos homens de sua cidade: 21“Estes homens estão bem intencionados: que permaneçam conosco na terra, nela circulem, a terra estará aberta para eles em toda a sua extensão, tomaremos suas filhas como mulheres e lhes daremos nossas filhas. 22Mas estes homens não consentirão em ficar conosco para formar um só povo senão com uma condição: é que todos os machos devem ser circuncidados como eles próprios o são. 23Seus rebanhos, seus bens, todo o seu gado não será nosso? Consintamos, pois, a fim de que permaneçam conosco.” 24Hemor e seu filho Siquém foram ouvidos por todos os que passavam pela porta de sua cidade, e todos os machos se fizeram circuncidar.

Vingança traidora de Simeão e Levi25Ora, no terceiro dia, quando eles convalesciam, dois filhos de Jacó, Simeão e Levi, irmãos de Dina, tomaram cada qual sua espada e caminharam sem oposição contra a cidade e mataram todos os machos. 26Passaram ao fio da espada Hemor e seu filho Siquém, tomaram Dina da casa de Siquém e partiram. 27Os filhos de Jacó investiram sobre os feridos e pilharam a cidade, porque tinham desonrado sua irmã. 28Tomaram suas ovelhas, seus bois e seus jumentos, o que estava na cidade e o que estava nos campos. 29Roubaram todos os seus bens, todas as suas crianças e pilharam tudo o que havia nas casas. 30Jacó disse a Simeão e Levi: “Vós me arruinastes, tornando-me odioso aos habitantes da terra, os cananeus e os ferezeus: tenho poucos homens, eles se reunirão contra mim, vencer-me-ão e serei aniquilado com minha casa.” 31Mas eles replicaram: “Acaso se trata a nossa irmã como uma prostituta?”

35 Jacó em Betel1Deus disse a Jacó: “Levanta-te! Sobe a Betel e fixa-te ali. Ali erguerás um altar ao Deus que te apareceu quando fugias da presença de teu irmão Esaú.” 2Jacó disse à sua família e a todos os que estavam com ele: “Lançai fora os deuses estrangeiros que estão no meio de vós, purificai-vos e mudai vossas roupas. 3Partamos e subamos a Betel! Aí farei um altar ao Deus que me ouviu quando eu estava na angústia e me assistiu na viagem que fiz.” 4Eles deram a Jacó todos os deuses estrangeiros que possuíam e os anéis que traziam nas orelhas, e Jacó os enterrou sob o carvalho que está junto a Siquém. 5Eles levantaram acampamento e um terror divino se abateu sobre as cidades circunvizinhas, e os filhos de Jacó não foram perseguidos. 6Jacó chegou a Luza, na terra de Canaã, — que é Betel, — ele e todos os homens que tinha. 7Lá ele construiu um altar e chamou o lugar de El-Betel, porque Deus aí se revelara a ele quando fugia da presença de seu irmão. 8Então morreu Débora, a ama de Rebeca, e foi enterrada abaixo de Betel, sob o carvalho que se chama Carvalho-dos-Prantos. 9Deus apareceu ainda a Jacó, vindo de Padã-Aram, e o abençoou. 10Deus lhe disse: “Teu nome é Jacó, mas não te chamarás mais Jacó: teu nome será Israel.” Tanto que é chamado de Israel. 11Deus lhe disse: “Eu sou El Shaddai. Sê fecundo e multiplica-te. Uma nação, uma assembléia de nações nascerá de ti e reis sairão de teus rins. 12Eu te dou a terra que dei a Abraão e a Isaac; darei esta terra a ti e à tua posteridade depois de ti.” 13E Deus se retirou de junto dele. 14Jacó erigiu uma estela no lugar onde ele lhe falara, uma estela de pedra, sobre a qual fez uma libação e derramou óleo. 15E Jacó deu o nome de Betel ao lugar onde Deus lhe falou.

Nascimento de Benjamim e morte de Raquel16Eles partiram de Betel. Faltava uma pequena distância para chegar a Éfrata, quando Raquel deu à luz. Seu parto foi doloroso 17e, como desse à luz com dificuldade, disse-lhe a parteira: “Não temas, é ainda um filho que terás!” 18No momento de entregar a alma, porque estava morrendo, ela o chamou de Benoni, mas seu pai o chamou de Benjamim. 19Raquel morreu e foi enterrada no caminho de Éfrata — que é Belém. 20Jacó erigiu uma estela sobre seu túmulo; é a estela do túmulo de Raquel, que existe até hoje.

Incesto de Ruben21Israel partiu e plantou sua tenda além de Magdol-Eder. 22Enquanto Israel habitava naquela região, Rúben foi dormir com Bala, a concubina de seu pai, e Israel o soube.

Os doze filhos de Jacó  — Os filhos de Jacó foram em número de doze. 23Os filhos de Lia: o primogênito de Jacó, Rúben, depois Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zabulon. 24Os filhos de Raquel: José e Benjamim. 25Os filhos de Bala, a serva de Raquel: Dã e Neftali. 26Os filhos de Zelfa, a serva de Lia: Gad e Aser. Esses são os filhos gerados a Jacó em Padã-Aram.

Morte de Isaac27Veio Jacó a seu pai Isaac, em Mambré, em Cariat-Arbe, — que é Hebron, — onde habitaram Abraão e Isaac. 28A duração da vida de Isaac foi de cento e oitenta anos, 29e Isaac expirou. Ele morreu e reuniu-se à sua parentela, velho e farto de dias; seus filhos Esaú e Jacó o enterraram.

36 Mulheres e filhos de Esaú em Canaã1Eis a descendência de Esaú, que é Edom. 2Esaú tomou suas mulheres entre as filhas de Canaã: Ada, filha de Elon, o heteu, Oolibama, filha de Ana, filho de Sebeon, o horreu,3Basemat, filha de Ismael e irmã de Nabaiot. 4Ada gerou para Esaú Elifaz, Basemat gerou Rauel, 5Oolibama gerou Jeús, Jalam e Coré. Esses são os filhos de Esaú que lhe nasceram na terra de Canaã.

Migração de Esaú6Esaú tomou suas mulheres, seus filhos e suas filhas, todas as pessoas de sua casa, seu rebanho e todo o seu gado, toda propriedade que tinha adquirido na terra de Canaã, e partiu para a terra de Seir, longe de seu irmão Jacó. 7Eles tinham muitos bens para habitarem juntos e a terra em que residiam não podia lhes bastar, por causa de seus haveres. 8Assim Esaú estabeleceu-se na montanha de Seir. Esaú é Edom.

Descendência de Esaú em Seir9Eis a descendência de Esaú, pai de Edom, na montanha de Seir. 10Eis os nomes dos filhos de Esaú: Elifaz, filho de Ada, mulher de Esaú, e Rauel, filho de Basemat, mulher de Esaú. 11Os filhos de Elifaz foram: Temã, Omar, Sefo, Gatam, Cenez. 12Elifaz, filho de Esaú, teve por concubina Tamna, e ela lhe gerou Amalec. Esses são os filhos de Ada, mulher de Esaú. 13Eis os filhos de Rauel: Naat, Zara, Sama, Meza. Esses foram os filhos de Basemat, mulher de Esaú. 14Eis os filhos de Oolibama, filha de Ana, filho de Sebeon, mulher de Esaú: ela lhe gerou Jeús, Jalam e Coré.

Os chefes de Edom15Eis os chefes dos filhos de Esaú. Filhos de Elifaz, primogênito de Esaú: o chefe Temã, o chefe Omar, o chefe Sefo, o chefe Cenez, 16o chefe Gatam, o chefe Amalec. Esses são os chefes de Elifaz na terra de Edom, esses são os filhos de Ada. 17E eis os filhos de Rauel, filho de Esaú: o chefe Naat, o chefe Zara, o chefe Sama, o chefe Meza. Esses são os chefes de Rauel na terra de Edom, esses são os filhos de Basemat, mulher de Esaú. 18E eis os filhos de Oolibama, mulher de Esaú: o chefe Jeús, o chefe Jalam, o chefe Coré. Esses são os filhos de Oolibama, filha de Ana, mulher de Esaú. 19Esses são os filhos de Esaú, e esses são seus chefes. Ele é Edom.

Descendência de Seir, o horreu20Eis os filhos de Seir, o horreu, os habitantes da terra: Lotã, Sobal, Sebeon, Ana, 21Dison, Eser e Disã, esses são os chefes dos horreus, os filhos de Seir na terra de Edom. 22Os filhos de Lotã foram Hori e Emam, e a irmã de Lotã era Tamna. 23Eis os filhos de Sobal: Alvã, Manaat, Ebal, Sefo, Onam. 24Eis os filhos de Sebeon: Aía, Ana — foi este Ana que encontrou as águas quentes no deserto, quando apascentava os jumentos de seu pai Sebeon. 25Eis os filhos de Ana: Dison, Oolibama, filha de Ana. 26Eis os filhos de Dison: Hamdã, Esebã, Jetrã, Carã. 27Eis os filhos de Eser: Balaã, Zavã, Acã. 28Eis os filhos de Disã: Hus e Arã. 29Eis os chefes dos horreus: o chefe Lotã, o chefe Sobal, o chefe Sebeon, o chefe Ana, 30o chefe Dison, o chefe Eser, o chefe Disã. Esses são os chefes dos horreus, segundo seus clãs, na terra de Seir.

Os reis de Edom31Eis os reis que reinaram na terra de Edom antes que reinasse um rei dos israelitas. 32Em Edom reinou Bela, filho de Beor, e sua cidade se chamava Danaba. 33Bela morreu e em seu lugar reinou Jobab, filho de Zara, de Bosra. 34Jobab morreu e em seu lugar reinou Husam, da terra dos temanitas. 35Husam morreu e em seu lugar reinou Adad, filho de Badad, que derrotou os madianitas no campo de Moab, e sua cidade chamava-se Avit. 36Adad morreu e em seu lugar reinou Semla, de Masreca. 37Semla morreu e em seu lugar reinou Saul, de Reobot Naar. 38Saul morreu e em seu lugar reinou Baalanã, filho de Acobor. 39Baalanã, filho de Acobor, morreu e em seu lugar reinou Adad; sua cidade chamava-se Fau; sua mulher se chamava Meetabel, filha de Matred, de Mezaab.

Ainda os chefes de Edom40Eis os nomes dos chefes de Esaú, segundo seus clãs e seus lugares, segundo seus nomes: o chefe Tamna, o chefe Alva, o chefe Jetet, 41o chefe Oolibama, o chefe Ela, o chefe Finon, 42o chefe Cenez, o chefe Temã, o chefe Mabsar, 43o chefe Magdiel e o chefe Iram. Esses são os chefes de Edom, segundo suas residências na terra que possuíam. Esaú é o pai de Edom.

37 1Mas Jacó permaneceu na terra em que seu pai tinha morado, na terra de Canaã. IV. História de José

José e seus irmãos2Eis a história de Jacó. José tinha dezessete anos. Ele apascentava o rebanho com seus irmãos, — era jovem, — com os filhos de Bala e os filhos de Zelfa, mulheres de seu pai, e José contou a seu pai o mal que deles se dizia. 3Israel amava mais a José do que a todos os seus outros filhos, porque ele era o filho de sua velhice, e mandou fazer-lhe uma túnica adornada. 4Seus irmãos viram que seu pai o amava mais do que a todos os seus outros filhos e odiaram-no e se tornaram incapazes de lhe falar amigavelmente. 5Ora, José teve um sonho e o contou a seus irmãos, que o odiaram mais ainda. 6Ele lhes disse: “Ouvi o sonho que eu tive: 7pareceu-me que estávamos atando feixes nos campos, e eis que o meu feixe se levantou e ficou de pé, e vossos feixes o rodearam e se prostraram diante de meu feixe.” 8Seus irmãos lhe responderam: “Queres acaso governar-nos como rei ou dominar-nos como senhor?” E eles o odiaram ainda mais, por causa de seus sonhos e de suas intenções. 9Ele teve ainda um outro sonho, que contou a seus irmãos. Ele disse: “Tive ainda um outro sonho: pareceu-me que o sol, a lua e onze estrelas se prostravam diante de mim.” 10Ele narrou isso a seu pai e seus irmãos, mas seu pai o repreendeu, dizendo: “Que sonho é esse que tiveste? Iríamos nós então, eu, tua mãe e teus irmãos, prostrar-nos por terra diante de ti?” 11Seus irmãos ficaram com ciúmes dele, mas seu pai conservou o fato na memória.

José vendido por seus irmãos12Seus irmãos foram apascentar o rebanho de seu pai em Siquém. 13Israel disse a José: “Não apascentam teus ir mãos o rebanho em Siquém? Vem, vou enviar-te a eles.” E ele respondeu: “Eis-me aqui.” 14Ele lhe disse: “Vai então ver como estão teus irmãos e o rebanho e traze-me notícias.” Ele o enviou do vale de Hebron e José chegou a Siquém. 15Um homem o encontrou andando errante pelos campos e este homem lhe perguntou: “Que procuras?” 16Ele respondeu: “Procuro meus irmãos. Indica-me, por favor, onde apascentam seus rebanhos.” 17O homem disse: “Eles levantaram acampamento daqui; eu os ouvi dizer: Vamos a Dotain.” José partiu à procura de seus irmãos e os encontrou em Dotain. 18Eles o viram de longe e, antes que chegasse perto, tramaram sua morte. 19Disseram entre si: “Eis que chega o tal sonhador! 20Vinde, matemo-lo, joguemo-lo numa cisterna qualquer; diremos que um animal feroz o devorou. Veremos o que acontecerá com seus sonhos!” 21Mas Rúben, ouvindo isso, salvou-o de suas mãos. Ele disse: “Não lhe tiremos a vida!” 22Disse-lhes Rúben: “Não derrameis o sangue! Lançai-o nesta cisterna do deserto, mas não ponhais a mão sobre ele!” Era para salvá-lo das mãos deles e restituí-lo a seu pai.23Assim, quando José chegou junto deles, despojaram-no de sua túnica, a túnica adornada que ele vestia. 24Arremessaram-se contra ele e o lançaram na cisterna; era uma cisterna vazia, onde não havia água. 25Depois sentaram-se para comer. Erguendo os olhos, eis que viram uma caravana de ismaelitas que vinha de Galaad. Seus camelos estavam carregados de alcatira, de bálsamo e ládano que levavam para o Egito. 26Então disse Judá a seus irmãos: “De que nos aproveita matar nosso irmão e cobrir seu sangue? 27Vinde, vendamo-lo aos ismaelitas, mas não ponhamos a mão sobre ele: é nosso irmão, da mesma carne que nós.” E seus irmãos o ouviram. 28Quando passaram os mercadores madianitas, eles retiraram José da cisterna. Venderam José aos ismaelitas por vinte siclos de prata e estes o conduziram ao Egito. 29Quando Rúben voltou à cisterna, eis que José não estava mais ali! Ele rasgou suas vestes 30e, voltando a seus irmãos, disse: “O rapaz não está mais lá! E eu, aonde irei?” 31Eles tomaram a túnica de José e, degolando um bode, molharam a túnica no sangue. 32Enviaram a túnica adornada, fizeram-na levar a seu pai com estas palavras: “Eis o que encontramos! Vê se é ou não a túnica de teu filho.” 33Ele olhou e disse: “É a túnica de meu filho! Um animal feroz, o devorou. José foi despedaçado!” 34Jacó rasgou suas vestes, cingiu os seus rins com um pano de saco e fez luto por seu filho durante muito tempo. 35Todos os seus filhos e filhas vieram para consolá-lo, mas ele rei usou toda consolação e disse: “Não, é em luto que descerei ao Xeol para junto do meu filho.” E seu pai o chorou. 36Entretanto os madianitas venderam-no, no Egito, a Putifar, eunuco do Faraó e comandante dos guardas.

38 O História de Judá e de Tamar1Aconteceu que, neste tempo, Judá se separou de seus irmãos e foi viver na casa de um homem de Odolam que se chamava Hira. 2Ali Judá viu a filha de um cananeu que se chamava Sué; ele a tomou por mulher e se uniu a ela. 3Esta concebeu e gerou um filho, que chamou de Her. 4Outra vez ela concebeu e gerou um filho, que chamou de Onã. 5Ainda outra vez concebeu e gerou um filho, que chamou de Sela; ela se achava em Casib quando o teve. 6Judá tomou uma mulher para seu primogênito Her; ela se chamava Tamar. 7Mas Her, o primogênito de Judá, desagradou a Iahweh, que o fez morrer. 8Então Judá disse a Onã: “Vá à mulher de teu irmão, cumpre com ela o teu dever de cunhado e suscita uma posteridade a teu irmão.” 9Entretanto Onã sabia que a posteridade não seria sua e, cada vez que se unia à mulher de seu irmão, derramava por terra para não dar uma posteridade a seu irmão. 10O que ele fazia desagradou a Iahweh, que o fez morrer também. 11Então Judá disse à sua nora Tamar: “Volta à casa de teu pai, como viúva, e espera que cresça meu filho Sela.” Ele dizia consigo: “Não convém que ele morra como seus irmãos.” Tamar voltou, pois, à casa de seu pai. 12Passaram-se muitos dias e a filha de Sué, a mulher de Judá, morreu. Quando Judá ficou consolado, subiu a Tamna, ele e Hira, seu amigo de Odolam, para a tosquia de suas ovelhas. 13Comunicaram a Tamar: “Eis que,” foi-lhe dito, “teu sogro sobe a Tamna para a tosquia de suas ovelhas.” 14Então ela deixou suas roupas de viúva, cobriu-se com um véu e sentou-se na entrada de Enaim, que está no caminho de Tamna. Ela via que Sela já era grande e ela não lhe fora dada como mulher. 15Vendo-a, Judá tomou-a por uma prostituta, pois ela cobrira o rosto. 16Dirigiu-se a ela no caminho e disse: “Deixa-me ir contigo!” Ele não sabia que era sua nora. Mas ela perguntou: “Que me darás para ires comigo?” 17Ele respondeu: “Eu te enviarei um cabrito do rebanho.” Mas ela replicou: “Sim, se me deres um penhor até que o mandes!” 18Ele perguntou: “Que penhor te darei?” E ela respondeu: “O teu selo, com teu cordão e o cajado que seguras.” Ele lhos deu e foi com ela, que dele concebeu. 19Ela se levantou, partiu, retirou seu véu e retomou as roupas de viúva 20Judá enviou o cabrito por intermédio de seu amigo de Odolam, para recuperar os penhores das mãos da mulher, mas este não a encontrou. 21Ele perguntou aos homens do lugar: “Onde está aquela prostituta que fica em Enaim, no caminho?” Mas eles responderam: “Jamais houve prostituiu aqui!” 22Ele voltou, pois, junto a Judá e lhe disse: “Eu não a encontrei Também os homens do lugar me disseram que jamais houve prostituta ali.” 23Judá retomou: “Que ela fique com tudo: que não zombe de nós, pois eu enviei o cabrito, mas tu não a achaste.” 24Cerca de três meses depois, foi dito a Judá: “Tua nora Tamar prostituiu-se e está grávida por causa de sua má conduta.” Então Judá ordenou: “Tirai-a fora e seja queimada viva!”25Quando a agarraram, ela mandou dizer a seu sogro: “Estou grávida do homem a quem pertence isto. Reconhece a quem pertencem este selo, este cordão e este cajado.” 26Judá os reconheceu e disse: “Ela é mais justa do que eu, porquanto não lhe dei meu filho Sela.” E não teve mais relações com ela. 27Quando chegou o tempo do parto, parecia que tivesse gêmeos em seu seio. 28Durante o parto, um deles estendeu a mão e a parteira, tomando-a, atou-lhe um fio escarlate, dizendo: “Foi este que saiu primeiro.” 29Mas aconteceu que ele retirou a mão e foi seu irmão quem saiu. Então ela disse: “Que brecha te abriste!” E o chamaram de Farés. 30Em seguida saiu seu irmão, que tinha o fio escarlate na mão, e o chamaram de Zara.

39 Início da vida de José no Egito1José fora portanto levado ao Egito. Putifar, eunuco do Faraó e comandante dos guardas, um egípcio, comprou-o dos ismaelitas que o levaram para lá. 2Ora, Iahweh assistiu a José, que em tudo teve êxito, e ficou na casa de seu senhor, o egípcio. 3Como seu senhor via que Iahweh o assistia e fazia prosperar, em suas mãos, tudo o que empreendia, 4José encontrou graça a seus olhos: foi posto a serviço do senhor, que o instituiu seu mordomo e lhe confiou tudo o que lhe pertencia. 5E a partir do momento em que ele foi preposto à sua casa e ao que lhe pertencia, Iahweh abençoou a casa do egípcio, em consideração a José: a bênção de Iahweh atingiu tudo o que ele possuía em casa e nos campos. 6Então entregou nas mãos de José tudo o que tinha e, com ele, não se preocupou com mais nada, a não ser com a comida que tomava. José era belo de porte e tinha um rosto bonito.

José e a sedutora7Aconteceu que, depois desses fatos, a mulher de seu senhor lançou os olhos sobre José e disse: “Dorme comigo!” 8Mas ele se recusou e disse à mulher de seu senhor: “Estando eu aqui, meu senhor não se preocupa com o que se passa na casa e me confiou tudo o que lhe pertence. 9Ele mesmo não é, nesta casa, mais poderoso do que eu: nada me interditou senão a ti, porque és sua mulher. Como poderia eu realizar um tão grande mal e pecar contra Deus?” 10Ainda que ela lhe falasse a cada  dia, José não consentiu em dormir a seu lado e se entregar a ela. 11Ora, certo dia José veio à casa para fazer seu serviço e não havia na casa nenhum dos domésticos. 12A mulher o agarrou pela roupa, dizendo: “Dorme comigo!” Mas ele deixou a roupa nas suas mãos, saiu e fugiu. 13Vendo que ele deixara a roupa nas suas mãos e que fugira, 14ela chamou seus domésticos e lhes disse: “Vede! Ele nos trouxe um hebreu para nos insultar. Ele se aproximou para dormir comigo, mas lancei um grande grilo, 15e vendo que eu levantava a voz e gritava, deixou sua roupa a meu lado, saiu e fugiu.” 16Colocou a roupa a seu lado esperando que o senhor viesse para casa. 17Então ela lhe disse as mesmas palavras: “O escravo hebreu que nos trouxeste aproximou-se para me insultar 18e, quando levantei a voz e gritei, ele deixou sua roupa a meu lado e fugiu.” 19Quando o marido ouviu o que lhe dizia sua mulher: “Eis de que maneira teu escravo agiu para comigo,” sua cólera se inflamou. 20O senhor de José mandou apanhá-lo e pô-lo na prisão, onde estavam os prisioneiros do rei.

José na prisão — Assim, ele ficou na prisão. 21Mas Iahweh assistiu José, estendeu sobre ele sua bondade e lhe fez encontrar graça aos olhos do carcereiro-chefe. 22O carcereiro-chefe confiou a José todos os detidos que estavam na prisão; tudo o que se fazia passava por ele. 23O carcereiro-chefe não se ocupava de nada do que lhe fora confiado, porque Iahweh o assistia e fazia prosperar o que ele empreendia.

40 José interpreta os sonhos dos oficiais do Faraó1Sucedeu, depois desses acontecimentos, que o copeiro do rei do Egito e seu padeiro ofenderam a seu senhor, o rei do Egito. 2Faraó irou-se contra seus dois eunucos, o copeiro-mor e o padeiro-mor, 3e mandou detê-los na casa do comandante dos guardas, na prisão onde José estava detido. 4O comandante dos guardas agregou-lhes José para que os servisse, e ficaram certo tempo detidos. 5Ora, numa mesma noite, os dois, o copeiro e o padeiro do rei do Egito, que estavam detidos na prisão, tiveram um sonho, cada qual com a sua significação. 6De manhã, vindo encontrá-los, José percebeu que estavam acabrunhados 7e perguntou aos eunucos do Faraó que estavam com ele detidos na casa de seu senhor: “Por que tendes hoje o rosto triste?” 8Eles lhe responderam: “Tivemos um sonho e não há ninguém para interpretá-lo.” José lhes disse: “É Deus quem dá a interpretação; mas contai-mo!” 9O copeiro-mor narrou a José o sonho que tivera: “Sonhei,” disse ele, “que havia diante de mim uma videira, 10e na videira três ramos: deram brotos, floresceram e as uvas amadureceram em cachos. 11Eu tinha na mão a taça do Faraó: peguei os cachos de uva, espremi-os na taça do Faraó e coloquei a taça na mão do Faraó.” 12José lhe disse: “Eis o que isto significa: os três ramos representam três dias. 13Mais três dias e o Faraó te erguerá a cabeça e te restituirá o emprego: colocarás a taça do Faraó em sua mão, como outrora tinhas o costume de fazer, quando eras seu copeiro. 14Lembra-te de mim, quando te suceder o bem, e sejas bondoso para falares de mim ao Faraó, a fim de que me faça sair desta prisão. 15Com efeito, fui arrebatado da terra dos hebreus e aqui mesmo nada fiz para que me pudessem prender.” 16O padeiro-mor viu que era uma interpretação favorável e disse a José: “Eu também tive um sonho: havia três cestas de bolos sobre a minha cabeça. 17Na cesta mais alta havia todos os tipos de doces que o Faraó come, mas as aves os comiam na cesta, sobre a minha cabeça.” 18José respondeu assim: “Eis o que isto significa: as três cestas representam três dias. 19Mais três dias ainda e o Faraó te erguerá a cabeça, enforcar-te-á e as aves comerão a carne acima de ti.” 20Efetivamente, no terceiro dia, que era o aniversário do Faraó, este deu um banquete a todos os seus oficiais e soltou o copeiro-mor e o padeiro-mor no meio de seus oficiais. 21Ele reabilitou o copeiro-mor na copa real e este colocou a taça na mão do Faraó; 22quanto ao padeiro-mor, enforcou-o, como José lhe havia explicado. 23Mas o copeiro-mor não se lembrou de José; ele o esqueceu.

41 Os sonhos do Faraó1Dois anos depois sucedeu que o Faraó teve um sonho: ele estava de pé junto ao Nilo 2e viu subir do Nilo sete vacas de bela aparência e bem cevadas, que pastavam nos juncos. 3E eis que atrás delas subiram do Nilo outras sete vacas, de aparência feia e mal alimentadas, e se alinharam ao lado das primeiras, na margem do Nilo. 4E as vacas de aparência feia e mal alimentadas devoraram as sete vacas bem cevadas e belas de aparência. Então o Faraó acordou. 5Ele tornou a dormir e teve um segundo sonho: sete espigas subiam de uma mesma haste, granadas e belas. 6Mas eis que sete espigas mirradas e queimadas pelo vento oriental nasciam atrás delas. 7E as espigas mirradas devoraram as sete espigas granadas e cheias. Então o Faraó acordou: era um sonho! 8De manhã, com o espírito conturbado, o Faraó chamou todos os magos e todos os sábios do Egito e lhes contou o sonho que tivera, mas ninguém pôde explicá-lo ao Faraó. 9Então o copeiro-mor dirigiu a palavra ao Faraó e disse: “Devo confessar hoje minhas faltas! 10O Faraó se irritara contra seus servos e os mandara prender na casa do comandante dos guardas, eu e o padeiro-mor. 11Tivemos um sonho, ele e eu, na mesma noite, mas a significação do sonho era diferente para cada um. 12Havia ali conosco um jovem hebreu, um escravo do comandante dos guardas. Nós lhe contamos nossos sonhos e ele no-los interpretou: ele interpretou o sonho de cada um. 13E exatamente como ele nos explicara, assim aconteceu: eu fui restituído em meu emprego e o outro foi enforcado.” 14Então o Faraó mandou chamar José, e depressa ele foi trazido da prisão. Ele se barbeou, mudou de roupa e se apresentou diante do Faraó. 15O Faraó disse a José: “Eu tive um sonho e ninguém pode interpretá-lo. Mas ouvi dizer de ti que quando ouves um sonho podes interpretá-lo.” 16José respondeu ao Faraó: “Quem sou eu! É Deus quem dará ao Faraó uma resposta favorável.” 17Então o Faraó falou assim a José: “Em meu sonho, parecia-me que estava de pé na margem do Nilo. 18Eis que subiram do Nilo sete vacas bem cevadas e de bela aparência, que pastavam nos juncos. 19Mas eis que outras sete subiram depois delas, extenuadas, de aparência feia e mal alimentadas, jamais vi tão feias em toda a terra do Egito. 20As vacas magras e feias devoraram as sete primeiras, as vacas gordas. 21E depois que as devoraram, não demonstravam tê-las devorado, porque sua aparência permanecia tão feia quanto no início. Então acordei. 22Depois vi em sonho sete espigas subindo de uma mesma haste, cheias e belas. 23Mas eis que sete espigas secas, mirradas e queimadas pelo vento oriental, nasceram depois delas. 24E as espigas mirradas devoraram as sete espigas belas. Eu narrei isso aos magos, mas não há ninguém que me dê a resposta.” 25José disse ao Faraó: “O Faraó teve apenas um sonho: Deus anunciou ao Faraó o que ele vai realizar. 26As sete vacas belas representam sete anos e as sete espigas belas representam sete anos, é um só e mesmo sonho. 27As sete vacas magras e feias que sobem em seguida representam sete anos e também as sete espigas mirradas e queimadas pelo vento oriental: é que haverá sete anos de fome. 28É como eu disse ao Faraó; Deus mostrou ao faraó o que vai realizar: 29eis que vêm sete anos em que haverá grande abundância em toda a terra do Egito; 30depois lhes sucederão sete anos de fome, e se esquecerá toda a abundância na terra do Egito; a fome esgotará a terra, 31e não mais se saberá o que era a abundância na terra, em face dessa fome que se seguirá, pois ela será duríssima. 32E se o sonho do Faraó se repetiu mais duas vezes, é porque o fato está bem decidido da parte de Deus e Deus tem pressa em realizá-lo. 33“Agora, que o Faraó escolha um homem inteligente e sábio e o estabeleça sobre a terra do Egito. 34Que o Faraó aja e institua funcionários na terra, tome a quinta parte dos produtos da terra do Egito durante os sete anos de abundância, 35e eles reúnam todos os víveres desses bons anos que vêm, armazenem o trigo sob a autoridade do Faraó, coloquem os víveres nas cidades e os guardem. 36Esses víveres servirão de reserva à terra para os sete anos de fome que se abaterão sobre a terra do Egito, e a terra não será exterminada pela fome.”

Exaltação de José37O conselho agradou ao Faraó e a todos os seus oficiais 38e o Faraó disse a seus oficiais: “Encontraremos um homem como este, em quem esteja o espírito de Deus?” 39Então o Faraó disse a José: “Visto que Deus te fez saber tudo isso, não há ninguém tão inteligente e sábio como tu. 40Tu serás o administrador do meu palácio e todo o meu povo se conformará às tuas ordens, só no trono te precederei.” 41O Faraó disse a José: “Vê: eu te estabeleço sobre toda a terra do Egito,” 42e o Faraó tirou o anel de sua mão e o colocou na mão de José, e o revestiu com vestes de linho fino e lhe pôs no pescoço o colar de ouro. 43Ele o fez subir sobre o melhor carro que havia depois do seu, e gritava-se diante dele “Abrec.” Assim foi ele preposto a toda a terra do Egito. 44O Faraó disse a José: “Eu sou o Faraó, mas sem tua permissão ninguém erguerá a mão ou o pé em toda a terra do Egito.” 45E o Faraó impôs a José o nome de Safanet-Fanec, e lhe deu como mulher Asenet, filha de Putifar, sacerdote de On. E José saiu a percorrer o Egito. 46José tinha trinta anos quando se apresentou diante do Faraó, rei do Egito, e José deixou a presença do Faraó e percorreu toda a terra do Egito. 47Durante os sete anos de abundância a terra produziu copiosamente 48e ele reuniu todos os víveres dos sete anos em que houve abundância na terra do Egito e depositou os víveres nas cidades, colocando em cada cidade os víveres dos campos vizinhos. 49José armazenou o trigo como a areia do mar, em tal quantidade que se renunciou a medi-lo, pois isso ultrapassava toda medida.

Os filhos de José50Antes que viesse o ano da fome, nasceram a José dois filhos que lhe deu Asenet, filha de Putifar, sacerdote de On. 51 José deu ao mais velho o nome de Manassés, “pois”, disse ele, “Deus me fez esquecer meus trabalhos e toda a família de meu pai.” 52Quanto ao segundo ele o chamou de Efraim, “porque,” disse ele, “Deus me tornou fecundo na terra de minha infelicidade.” 53Chegaram ao fim os sete anos de abundância que houve na terra do Egito 54e começaram a vir os sete anos de fome, como predissera José. Havia fome em todas as terras, mas havia pão em todas as regiões do Egito. 55Depois toda a terra do Egito sofreu fome e o povo, com grandes gritos, pediu pão ao Faraó, mas o Faraó disse a todos os egípcios: “Ide a José e fazei o que ele vos disser.” 56A fome assolava toda a terra. — Então José abriu todos os armazéns de trigo e vendeu mantimento aos egípcios. Agravou-se ainda mais a fome na terra do Egito. 57De toda a terra se veio ao Egito para comprar mantimento com José, pois a fome se agravou por toda a terra.

42 Primeiro encontro de José com seus irmãos1Jacó, vendo que havia mantimento à venda no Egito, disse a seus filhos: “Por que estais aí a olhar uns para os outros? 2Eu soube,” disse-lhes, “que há mantimento para vender no Egito. Descei e comprai mantimento para nós, a fim de que vivamos e não morramos.” 3Dez dos irmãos de José desceram, pois, ao Egito para comprar trigo. 4Quanto a Benjamim, o irmão de José, Jacó não o enviou com os outros: “Não convém,” disse para consigo, “que lhe suceda alguma desgraça.” 5Foram, pois, os filhos de Israel comprar mantimento, misturados com outros forasteiros, porque a fome assolava a terra de Canaã. 6José — ele tinha autoridade na terra — era quem vendia o mantimento a todo o povo da terra. Os irmãos de José chegaram e se prostraram diante dele, com a face por terra. 7Logo que José viu seus irmãos ele os reconheceu, mas fingiu ser estrangeiro para eles e lhes falou duramente. Perguntou-lhes: “De onde vindes?” E eles responderam: “Da terra de Canaã, para comprar víveres.” 8Assim José reconheceu seus irmãos, mas eles não o reconheceram. 9José se lembrou dos sonhos que tivera a seu respeito e lhes disse: “Vós sois espiões! É para reconhecer os pontos fracos da terra que viestes.” 10Eles protestaram: “Não, meu senhor! Teus servos vieram para comprar víveres. 11Somos todos filhos de um mesmo homem, somos sinceros, teus servos não são espiões.” 12Mas ele lhes disse: “Não! Foi para ver os pontos fracos da terra que viestes.” 13Eles responderam: “Teus servos eram doze irmãos, nós somos filhos de um mesmo homem, na terra de Canaã: o mais novo está agora com nosso pai e há um que não mais existe.” 14José retomou: “É como eu vos disse: vós sois espiões! 15Eis como sereis provados: pela vida do Faraó, não partireis daqui sem que primeiro venha o vosso irmão mais novo! 16Enviai um de vós para buscar vosso irmão; os demais ficam prisioneiros. Provareis vossas palavras e se verá se a verdade está convosco ou não. Se não, pela vida do Faraó, sois espiões.” 17E pôs a todos na prisão por três dias. 18No terceiro dia, José lhes disse: “Eis o que fareis para terdes salva a vida, pois eu temo a Deus: 19se sois sinceros, que um de vossos irmãos fique detido na vossa prisão; quanto aos demais, parti levando o mantimento de que vossas famílias necessitam. 20Trazei-me vosso irmão mais novo: assim vossas palavras serão verificadas e não morrereis.” — Assim fizeram eles. — 21Eles disseram uns aos outros: “Em verdade, expiamos o que fizemos a nosso irmão: vimos a aflição de sua alma, quando ele nos pedia graça, e não o ouvimos. Por isso nos veio esta aflição.” 22Rúben lhes respondeu: “Não vos disse para não cometerdes falta contra o menino? Mas vós não me ouvistes e eis que se nos pede conta de seu sangue.” 23Eles não sabiam que José os compreendia, porque, entre José e eles estava o intérprete. 24Então se afastou deles e chorou. Depois voltou para eles e lhes falou; tomou dentre eles a Simeão e o algemou sob seus olhos.

Retorno dos filhos de Jacó a Canaã25 José deu ordem de encher de trigo suas sacas, de restituir o dinheiro de cada um em sua bolsa e lhes dar provisões para o caminho. E assim lhes foi feito. 26Eles carregaram o mantimento sobre seus jumentos e se foram. 27Mas quando um deles, de noite, no acampamento, abriu a saca de trigo para dar forragem a seu jumento, viu que seu dinheiro estava na boca da saca de trigo. 28Ele disse a seus irmãos: “Devolveram o meu dinheiro, eis que está na minha saca de trigo!” Então desfaleceu-lhes o coração e se entreolharam tremendo e disseram: “Que é isto que Deus nos fez?” 29Voltando para a casa de Jacó, na terra de Canaã, contaram-lhe tudo o que lhes sucedera. 30“O homem que é senhor da terra,” disseram eles, “nos falou duramente e nos tomou por espiões da terra. 31Nós lhe disse mos: ‘Somos sinceros, não somos espiões: 32nós éramos doze irmãos, filhos de um mesmo pai; um de nós não existe mais e o mais novo está agora com nosso pai, na terra de Canaã’. 33Mas o homem que é senhor do país nos respondeu: ‘Eis como saberei se sois sinceros: deixai comigo um de vossos irmãos, tomai o mantimento de que necessitam vossas famílias e parti; 34mas trazei-me vosso irmão mais jovem e saberei que não sois espiões, mas que sois sinceros. Então eu vos devolverei vosso irmão e podereis circular na terra.’ ” 35Quando eles esvaziavam suas sacas, eis que cada qual tinha em sua saca a bolsa de dinheiro, e quando eles viram suas bolsas de dinheiro tiveram medo, eles e seu pai. 36Então seu pai Jacó lhes disse: “Vós me privais de meus filhos: José não existe mais, Simeão não existe mais e quereis tomar Benjamim: é sobre mim que tudo isso recai!” 37Mas Rúben disse a seu pai: “Mata os meus dois filhos se eu to não restituir. Entrega-mo e eu to trarei de volta!” 38Mas ele retrucou: “Meu filho não descerá convosco: seu irmão morreu e ele ficou só. Se lhe suceder desgraça na viagem que ireis fazer, na aflição faríeis descer minhas cãs ao Xeol.”

43 Os filhos de Jacó retornam com Benjamim 1Mas a fome assolava a terra 2e quando eles acabaram de comer o mantimento que trouxeram do Egito, disse-lhes seu pai: “Retornai e comprai um pouco de víveres para nós.” 3Judá lhe respondeu: “Aquele homem nos advertiu expressamente: ‘Não sereis admitidos em minha presença, a menos que vosso irmão esteja convosco.’ 4Se estás preparado para deixar nosso irmão partir conosco, desceremos e compraremos víveres para ti; 5mas se não o deixas partir, não desceremos, pois o homem nos disse: ‘Não sereis admitidos em minha presença, a menos que vosso irmão esteja convosco.’ ” 6Israel disse: “Por que me fizestes esse mal dizendo àquele homem que tínheis ainda um irmão?” — 7“O homem,” responderam eles, “perguntou sobre nós e sobre nossa família, indagando: ‘Vosso pai ainda vive? Tendes um irmão?,’ e nós respondemos a suas perguntas. Podíamos nós saber que ele diria: ‘Trazei vosso irmão’?” 8Então Judá disse a seu pai Israel: “Deixa ir comigo o menino. Vamos, ponhamo-nos a caminho, para conservarmos a vida e não morrermos, nós, tu conosco e os nossos filhos. 9Eu me torno responsável por ele, a mim pedirás conta dele; se me suceder de não to restituir e não trazê-lo diante de teus olhos, serei culpado durante toda a minha vida. 10Se não nos tivéssemos demorado tanto, já estaríamos de volta pela segunda vez!” 11Então seu pai Jacó lhes disse: “Se é necessário, fazei assim: tomai em vossas bagagens os melhores produtos da terra para levardes como presente a este homem, um pouco de bálsamo e um pouco de mel, alcatira e ládano, pistácias e amêndoas. 12Tomai convosco uma segunda quantia de dinheiro e levai de volta o dinheiro que foi posto na boca de vossas sacas de trigo: talvez tenha sido um descuido. 13Tomai vosso irmão e parti, retornai para junto deste homem. 14Que El Shaddai vos faça encontrar misericórdia junto desse homem e que ele vos deixe trazer vosso outro irmão e Benjamim. Quanto a mim, que eu perca meus filhos, se os devo perder!”

O encontro com José15Os homens tomaram, pois, esse presente, o dinheiro em dobro com eles, e Benjamim; partiram e desceram ao Egito e se apresentaram diante de José. 16Quando José os viu com Benjamim, disse a seu intendente: “Conduze esses homens à casa, abate um animal e prepara-o, porque esses homens comerão comigo ao meio-dia.” 17O homem fez como José ordenara e conduziu os homens à casa de José. 18Os homens se amedrontaram porque eram conduzidos à casa de José, e disseram: “É por causa do dinheiro que voltou em nossas sacas de trigo, na primeira vez, que nos conduzem: vão nos agarrar, cair sobre nós e nos tomar como escravos, com nossos jumentos.” 19Eles se aproximaram do intendente de José e lhe falaram na entrada da casa: 20“Perdão, meu senhor!”, disseram eles, “nós descemos uma primeira vez para comprar víveres 21e, quando chegamos ao acampamento para a noite e abrimos nossas sacas de trigo, eis que o dinheiro de cada um de nós se achava na boca de sua saca, nosso dinheiro intacto, e o levamos conosco. 22Nós trouxemos outra quantia para comprar víveres. Nós não sabemos quem colocou nosso dinheiro nas sacas de trigo.” 23Mas ele respondeu: “Ficai em paz e não tenhais medo! Foi o vosso Deus e o Deus de vosso pai que vos colocou um tesouro nas sacas de trigo; vosso dinheiro chegou até mim.” E trouxe-lhes Simeão. 24O homem introduziu os homens na casa de José, trouxe-lhes água para que lavassem os pés e deu forragem a seus jumentos. 25Eles prepararam o presente, esperando que José viesse ao meio-dia, porque souberam que ali fariam refeição. 26Quando José entrou na casa, ofereceram-lhe o presente que tinham consigo e se prostraram por terra. 27Mas ele os saudou amigavelmente e perguntou: “Como está vosso velho pai, de quem me falastes: ele ainda vive?” 28Responderam: “Teu servo, nosso pai, está bem, ele ainda vive,” e se ajoelharam e se prostraram. 29Erguendo os olhos, José viu seu irmão Benjamim, o filho de sua mãe, e perguntou: “É este o vosso irmão mais novo, de que me falastes?” E dirigindo-se a ele: “Que Deus te conceda graça, meu filho”. 30E José apressou-se em sair, porque suas entranhas se comoveram por seu irmão e as lágrimas lhe vinham aos olhos: entrou em seu quarto e ali chorou. 31Tendo lavado o rosto, voltou e, contendo-se, ordenou: “Servi a refeição.” 32Serviram-no à parte, eles à parte e à parte também os egípcios que comiam com ele, porque os egípcios não podem tomar suas refeições com os hebreus: têm horror disso. 33Estavam colocados diante dele, cada qual em seu lugar, do mais velho ao mais novo, e os homem se olhavam com assombro. 34Mas ele lhes mandou, de seu prato, porções de honra, e a porção de Benjamim ultrapassava cinco vezes a de todos os outros. Com ele beberam e se embriagaram.

44 A taça de José na saca de Benjamim1Depois José disse a seu in tendente: “Enche de mantimento as sacas desses homens, quanto puderem levar, e põe o dinheiro de cada um na boca de sua saca. 2Minha taça, a de prata, tu a porás na boca da saca do mais novo, junto com o dinheiro de seu mantimento.” E assim ele fez. 3Quando amanheceu, foram despedidos os homens com seus jumentos. 4Eles tinham apenas saído da cidade e não iam longe, quando José disse a seu intendente: “Levanta! Corre atrás desses homens, alcança-os e dize-lhes: ‘Por que pagastes o bem com o mal? 5Não é o que serve a meu senhor para beber e também para ler os presságios? Procedestes mal no que fizestes!’ ” 6Ele os alcançou, pois, e lhes disse essas palavras. 7Mas eles responderam: “Por que, meu senhor, falas assim? Longe de teus servos fazerem semelhante coisa! 8Vê: o dinheiro que tínhamos encontrado na boca de nossas sacas de trigo, tornamos a trazê-lo da terra de Canaã. Como teríamos nós roubado, da casa de teu senhor, prata ou ouro? 9Aquele de teus servos com quem se encontrar o objeto será morto e nós mesmos nos tornaremos escravos de meu senhor.” 10Ele retomou: “Que seja como dissestes: aquele com quem se encontrar o objeto será meu escravo, e os demais estareis livres.” 11Depressa, cada qual pôs no chão sua saca de trigo e a abriu. 12Ele a examinou, começando pelo mais velho e terminando pelo mais novo, e a taça foi encontrada na saca de Benjamim! 13Então eles rasgaram suas roupas, carregou cada qual o seu jumento e voltaram à cidade. 14Quando Judá e seus irmãos entraram na casa de José, este ainda estava ali, e eles prostraram-se por terra diante dele. 15José lhes perguntou: “Que é isso que fizestes? Não sabíeis que um homem como eu sabe adivinhar?” 16E Judá respondeu: “Que diremos a meu senhor, como falar e como justificar-nos? Foi Deus quem mostrou a falta de teus servos. Eis-nos, pois, escravos de meu senhor, tanto nós quanto aquele nas mãos de quem se encontrou a taça.” 17Mas ele retrucou: “Longe de mim agir assim! O homem nas mãos de quem se encontrou a taça será meu escravo; mas vós, retornai em paz à casa de vosso pai.”

Intervenção de Judá18Então Judá, aproximando-se dele, disse: “Rogo-te, meu senhor, permite que teu servo faça ouvir uma palavra aos ouvidos de meu senhor, sem que tua cólera se inflame contra teu servo, pois tu és como o próprio Faraó! 19Meu senhor havia feito esta pergunta a seus servos: ‘Tendes ainda pai ou um irmão?’ 20E respondemos a meu senhor: ‘Nós temos o velho pai e um irmão mais novo, que lhe nasceu na velhice; morreu o irmão deste, ele ficou sendo o único filho de sua mãe e nosso pai o ama!’ 21Então disseste a teus servos: ‘Trazei-mo, para que ponha meus olhos sobre ele.’22Nós respondemos a meu senhor: ‘O menino não pode deixar seu pai; se ele deixar seu pai, este morrerá.’ 23Mas insististe junto a teus servos: ‘Se vosso irmão mais novo não descer convosco, não sereis mais admitidos em minha presença.’ 24Quando, pois, retornamos à casa de teu servo, meu pai, nós lhe relatamos as palavras de meu senhor. 25E quando nosso pai disse: ‘Voltai para comprar um pouco de víveres para nós,’ 26respondemos: ‘Não podemos descer. Não desceremos, a não ser que venha conosco nosso irmão mais novo, porque não será possível sermos admitidos à presença daquele homem sem que nosso irmão mais novo esteja conosco.’ 27Então teu servo, meu pai, nos disse: ‘Vós bem sabeis que minha mulher só me deu dois filhos: 28um me deixou e eu disse: foi despedaçado! E não o vi mais até hoje. 29Se tirardes ainda este de junto de mim, e lhe suceder alguma desgraça, na aflição faríeis descer minhas cãs ao Xeol.’ 30Agora, se eu chego à casa de teu servo, meu pai, sem que esteja comigo o rapaz cuja alma está ligada à alma dele, 31logo que vir que o rapaz não está conosco ele morrerá, e teus servos na aflição terão feito descer ao Xeol as cãs de teu servo, nosso pai. 32E teu servo se tornou responsável pelo rapaz junto de meu pai, nestes termos: ‘Se eu não to restituir, serei culpado para com meu pai durante toda a minha vida.’ 33Agora, que teu servo fique como escravo de meu senhor no lugar do rapaz, e que este volte com seus irmãos. 34Como poderia eu retornar à casa de meu pai sem ter comigo o rapaz? Não quero ver a infelicidade que se abaterá sobre meu pai.”

45 José se dá a conhecer1Então José não pôde se conter diante de todos os homens de seu séquito e gritou: “Fazei sair a todos de minha presença.” E ninguém ficou junto dele quando José se deu a conhecer a seus irmãos; 2mas ele chorou tão alto que todos os egípcios o ouviram, e a notícia chegou ao palácio do Faraó. 3José disse a seus irmãos: “Eu sou José! Vive ainda meu pai?” E seus irmãos não puderam lhe responder, pois estavam conturbados ao vê-lo.4Então disse José a seus irmãos: “Aproximai-vos de mim!” E eles se aproximaram. Ele disse: “Eu sou José, vosso irmão, que vendestes para o Egito. 5Mas agora não vos entristeçais nem vos aflijais por me terdes vendido para cá, porque foi para preservar vossas vidas que Deus me enviou adiante de vós. 6Há dois anos, com efeito, que a fome se instalou na terra e ainda haverá cinco anos sem semeadura e sem colheita. 7Deus me enviou adiante de vós para assegurar a permanência de vossa raça na terra e salvar vossas vidas para uma grande libertação. 8Assim, não fostes vós que me enviastes para cá, mas Deus, e ele me estabeleceu como pai para o Faraó, como senhor de toda a sua casa, como governador de todas as regiões do Egito. 9“Subi depressa à casa de meu pai e dizei-lhe: ‘Assim fala teu filho José: Deus me estabeleceu senhor de todo o Egito. Desce sem tardar para junto de mim. 10Tu habitarás na terra de Gessen, e estarás junto de mim, tu, teus filhos, teus netos, tuas ovelhas e teus bois, e tudo o que te pertence. 11Ali eu te manterei, pois a fome durará ainda cinco anos, a fim de que não fiqueis na indigência, tu, tua família e tudo o que tens.’ 12Vedes com vossos próprios olhos e meu irmão Benjamim vê que é minha boca que vos fala. 13Narrai a meu pai toda a glória que tenho no Egito e tudo o que vistes, e apressai-vos em fazer meu pai descer para cá.” 14Então ele se lançou ao pescoço de seu irmão Benjamim e chorou. Benjamim também chorou em seu pescoço. 15Em seguida ele cobriu de beijos todos os seus irmãos e, abraçando-os, chorou. Depois disso seus irmãos se entretiveram com ele.

O convite do Faraó16A notícia de que os irmãos de José tinham vindo chegou ao palácio do Faraó, e tanto o Faraó quanto seus oficiais viram isso com bons olhos. 17Assim falou o Faraó a José: “Dize a teus irmãos: ‘Fazei assim: carregai vossos animais e ide à terra de Canaã. 18Tomai vosso pai e vossas famílias e voltai para mim; eu vos darei a’ melhor terra do Egito e comereis da fartura da terra.’ 19Quanto a ti, dá-lhes esta ordem: ‘Fazei assim: levai da terra do Egito carros para vossos filhos pequenos e vossas mulheres, tomai vosso pai e vinde. 20Não tenhais nenhum pesar pelo que deixardes, porque será vosso o que houver de melhor na terra do Egito.’ ”

O retorno a Canaã 21Assim fizeram os filhos de Israel. José lhes providenciou carros conforme a ordem do Faraó, e lhes deu provisões para a viagem. 22A cada um deles deu uma roupa de festa, mas a Benjamim deu trezentos siclos de prata e cinco roupas de festa. 23 A seu pai enviou dez jumentos carregados com os melhores produtos do Egito e dez jumentas carregadas de trigo, pão e víveres para a viagem de seu pai. 24Depois despediu seus irmãos, que partiram, não antes que lhes dissesse: “Não vos exciteis no caminho!” 25Eles subiram, pois, do Egito, e chegaram à terra de Canaã, à casa de seu pai Jacó. 26Eles lhe anunciaram: “José ainda vive, é ele quem governa toda a terra do Egito!” Mas seu coração não palpitava, pois ele não acreditava. 27Entretanto, quando repetiram todas as palavras que José lhes dissera, quando viu os carros que José enviara para levá-lo, então reanimou-se o espírito de seu pai Jacó. 28E Israel disse: “Basta! José, meu filho, ainda está vivo! Que eu vá vê-lo antes de morrer!”

46 Saída de Jacó para o Egito1Israel partiu com tudo o que possuía. Chegando a Bersabéia, ofereceu sacrifícios ao Deus de seu pai Isaac, 2e Deus disse a Israel, numa visão noturna: “Jacó! Jacó!” E ele respondeu: “Eis-me aqui.” 3Deus retomou: “Eu sou El, o Deus de teu pai. Não tenhas medo de descer ao Egito, porque lá eu farei de ti uma grande nação. 4Eu descerei contigo ao Egito, eu te farei voltar a subir, e José te fechará os olhos.” 5Jacó partiu de Bersabéia, e os filhos de Israel fizeram sou pai Jacó, seus netos e suas mulheres subir nos carros que o Faraó enviara para levá-los. 6Eles tomaram seus rebanhos e tudo o que tinham adquirido na terra de Canaã e vieram para o Egito, Jacó e todos os seus descendentes com ele: 7seus filhos e os filhos de seus filhos, suas filhas e as filhas de seus filhos; todos os seus descendentes ele os levou consigo para o Egito.

A família de Jacó8Eis os nomes dos filhos de Jacó que vieram para o Egito, Jacó e seus filhos. Rúben, o mais velho de Jacó, 9e os filhos de Rúben: Henoc, Falu, Hesron, Carmi. 10Os filhos de Simeão: Jamuel, Jamin, Aod, Jaquin, Soar e Saul, o filho da cananéia. 11Os filhos de Levi: Gérson, Caat, Merari. 12Os filhos de Judá: Her, Onã, Sela, Farés e Zara (mas Her e Onã morreram na terra de Canaã), e os filhos de Farés, Hesron e Hamul. 13Os filhos de Issacar: Tola, Fua, Jasub e Semron. 14Os filhos de Zabulon: Sared, Elon, Jaelel. 15Esses são os filhos que Lia gerou a Jacó em Padã-Aram, além de sua filha Dina; ao todo, filhos e filhas, trinta e três pessoas. 16Os filhos de Gad: Safon, Hagi, Suni, Esebon, Eri, Arodi e Areli. 17Os filhos de Aser: Jamne, Jesua, Jessui, Beria e sua irmã Sara; os filhos de Beria: Héber e Melquiel. 18Esses são os filhos de Zelfa, que Labão deu à sua filha Lia; ela gerou esses para Jacó, dezesseis pessoas. 19Os filhos de Raquel, mulher de Jacó: José e Benjamim. 20José teve como filhos no Egito Manassés e Efraim, nascidos de Asenet, filha de Putifar, sacerdote de On. 21Os filhos de Benjamim: Bela, Bocor, Asbel, Gera, Naamã, Equi, Ros, Mofim, Ofim e Ared. 22Esses são os filhos que Raquel gerou para Jacó, ao todo catorze pessoas. 23Os filhos de Dã: Husim. 24Os filhos de Neftali: Jasiel, Guni, Jeser e Selém. 25Esses são os filhos de Bala, que Labão deu à sua filha Raquel; esses ela gerou para Jacó, ao todo sete pessoas. 26Os que vieram com Jacó para o Egito, seus descendentes, sem contar as mulheres dos filhos de Jacó, eram ao todo sessenta e seis. 27Os filhos de José que lhe nasceram no Egito eram em número de dois. Total das pessoas da família de Jacó que vieram para o Egito: setenta.

A acolhida de José28Israel enviou Judá na frente a José, para que este comparecesse diante dele em Gessen, e eles chegaram à terra de Gessen. 29José preparou seu carro e subiu ao encontro de seu pai Israel em Gessen. Ao vê-lo, lançou-se ao seu pescoço e, beijando-o, chorou longamente. 30Israel disse a José: “Agora posso morrer, depois que vi teu rosto e que ainda estás vivo!” 31Então José disse a seus irmãos e à família de seu pai: “Vou subir para comunicar ao Faraó e lhe dizer: ‘Meus irmãos e a família de meu pai, que estavam na terra de Canaã, vieram para junto de mim. 32Estes homens são pastores — eles se ocupam com rebanhos — e trouxeram suas ovelhas e seus bois e tudo o que lhes pertence.’ 33Assim, quando o Faraó vos chamar e vos perguntar: ‘Qual é a vossa profissão?,’ 34vós respondereis: ‘Teus servos se ocuparam de rebanhos desde sua mais tenra idade até agora, tanto nós como nossos pais.’ Deste modo podereis permanecer na terra de Gessen.” Com efeito, os egípcios têm horror aos pastores.

47 A audiência do Faraó1Foi, pois, José comunicar ao Faraó: “Meu pai e meus irmãos,” disse ele, “chegaram da terra de Canaã com suas ovelhas e seus bois e tudo o que lhes pertence; eis que estão na terra de Gessen.” 2Ele tomara cinco de seus irmãos e os apresentou ao Faraó. 3Este perguntou a seus irmãos: “Qual é a vossa profissão?” E eles responderam: “Teus servos são pastores, tanto nós como nossos pais.” 4Eles disseram também ao Faraó: “Viemos habitar nesta terra porque não há mais pastagem para os rebanhos de teus servos: a fome, com efeito, assola a terra de Canaã. Permite agora que teus servos .fiquem na terra de Gessen.” 5aEntão o Faraó disse a José: 6b“Que eles habitem a terra de Gessen e, se sabes haver entre eles homens capazes, põe-nos administradores de meus próprios rebanhos.”

Outra narrativas5bJacó e seus filhos vieram ao Egito junto a José. O Faraó, rei do Egito, sabendo disso, disse a José: “Teu pai e teus irmãos vieram para junto de ti. 6aA terra do Egito está à tua disposição: estabelece teu pai e teus irmãos na melhor região.”7Então José introduziu seu pai Jacó e o apresentou ao Faraó, e Jacó saudou o Faraó. 8O Faraó perguntou a Jacó: “Quantos são teus anos de vida?” 9E Jacó respondeu ao Faraó: “Os anos de minha peregrinação sobre a terra são cento e trinta; meus anos foram breves e infelizes, e não atingiram a idade de meus pais, os anos da peregrinação deles.” 10Jacó saudou o Faraó e despediu-se dele. 11José estabeleceu seu pai e seus irmãos e lhes deu uma propriedade na terra do Egito, na melhor região, a terra de Ramsés, como ordenara o Faraó. 12E José providenciou pão para seu pai, para seus irmãos e para toda a família de seu pai, segundo o número de seus filhos.

Política agrária de José13Não havia pão em toda a terra, pois a fome tornara-se muito dura e a terra do Egito e a terra de Canaã desfaleciam de fome. 14José reuniu todo o dinheiro que se encontrava na terra do Egito e na terra de Canaã em troca do mantimento que se comprava e entregou esse dinheiro ao palácio do Faraó. 15Quando se esgotou o dinheiro da terra do Egito e da terra de Canaã, todos os egípcios vieram a José, dizendo: “Dá-nos pão! Por que deveríamos morrer sob tua vista? Pois não há mais dinheiro.” 16Então disse José: “Trazei vossos rebanhos e vos darei pão’ em troca de vossos rebanhos, se não há mais dinheiro.” 17Eles trouxeram seus rebanhos a José e este lhes deu pão em troca de cavalos, de ovelhas, de bois e de jumentos; naquele ano ele os sustentou de pão em troca de seus rebanhos. 18Quando terminou aquele ano, no ano seguinte voltaram a ele e lhe disseram: “Não podemos ocultá-lo a meu senhor: esgotou-se, na verdade, o dinheiro e os animais já pertencem a meu senhor, nada mais resta à disposição de meu senhor senão nossos corpos e nosso terreno. 19Por que deveríamos morrer sob tua vista, nós e nosso terreno? Compra-nos, pois, a nós e a nosso terreno em troca de pão, e nós seremos, com nosso terreno, os servos do Faraó. Mas dá-nos semente a fim de que vivamos e não morramos, e o nosso terreno não fique desolado.” 20Comprou assim José, para o Faraó, todos os terrenos do Egito, pois os egípcios venderam, cada qual, o seu campo, tanto os impelia a fome, e o país passou às mãos do Faraó. 21Quanto aos homens, ele os reduziu à servidão, de uma extremidade a outra do território egípcio. 22Somente o terreno dos sacerdotes ele não comprou, pois os sacerdotes recebiam uma renda do Faraó e viviam da renda que recebiam do Faraó. Por isso não tiveram que vender seu terreno. 23Depois José disse ao povo: “Agora, portanto, eu vos comprei para o Faraó, com vosso terreno. Eis aqui as sementes para semear vosso terreno. 24Mas, das colheitas, deveis dar um quinto ao Faraó, e as outras quatro partes serão vossas, para a semeadura do campo, para vosso sustento e o de vossa família, para que comam vossos filhos.” 25Eles responderam: “Tu nos salvaste a vida! Achemos graça aos olhos de meu senhor e seremos os servos do Faraó.” 26José fez disso uma regra, que vale ainda hoje para todos os terrenos do Egito: a quinta parte é depositada para o Faraó. Só o terreno dos sacerdotes não ficou sendo do Faraó.

Últimas vontades de Jacó27Assim Israel estabeleceu-se na terra do Egito, na região de Gessen. Aí eles adquiriram propriedades, foram fecundos e se tornaram muito numerosos. 28Jacó viveu dezessete anos na terra do Egito e a duração da vida de Jacó foi de cento e quarenta e sete anos. 29Aproximando-se para Israel o tempo de sua morte, chamou seu filho José e lhe disse: “Se tenho o teu afeto, põe tua mão sob minha coxa, mostra-me benevolência e bondade: peço-te que não me enterres no Egito! 30Quando eu tiver dormido com meus pais, tu me levarás do Egito e me enterrarás no túmulo deles.” Ele respondeu: “Eu farei como disseste.” 31Mas seu pai insistiu: “Jura-me.” E ele jurou, enquanto Israel se inclinava sobre a cabeceira de seu leito.  48 Jacó adota e abençoa os dois filhos de José1Aconteceu que, do pois desses fatos, foi dito a José: “Eis que teu pai está doente!” E ele levou consigo seus dois filhos, Manassés e Efraim. 2Quando se anunciou a Jacó: “Eis aqui teu filho José, que veio para junto de ti,” Israel reuniu suas forças e sentou-se no leito. 3Depois Jacó disse a José: “El Shaddai me apareceu em Luza, na terra de Canaã, e me abençoou 4e disse: ‘Eu te tornarei fecundo e te multiplicarei, eu te farei tornar uma assembléia do povos e darei esta terra como posse perpétua a teus descendentes.’ 5Agora, os dois filhos que te nasceram na terra do Egito, antes que eu viesse para junto de ti no Egito, serão meus! Efraim e Manassés serão meus, como Rúben e Simeão. 6Quanto aos filhos que geraste depois deles, serão teus; em nome de seus irmãos receberão a herança. 7“Quando eu voltava de Padã, tua mãe Raquel morreu, para minha infelicidade, na terra de Canaã, em viagem, a pouca distância de Efrata, e eu a enterrei lá no caminho de Éfrata, que é Belém.” 8Israel viu os dois filhos de José e perguntou: “Quem são estes?” — 9“São os filhos que Deus me deu aqui,” respondeu José a seu pai; e este retomou: “Traze-os perto de mim, para que eu os abençoe.” 10Ora, os olhos de Israel estavam enfraquecidos pela velhice; ele não via mais, e José os fez aproximar-se dele, que os beijou e os apertou entre os braços. 11E Israel disse a José: “Eu não pensava rever teu rosto e eis que Deus me fez ver até teus descendentes!” 12Então José os retirou de seu colo e se prostrou com o rosto por terra. 13José tomou a ambos, Efraim com sua mão direita para que ficasse à esquerda de Israel, Manassés com sua mão esquerda para que ficasse à direita de Israel, e os aproximou dele. 14Mas Israel estendeu a mão direita e a colocou sobre a cabeça de Efraim, que era o mais novo, e a mão esquerda sobre a cabeça de Manassés, cruzando as mãos — embora o mais velho fosse Manassés. 15Ele abençoou a José, dizendo: “Que o Deus diante de quem caminharam meus pais Abraão e Isaac, que o Deus que foi meu pastor desde que eu vivo até hoje, 16que o Anjo que me salvou de todo mal abençoe estas crianças, que nelas sobrevivam o meu nome e o nome de meus pais, Abraão e Isaac, que elas cresçam e se multipliquem sobre a terra!” 17Entretanto José viu que seu pai punha a mão direita sobre a cabeça de Efraim e isso lhe desagradou. Ele tomou a mão de seu pai a fim de desviá-la da cabeça de Efraim para a cabeça de Manassés, 18e José disse a seu pai: “Não assim, pai, pois é este o mais velho: põe tua mão direita sobre sua cabeça.”19Mas seu pai recusou-se e disse: “Eu sei, meu filho, eu sei: também ele se tornará um povo, também ele será grande. Entretanto, seu filho mais moço será maior que ele, sua descendência se tornará uma multidão de nações.” 20Naquele dia, ele os abençoou assim: “Sede” uma bênção em Israel e que se diga: Que Deus te torne semelhante a Efraim e a Manassés!” colocando assim Efraim antes de Manassés. 21Depois Israel disse a José: “Eis que vou morrer, mas Deus estará convosco e vos reconduzirá à terra de vossos pais. 22Quanto a mim, eu te dou um Siquém a mais que a teus irmãos, o que conquistei dos amorreus com minha espada e com meu arco.”

49 Bênçãos de Jacó1Jacó chamou seus filhos e disse: “Reuni-vos, eu vos anunciarei o que vos acontecerá nos tempos vindouros. 2Reuni-vos, escutai, filhos de Jacó, escutai Israel, vosso pai: 3Rúben, tu és meu primogênito, meu vigor, as primícias de minha virilidade, cúmulo de altivez e cúmulo de força, 4impetuoso como as águas: não serás colmado, porque subiste ao leito de teu pai e profanaste minha cama, contra mim! 5Simeão e Levi são irmãos, levaram a cabo a violência de suas intrigas.6Que minha alma não entre em seu conselho, que meu coração não se una ao seu grupo, porque na sua cólera mataram homens, em seu capricho mutilaram touros. 7Maldita sua cólera por seu rigor, maldito seu furor por sua dureza. Eu os dividirei em Jacó, eu os dispersarei em Israel. 8Judá, teus irmãos te louvarão,tua mão está sobre a cerviz de teus inimigos e os filhos de teu pai se inclinarão diante de ti. 9Judá é um leãozinho: da presa, meu filho, tu subiste; agacha-se, deita-se como um leão, como leoa: quem o despertará? 10O cetro não se afastará de Judá, nem o bastão de chefe de entre seus pés, até que o tributo lhe seja trazido e que lhe obedeçam os povos. 11Liga à vinha seu jumentinho, à cepa o filhote de sua jumenta, lava sua roupa no vinho, seu manto no sangue das uvas, 12seus olhos estão turvos de vinho, seus dentes brancos de leite. 13Zabulon reside à beira-mar, é marinheiro sobre os navios, tem Sidônia a seu lado. 14Issacar é um jumento robusto, deitado no meio dos cerrados. 15Ele viu que o repouso era bom, que a terra era agradável, baixou seu ombro à carga, e sujeitou-se ao trabalho escravo. 16Dã julga seu povo, como cada tribo de Israel. 17Dã é uma serpente sobre o caminho, uma cerasta sobre a vereda, que morde os talões do cavalo e o cavaleiro cai para trás! 18Em tua salvação eu espero, ó Iahweh! 19Gad, guerrilheiros o guerrilharão e ele guerreia e os fustiga. 20Aser, seu pão é abundante, ele oferece manjares de rei. 21Neftali é uma gazela veloz que tem formosas crias.22José é um rebento fecundo perto da fonte, cujas canas ultrapassam o muro. 23Os arqueiros o exasperaram, atiraram e o aborreceram. 24Mas seu arco foi quebrado por um poderoso, foram rompidos os nervos de seus braços pelas mãos do Poderoso de Jacó, pelo Nome da Pedra de Israel, 25pelo Deus de teu pai, que te socorre, por El Shaddai? que te abençoa: Bênçãos dos céus no alto, bênçãos do abismo deitado embaixo, bênçãos das mamas e do seio, 26bênçãos dos espinhos e das flores, bênçãos das montanhas antigas, atração das colinas eternas, que elas venham sobre a cabeça de José, sobre a fronte do consagrado entre seus irmãos! 27Benjamim é um lobo voraz, de manhã devora uma presa, até à tarde reparte o despojo.” 28Todos estes formam as tribos de Israel, em número de doze, e eis o que lhes disse seu pai. Ele os abençoou: a cada um deu uma bênção que lhe convinha.

Últimos momentos e morte de Jacó29Depois lhes deu esta ordem: “Eu vou me reunir aos meus. Enterrai-me junto de meus pais, na gruta que está no campo de Efron, o heteu, 30na gruta do campo de Macpela, diante de Mambré, na terra de Canaã, que Abraão comprara de Efron, o heteu, como posse funerária. 31Lá foram enterrados Abraão e sua mulher Sara, lá foram enterrados Isaac e sua mulher Rebeca, lá eu enterrei Lia: 32o campo e a gruta que nele está, que foram comprados dos filhos de Het.” 33Quando Jacó acabou de dar suas instruções a seus filhos, recolheu os pés sobre o leito; ele expirou e foi reunido aos seus.

50 Funerais de Jacó1Então José se lançou sobre o rosto de seu pai, cobriu-o de lágrimas e de beijos. 2Em seguida José deu ordem aos médicos que estavam a seu serviço de embalsamar seu pai, e os médicos embalsamaram Israel. 3Isto durou quarenta dias, pois é essa a duração do embalsamamento. Os egípcios o choraram setenta dias. 4Quando terminaram os tempos de luto, José falou assim no palácio do Faraó: “Se tendes amizade por mim. dizei isto aos ouvidos do Faraó: 5meu pai me fez prestar este juramento ‘eu vou morrer,’ disse-me ele; ‘tenho um túmulo que ma dei cavar na terra de Canaã, é lá que me enterrarás.’ Que me seja permitido, pois, subir para enterrar meu pai, depois voltarei.” 6O Faraó respondeu. “Sobe e enterra teu pai como ele te fez jurar.” 7José subiu para enterrar seu pai, e com ele subiram todos os oficiais do Faraó, os dignitários de seu palácio e todos os dignitários da terra do Egito, 8bem como toda a família de José, seus irmãos e a família de seu pai. Na terra de Gessen, só deixaram os inválidos, as ovelhas e os bois. 9Com ele subiram também carros e cocheiros: era um cortejo muito imponente. 10Chegando a Goren-Atad — está além do Jordão —, aí fizeram uma grande e solene lamentação, e José celebrou por seu pai um luto de sete dias. 11Os habitantes da terra, os cananeus, viram o luto em Goren-Atad: “Eis um grande luto para os egípcios;” e foi por isso que se chamou este lugar de Abel-Mesraim — região que está além do Jordão. 12Seus filhos fizeram o que ele lhes tinha ordenado 13e o transportaram para a terra de Canaã e o enterraram na gruta do campo de Macpela, que Abraão comprara de Efron, o heteu, como posse funerária, diante de Mambré. 14José voltou então ao Egito, bem como seus irmãos e todos os que tinham subido com ele para enterrar seu pai.

Da morte de Jacó à morte de José15Vendo que seu pai estava morto, disseram entre si os irmãos de José: “E se José for nos tratar como inimigos e nos retribuir todo o mal que lhe fizemos? 16Por isso, mandaram dizer a José: “Antes de morrer, teu pai expressou esta vontade: 17‘Assim falareis a José: Perdoa a teus irmãos seu crime e seu pecado, todo o mal que te fizeram!’ Agora, pois, queiras perdoar o crime dos servos do Deus de teu pai!” E José chorou ouvindo as palavras que lhe dirigiam. 18Vieram os seus próprios irmãos e, lançando-se a seus pés, disseram: “Eis-nos aqui como teus escravos!” 19Mas José lhes disse: “Não tenhais medo algum! Acaso estou no lugar de Deus? 20O mal que tínheis intenção de fazer-me, o desígnio de Deus o mudou em bem, a fim de cumprir o que se realiza hoje: salvar a vida a um povo numeroso. 21Agora não temais: eu vos sustentarei, bem como a vossos filhos.” Ele os consolou e lhes falou afetuosamente. 22Assim, José e a família de seu pai permaneceram no Egito, e José viveu cento e dez anos. 23José viu os filhos de Efraim até à terceira geração, e também os filhos de Maquir, filho de Manassés, nascidos sobre os joelhos de José. 24Enfim José disse a seus irmãos: “Eu vou morrer, mas Deus vos visitará e vos fará subir deste país para a terra que ele prometeu, com juramento, a Abraão, Isaac e Jacó.” 25E José fez os filhos de Israel jurarem: “Quando Deus vos visitar, levareis os meus ossos daqui.” 26José morreu com a idade de cento e dez anos; embalsamaram-no e foi posto num sarcófago, no Egito.

ÊXODO
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