ECLESIÁSTICO

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SABEDORIA
ISAÍAS

ECLESIÁSTICO

Prólogo do tradutor

Visto que a Lei, os Profetas 2e os outros escritores, que se seguiram a eles, deram-nos tantas e tão grandes lições, 3pelas quais convém louvar Israel por sua instrução e sua sabedoria, 4e como, além do mais, é um dever não apenas adquirir ciência pela leitura, 5mas, ainda, uma vez instruído, colocar-se á serviço dos de fora, 6por palavras e por escritos: 7meu avô Jesus, depois de dedicar-se intensamente à leitura 8da Lei, 9dos Profetas e 10dos outros livros dos antepassados, 11e depois de adquirir neles uma grande experiência, 12ele próprio sentiu necessidade de escrever algo sobre a instrução e a sabedoria, 13a fim de que os que amam a instrução, submetendo-se a essas disciplinas, 14progridam muito mais no viver segundo a Lei. 15Sois, portanto, convidados 16a ler 17com benevolência e atenção 18e a serdes indulgentes 19onde, a despeito do esforço de interpretação, parecermos 20enfraquecer algumas das expressões: 21é que não tem a mesma força, 22quando se traduz para uma outra língua, aquilo que é dito originariamente em hebraico; 23não só este livro, 24mas a própria Lei, os Profetas 25e o resto dos livros 26têm grande diferença nos originais. 27Ora, no trigésimo oitavo ano do falecido rei Evergetes,28indo ao Egito e sendo-lhe contemporâneo, 29encontrei uma vida segundo uma alta sabedoria, 30e eu julguei muito necessário dedicar cuidado e esforço para traduzir este livro. 31Dediquei muitas vigílias e ciência 32durante este período, 33a fim de levar a bom termo o trabalho e publicar o livro 34para os que, fora da pátria, desejam instruir-se, 35reformar os costumes e viver conforme a Lei.

I. Coleção de sentenças

A origem da sabedoria 1 1Toda sabedoria vem do Senhor, ela está junto dele desde sempre. 2A areia do mar, os pingos da chuva, os dias da eternidade, quem os poderá contar? 3A altura do céu, a amplidão da terra, a profundeza do abismo, quem as poderá explorar? 4Antes de todas essas coisas foi criada a Sabedoria, e a inteligência prudente existe desde sempre. 6A quem foi revelada a raiz da sabedoria? Seus recursos, quem os conhece? 8Só um é sábio, sumamente terrível quando se assenta em seu trono: 9é o Senhor. Ele a criou, a viu, a enumerou e a difundiu em todas as suas obras, 10em toda carne segundo sua generosidade, e a doou aos que o amam.

O temor de Deus

11O temor do Senhor é glória e honra, alegria e coroa de exultação. 12O temor do Senhor alegra o coração, dá contentamento, gozo e vida longa. 13Para o que teme ao Senhor tudo terminará bem, no dia de sua morte será abençoado. 14O princípio da sabedoria é temer ao Senhor, com os fiéis, no seio materno, ela foi criada.  15Entre os homens, ela fez um ninho, fundação eterna, e com a sua raça ela vive fielmente. 16A plenitude da sabedoria é temer ao Senhor, ela os inebria com os seus frutos; 17ela enche toda a sua casa com tesouros e os celeiros com seus produtos. 18A coroa da sabedoria é o temor do Senhor, ela faz florescer o bem-estar e a saúde. 19O Senhor a viu e a enumerou, ele fez chover a ciência e a inteligência, exaltou a glória daqueles que a possuem. 20A raiz da sabedoria é temer ao Senhor, os seus ramos são uma vida longa.

Paciência e domínio de si

22A paixão do ímpio não poderá justificá-lo, porque o ímpeto de sua cólera é a sua ruína. 23O paciente resistirá até o momento oportuno, mas depois a alegria brotará para ele. 24Até o momento oportuno calará suas razões, mas os lábios de muitos narrarão sua inteligência.

Sabedoria e retidão

25Nos tesouros da sabedoria estão as máximas da ciência, mas para o pecador a religião é execrável. 26Desejas a sabedoria? Guarda os mandamentos e o Senhor dar-ta-á em profusão;  27porque o temor do Senhor é sabedoria e instrução, e seu agrado é fé e mansidão.  28Não desobedeças ao temor do Senhor e não vás a ele com um coração fingido. 29Não sejas hipócrita diante do mundo e cuida de teus lábios. 30Não te eleves para não caíres e atraíres sobre ti a vergonha,  porque o Senhor revelará os teus segredos e, no meio da assembléia, te precipitará,  pois não te aproximaste do temor do Senhor, e o teu coração está cheio de fraude.

O temor de Deus na provação

2 1Filho, se te dedicares a servir ao Senhor, prepara-te para a prova. 2Endireita teu coração e sê constante, não te apavores no tempo da adversidade. 3Une-te a ele e não te separes, a fim de seres exaltado no teu último dia. 4Tudo o que te acontecer, aceita-o, e nas vicissitudes de tua pobre condição sê paciente, 5pois o ouro se prova no fogo, e os eleitos, no cadinho da humilhação. 6Confia no Senhor, ele te ajudará, endireita teus caminhos e espera nele. 7Vós que temeis ao Senhor, contai com sua misericórdia e não vos afasteis para não cairdes. 8Vós que temeis ao Senhor, tende confiança nele e a recompensa não vos faltará. 9Vós que temeis ao Senhor, esperai bens, alegria eterna e misericórdia. 10Considerai as gerações passadas e vede: quem confiou no Senhor e ficou desiludido? Ou quem perseverou no seu temor e foi abandonado? Ou quem clamou por ele e ele o desprezou? 11Porque o Senhor é compassivo e misericordioso, perdoa os pecados e salva no dia da tribulação. 12Ai dos corações covardes e das mãos fracas, e do pecador que segue dois caminhos.  13Ai do coração fraco, pois não acredita, por isso não será protegido. 14Ai de vós que perdestes a paciência:  que fareis quando o Senhor vos visitar?  15Os que temem ao Senhor não desobedecem às suas palavras, os que o amam observam seus caminhos.  16Os que temem ao Senhor procuram o seu beneplácito, os que o amam saciam-se com a lei, 17Os que temem ao Senhor preparam os seus corações e diante dele se humilham. 18Caiamos nas mãos do Senhor e não nas dos homens, pois tal como é sua grandeza, assim é sua misericórdia.

Deveres para com os pais

3 1Filhos, escutai-me, sou vosso pai, e fazei o que eu vos digo para serdes salvos. 2Pois o Senhor glorifica o pai nos filhos e fortalece a autoridade da mãe sobre a prole. 3Aquele que respeita o pai obtém o perdão dos pecados,  4o que honra a sua mãe é como quem ajunta um tesouro.  5Aquele que respeita o pai encontrará alegria nos filhos e no dia de sua oração será atendido. 6Aquele que honra o pai viverá muito, e o que obedece ao Senhor alegrará sua mãe. 7Ele servirá a seus pais como ao seu Senhor.  8Em atos e palavras respeita teu pai, a fim de que venha sobre ti sua bênção.  9Porque a bênção do pai consolida a casa dos filhos, mas a maldição da mãe desenraíza os alicerces. 10Não te glories com a desonra de teu pai, porque não é nenhuma glória para ti a desonra do pai. 11Pois a glória do homem está na honra de seu pai, e é infâmia para os filhos a má reputação da mãe. 12Filho, cuida de teu pai na velhice, não o desgostes em vida. 13Mesmo se a sua inteligência faltar, sê indulgente com ele, não o menosprezes, tu que estás em pleno vigor. 14Pois uma caridade feita a um pai não será esquecida, e no lugar dos teus pecados ela valerá como reparação. 15No dia de tua provação, o Senhor lembrar-se-á de ti, como a geada ao sol, assim os teus pecados serão dissolvidos.  16É como um blasfemador, aquele que despreza seu pai, e um amaldiçoado pelo Senhor aquele que irrita a sua mãe.

A humildade

17Filho, conduze teus negócios com doçura e serás amado mais do que um homem generoso. 18Quanto mais fores importante, tanto mais humilha-te para achares graça diante do Senhor; 20pois grande é a potência do Senhor, irias ele é glorificado pelos humildes. 21Não procures o que é muito difícil para ti, não investigues o que vai além de tuas forças. 22Aplica-te àquilo que te é acessível e não te ocupes com coisas misteriosas.  23Não te aflijas com aquilo que te ultrapassa,  pois foi mostrado a ti mais do que o homem pode compreender. 24Porque o seu preconceito extraviou a muitos e as más suposições desviaram os seus pensamentos.

O orgulho

26Um coração obstinado terá mau fim e o que ama o perigo nele cairá. 27Um coração obstinado acumula sofrimentos, o pecador acrescenta pecado a pecado. 28Para a desgraça do orgulhoso não existe remédio, porque a árvore da perversidade enraizou-se nele. 29O coração prudente medita a parábola, um ouvido que o escute é o desejo do sábio.

Caridade para com os pobres

30A água apaga a chama, a esmola expia os pecados. 31Quem retribui com favores pensa no futuro, no dia de sua queda encontrará apoio.

4 1Filho, não recuses ao pobre o seu sustento, não desvies teus olhos do miserável. 2Não faças sofrer aquele que tem fome, não irrites o homem na sua indigência. 3Não agites mais um coração desesperado, não recuses teu dom ao necessitado. 4Não rejeites o pedinte oprimido, não desvies teu rosto do pobre. 5Do que pede não desvies teu olhar, não lhe dês motivo para te amaldiçoar, 6pois amaldiçoando-te em sua amargura, o seu Criador atenderá seu clamor. 7Faz com que a comunidade te ame, diante de um grande abaixa a tua cabeça. 8Inclina teu ouvido ao pobre e responde-lhe à saudação com afabilidade. 9Arranca o injustiçado da mão do injusto e não sejas medroso no teu julgar. 10Sê para os órfãos como um pai e como um marido para suas mães. E serás como um filho do Altíssimo, ele, mais do que tua mãe, amar-te-á.

A Sabedoria educadora

11A Sabedoria eleva os seus filhos e cuida dos que a procuram. 12Os que a amam, amam a vida, os que a procuram desde a manhã ficarão cheios de alegria. 13Aquele que se apega a ela herdará a glória; por onde for, o Senhor o abençoará. 14Aqueles que a servem prestam um culto ao Santo, e o Senhor ama os que a amam. 15Aquele que a ouve julgará as nações, o que a ela se aplica habitará em segurança. 16Se alguém nela confia, a possuirá em herança e no seu gozo estará a sua descendência. 17Pois, primeiro, caminhará com ele em sentido inteiramente contrário  e lhe incutirá temor e tremor, e o provará com sua disciplina até que confie nela e ela o tente com suas exigências, 18depois, voltará a ele em linha reta, o alegrará e lhe desvendará seus segredos.19Se ele se desviar, ela o abandonará e o entregará às mãos da própria ruína.

Pudor e respeito humano

20Leva em conta a ocasião e guarda-te do mal, não te envergonhes de ti mesmo. 21Pois há uma vergonha que conduz ao pecado e há uma vergonha que é glória e graça. 22Não sejas muito severo contigo  nem te envergonhes de tua queda. 23Não retenhas a palavra quando ela pode salvar, não ocultes a tua sabedoria. 24Porque é pelo discurso que se conhece a sabedoria e pela palavra, a instrução. 25Não contradigas a verdade e cora-te de tua ignorância. 26Não te envergonhes de confessar os teus pecados,  não resistas à correnteza do rio.27Não te submetas a um insensato, não sejas parcial em favor do poderoso. 28Até à morte luta pela verdade e o Senhor Deus combaterá por ti.  29Não sejas atrevido com a tua língua, preguiçoso e indolente em teus atos. 30Não sejas como um leão em tua casa e um covarde com teus domésticos. 31Que a tua mão não seja aberta para receber e fechada para retribuir.

Riqueza e presunção

5 1Não confies em tuas riquezas e não digas: “Sou auto-suficiente.” 2Não sigas teu desejo nem tua força, indo atrás das paixões do coração. 3Não digas: “Quem dominará sobre mim?”, porque o Senhor, que pune, te punirá. 4Não digas: “Pequei: o que me aconteceu?”, porque o Senhor é paciente. 5Não sejas tão seguro do perdão para acumular pecado sobre pecado. 6Não digas: “Sua misericórdia é grande para perdoar meus inúmeros pecados”,  porque há nele misericórdia e cólera e sua ira pousará sobre os pecadores.  7Não demores a voltar para o Senhor e não adies de um dia para o outro,  porque, de repente, a cólera do Senhor virá e no dia do castigo perecerás. 8Não confies nas riquezas injustas, porque não te servirão para nada no dia da desgraça.

Constância e domínio de si

9Não joeires a todos os ventos, nem te metas por qualquer trilha (assim faz o pecador de palavra dúplice). 10Sê firme em teu sentimento e seja uma a tua palavra. 11Sê pronto para escutar, mas lento para dizer a resposta. 12Se sabes algo, responde a teu próximo; se não, põe a tua mão sobre a boca. 13Honra e confusão acompanham o loquaz, e a língua do homem é a sua ruína. 14Não te faças chamar de caluniador, não armes uma emboscada com tua língua; porque se para o ladrão existe a vergonha, para o fingido existe uma sentença pior.  15Evita as faltas tanto nas grandes como nas pequenas coisas, e de amigo não te tornes inimigo.

6 1Porque herdarás má fama, vergonha, opróbrio; assim acontece com o pecador de palavra dúplice. 2Não te excites com o desejo de tua alma, para que tua força não seja despedaçada (como um touro); 3não devores as tuas folhas e não destruas os teus frutos: ficarás como uma árvore seca. 4Uma alma apaixonada destrói quem a possui e faz dele objeto de zombaria para seus inimigos.

A amizade

5Uma boca amena multiplica os amigos, uma língua afável multiplica a afabilidade. 6Sejam numerosas as tuas relações, mas os teus conselheiros, um entre mil. 7Se queres um amigo, adquire-o pela prova e não te apresses em confiar nele. 8Porque há amigo de ocasião: ele não será fiel no dia de tua tribulação. 9Há amigo que se torna inimigo e que revelará querelas para tua vergonha. 10Há amigo que é companheiro de mesa mas que não será fiel no dia de tua tribulação. 11Na tua prosperidade é como se fosse um outro tu, falando livremente a teus servos; 12se és humilhado, estará contra ti e se esconderá da tua presença. 13Afasta-te de teus inimigos e acautela-te com teus amigos. 14Um amigo fiel é um poderoso refúgio, quem o descobriu descobriu um tesouro. 15Um amigo fiel não tem preço, . é imponderável o seu valor. 16Um amigo fiel é um bálsamo vital e os que temem o Senhor o encontrarão. 17Aquele que teme ao Senhor faz amigos verdadeiros, pois tal como ele é, assim é seu amigo.

Aprendizagem da sabedoria

18Filho, desde a tua mocidade aplica-te à disciplina e até com cabelos brancos encontrarás a sabedoria. 19Como o lavrador e o semeador, cultiva-a, e espera pacientemente seus bons frutos, porque te cansarás um pouco em seu cultivo, mas em breve comerás de seus frutos. 20Ela é tão árdua para os insensatos, e o sem-juízo não permanecerá nela. 21Será pesada sobre ele como uma pedra de toque, e não tardará em desfazer-se dela. 22porque a sabedoria merece bem o seu nome, ela não é acessível a um grande número.  23Escuta, filho, e aceita o meu parecer, não rejeites meu conselho: 24mete teus pés nos seus grilhões e o teu pescoço no seu jugo. 25Abaixa o teu ombro e carrega-a e não te irrites com os seus liames. 26Com toda a tua alma aproxima-te dela e com toda a tua força segue-lhe os caminhos. 27Coloca-te na sua pista e procura-a, ela se dará a conhecer; possuindo-a, não a deixes mais. 28Porque, no fim, encontrarás nela o repouso e ela se transformará, para ti, em alegria. 29Seus grilhões serão para ti uma possante proteção; seu jugo, um enfeite precioso. 30Seu jugo será ornamento de ouro; seus grilhões, fitas de púrpura. 31Tu a vestirás qual manto de glória, tu a cingirás qual diadema de alegria. 32Se quiseres, filho, tu te instruirás; e se te aplicares, serás sagaz. 33Se gostares de ouvir, aprenderás; se deres ouvido, serás sábio. 34Fica na reunião dos anciãos: quem aí é o sábio? Apega-te a ele. 35Escuta de boa vontade toda palavra divina e não te escapem os provérbios sutis. 36Se vires um sensato, madruga para estar com ele, e que o teu pé desgaste as soleiras de sua porta. 37Medita os preceitos do Senhor e ocupa-te continuamente com seus mandamentos. Ele consolidará o teu coração e a sabedoria que desejas ser-te-á dada.

Conselhos diversos

7 1Não faças o mal e o mal não se apoderará de ti; 2afasta-te da injustiça e ela se desviará de ti. 3Filho, não semeies nos sulcos da injustiça, para não colheres sete por um. 4Não peças ao Senhor poder algum, nem ao rei um lugar de honra. 5Não pretendas passar por justo diante do Senhor, nem por sábio junto ao rei. 6Não procures tornar-te juiz se não tens força para extirpar a injustiça; do contrário te intimidarás diante de um poderoso e mancharás a tua integridade. 7Não te tornes culpado para com a assembléia da cidade e não te precipites em meio à multidão. 8Não repitas duas vezes um pecado, porque já do primeiro não sairás impune.  9Não digas: “Ele olhará a quantidade de minhas oferendas e quando eu as apresentar ao Deus Altíssimo, ele as receberá.” 10Não sejas hesitante na oração e não negligencies o dar esmola. 11Não zombes de um homem que está na aflição, porque há um que humilha e exalta. 12Não maquines a mentira contra teu irmão, nem faças algo semelhante contra um amigo.13Não queiras mentir de nenhum modo, porque daí não pode sair nada de bom. 14Não sejas loquaz na assembléia dos anciãos e não repitas as tuas palavras na oração. 15Não desprezes os trabalhos difíceis, nem o trabalho do campo criado pelo Altíssimo. 16Não te enumeres entre os da assembléia dos pecadores, lembra-te de que a Cólera não tardará. 17Humilha-te profundamente, porque a punição do ímpio é o fogo e o verme. 18Não troques um amigo por nenhum preço, nem um irmão verdadeiro pelo ouro de Ofir. 19Não desprezes uma mulher sábia e boa, porque a sua graça vale mais do que o ouro. 20Não maltrates um escravo que trabalha honestamente, nem um servo dedicado. 21Ama em teu coração o escravo inteligente e não lhe negues a liberdade.

Os filhos

 22Tens animais? Cuida deles; se te servem, conserva-os. 23Tens filhos? Educa-os, e desde a infância faze-os dobrar o pescoço. 24Tens filhas? Cuida dos seus corpos e a elas não mostres face indulgente. 25Casa a tua filha e terás concluído uma grande tarefa, mas entrega-a a um homem sensato. 26Tens uma mulher segundo o teu coração? Não a repudies; contudo, se não a amas, nela não confies.

Os pais

7Honra o teu pai de todo o coração e não esqueças as dores de tua mãe. 28Lembra-te de que foste gerado por eles. O que lhes darás pelo que te deram?

Os sacerdotes 29De todo o teu coração teme ao Senhor e venera os seus sacerdotes.30Com todas as tuas forças ama o que te criou e não abandones os seus ministros.  31Teme ao Senhor e honra o sacerdote e dá-lhe a sua parte, como é prescrito: primícias, sacrifício de reparação, a oferenda das espáduas, o sacrifício de santificação e as primícias das coisas santas.

Os pobres e os provados

32Estende tua mão ao pobre para que tua bênção seja perfeita.  33Que tua generosidade atinja todos os viventes, mesmo aos mortos não recuses a tua piedade. 34Não fujas dos que choram, aproxima-te dos que estão aflitos.  35Não temas ocupar-te dos doentes, porque serás amado por isso. 36Em tudo o que fazes, lembra-te de teu fim e jamais pecarás.

Prudência e reflexão

81Não lutes com um grande, para não caíres em suas mãos. 2Não contendas com um rico, para que não oponha a ti o seu peso, porque o ouro perdeu a muitos e seduziu o coração dos reis. 3Não discutas com um falador, não amontoes lenha ao fogo. 4Não brinques com um mal-educado, para que os teus antepassados não sejam desonrados. 5Não desprezes o homem que abandonou o pecado, lembra-te de que todos somos culpáveis. 6Não desprezes um homem em sua velhice, porque muitos de nós envelheceremos. 7Não te alegres com uma morte: lembra-te de que todos morrerão.

Tradição

8Não desprezes o discurso dos sábios, volta sempre às suas sentenças, pois é deles que aprenderás a disciplina e a arte de servir os poderosos. 9Não te afastes do discurso dos anciãos, porque eles mesmos aprenderam de seus pais, e é deles que aprenderás o entendimento, para responderes no tempo oportuno.

A prudência

10Não acendas o carvão do pecador, para não seres queimado na sua chama. 11Não te exaltes na presença de um violento, para que não seja armada uma emboscada à tua boca. 12Não emprestes a um homem mais forte do que tu: se emprestaste, considera-o como perdido. 13Não te tornes fiador além dos teus recursos: se já o és, pensa como pagarás. 14Não litigues contra um juiz, porque decidirão a favor dele. 15Não caminhes pela estrada com um aventureiro, para não agravares teus males, porque ele agirá segundo a sua vontade e te perderás com ele por causa de sua loucura. 16Não disputes com um violento, não andes com ele pelo deserto, pois, a seus olhos, o sangue é como nada e lá onde não há socorro ele te matará. 17Não confidencies com um ingênuo, pois ele não é capaz de guardar uma só palavra. 18Diante de um estranho não faças nada que deva ficar oculto, porque não sabes o que ele divulgará. 19Não abras o teu coração a quem quer que seja e não pretendas obter suas boas graças.

As mulheres

9 1Não tenhas ciúmes de tua amada esposa, para não lhe ensinares o mal contra ti. 2Não te entregues a uma mulher, para que ela não usurpe tua autoridade. 3Não vás ao encontro de uma cortesã, para que não caias em suas redes. 4Não te entretenhas com uma bailarina, para que não sejas seduzido por suas artimanhas. 5Não fites uma virgem, para não seres punido com ela. 6Não te entregues às prostitutas, para não perderes o teu patrimônio. 7Não gires o teu olhar pelas ruas da cidade e não vagueies por seus lugares desertos. 8Desvia o teu olho de uma mulher formosa, não fites uma beleza alheia. Muitos se perderam por causa da beleza de uma mulher, por sua causa o amor se inflama como o fogo. 9Não te assentes nunca à mesa com uma mulher casada, não banqueteies com ela tomando vinho, para que o teu coração não se incline para ela e, na tua paixão, escorregues para a perdição.

Relacionamento com os homens

10Não abandones um velho amigo, visto que o novo não é igual a ele. Vinho novo, amigo novo; deixa-o envelhecer, e o beberás com prazer.  11Não invejes o sucesso do pecador, porque não sabes qual será o seu fim.  12Não sintas prazer com a felicidade dos ímpios: lembra-te que neste mundo não ficarão impunes. 13Conserva-te longe do homem que pode matar, e não experimentarás o temor da morte. Se te aproximas dele, não erres, para que ele não te tire a vida. Saibas que caminhas entre laços e avanças sobre as muralhas. 14O quanto puderes, freqüenta o teu próximo e aconselha-te com os sábios. 15A tua conversa seja com homens sensatos e todo o teu assunto seja a lei do Altíssimo. 16Homens justos sejam os teus comensais e a tua glória seja o temor do Senhor. 17Uma obra feita pela mão hábil do artesão merece louvor, o chefe do povo deve ser sábio em seus discursos. 18O homem falador é temido em sua cidade e o fogoso no falar é detestado.

O governante

10 1Um governante sábio educa o seu povo, e a autoridade de um homem inteligente é bem estabelecida. 2Qual o governante do povo, tais os seus ministros; qual o que governa a cidade, tais todos os seus habitantes. 3Um rei sem instrução arruinará seu povo, uma cidade será construída graças à inteligência dos chefes. 4Nas mãos do Senhor está o governo do mundo: ele suscita, no tempo oportuno, o homem que convém. 5O sucesso de um homem está nas mãos do Senhor, é ele que dá ao escriba a sua glória.

Contra o orgulho

6Não guardes rancor de teu próximo, por nenhuma injustiça, e não faças nada num movimento de paixão. 7O orgulho é odioso tanto ao Senhor como aos homens, é ambos têm horror da injustiça. 8O poder passa de uma nação a outra pela injustiça, pela violência e pela riqueza. 9De que se orgulha quem é terra e cinza, um ser que, vivendo, tem já as vísceras repugnantes? 10Uma longa doença zomba do médico, quem hoje é rei, amanhã morrerá.  11Quando um homem morre, herda insetos, feras e vermes. 12O princípio do orgulho é o afastar-se do Senhor e ter o coração longe do Criador.  13Porque o princípio do orgulho é o pecado e o que o possui difunde abominação. Por isso, o Senhor lhe inflige tremendos golpes e o destrói completamente. 14O Senhor derruba o trono dos poderosos e assenta os mansos em seus lugares. 15 Senhor arranca a raiz dos orgulhosos e planta os humildes em seu lugar. 16O Senhor destrói o território das nações e aniquila-as até o subsolo. 17Ele as extirpa, as aniquila e elimina do mundo as suas lembranças. 18O orgulho não foi feito para o homem, nem o furor para os nascidos de mulher.

As pessoas dignas de honra

19Qual a raça digna de honra? A raça dos homens. Qual a raça digna de honra? A dos que temem ao Senhor. Qual a raça digna de menosprezos? A raça dos homens. Qual a raça digna de menosprezos? A dos que transgridem a lei. 20Entre os irmãos, é honrado o seu chefe, os que temem ao Senhor são honrados por ele. 22Rico, honrado ou pobre, a sua glória é o temor do Senhor. 23Não é justo desprezar um pobre inteligente, não convém honrar um pecador. 24O nobre, o juiz, o poderoso são dignos de honra, mas nenhum deles é maior do que aquele que teme ao Senhor. 25Homens livres serão súditos de um escravo sensato e o homem sábio não se queixa disso.

Humildade e verdade

26Não te julgues muito hábil para o teu trabalho, nem te glories no tempo de tua penúria. 27É melhor um homem que trabalha e tem tudo em abundância do que aquele que se gloria e carece de alimento.  28Filho, honra-te com a modéstia e aprecia-te segundo o teu valor. 29Quem justificará aquele que prejudica a si próprio? E quem estimará aquele que se menospreza?  30O pobre é honrado por seu saber e o rico, por suas riquezas. 31O que foi honrado na pobreza quanto não o será na riqueza? O que foi menosprezado na riqueza quanto não o será na pobreza?

Não confies nas aparências

111A sabedoria do pobre levanta a sua cabeça e ele se assenta entre os grandes. 2Não elogies um homem por sua beleza e não detestes uma pessoa por sua aparência. 3Pequena é a abelha entre os alados, mas o seu produto é o primeiro em doçura. 4Não te envaideças quando te honrarem: pois as obras do Senhor são admiráveis, mas aos homens elas são ocultas.5Muitos tiranos assentaram-se no chão,e um desconhecido recebeu o diadema. 6Muitos poderosos foram duramente humilhados e homens célebres foram entregues às mãos de outros.

Reflexão e vagar

7Não reproves antes de teres examinado; indaga primeiro, depois julga. 8Não respondas antes de teres escutado e não intervenhas no meio dos discursos. 9Não te exaltes por um assunto que não te diz respeito e não te intrometas no julgamento dos pecadores. 10Filho, não sejam muitos os teus afazeres; se os multiplicares, não ficarás impune; mesmo se correres, não alcançarás e não poderás escapar pela fuga. 11Há quem trabalha, cansa-se e se apressa, e está cada vez mais para trás.

Confiança só em Deus

12Há fracos que procuram ajuda, carentes de bens e ricos de misérias, mas o Senhor os observa com benevolência e os reergue de sua miséria. 13Ele levanta a sua cabeça e muitos se admiram. 14Bem e mal, vida e morte, pobreza e riqueza, tudo vem do Senhor. 17O dom do Senhor permanece com os piedosos e a sua benevolência os conduzirá para sempre. 18Há quem se enriquece por avareza; esta será a Sua recompensa: 19Quando ele disser: “Encontrei descanso, agora comerei dos meus bens”, não sabendo quando virá aquele dia, deixará tudo a outros e morrerá. 20Permanece firme na tua tarefa, ocupa-te bem dela e envelhece na tua profissão. 21Não admires a conduta do pecador, mas confia no Senhor e permanece no teu trabalho. Pois é fácil aos olhos do Senhor enriquecer um pobre subitamente, num átimo. 22 A bênção do Senhor é a recompensa do piedoso, num instante floresce a sua bênção. 23Não digas: “De que coisa tenho necessidade? De agora em diante quais serão os meus bens?” 24Não digas: “Tenho o suficiente; de agora em diante que desgraça me atingirá?” 25No dia da felicidade, ninguém se lembra dos males, e no dia da desgraça, ninguém se lembra da felicidade. 26Pois é fácil para o Senhor, no dia da morte, retribuir a cada um segundo seus atos. 27O tempo de desventura faz esquecer as delícias e é na sua última hora que as obras de um homem são reveladas, 28Antes da morte não beatifiques a ninguém, pois em seu fim é que se conhece o homem.

Desconfiar dos maus

29Não introduzas qualquer em tua casa, porque numerosas são as insídias do pérfido. 30Como uma perdiz de chama na gaiola, assim é o coração do orgulhoso; como o espião, ele observa a tua ruína.  31Insidia mudando o bem em mal, nas melhores qualidades coloca defeito.  32Uma centelha acende um grande braseiro, o homem perverso insidia para derramar sangue. 33Guarda-te do malvado, porque ele trama o mal, não aconteça que ele te inflija uma infâmia eterna. 34Introduze em casa um estrangeiro e ele transtornar-te-á e te separará dos teus.

Os benefícios

121Se queres fazer o bem, saibas a quem o fazes e teus benefícios não serão perdidos. 2Faze o bem a um homem piedoso e terás a recompensa, se não dele, pelo menos do Altíssimo. 3Não haja benefícios para quem persevera no mal e nem para o que não dá esmola. 4Dá ao homem piedoso e não ajudes ao pecador. 5Faze o bem ao humilde e não dês nada ao ímpio. Recusa-lhe o pão, não lhe dês nada, para que ele não te domine. Porque encontrarás o dobro de males por todos os benefícios que fizeres a ele. 6Pois o próprio Altíssimo detesta os pecadores e aos ímpios infligirá um castigo. 7Dá ao homem bom e não ajudes o pecador.

Verdadeiros e falsos amigos

8Na prosperidade não se pode reconhecer o verdadeiro amigo, na adversidade o inimigo não pode fingir. 9Quando um homem é feliz, seus inimigos ficam na tristeza;  na sua adversidade até o amigo desaparece. 10Não confies nunca em teu inimigo; como o cobre cria ferrugem, assim é a sua malícia. 11Mesmo que se humilhe e caminhe curvado, observa-o e guarda-te dele. Age com ele como quem limpa um espelho: saibas que sua ferrugem não permanecerá até o fim. 12Não o admitas ao teu lado, para que ele não te derrube e se ponha em teu lugar. Não o assentes à tua direita, para que ele não procure obter a tua cadeira e então, tarde demais, compreenderás as minhas palavras e gemerás sob o meu discurso. 13Quem terá dó do encantador que se faz morder pela serpente e de todos os que se aproximam das feras? 14Assim acontece com o que se associa ao pecador, com o que se deixa envolver nos seus pecados. 15Por uma hora ele ficará contigo, mas, se caíres, ele não se conterá mais. 16O inimigo só tem doçura nos lábios, mas no seu coração maquina jogar-te no abismo. O inimigo tem lágrimas nos olhos, mas, se tiver ocasião, o teu sangue não o saciará. 17Se te ocorre um infortúnio, tu o encontrarás ali contigo e como quem socorre agarrar-te-á pelo calcanhar. 18Sacudirá a cabeça, baterá palmas, porém, murmurando muito, mudará de semblante.

Freqüentar seus semelhantes

131O que toca no piche sujar-se-á, o que convive com o orgulhoso ficará como ele. 2Peso demasiado grande para ti, não o pegues, não convivas com um mais forte e mais rico do que tu. Que tem em comum a panela de barro com a panela de ferro? Esta esbarrará naquela e ela se quebrará.3O rico comete uma injustiça e ainda se mostra altivo; o pobre é injustiçado e ainda precisa desculpar-se. 4Se és útil para ele, servir-se-á de ti; se não tiveres mais recursos, abandonar-te-á. 5Se tiveres alguma coisa, ele conviverá contigo e despojar-te-á sem compaixão. 6Enquanto precisar de ti, enganar-te-á, sorrir-te-á e dar-te-á esperanças, dirigir-te-á belas palavras e dirá: “O que desejas?” 7Humilhar-te-á em seus banquetes até despojar-te por duas ou três vezes, por fim rir-se-á de ti. Depois disso, vendo-te, passará adiante e sacudirá a cabeça por tua causa. 8Cuida-te para não seres enganado, para não seres humilhado em tua tolice.9Quando um grande te convidar, esquiva-te, e ele te convidará com maior insistência. 10Não te precipites e não serás afastado, mas não te afastes muito para não seres esquecido. 11Não te dirijas a ele de igual para igual, não fies em sua eloqüência. Porque, com seu palavreado, provar-te-á; rindo, sondar-te-á. 12O ímpio não conserva em segredo as tuas palavras, não te poupará maus tratos e nem correntes. 13Cuida-te e presta bem atenção, pois caminhas com a tua ruína. 15Todo ser vivo ama o seu semelhante e todo homem, o seu próximo. 16Todo animal se une com os de sua espécie, o homem se associa ao seu semelhante. 17O que pode haver de comum entre o lobo e o cordeiro? O mesmo acontece entre o pecador e o piedoso. 18Que paz pode haver entre a hiena e o cão?Que paz pode haver entre o rico e o pobre?19A caça dos leões são os asnos selvagens, assim a presa dos ricos são os pobres. 20Para o orgulhoso a humildade é humilhação; assim, para o rico, o pobre é detestável. 21Quando um rico dá um passo em falso, seus amigos o sustentam; porém, quando o pobre cai, seus amigos o rejeitam. 22Quando um rico vacila, são muitos os que o socorrem, ele diz tolices e o aprovam. Quando o pobre vacila, censuram-no, ele diz coisas sábias e não há lugar para ele. 23Quando o rico fala, todos se calam e elevam até às nuvens a sua palavra. Quando o pobre fala, dizem: “Quem é este?”, e se tropeça, fazem-no cair. 24A riqueza é boa quando nela não há pecado, a pobreza é má na boca do ímpio. 25O coração do homem modela o seu rosto tanto para o bem como para o mal. 26Um rosto alegre é vestígio de um coração satisfeito. A invenção de máximas é um trabalho penoso.

A verdadeira felicidade

141Feliz o homem que não pecou com a sua boca e que não foi ferido pelo remorso dos pecados. 2Feliz aquele cuja consciência não o acusa e aquele que não perdeu sua esperança.

Inveja e avareza

3Ao homem mesquinho não convém a riqueza, e para que grandes bens ao invejoso? 4Quem ajunta, privando-se, ajunta para os outros e com os seus bens outros regalar-se-ão. 5Quem é duro consigo mesmo com quem será bom? Não goza sequer dos próprios bens. 6Não há homem pior do que aquele que se deprecia, e isto é a recompensa de sua maldade. 7Se faz o bem, é por esquecimento, no fim deixa transparecer a sua maldade. 8Mau é o homem de olhar invejoso, que vira o rosto e despreza a vida dos outros. 9Aos olhos do ávido a sua porção não o sacia, a cupidez seca a alma. 10Com inveja, o olho do avaro fixa-se no pão, e na sua mesa há penúria. 11Filho, na medida do que tens, trata-te bem e apresenta ao Senhor as oferendas, como convém. 12Lembra-te de que a morte não tarda e o pacto do Xeol não te foi revelado. 13Antes de morrer faze o bem aos amigos e dá-lhes segundo os teus recursos. 14Não te prives da felicidade presente, não deixes escapar nada de um legítimo desejo. 15Não deixarás a outro os teus recursos, e o fruto de teu trabalho à decisão da sorte? 16Dá e recebe, faze divagar a tua alma,  pois não há no Xeol quem procure algum prazer. 17Como uma roupa, toda carne vai envelhecendo, porque a morte é lei eterna.  18Como as folhas numa árvore frondosa tanto caem como brotam, assim a geração de carne e sangue: esta morre, aquela nasce. 19Toda obra corruptível perece e aquele que a fez irá com ela .

Felicidade do sábio

20Feliz o homem que se ocupa da sabedoria e que raciocina com inteligência, 21que reflete, em seu coração, nos caminhos da sabedoria e medita em seus segredos. 22Sai atrás dela como um caçador, põe-se à espreita nos seus caminhos. 23Inclina-se para olhar por suas janelas, escuta às suas portas. 24Detém-se junto à sua casa, fixa o prego nas suas paredes. 25Coloca a sua tenda junto a ela, acampará num lugar de felicidade. 26Porá seus filhos sob a sua proteção, será abrigado por seus ramos. 27Por ela será protegido do calor e acampará em sua glória.

151O que teme ao Senhor assim faz, o que se torna senhor da lei conseguirá a sabedoria. 2Sairá ao seu encontro como uma mãe, como uma esposa virgem ela o acolherá. 3Nutri-lo-á com o pão da prudência e o saciará com a água da sabedoria. 4Apoiar-se-á sobre ela e não cambaleará, confiará nela e não se envergonhará. 5Ela o elevará acima de seus companheiros e na assembléia lhe abrirá a boca. 6Encontrará alegria e uma coroa de júbilo e herdará um renome eterno. 7Os insensatos não a conseguirão, os homens pecadores jamais a verão. 8Ela está longe do orgulhoso e os mentirosos nem se lembram dela. 9O louvor não é belo na boca do pecador, pois não lhe foi concedido pelo Senhor. 10Porque é na sabedoria que se exprime o louvor, e é o Senhor quem o guia.

Liberdade humana

11Não digas: “É o Senhor que me faz pecar”, porque ele não faz aquilo que odeia. 12Não digas: “É ele que me faz errar”, porque ele não tem necessidade de um homem pecador. 13O Senhor odeia toda espécie de abominação e nenhuma é amável para os que o temem. 14Desde o princípio ele criou o homem e o abandonou nas mãos de sua própria decisão. 15Se quiseres, observarás os mandamentos: a fidelidade está no fazer a sua vontade.  16Ele colocou diante de ti o fogo e a água; para o que quiseres estenderás a tua mão.  17Diante dos homens está a vida e a morte, ser-te-á dado o que preferires.  18É grande, pois, a sabedoria do Senhor, ele é todo-poderoso e vê tudo. 19Seus olhos vêem os que o temem, ele conhece todas as obras do homem. 20Não ordenou a ninguém ser ímpio, não deu a ninguém licença de pecar.

16 1Não desejes uma descendência numerosa e inútil, nem te alegres com filhos ímpios. 2Ainda que se multipliquem, não te alegres se neles não existe o temor do Senhor. 3Não confies em suas vidas, não esperes nada de seu destino, porque é melhor um só do que mil, e morrer sem filho do que ter filhos ímpios. 4Porque por um só homem inteligente povoa-se uma cidade, porém uma tribo de ímpios a tornará deserta. 5Meu olho já viu vários casos assim e meu ouvido ouviu alguns mais fortes ainda. 6Na assembléia dos pecadores acende-se um fogo, na raça desobediente acende-se a Cólera. 7Deus não perdoou os gigantes de outrora que se rebelaram, prevalecendo-se de suas forças. 8Não poupou os concidadãos de Ló, abominou-os por causa de seu orgulho. 9Não teve piedade da raça maldita: aqueles que se prevaleciam de seus pecados. 10Assim aconteceu com os seiscentos mil soldados, que se uniram na dureza de seus corações . 11Se um único homem se tivesse mostrado obstinado, seria um milagre ter ficado impune, porque piedade e cólera vêm do Senhor, que é potente no perdão e derrama a cólera. 12Tão grande como a sua misericórdia é o seu castigo, julga cada um segundo as suas obras. 13O pecador não fugirá com o seu furto e nem a paciência do piedoso ficará frustrada. 14Para todo aquele que dá uma esmola há uma recompensa, cada um é tratado segundo as suas obras.

A retribuição é certa

17Não digas: “Do Senhor me esconderei, lá em cima quem se lembrará de mim? No meio do povo não serei reconhecido, quem sou eu na imensa criação? ” 18Vê: o céu, o mais alto dos céus, o abismo e a terra, quando de sua visita, tremerão. 19Igualmente os montes e os fundamentos da terra, quando ele os olha, abalam-se de pavor. 20Mas a mente não pensa nisto; quem terá refletido sobre seus caminhos? 21O homem não vê a tempestade, a maior parte de suas obras está oculta. 22“As obras da justiça, quem as anunciará? Ou quem as esperará? Longe, de fato, está a aliança.” 23Assim pensa o homem de pouco senso, o estulto e o pecador só pensam em loucuras.

O homem na criação

24Escuta-me, filho, e aprende o conhecimento, aplica o teu coração às minhas palavras.25Com medida revelarei a disciplina, com precisão anunciarei o conhecimento. 26Quando, no princípio, o Senhor criou as suas obras, assim que foram feitas, atribuiu um lugar a cada uma. 27Ordenou para sempre a sua atividade e suas tarefas pelas suas gerações. Elas não sentem fome nem cansaço e não abandonam suas atividades. 28Nenhuma delas jamais se choca com a outra e jamais desobedecem à sua palavra.29Depois disso, o Senhor olhou para a terra e a encheu com seus bens. 30Cobriu-lhe a superfície com toda a espécie de animais e estes retornarão para a terra.

17 1O Senhor criou o homem da terra e a ela o faz voltar novamente. 2Deu aos homens número preciso de dias e tempo determinado, deu-lhes poder sobre tudo o que está sobre a terra. 3Revestiu-os de força como a si mesmo, criou-os à sua imagem. 4A toda carne inspirou o temor do homem, para que ele domine feras e pássaros. 6Dotou-os de língua, olhos, ouvidos e lhes deu um coração para pensar. 7Encheu-os de conhecimento e inteligência e mostrou-lhes o bem e o mal. 8Pôs sua luz nos seus corações, para lhes mostrar a grandeza de suas obras. 10Eles louvarão o seu santo nome, narrando a grandeza de suas obras.  11Concedeu-lhes o conhecimento, repartiu com eles a lei da vida. 12Fez com eles uma aliança eterna e deu-lhes a conhecer seus julgamentos.  13Seus olhos viram a grandeza de sua majestade, seus ouvidos ouviram a magnificência de sua voz. 14E disse-lhes: “Guardai-vos de toda injustiça”, deu a cada um mandamentos para com o próximo.

O juiz divino

15Os seus caminhos estão sempre diante dele, não podem ficar ocultos aos seus olhos. 17Para cada povo estabeleceu um chefe,  mas Israel é a porção do Senhor. 19Todas as suas ações são para ele como o sol, os seus olhos observam continuamente os seus caminhos. 20As suas injustiças não lhe são ocultas, e todos os seus pecados estão diante do Senhor. 22A esmola de um homem é para ele como um selo, ele conserva uma boa obra como a pupila do olho.  23Levantar-se-á depois para dar-lhes a recompensa, recairá sobre suas cabeças o merecido. 24Mas aos que se arrependem ele concede o retorno, reconforta os que perderam a esperança.

Convite à penitência

25Converte-te ao Senhor e abandona os pecados, suplica diante de sua face e atenua a ofensa. 26Volta para o Altíssimo, desvia-te da injustiça e odeia profundamente a iniqüidade. (26) 27Quem louvará o Altíssimo no Xeol, se os vivos não lhe dão glória? (27) 28Para o morto, como se não existisse mais nada, o louvor acabou; o que tem vida e saúde glorifica o Senhor. 29Como é grande a misericórdia do Senhor e seu perdão para aqueles que se voltam para ele. 30Porque no homem não podem existir todas as coisas pois o filho do homem não é imortal. 31Que há de mais luminoso que o sol? E, contudo, ele desaparece. A carne e o sangue desejam só maldade. 32Ele passa revista ao exército do mais alto dos céus,e os homens são apenas terra e cinza.

A grandeza de Deus

18 1Aquele que vive eternamente criou todas as coisas juntas. 2Só o Senhor é justo. 4A ninguém foi dado o poder de anunciar suas obras e quem investigará as suas grandezas? 5Quem poderá medir a potência de sua majestade, e quem chegará a narrar suas misericórdias? 6Aí não há nada a tirar nem a acrescentar, e ninguém é capaz de investigar as maravilhas do Senhor. 7Quando um homem acabou, então é que começa, e quando pára, fica perplexo.

O nada do homem

8Que é o homem? Para que é útil? Qual é seu bem e qual é seu mal?  9A duração de sua vida: cem anos quando muito. 10Como uma gota do mar, um grão de areia, assim são seus poucos anos perante um dia da eternidade.  11Por isso o Senhor os trata com paciência e sobre eles derrama a sua misericórdia. 12vê e reconhece como é miserável o seu fim,  por isso, multiplica o perdão. 13A misericórdia do homem é para com o seu próximo, mas a do Senhor é para com toda carne:  admoesta, corrige, ensina, reconduz, como o pastor, o seu rebanho. 14Ele tem piedade dos que aceitam a disciplina e se apressam em procurar seus julgamentos.

A maneira de dar

15Filho, não mistures a repreensão com teus benefícios, nem palavras tristes com teus presentes. 16Porventura o orvalho não abranda o calor? Assim, a palavra é melhor do que o presente. 17Não é isso? Uma palavra não vale mais do que um rico presente? Mas o homem caridoso une as duas coisas. 18O insensato não dá nada e faz afronta, e o presente do invejoso queima os olhos.

Reflexão e previsão

19Antes de falar, informa-te; diante da doença, cuida-te. 20Diante do julgamento, examina-te a ti mesmo, na hora do veredicto encontrarás perdão. 21Antes de adoeceres, humilha-te; quando pecares dá sinal de arrependimento. 22Nada te impeça de cumprir o teu voto a seu tempo, não esperes até a morte para o cumprires. 23Antes de fazeres um voto, prepara-te, e não sejas como um homem que tenta o Senhor. 24Lembra-te da ira dos últimos dias, da hora da vingança, quando Deus virar a sua face. 25No tempo da abundância, lembra-te do tempo da fome; da pobreza e da miséria, nos dias de riqueza. 26Entre a manhã e a tarde o tempo muda, tudo é rápido diante do Senhor. 27O homem sábio age cautelosamente em tudo, nos dias do pecado guarda-se de faltas. 28Todo homem inteligente conhece a sabedoria e presta homenagem àquele que a encontrou. 29Os que compreendem a doutrina também se tornam sábios e derramam como chuva máximas exatas.

Domínio de si mesmo

30Não te deixes levar por tuas paixões e refreia os teus desejos. 31Se cedes ao desejo da paixão, ela fará de ti objeto de alegria para teus inimigos. 32Não te deleites numa existência voluptuosa, não te ligues a tal sociedade. 33Não te empobreças banqueteando com dinheiro emprestado, quando nada tens no bolso.

191O operário beberrão jamais enriquecerá, o que menospreza o pouco aos poucos cairá na miséria. 2Vinho e mulheres desencaminham os homens sensatos e o que freqüenta prostitutas perde todo o pudor. 3Larva e verme o herdarão, o homem temerário nisso perderá a vida.

Contra o falatório

4O que confia rapidamente é um coração leviano, o que peca prejudica-se a si mesmo. 5O que se deleita com o mal será condenado, 6o que odeia a loquacidade diminui o mal. 7Não repitas jamais um boato e não serás em nada diminuído. 8Não contes nada a teu amigo nem a teu inimigo, e, se não incorres em culpa, nada reveles. 9Pois o que ouviu não confiará mais em ti e chegado o momento, te odiará. 10Ouviste alguma coisa? Sê um túmulo. Coragem, não te arrebentarás. 11Por uma palavra o insensato se agita, como uma mulher ao dar à luz uma criança. 12Como uma flecha fincada na coxa, assim é uma palavra nas entranhas do insensato.

Verificar o que se ouve dizer

13Interroga o teu amigo: ele pode não ter feito nada, e, se o fez, pode não o repetir. 14Interroga o teu próximo: ele pode não ter dito nada, e, se o disse, pode não o repetir.  15Interroga o teu amigo, porque freqüentemente se calunia; não acredites em tudo o que se diz.  16Há quem deslize, mas sem intenção; quem nunca pecou com a própria língua?  17Interroga o teu próximo antes de o ameaçares, dá lugar à lei do Altíssimo.

Verdadeira e falsa sabedoria

20Toda sabedoria é temor do Senhor, em toda sabedoria há cumprimento da Lei. 22O conhecimento do mal não é sabedoria, nem é prudência o conselho dos pecadores. 23Há uma astúcia que é abominação; é insensato aquele a quem falta a sabedoria. 24É melhor ser pouco inteligente com temor do que rico em prudência mas transgressor da lei. 25Há uma astúcia hábil a serviço da injustiça, e para demonstrar a sua sentença usa de velhacaria. 26Há quem caminhe curvado sob a tristeza, mas o seu íntimo está cheio de dolo: 27inclinando a cabeça e fazendo-se de surdo, quando não for percebido, ele te surpreenderá. 28Se é impedido de pecar por falta de força, praticará o mal se encontrar ocasião. 29Pelo seu aspecto se conhece o homem e pelo semblante se conhece o homem sensato. 30A veste de um homem, seu sorriso e o seu andar revelam o que ele é.

Silêncio e palavra

20 1Há repreensão que não é oportuna, há quem se cale e se mostre prudente.  2É melhor repreender do que irritar-se. 3Aquele que se acusa de uma falta evita a pena. 4Como um eunuco que tenta violar uma jovem, assim é o que quer fazer justiça pela força. 5Há quem se cala e passa por sábio, há quem se torna antipático de tanto falar. 6Há quem se cala por não ter resposta e há quem se cala por conhecer o momento. 7O homem sábio calará até o momento oportuno, mas o loquaz e o insensato desprezam o momento oportuno. 8Quem fala muito se torna detestável e aquele que se arroga autoridade será odiado.

Paradoxos

9Na desgraça um homem pode encontrar salvação e a fortuna pode provocar a ruína. 10Há um presente que não te serve para nada e há um presente que rende o dobro. 11Às vezes a glória traz a humilhação e há quem da humilhação levanta a cabeça. 12Há quem compre muitas coisas por um preço baixo e há quem pague sete vezes mais. 13O sábio com as suas palavras torna-se amável, mas as gentilezas do estulto são derramadas em vão. 14O presente do insensato não te serve para nada, porque seus olhos estão ávidos para receber sete vezes. 15Ele dá pouco e censura muito, abre a boca como um leiloeiro.  Empresta hoje, amanhã pede de volta. É um homem odioso. 16O estulto diz: “Não tenho amigo, ninguém me é grato pelos meus benefícios;  17os que comem o meu pão são falsos no falar.” Quantas e quantas vezes se riem dele.

Palavras inábeis

18É melhor escorregar no chão do que na língua, assim virá rápida a queda dos maus. 19Um homem grosseiro é como zombaria repetida por imbecis. Vindo da boca de um estulto um provérbio não é aceito, porque não o diz a seu tempo. 21Há quem é preservado de pecar devido à pobreza e no seu repouso não terá remorso. 22Há quem se perde por respeito humano, perde-se por causa de um insensato. 23Há quem por timidez faz promessas ao amigo, e conquista gratuitamente um inimigo.

A mentira

24A mentira para o homem é uma nódoa vergonhosa, está sempre na boca dos mal-educados. 25É melhor um ladrão do que um homem que sempre mente; ambos, porém, terão por herança a perdição. 26O hábito da mentira é uma abominação e a infâmia do mentiroso acompanha-o sem cessar.

Sobre a sabedoria

27O sábio por suas palavras torna-se estimado e o homem sensato agrada aos grandes. 28Aquele que cultiva a terra obtém boa colheita, o que agrada aos grandes encontra perdão para a injustiça. 29Dádivas e presentes cegam os olhos dos sábios e, como uma mordaça na boca, retêm as repreensões. 30Sabedoria oculta e tesouro invisível, para que servem ambos? 31É melhor um homem que oculta a sua loucura do que o homem que oculta a sua sabedoria.

Diferentes pecados

21 1Filho, pecaste? Não tornes a pecar, e pede perdão pelas culpas passadas. 2Foge do pecado como de uma serpente, porque, se te aproximares, morder-te-á; seus dentes são dentes de leão que aos homens tiram a vida. 3Toda transgressão é como espada de dois gumes, sua ferida não tem cura. 4O terror e a violência devastam a riqueza, assim será devastada a casa do orgulhoso. 5A oração do pobre vai direta aos ouvidos de Deus e o seu julgamento virá sem demora. 6O que odeia a repreensão segue as pegadas do pecador, porém o que teme ao Senhor converter-se-á de coração. 7De longe é conhecido o falador, mas o sábio conhece quando ele tropeça. 8Construir a própria casa com dinheiro de outros é como amontoar pedras para a própria sepultura.9A assembléia dos pecadores é um monte de estopa, seu fim será a chama e o fogo. 10O caminho dos pecadores é bem pavimentado, mas seu fim é o abismo do Xeol.

O sábio e o insensato

11O que guarda a lei domina seus instintos, a perfeição do temor é a sabedoria. 12Não conseguirá instruir-se quem não for sagaz,  porém há sagacidade cheia de amargor. 13A ciência do sábio aumenta como uma inundação e o seu conselho é como uma fonte viva. 14O coração do insensato é como um vaso rachado, não retém saber algum. 15Se o inteligente ouve uma palavra sábia, aprecia-a e acrescenta-lhe algo de seu; o folgazão, ouvindo-a, despreza-a e a joga pra trás das costas. 16A explicação do insensato é como um fardo pelo caminho, porém nos lábios do inteligente encontra-se a graça. 17A palavra do sensato é procurada na assembléia e as suas palavras são meditadas no coração. 18A sabedoria do estulto é como uma casa devastada e a ciência do insensato é um discurso incoerente. 19A disciplina para o estulto é como peias nos pés, como algemas na mão direita. 20O insensato, ao rir, levanta a voz mas o riso do homem sagaz é raro e discreto. 21A disciplina é como um enfeite de ouro para o sábio, como um bracelete no braço direito. 22O pé do estulto se apressa para entrar numa casa, o homem experiente toma uma atitude modesta. 23Da porta o estulto curva-se para olhar dentro da casa, mas o educado fica do lado de fora. 24É falta de educação ouvir à porta e o prudente envergonha-se de o fazer. 25Os lábios do falador repetem palavras dos outros, mas as palavras dos prudentes são colocadas na balança. 26Na boca dos estultos está seu coração, mas o coração do sábio é sua boca. 27Quando o ímpio maldiz Satã, ele maldiz a si próprio. 28O murmurador suja-se e é detestado pela vizinhança.

O preguiçoso

22 1O preguiçoso é semelhante a uma pedra suja de lodo, todos zombam dele com desprezo. 2O preguiçoso é semelhante a um monte de esterco, todo aquele que o tocar sacudirá a mão.

Os filhos degenerados

3Um filho mal-educado é a vergonha do pai, mas uma filha nasce para sua confusão. 4Uma filha sensata encontrará um marido, mas a desavergonhada causa tristeza àquele que a gerou. 5Uma filha audaciosa envergonha o pai e o marido, por ambos será desprezada. 6Uma palavra inoportuna é música em dia de luto; mas chicote e disciplina, em todo tempo, são obras da sabedoria.

Sabedoria e loucura

9Ensinar ao estulto é como colar cacos, é acordar alguém que dorme profundamente. 10Explicar a um estulto é como explicar a um sonolento, no fim dirá: “O que foi?” 11Chora por um morto porque perdeu a luz, chora por um estulto porque perdeu a inteligência. Chora mais docemente por um morto, pois repousa; porém, à vida do estulto é pior do que a morte. 12O luto por um morto dura sete dias; pelo estulto e pelo ímpio, todos os dias de sua vida. 13Com o insensato não multipliques palavras, não caminhes em direção a um estulto, guarda-te dele para não teres aborrecimento e para não te sujares ao seu contato. Evita-o e encontrarás repouso e não te desencorajes com a sua loucura. 14O que é mais pesado do que o chumbo? E que outro nome dar-lhe senão o de insensato? 15Areia, sal, uma bola de ferro são mais fáceis de se transportar do que o homem estulto. 16O madeiramento incrustado na construção não se desligará com um terremoto; assim, o coração firmado por um desígnio da vontade não temerá em nenhuma ocasião. 17Um coração apoiado sobre uma sábia reflexão é como ornamento de estuque sobre parede limpa. 18Cascalho no alto da paredenão resiste ao vento; assim, o coração tímido, por causa de seus pensamentos tolos, não resiste ao temor. 19Aquele que fere o olho faz cair lágrimas; ferindo o coração, faz aparecer os sentimentos. 20Aquele que joga uma pedra nos passarinhos afugenta-os, o que insulta um amigo desfaz a amizade. 21Ainda que tenhas desembainhado a espada contra o amigo não desesperes, porque existe um retorno. 22Se abrires a boca contra teu amigo, não temas, porque existe uma reconciliação, exceto em caso de ultraje, arrogância, revelação de segredo, golpe de traição: nesses casos qualquer amigo fugirá. 23Ganha a confiança do próximo na sua pobreza, para que, na prosperidade, gozes com ele.  Sê fiel a ele no tempo da provação, para teres parte na sua herança. 24Antes do fogo vêm o vapor da fornalha e a fumaça; assim, antes do sangue, vêm as ofensas. 25Não me envergonharei de proteger um amigo, dele não me esconderei, 26e se por causa dele me sobrevier algum mal, todo aquele que ouvir isso dele se acautelará.

Vigilância

27Quem me colocará um guarda na boca e sobre os lábios o selo da sagacidade, para que eu não caia por sua falta e minha língua não me arruíne?

23 1Senhor, pai e soberano de minha vida, não me abandones aos seus caprichos, não me deixes cair por eles. 2Quem dará chicotadas nos meus pensamentos e a meu coração imporá a disciplina da sabedoria, a fim de que os meus erros não sejam poupados e a sua culpa não seja afastada? 3De maneira que meus erros não se multipliquem, nem aumentem os meus pecados, e eu, assim, não caia diante do meu adversário e meu inimigo não se alegre à minha custa? 4Senhor, pai e Deus de minha vida, não me dês um olhar altivo, 5afasta de mim a inveja, 6não me dominem o apetite sensual e a luxúria, não me entregues ao desejo impudico.

Os juramentos

7Filhos, escutai meu ensinamento: aquele que o observa não será colhido em falta. 8O pecador será apanhado por seus próprios lábios, o maledicente e o orgulhoso neles tropeçam. 9Não habitues tua boca a fazer juramento, não serás habituado a proferir o Santo Nome. 10Pois como um escravo continuamente vigiado não escapará dos golpes,assim aquele que, a torto e a direito, jura e nomeia seu Nome não ficará isento de pecado. 11Um homem dado a juramentos encher-se-á de falta e o chicote não se afastará de sua casa. Se peca, seu pecado estará sobre ele; se despreza, peca duplamente; se jurou em vão, não será justificado e sua casa se encherá de males.

As palavras impuras

12Há uma maneira de falar semelhante à morte: não se encontre isso entre os descendentes de Jacó, porque essas coisas deverão estar longe de homens piedosos, e assim não se engolfarão no pecado. 13Não habitues tua boca à grosseria impura, porque nela há uma linguagem pecaminosa. 14Lembra-te de teu pai e de tua mãe quando te achares no meio dos grandes, para que não te esqueças de ti mesmo na sua presença e, pelo hábito, não te tornes estulto, não desejes não ter nascido e não maldigas o dia do teu nascimento. 15Um homem habituado a palavras injuriosas não se corrigirá em toda a sua vida. 16Duas espécies de coisas multiplicam os pecados e uma terceira acarreta a cólera: 17a paixão ardente como fogo aceso: não se apaga enquanto tiver o que devorar; o homem que deseja a sua própria carne: não cessa enquanto o fogo não o consumir; para o homem sensual todo alimento é doce, não se acalma enquanto não morrer. 18O homem que peca no seu próprio leito diz em seu coração: “Quem me vê? As trevas me envolvem, as paredes me escondem, ninguém me vê, o que temerei? O Altíssimo não se lembrará de meus pecados.” 19O seu temor são os olhos dos homens e não sabe que os olhos do Senhor são infinitamente mais luminosos do que o sol, vêem todos os caminhos dos homens e penetram os lugares mais secretos. 20Antes de serem criadas, ele já conhecia todas as coisas, depois de acabadas também as conhece. 21Tal homem será castigado na praça da cidade, será preso onde não pensava.

A mulher adúltera

22Assim também será da mulher que abandona seu marido e, por herdeiro, lhe dá um filho de outro. 23Pois, em primeiro lugar, ela desobedeceu à lei do Altíssimo; em segundo lugar, pecou contra o seu marido; e, em terceiro lugar, manchou-se com um adultério e concebeu filhos de um estranho. 24Ela será levada diante da assembléia e seus filhos serão examinados. 25Seus filhos não lançarão raiz e seus ramos não darão fruto. 26Deixará uma lembrança de maldição e sua infâmia não se apagará jamais. 27Os sobreviventes saberão que nada é melhor do que o temor do Senhor e que nada é mais doce do que seguir os mandamentos do Senhor.

Discurso da sabedoria

24 1A sabedoria faz o seu próprio elogio, ela se exalta no meio de seu povo. 2Na assembléia do Altíssimo abre a boca, ela se exalta diante do Poder. 3“Saí da boca do Altíssimo e como a neblina cobri a terra. 4Armei a minha tenda nas alturas e meu trono era uma coluna de nuvens. 5Só eu rodeei a abóbada celeste, eu percorri a profundeza dos abismos,6as ondas do mar, a terra inteira, reinei sobre todos os povos e nações.  7Junto de todos estes procurei onde pousar e em qual herança pudesse habitar. 8Então o criador de todas as coisas deu-me uma ordem, aquele que me criou armou a minha tenda  e disse: ‘Instala-te em Jacó, em Israel terás a tua herança.’  9Criou-me antes dos séculos, desde o princípio, e para sempre não deixarei de existir. 10Na Tenda santa, em sua presença, oficiei deste modo, estabeleci-me em Sião 11e na cidade amada encontrei repouso, meu poder está em Jerusalém. 12Enraizei-me num povo cheio de glória, na porção do Senhor, no seu patrimônio.  13Cresci como o cedro do Líbano, como o cipreste no monte Hermon.  14Cresci como a palmeira em Engadi, como uma roseira em Jericó,  como uma formosa oliveira na planície, cresci como um plátano. 15Como a canela e o acanto aromático exalei perfume, como a mirra escolhida exalei bom odor, com o gálbano, o ônix, o estoraque, como o vapor do incenso na Tenda. 16Estendi os meus ramos como o terebinto, meus ramos, ramos de glória e graça. 17Eu, como a videira, fiz germinar graciosos sarmentos e minhas flores são frutos de glória e riqueza. 19Vinde a mim todos os que me desejais, fartai-vos de meus frutos. 20Porque a minha lembrança é mais doce do que o mel,  minha herança mais doce do que o favo de mel. 21Os que me comem terão ainda fome, os que me bebem terão ainda sede. 22O que me obedece não se envergonhará, os que fazem as minhas obras não pecarão”.

A sabedoria e a lei

23Tudo isto é o livro da aliança do Deus Altíssimo, a Lei que Moisés promulgou, a herança para as assembléias de Jacó.25Como o Fison, ela está cheia de sabedoria, como o Tigre na estação dos frutos. 26Como o Eufrates, ela está repleta de inteligência, como o Jordão no tempo da ceifa. 27Como o Nilo, ela faz correr a disciplina, como o Geon no tempo da vindima. 28o primeiro não acabou de conhecê-la, nem mesmo o último a explorou completamente. 29Pois seus pensamentos são mais vastos do que o mar e seus desígnios maiores do que o abismo. 30Quanto a mim, eu sou como um canal de um rio, como um aqueduto que vai ao paraíso. 31Eu disse: “Irrigarei o meu jardim, regarei os meus canteiros.” Eis que meu canal tornou-se um rio e o meu rio tornou-se um mar. 32Ainda farei a disciplina resplandecer como a aurora e a farei brilhar bem ao longe.  33Ainda derramarei a instrução como uma profecia e a transmitirei às gerações futuras. 34Vede: não trabalhei só para mim, mas para todos que a procuram.

Provérbios

25 1Há três coisas que minha alma deseja, que são agradáveis ao Senhor e aos homens: a concórdia entre irmãos, a amizade entre vizinhos, um marido e uma mulher que vivam bem. 2Mas minha alma detesta três tipos de pessoa; irrito-me profundamente com o seu viver: o pobre orgulhoso, o rico mentiroso, o ancião adúltero e estulto.

Os anciãos

3Se não acumulaste na juventude, como queres encontrar em tua velhice? 4Como é belo para os cabelos brancos saber julgar e para os anciãos conhecer o conselho! 5Como é bela a sabedoria dos anciãos e nas pessoas honradas a reflexão e o conselho!6A coroa dos anciãos é uma rica experiência; a sua glória, o temor do Senhor.

Provérbio numérico

7Há nove coisas que considero felizes em meu coração e uma décima que declaro com a língua: um homem que encontra alegria em seus filhos, o que vive e vê a ruína de seus inimigos;  8feliz o que vive com uma mulher sensata, o que não trabalha com o boi e o burro, aquele que não peca por palavra, aquele que não serve alguém indigno dele; 9feliz o que encontrou a prudência e que fala para quem escuta; 10como é grande o que encontrou a sabedoria, mas ninguém ultrapassa o que teme ao Senhor.  11O temor do Senhor excede a tudo, a quem será comparado aquele que o possui?

As mulheres

13Qualquer ferida, menos a do coração; qualquer malícia, menos a da mulher; 14qualquer miséria, menos a causada pelo adversário; qualquer injustiça, menos a que Vem do inimigo. 15Não há pior veneno do que o veneno da serpente, não há pior cólera do que a cólera do inimigo. 16Prefiro morar com um leão ou um dragão a morar com uma mulher perversa. 17A perversidade de uma mulher muda a sua fisionomia, obscurece-lhe o rosto como o de um urso. 18O seu marido senta-se entre amigos e contra a vontade geme amargamente. 19Pouca maldade é comparada com a da mulher, caia sobre ela a sorte dos pecadores. 20Como uma ladeira arenosa para os pés de um velho, assim é uma mulher faladeira para um marido tranqüilo.21Não te deixes prender pela beleza de uma mulher, não te apaixones por uma mulher. 22É motivo de ira, descaramento e grande vergonha uma mulher que sustenta o seu marido. 23Coração abatido, semblante triste, coração ferido: eis a obra de uma mulher má. Mãos inertes, joelhos vacilantes, assim é a mulher que não proporciona felicidade ao marido. 24Foi pela mulher que começou o pecado, por sua culpa todos morremos. 25Não dês saída à água, nem liberdade de falar à mulher má. 26Se ela não obedece ao dedo e ao olho, separa-te dela.

261Feliz do marido que tem uma mulher excelente: o número de seus dias será dobrado. 2Uma mulher perfeita alegra o seu marido, ele passará em paz os anos de sua vida. 3Uma mulher excelente é uma boa sorte, será dada aos que temem ao Senhor: 4rico ou pobre, tem o coração satisfeito, tem sempre um semblante alegre. 5Com três coisas preocupa-se meu coração e uma quarta me apavora: uma calúnia na cidade, uma revolta do povo, uma falsa acusação, tudo isso é pior que a morte. 6Mas a mulher ciumenta causa ao coração sofrimento e aflição, e o flagelo da língua é isto tudo acumulado. 7Uma mulher má é uma canga de bois desajustada quem a subjuga é como quem pega um escorpião. 8Motivo de grande indignação é uma mulher embriagada, ela não poderá ocultar a sua inconveniência. 9A libertinagem da mulher é vista na excitação dos olhos, é conhecida nos seus olhares. 10Reforça a tua vigilância em torno da filha audaciosa, a fim de que, achando-se mal vigiada, ela não se aproveite disso. 11Guarda-te bem da desavergonhada no olhar e não te espantes se ela pecar contra ti.12Como um viajante sedento ela abre a boca, bebe toda a água que encontra; ela se assenta diante de qualquer estaca e abre a aljava a toda flecha. 13A graça de uma esposa alegra o seu marido  e sua ciência é para ele uma força, 14Uma mulher silenciosa é um dom do Senhor, não existe preço para a que é bem educada.  15Graça sobre graça é uma mulher recatada, aquela que é casta é de um valor inestimável. 16Como o sol levantando-se sobre as montanhas do Senhor, assim é o encanto da mulher na sua casa bem arrumada. 17Uma lâmpada reluzindo sobre o candelabro sagrado, assim é a beleza de seu rosto em um corpo bem acabado. 18Colunas de ouro sobre base de prata, assim são as belas pernas sobre calcanhares sólidos.

Coisas contristadoras

28Duas coisas entristecem meu coração e uma terceira me encoleriza: um guerreiro reduzido à miséria, homens sensatos votados ao desprezo, aquele que passa da justiça ao pecado; o Senhor o destinará à espada.

O comércio

27 29Dificilmente um negociante afasta-se da culpa e o comerciante não está isento de pecado. 1Muitos pecam por amor ao lucro, aquele que procura enriquecer-se mostra-se implacável. 2Entre as junturas das pedras finca-se a estaca, entre a venda e a compra introduz-se o pecado.3Quem não se apodera firmemente do temor do Senhor rapidamente terá sua casa destruída.

A palavra 4Quando se sacode a peneira ficam os restos, como os defeitos do homem no seu falar. 8O forno põe à prova as vasilhas de barro, a prova do homem está no seu falar. 6O fruto mostra o cultivo da árvore, como a palavra do homem faz conhecer seus sentimentos.7Não elogies a um homem antes de ele falar, porque esta é a pedra de toque.

A justiça8Se perseguires a justiça, tu a encontrarás e te vestirás dela como de uma veste de glória. 9Os passarinhos pousam junto de seus semelhantes, a verdade voltará para aqueles que a praticam. 10O leão está à espreita da presa: assim está o pecado para aqueles que praticam a injustiça. 11A exposição do homem piedoso é sempre sábia; o insensato, porém, muda como a lua. 12Para ires ter com os estultos, espera a ocasião,mas junto às pessoas ponderadas sê assíduo. 13A exposição dos estultos é um horror, o seu riso é orgia pecaminosa. 14A conversa do que vive jurando arrepia os cabelos, a sua disputa obstrui os ouvidos. 15A disputa dos orgulhosos faz derramar sangue e a sua injúria é penosa de se ouvir.

Os segredos16Aquele que revela um segredo perde a confiança e não encontrará mais um amigo segundo o seu coração. 17Ama ternamente o amigo e sê-lhe fiel, porém, se revelaste seus segredos, não vás mais atrás dele; 18porque como um homem morre, assim morreu a amizade de teu próximo. 19Como um passarinho que soltaste de tua mão, assim deixaste ir teu amigo, não o capturarás mais. 20Não o persigas, ele está longe, fugiu de uma armadilha como a gazela. 21Pois uma ferida pode cicatrizar, uma injúria se perdoa, mas o que revelou segredos perdeu toda esperança.

Hipocrisia22Aquele que pisca os olhos maquina o mal e ninguém o afastará disso. 23Na tua presença tem a boca doce, admira tuas palavras; no entanto, por detrás, muda a linguagem e faz de tuas palavras uma pedra de tropeço. 24Odeio muitas coisas, mas nada tanto quanto ele, e o Senhor o odiará também. 25Aquele que joga pedra para o ar joga-a sobre sua cabeça, quem fere traiçoeiramente recebe o contragolpe. 26Aquele que cava um buraco nele cairá, quem arma um laço, nele cairá. 27Aquele que faz o mal, sobre ele o mal recairá, sem mesmo saber de onde lhe vem. 28Para o soberbo: sarcasmo e ultraje, mas a vingança o espreita como um leão. 29Serão presos na armadilha os que se alegram com a queda dos piedosos, a dor os consumirá antes de sua morte.

O rancor30O rancor e a cólera, também esses são abomináveis, o pecador os possui.

281Aquele que se vinga encontrará a vingança do Senhor que pedirá minuciosa conta de seus pecados. 2Perdoa ao teu próximo a injustiça, e então, ao rezares, ser-te-ão perdoados os teus pecados. 3Um homem guarda rancor contra outro: do Senhor pedirá cura? 4Para com o seu semelhante não tem misericórdia, e pede o perdão de seus pecados? 5Ele, que é só carne, guarda rancor: quem lhe obterá o perdão dos seus pecados? 6Lembra-te do fim e deixa o ódio, da corrupção e da morte, e observa os mandamentos. 7Lembra-te dos mandamentos e não tenhas ressentimento do próximo;

As querelas

da aliança do Altíssimo, e não consideres a ofensa. 8Fica longe das discussões e evitarás o pecado, porque o homem colérico atiça a discussão. 9O homem pecador perturba os amigos, entre os que vivem em paz. lança a desavença. 10O fogo eleva a chama conforme o combustível, a discussão aumenta conforme a teimosia; o furor de um homem depende do seu poder, sua ira desenvolve-se conforme sua riqueza. 11Uma luta repentina acende o fogo, uma discussão precipitada derrama sangue. 12Se soprares uma fagulha, ela se acenderá; se cuspires nela, ela se apagará; uma e outra coisa saem de tua boca.

A língua13Maldito o murmurador e o velhaco, porque arruínam a muitos que vivem em paz. 14A terceira língua agitou a muitos, dispersou-os de nação em nação; destruiu fortes cidades e devastou as casas dos grandes. 15A terceira língua expulsou de casa mulheres excelentes, despojou-as do fruto de seus trabalhos. 16Aquele que a atende não encontrará mais descanso nem terá morada tranqüila. 17Um golpe de chicote deixa marca, mas um golpe de língua quebra completamente os ossos. 18Muitos caíram pelo fio da espada, porém muito mais foram os que caíram por causa da língua. 19Feliz do que se protege contra ela, que não passou pelo seu furor, que não arrastou o seu jugo e não foi amarrado pelas suas cadeias. 20Porque o seu jugo é um jugo de ferro, e as suas cadeias são cadeias de bronze. 21A sua morte é uma morte dura, e o Xeol a ela é preferível. 22Ela não tem poder sobre os justos, estes não se queimarão em sua chama. 23Os que abandonam o Senhor caem nela e ela os consumirá sem se apagar; como um leão, será lançada contra eles, e como uma pantera os despedaçará. 24Vê: circunda com espinhos a tua propriedade, fecha bem a tua prata e o teu ouro. 25Faze para as tuas palavras uma balança e um peso; para a tua boca, porta e ferrolho. 26Vela para não dares passo em falso com a língua, cairias diante daquele que te espreita.

O empréstimo

29 1Pratica a misericórdia o que empresta ao próximo, o que vem em sua ajuda cumpre os mandamentos. 2Empresta ao próximo por ocasião de sua necessidade; por sua vez, restitui ao próximo no tempo devido. 3Cumpre tua palavra e sê-lhe fiel e em toda ocasião acharás o que te é necessário. 4Muitos consideram um empréstimo como uma fortuna inesperada e colocam em dificuldade aqueles que os socorreram. 5Antes de receberem, beijam-lhe a mão, abaixam a voz por causa da riqueza do próximo. No tempo da restituição, porém, adiam a data, pagam com recriminações, culpam o tempo. 6Se o devedor pode pagar, com dificuldade o credor receberá a metade, e o pode contar como um achado. Em caso contrário, será espoliado de seus bens e adquiriu, sem tê-lo merecido, um inimigo; pagar-lhe-á com imprecações e injúrias e, em vez de honra, dar-lhe-á desprezo. 7Muitos, sem malícia,se recusam a emprestar, temem ser defraudados sem nenhum proveito.

A esmola8Tu, porém, sê indulgente para com os humildes, não os faças esperar tuas esmolas. 9Por causa do mandamento, socorre o pobre; em sua necessidade, não o despeças sem nada. 10Sacrifica tua prata por um irmão e um amigo, não se enferruje ela, à toa, debaixo de uma pedra. 11Acumula um tesouro segundo os preceitos do Altíssimo, ser-te-á mais útil do que o ouro. 12Fecha a tua esmola nos teus celeiros, ela te livrará de todo mal. 13Mais do que um forte escudo e uma lança poderosa, por ti ela combaterá o inimigo.

A fiança

14O homem de bem dá fiança por seu próximo, aquele que perdeu toda vergonha o abandona. 15Não esqueças o favor do fiador, ele deu a sua vida por ti. 16O pecador desconhece a bondade do fiador, o ingrato esquece quem o salvou. 17Uma fiança arruinou a muitos que prosperavam e os agitou como as ondas do mar. 18Ela exilou homens poderosos que andaram errantes por nações estrangeiras. 19O pecador que se precipita para ser fiador, perseguindo lucro, precipita-se para a ruína. 20Ajuda o teu próximo conforme as tuas posses, acautela-te, não caias tu também.

A hospitalidade

21Para viver, as primeiras coisas são água, pão, vestuário e uma casa para abrigar a própria nudez. 22Vale mais vida de pobre sob o abrigo de teto de tábua do que alimentos finos em casa alheia. 23Com pouco ou muito, mostra-te contente, e não ouvirás ultraje do teu séquito. 24Triste vida é andar de casa em casa, aí és forasteiro, não poderás abrir a boca; 25tu és um estranho, darás de beber sem receber um obrigado e, além disso, ouvirás palavras amargas: 26“Vem cá, forasteiro, põe a mesa; se tens alguma coisa, dá-me de comer.” 27“Retira-te, forasteiro, cede lugar a um mais digno, vou hospedar meu irmão, preciso da casa.”  28Essas coisas são pesadas para um homem sensato: a censura do hospedeiro e a injúria do credor.

A educação

30 1Aquele que ama seu filho usará com freqüência o chicote, para, no seu fim, alegrar-se. 2Aquele que educa seu filho terá nele motivo de satisfação e entre os conhecidos gloriar-se-á dele. 3Aquele que instrui seu filho causará inveja ao inimigo e entre os amigos se mostrará feliz. 4O pai morre, é como se não morresse porque deixa depois de si alguém semelhante a ele. 5Durante a vida, ele o vê e se alegra e ao morrer não se entristece. 6Para os inimigos deixa um vingador, alguém que retribuirá generosamente aos amigos os benefícios. 7Aquele que mima o filho cuidará de suas feridas,e a cada grito suas entranhas se comoverão. 8Um cavalo não domado torna-se intratável, um filho entregue a si mesmo torna-se atrevido. 9Mima teu filho e ele te aterrorizará, brinca com ele e ele te entristecerá. 10Não rias com ele se não queres sofrer com ele: acabarás por ranger os dentes. 11Não lhe dês liberdade na juventude e não feches os olhos diante de suas tolices. 12Obriga-o a curvar a espinha na sua juventude, bate-lhe nos flancos enquanto é menino; do contrário, uma vez obstinado, te desobedecerá e ser-te-á motivo de contrariedade. 13Educa teu filho e forma-o bem para que não te aborreças com a sua insolência.

A saúde

14É melhor um pobre são e vigoroso do que um rico flagelado em seu corpo. 15Saúde e boa constituição valem mais do que todo o ouro, um corpo vigoroso é melhor do que uma enorme fortuna. 16Não existe riqueza que valha mais do que um corpo sadio, nem maior satisfação do que a alegria do coração. 17É melhor a morte do que uma vida cruel, o repouso eterno do que uma doença constante. 18Abundantes iguarias colocadas diante de uma boca fechada são como ofertas de alimento sobre um túmulo. 19Para que levar oferenda de frutas ao ídolo? Ele não come nem cheira. Assim é aquele a quem o Senhor persegue: 20ele vê e suspira, é como o eunuco que abraça a virgem e suspira.

A alegria

21Não te deixes dominar pela tristeza e nem te aflijas com teus pensamentos. 22 A alegria do coração é a vida do homem, a alegria do homem aumenta os seus dias. 23Ilude tuas inquietações, consola teu coração, afasta para longe a tristeza: porque a tristeza matou a muitos e nela não há utilidade alguma. 24Inveja e cólera abreviam os dias, a preocupação traz a velhice antes da hora. 25Um coração contente e bom deseja iguarias,cuida de sua alimentação.

As riquezas

31 1A insônia por causa da riqueza consome a carne, a sua preocupação afugenta o sono. 2As preocupações do dia não deixam dormir, e mais do que uma doença grave tiram o sono. 3O rico se afadiga em amontoar bens, e, se descansa, é para saciar-se de prazeres. 4O pobre se afadiga consumindo suas forças, e, se descansa, cai na miséria. 5Aquele que ama o ouro não escapa do pecado, o que persegue o lucro ilude-se. 6Muitas foram as vítimas do ouro, a sua ruína era inevitável. 7Pois é um laço para os que lhe sacrificam, e todos os insensatos nele caem. 8Feliz o rico que foi encontrado irrepreensível e que não correu atrás do ouro. 9Quem é este para que o felicitemos? Porque fez maravilhas no meio de seu povo. 10Quem sofreu tal prova e se revelou perfeito? Isto será para ele motivo de glória. Quem podia pecar e não pecou, fazer o mal e não o fez? 11Seus bens serão consolidados e a assembléia publicará seus benefícios.

Os banquetes

12Assentaste-te à mesa de um grande? Nela não abras demais a boca, não digas: “Que abundância!” 13Lembra-te de que um olhar maldoso é coisa má: pior do que o olho, que foi criado? Por isso ele chora por qualquer motivo. 14Não estendas a mão para onde teu hospedeiro olha, não te encontres com ele no mesmo prato.  15Compreende o próximo a partir de ti  e reflete sobre essas coisas.  16Como um homem bem-educado, come o que te é apresentado e não sejas voraz, não te tornes odioso. 17Acaba primeiro por educação, não sejas insaciável; caso contrário, serás excluído. 18Se tiveres assentado em meio a muitos, não estendas a tua mão antes deles. 19Pouca coisa é suficiente a um homem bem-educado; por isso, em seu leito, ele não fica sem ar. 20Sono saudável tem aquele de estômago moderado, levanta-se cedo e com boa disposição. Insônia, vômitos, cólicas são tributos do homem insaciável. 21Mas se foste forçado a comer muito, levanta-te e vomita, isso te aliviará. 22Escuta-me, filho, e não me desprezes, depois compreenderás as minhas palavras. Em todas as tuas ações sê moderado, e não serás atingido por nenhuma doença. 23Todos os lábios bendizem o que é pródigo em banquetes, e é fiel o testemunho de sua generosidade. 24Toda a cidade murmura contra aquele que é mesquinho em banquetes, e é exato o testemunho de sua mesquinhez. 25Não te faças de valentão com o vinho, porque o vinho arruinou a muita gente. 26A fornalha põe à prova a têmpera do aço, assim o vinho prova os corações nas disputas dos arrogantes. 27O vinho é vida para o homem, quando o bebe com moderação. Que vida se vive quando falta o vinho? Ele foi criado para a alegria dos homens. 28Gozo do coração e alegria da alma: eis o que é o vinho, bebido a seu tempo e o necessário. 29Amargura para a alma: eis o que é o vinho, bebido em excesso, por vício e por desafio. 30O excesso de bebida aumenta o furor do insensato para sua perda, diminui a sua força e provoca feridas. 31Em um banquete não repreendas teu próximo, não o desprezes na sua alegria, não lhe digas palavras injuriosas, não o apertes com reclamações.

Os banquetes

32 1Puseram-te como presidente? Não te envaideças, mas sê com os convivas como um dentre eles, ocupa-te deles e depois senta-te. 2Provê a cada um o necessário e acomoda-te, para te regozijares com eles e receberes a coroa pela boa ordem. 3Fala, ó ancião, pois isso convém a ti, mas discrição! Não impeças a música. 4Durante uma audição não sejas pródigo em palavras, não admoestes em tempo inoportuno. 5Como uma pedra de rubi numa corrente de ouro, assim é um concerto musical num banquete.  6Como uma pedra de esmeralda num engaste de ouro, assim é o som da música com as delícias do vinho.  7Fala, ó jovem, se te é necessário, se fores interrogado ao menos duas vezes. 8Sê conciso em teu discurso, dize muito em poucas palavras, sê como alguém que sabe e ao mesmo tempo cala-se. 9Era meio aos grandes não te iguales a eles, se outro fala não tagareles muito. 10O relâmpago antecipa-se ao raio, a graça precede a modéstia. 11Chegada a hora, levanta-te e não sejas o último a sair, corre para casa e não vagueies.  12Lá diverte-te, faze o que te aprouver, mas não peques falando com insolência. 13Por tudo isso bendize o teu Criador, o que te cumulou com seus bens.

O temor de Deus

14Aquele que teme ao Senhor aceita a correção, os que o procuram encontram seu favor.  15O que procura conhecer a lei será saciado com ela, mas para o hipócrita ela é um escândalo. 16Aqueles que temem ao Senhor encontram a justiça, fazem brilhar como luz suas boas ações. 17O pecador foge da repreensão, encontra justificativa para seguir sua vontade. 18O homem sensato não despreza os conselhos, o estrangeiro e o orgulhoso não conhecem o temor. 19Não faças nada sem conselho: não te arrependerás de teus atos. 20Não andes por caminho acidentado e não tropeçarás em pedras. 21Não confies num caminho não explorado 22e desconfia de teus filhos. 23Em todas as ações vela sobre ti mesmo, porque isso é observar os mandamentos. 24Aquele que confia na lei observa os mandamentos o que põe sua confiança no Senhor não sofrerá dano.

33 1Aquele que teme ao Senhor não incorrerá em mal algum e mesmo da prova sairá salvo. 2Aquele que odeia a lei não é sábio, mas o que finge observá-la é como navio na tempestade. 3Um homem sensato confia na lei, a lei para ele é digna de fé como um oráculo. 4Prepara tuas palavras e serás ouvido, reúne o teu saber e responde. 5Os sentimentos do estulto são como uma roda de carro, o seu raciocínio é como um eixo que gira. 6Um cavalo no cio é como um amigo adulador, relincha debaixo de qualquer cavaleiro.

Desigualdade de condições

7Por que um dia prevalece sobre o outro, enquanto a luz, todo o ano, vem do sol? 8No pensamento do Senhor é que foram separados, ele diversificou as estações e as festas. 9Elevou e santificou alguns dias, colocou outros no número dos dias comuns. 10Todos os homens também vêm do solo, da terra é que Adão foi formado. 11Em sua grande sabedoria o Senhor os distinguiu, diversificou os seus caminhos. 12Abençoou alguns, consagrou-os, colocou-os junto de si; amaldiçoou outros, humilhou-os e derrubou-os de seus lugares.13Como a argila na mão do oleiro, que a amolda a seu bel-prazer,assim são os homens na mão de seu Criador, que lhes retribui segundo o seu julgamento. 14Diante do mal está o bem; diante da morte, a vida; diante do piedoso, o pecador. 15Contempla, pois, todas as obras do Altíssimo, duas a duas estão todas uma diante da outra. 16Também eu, o último a chegar, velei como o que colhe atrás dos vindimadores. 17Com a bênção do Senhor progredi e como o ceifador enchi o lagar. 18Observai que eu não trabalhei só para mim, mas para todos os que procuram a instrução. 19Escutai-me, ó grandes do povo; presidentes da assembléia, ouvi-me.

A independência

20Ao filho, à mulher, à filha e ao amigo não dês poder sobre ti durante a tua vida. Não dês a outro os teus bens, para que não te arrependas e tenhas que pedir-lhe a devolução. 21Enquanto estiveres vivo e em ti houver alento, não te abandones ao poder de quem quer que seja. 22Pois é melhor que teus filhos peçam a ti do que teres tu de olhar para as suas mãos. 23Em tudo o que fizeres sê tu o senhor, não manches a tua reputação. 24No último dia dos dias de tua vida, na hora de tua morte, distribui a tua herança.

Os escravos

25Para o asno forragem, chicote e carga; para o servo pão, correção e trabalho. 26Faze teu escravo trabalhar e encontrarás descanso; deixa livre as suas mãos e ele procurará a liberdade. 27Jugo e rédea dobram o pescoço, e ao escravo mau torturas e interrogatório. 28Manda-o para o trabalho, para que não fique ocioso, porque a ociosidade ensina muitos males. 29Emprega-o em trabalhos, como lhe convém, e, se não obedecer, prende-o ao grilhão. 30Mas não sejas muito exigente com as pessoas e não faças nada de injusto. 31Tens um só escravo? Que ele seja como tu mesmo, pois o adquiriste com sangue. 32Tens um só escravo? Trata-o como a um irmão, pois necessitas dele como de ti mesmo. 33Se o maltratas e ele foge, por que caminho o procurarás?

Os sonhos

34 1As esperanças vãs e mentirosas são para o homem insensato, os sonhos dão asas aos estultos. 2Pegar sombras e perseguir vento, assim é quem atende a sonhos. 3Espelho e sonhos são coisas semelhantes; diante de um rosto aparece a sua imagem. 4Do impuro que se pode tirar de puro? Da mentira que verdade se pode tirar? 5Adivinhações, augúrios, sonhos são coisas vãs, são como o devaneio de uma mulher grávida. 6Se eles não foram enviados pelo Altíssimo, numa de suas visitas, não lhes dês atenção. 7Pois os sonhos extraviaram a muitos, os que neles esperavam caíram. 8É sem mentira que se cumprirá a Lei e a sabedoria é perfeita na boca do fiel.

As viagens

9Conhece muitas coisas aquele que muito viajou, aquele que tem muita experiência fala com inteligência. 10O que não foi provado pouco sabe, mas o que muito viaja aumenta sua sagacidade. 11Muita coisa vi em minhas viagens, meu conhecimento é maior que muitas palavras. 12Muitas vezes estive em perigo de morte, eis como fui salvo: 13viverá o espírito daqueles que temem ao Senhor, porque a sua esperança está em quem os pode salvar.14O que teme ao Senhor nada receia, nem se aterroriza, pois o Senhor é sua esperança. 15A alma do que teme ao Senhor é feliz: Em que se apóia? Qual o seu sustentáculo? 16Os olhos do Senhor estão fixos sobre aqueles que o amam, possante proteção, sustentáculo cheio de força, abrigo contra o vento do deserto, abrigo contra o ardor do meio-dia, proteção contra os obstáculos, socorro contra quedas. 17Ele eleva a alma, ilumina os olhos, dando saúde, vida e bênção.

Sacrifícios

18Sacrificar um bem mal adquirido é oblação de escárnio, os dons dos maus não são agradáveis. 19O Altíssimo não se agrada com as oferendas dos ímpios e nem é pela abundância das vítimas que ele perdoa os pecados. 20Como o que imola o filho na presença de seu pai, assim é o que oferece um sacrifício com os bens dos pobres. 21Escasso alimento é o sustento do pobre, quem dele o priva é um homem sanguinário. 22Mata o próximo o que lhe tira o sustento, derrama sangue o que priva do salário o diarista. 23Um constrói, outro destrói; que outro proveito tira além da fadiga? 24Um abençoa, outro maldiz: de qual dos dois o Senhor escutará a voz? 25O que se purifica do contato com morto e de novo o toca, que proveito tira de sua ablução? 26Assim é o homem que jejua por seus pecados, depois vai-se e comete-os de novo; quem ouvirá a sua oração? Que proveito tirou em humilhar-se?

Lei e sacrifícios

35 1Observar a lei é multiplicar as oferendas, cumprir os mandamentos é oferecer sacrifícios de comunhão. 2Mostrar-se generoso é fazer uma oblação de flor de farinha, dar esmola é oferecer um sacrifício de louvor. 3O que agrada ao Senhor é o afastar-se do mal, o afastar-se da injustiça é um sacrifício expiatório. 4Não te apresentes diante do Senhor de mãos vazias, porque tudo isso se faz por causa de um preceito. 5A oferenda do justo alegra o altar, seu perfume sobe ao Altíssimo. 6O sacrifício do justo é agradável, a sua memória não será esquecida. 7Glorifica o Senhor com generosidade, não regateies as tuas primícias. 8Em todas as tuas oferendas mostra um semblante alegre, consagra o dízimo com alegria. 9Dá ao Altíssimo conforme ele te deu, com generosidade, segundo as tuas posses.  10Pois o Senhor retribui a dádiva, dar-te-á em troca sete vezes mais.

A justiça divina

11Não tentes corrompê-lo com presentes, porque ele não os receberá, não te apóies num sacrifício injusto. 12Pois o Senhor é um juiz que não faz acepção de pessoas.  13Ele não considera as pessoas em detrimento do pobre, ouve o apelo do oprimido. 14Não despreza a súplica do órfão, nem da viúva que derrama o seu pranto.  15Não correm as lágrimas da viúva pelas faces e o seu grito não é contra aquele que as provoca? 16Aquele que serve a Deus de todo o seu coração é acolhido e o seu apelo sobe até as nuvens. 17A oração do humilde penetra as nuvens e, enquanto não chega lá, ele não se consola. 18Não se retirará daí enquanto o Altíssimo não puser nela os olhos, fizer justiça aos justos, restabelecer a eqüidade. 19O Senhor não tarda e nem tem paciência com eles, 20enquanto não quebrar o espinhaço dos cruéis e tomar vingança das nações, 21enquanto não exterminar a multidão dos orgulhosos e quebrar o cetro dos injustos, 22enquanto não retribuir a cada um segundo suas ações e julgar as ações humanas segundo suas intenções, 23enquanto não fizer justiça a seu povo e alegrá-lo com a sua misericórdia. 24Oportuna é a sua misericórdia por ocasião da tribulação, é como a nuvem de chuva no tempo da seca.

Oração para a libertação e restauração de Israel

36 1Tem piedade de nós, Senhor, Deus do universo, e olha, derrama o teu temor sobre todas as nações. 2Levanta a tua mão contra as nações estrangeiras, que elas vejam a tua potência. 3Como, diante delas, te mostraste santo em nós, assim, diante de nós, mostra nelas a tua grandeza. 4Que elas te conheçam, como nós te conhecemos, que não há outro Deus senão tu, Senhor. 5Renova os prodígios, faze outras maravilhas, glorifica a tua mão e o teu braço direito. 6Desperta o teu furor e derrama a tua cólera,  destrói o adversário e aniquila o inimigo. 7Apressa o tempo e lembra-te do juramento, sejam celebrados os teus grandes feitos. 8Que um fogo vingador devore os sobreviventes, que os opressores de teu povo encontrem a ruína. 9Esmaga a cabeça dos chefes dos inimigos, que dizem: “Não há ninguém senão nós.” 10Reúne todas as tribos de Jacó, dá-lhes a herança como no princípio. 11Tem piedade, Senhor, do povo que traz o teu nome, de Israel, a quem fizeste teu primogênito. 12Compadece-te da tua cidade santa, Jerusalém, lugar de teu repouso. 13Enche Sião de teu louvor e o teu santuário com a tua glória. 14Dá testemunho à primeira de tuas criaturas, realiza as profecias feitas em teu nome. 15Dá a recompensa aos que esperam em ti, que sejam acreditados os teus profetas. 16Ouve, Senhor, a oração dos teus servos, segundo a bênção de Aarão sobre teu povo. 17E que todos, sobre a terra, conheçam que tu és o Senhor, o Deus eterno.

Discernimento

18O estômago recebe todo tipo de alimento, mas um alimento é melhor do que outro. 19O paladar distingue o gosto da caça, como o coração sensato discerne as palavras mentirosas. 20O coração perverso causa tristeza, o homem experiente o acalma.

Escolha de uma mulher

21Uma mulher aceita todo tipo de marido mas uma jovem é melhor do que outra.1 22A beleza de uma mulher alegra o olhar e excede a todos os desejos do homem. 23Se a bondade e a doçura estão nos seus lábios, o seu marido é o mais feliz dos homens. 24O que adquire uma mulher inicia a fortuna, auxiliar semelhante a ele, coluna de apoio. 25Faltando cerca, a propriedade é devastada; faltando a mulher, o homem geme e vaga. 26Quem confia num ágil ladrão que salta de cidade em cidade? 27Assim é o homem a quem falta ninho: repousa onde a noite o surpreende.

Falsos amigos

37 1Todo amigo diz: “Eu também sou teu amigo”, mas há amigo que o é só de nome. 2Não é, porventura, uma tristeza mortal um companheiro ou amigo que se torna inimigo? 3Ó perversa inclinação, por que foste criada, para cobrir a terra de malícia? 4O companheiro se alegra com o amigo na prosperidade, no momento de aflição se volta contra ele. 5O companheiro sofre com o amigo por interesse e no momento da luta ele toma o escudo. 6Não te esqueças do amigo em teu coração, não percas a sua lembrança em meio às riquezas.

Os conselheiros

7Todo conselheiro dá conselho, mas há os que aconselham em benefício próprio.  8Guarda-te daquele que dá conselhos: primeiro toma conhecimento do que ele tem necessidade — porque ele dá seus conselhos em seu próprio interesse —caso contrário, lança contra ti a sua sorte; 9que ele não te diga: “Estás num bom caminho”, e fique à distância para ver o que te acontecerá. 10Não te aconselhes com quem te olha com desconfiança, esconde teus desígnios daqueles que te invejam. 11Nem te aconselhes com uma mulher a respeito de sua rival e nem com um medroso sobre a guerra, nem com um negociante sobre comércio e nem com um comprador sobre venda, nem com um invejoso sobre a gratidão e nem com um egoísta sobre a bondade, nem com um preguiçoso sobre qualquer trabalho e nem com um empreiteiro sobre o acabamento de uma tarefa, nem com um servo indolente sobre um grande trabalho. Não te apóies sobre essa gente para nenhum conselho. 12Mas dirige-te sempre a um homem piedoso, que tu conheces por observar os mandamentos,  que tem a alma conforme à tua e que, se tropeçares, sofrerá contigo.  13Atende, ainda, ao conselho de teu coração, porque nada te pode ser mais fiel do que ele.  14Pois a alma do homem o informa muitas vezes melhor do que sete sentinelas colocadas num lugar alto.  15E além de tudo isso, pede ao Altíssimo para dirigir os teus passos na verdade.

Verdadeira e falsa sabedoria

16O princípio de toda obra é a razão, antes de qualquer empresa é preciso reflexão. 17A raiz do pensamento é o coração, dele nascem quatro ramos:18o bem e o mal, a vida e a morte, e o que os domina sempre é a língua. 19Um homem é sagaz e mestre de muitos, mas para si próprio é inútil. 20Um homem falador é detestado, acabará morrendo de fome, 21porque o Senhor não lhe concede o seu favor, pois ele é desprovido de toda sabedoria. 22Há o sábio que o é só para si e os frutos de sua inteligência, a acreditar no que diz, são garantidos.23O verdadeiro sábio ensina o seu próprio povo e os frutos de sua inteligência são garantidos. 24O homem sábio será repleto de bênçãos todos os que o vêem proclamam-no feliz. 25A vida humana tem os dias contados, mas os dias de Israel são incontáveis. 26No meio de seu povo, o sábio herdará confiança: seu nome viverá para sempre.

A temperança

27Filho, durante tua vida prova o teu temperamento, vê o que te é nocivo e não to concedas.  28Porque nem tudo convém a todos e nem todos se comprazem com tudo. 29Não sejas ávido de toda delícia, nem te precipites sobre iguarias, 30porque na alimentação demasiada está a doença e a intemperança provoca cólicas.  31Muitos morreram por intemperança, mas aquele que se cuida prolonga a vida.

Medicina e doença

38 1Rende ao médico as honras que lhe são devidas, por causa de seus serviços, porque o Senhor o criou. 2Pois é do Altíssimo que vem a cura, como um presente que se recebe do rei. 3A ciência do médico o faz trazer a fronte erguida, ele é admirado pelos grandes. 4Da terra o Senhor criou os símplices, o homem sensato não os menospreza. 5As águas não foram adoçadas com um lenho para mostrar assim a sua virtude? 6Ele é quem deu a ciência aos homens, a fim de que se gloriem com suas obras poderosas. 7Por eles, ele curou e aliviou, o farmacêutico fez com eles misturas. 8E assim suas obras não têm fim, e por ele a saúde se difunde sobre a terra. 9Filho, não te revoltes na tua doença, mas reza ao Senhor e ele te curará.10Evita as faltas, conserva as mãos puras, purifica o coração de todo pecado. 11Oferece incenso e um memorial de flor de farinha, faze ricas oferendas conforme tuas posses.12Depois dá lugar ao médico, porque o Senhor também o criou, não o afastes de ti, porque dele tens necessidade. 13Há ocasião em que a saúde está entre suas mãos. 14Pois eles também rezam ao Senhor, para que lhes conceda o favor de um alívio e a cura para salvar-te a vida. 15O que peca contra o seu Criador, que caia nas mãos do médico.

O luto

16Filho, derrama tuas lágrimas por um morto, entoa um lamento fúnebre para mostrar a tua dor, depois enterra o cadáver segundo o costume e não deixes de honrar a sua sepultura.17Chora amargamente, bate no peito, observa o luto segundo merece o morto, um ou dois dias, por causa da maledicência do povo, depois consola-te de tua tristeza. 18Porque a tristeza leva à morte, e a tristeza abate as forças. 19Com a desgraça persiste a dor, uma vida triste é insuportável. 20Não abandones teu coração à tristeza, afasta-a. Lembra-te de teu próprio fim. 21Não esqueças: não há volta, de nada servirás ao morto e ainda te prejudicarás. 22“Lembra-te de minha sentença que será também a tua: eu ontem, tu hoje!” 23Desde que um morto repousa, deixa repousar a sua memória, consola-te quando seu espírito partir.

Profissões manuais 24A sabedoria do escriba se adquire em horas de lazer, aquele que está livre de afazeres torna-se sábio. 25Como se tornará sábio o que maneja o arado, aquele cuja glória consiste em brandir o aguilhão, o que guia bois e o que não abandona o trabalho e cuja conversa é só sobre gado? 26O seu coração está ocupado com os sulcos que traça; as suas vigílias com a forragem das bezerras. 27Igualmente todo carpinteiro e construtor, qualquer que trabalhe dia e noite, aqueles que fazem os entalhes dos selos, sua tenacidade está em variar o desenho; têm em mente reproduzir o modelo, a sua preocupação está em concluir o trabalho. 28Igualmente o ferreiro sentado à bigorna: inteiramente entregue a trabalhar o ferro bruto; a chama de fogo cresta-lhe a carne, debate-se ao calor da forja; o barulho do martelo o ensurdece, seus olhos estão fixos no modelo do utensílio; aplica o seu coração em rematar o trabalho, suas vigílias em trabalhá-lo com perfeição. 29Igualmente o oleiro sentado ao seu trabalho, o que gira o torno com os pés, dedica total cuidado à sua obra, todos os seus gestos são contados; 30com o braço amolda a argila, com os pés a compele, aplica o seu coração em terminar o envernizamento e as suas vigílias em limpar a fornalha. 31Todos esses depositam confiança em suas mãos e cada um é hábil na sua profissão. 32Sem eles nenhuma cidade seria construída, não se poderia nem instalar-se nem viajar. 33Mas eles não são encontrados no conselho do povo e na assembléia não sobressaem.  Não se sentam na cadeira do juiz e não meditam na lei. 34Não brilham nem pela cultura nem pelo julgamento, não se encontram entre os criadores de máximas, mas asseguram uma criação eterna, e a sua oração tem por objeto os problemas de sua profissão.

O escriba

391Diferente é aquele que aplica a sua alma, o que medita na lei do Altíssimo. Ele investiga a sabedoria de todos os antigos, ocupa-se das profecias. 2Conserva as narrações dos homens célebres, penetra na sutileza das parábolas. 3Investiga o sentido obscuro dos provérbios, deleita-se com os segredos das parábolas. 4Presta serviços no meio dos grandes e é visto diante dos que governam. Percorre países estrangeiros, fez a experiência do bem e do mal entre os homens. 5Desde a manhã, de todo coração, volta-se para o Senhor, seu criador. Suplica diante do Altíssimo, abre sua boca em oração. Suplica o perdão de seus pecados. 6Se for da vontade do supremo Senhor, ele será repleto do espírito de inteligência. Ele mesmo fará chover abundantemente suas palavras de sabedoria e na sua oração dará graças ao Senhor. 7Ele mesmo adquirirá a retidão do julgamento e do conhecimento, meditará os seus segredos. 8Ele mesmo manifestará a instrução recebida, gloriar-se-á da lei da aliança do Senhor. 9Muitos louvarão a sua inteligência e jamais será esquecido. Sua lembrança não se apagará, seu nome viverá de geração em geração. 10As nações proclamarão a sua sabedoria e a assembléia proclamará os seus louvores. 11Se vive muito, seu nome será mais glorioso do que mil outros, e se morre, isto lhe basta.

Convite ao louvor a Deus

12Ainda exporei detalhadamente as minhas reflexões pois estou repleto delas como a lua cheia.13Escutai-me, filhos piedosos, e germinai como a rosa plantada à margem do regato úmido.  14Como o incenso exalai um bom odor,  florescei como o lírio, dai vosso perfume, entoai um cântico, bendizei ao Senhor por todas as suas obras. 15Dai glória ao seu nome, publicai os seus louvores, por vossos cânticos, com as vossas cítaras, assim direis em seu louvor: 16Todas as obras do Senhor são magníficas, todas as suas ordens são executadas pontualmente. Não é preciso dizer: “O que é isto? Por que aquilo?” Porque tudo deve ser estudado a seu tempo: 17À sua palavra a água pára e se ajunta, á sua voz são formados reservatórios de água. 18Sob sua ordem tudo o que deseja é realizado e não há quem limite seu gesto de salvação. 19Diante dele estão todas as obras dos homens, nada estará oculto a seus olhos. 20Vê de eternidade a eternidade, nada é extraordinário para ele. 21Não é preciso dizer: “O que é isto? Por que aquilo?” Porque tudo foi criado para uma destinação. 22A sua bênção transborda como um rio e inunda a terra como um dilúvio, assim também ele dá às nações a sua cólera em herança, como mudou as águas em sal. 24Para os piedosos os seus caminhos são retos, mas para os maus são cheios de obstáculos. 25Desde o começo as coisas boas foram criadas para os bons, assim como os males para os pecadores. 26para a vida do homem as coisas mais necessárias são a água, o fogo, o ferro e o sal, a farinha de trigo, o leite e o mel, o sumo da uva, o óleo e a veste. 27Tudo isso é um bem para os bons, para os pecadores isso é um mal. 28Há ventos que foram criados para castigo e no seu furor são um flagelo,no momento final desencadeiam a sua violência, e saciam o furor do seu Criador.  29Fogo e granizo, fome e morte, tudo isso foi criado para punição. 30Os dentes das feras, os escorpiões e as víboras, a espada vingadora para ruína dos ímpios, 31à sua ordem, alegram-se: foram colocados na terra em caso de necessidade, no momento oportuno não transgridem a sua ordem.  32Por isso desde o princípio me decidi; refleti e o escrevi: 33“Todas as obras do Senhor são boas, ele supre toda necessidade na hora devida.  34Não se pode dizer: ‘Isto é pior do que aquilo’, porque tudo, no seu tempo, será reconhecido bom. 35E agora, de todo coração, a toda voz, cantai, bendizei o nome do Senhor.”

A miséria do homem

40 1Uma enorme dificuldade foi criada para todos os homens, um pesado jugo para os filhos de Adão, desde o dia em que saíram do ventre materno, até o dia em que voltarem para a mãe comum. 2O objeto de seus pensamentos, o temor de seu coração, é a espera angustiosa do dia da morte. 3Desde o que está sentado no trono, na glória, até o miserável sentado na terra e na cinza, 4desde o que traz a púrpura e a coroa, até o que se veste com o linho cru, não é senão furor, inveja, perturbação, agitação, medo da morte, ressentimento, lutas. 5E na hora do repouso, no leito, o sono da noite apenas muda as preocupações:6apenas iniciado o repouso, imediatamente, ao dormir, como em pleno dia, ele é agitado por pesadelos, como quem fugiu da linha de batalha. 7No momento de salvar-se acorda, admira-se de que nada havia para temer. 8Assim sucede com toda criatura, do homem ao animal, mas para o pecador é sete vezes pior, 9a morte, o sangue, a luta e a espada, a miséria, a fome, a tribulação, a calamidade! 10Tudo isso foi criado para o pecador e foi por causa deles que houve o dilúvio. 11Tudo o que vem da terra volta à terra e o que vem das águas volta ao mar.

Máximas diversas

12Toda corrupção e injustiça desaparecerão, mas a fidelidade permanece para sempre. 13A riqueza mal adquirida, como uma torrente, secar-se-á, é como um raio que ressoa na tempestade. 14Quando abre as mãos, ele se alegra, assim os pecadores irão para a ruína. 15Os rebentos dos ímpios não são abundantes em ramos, as raízes impuras estão sobre a rocha dura. 16O junco que abunda em todas as águas e nas margens do rio será arrancado primeiro. 17A caridade é como um paraíso de bênçãos e a esmola permanece para sempre. 18Doce é a vida do homem independente e do trabalhador; melhor do que a dos dois é a vida daquele que encontra um tesouro. 19Filhos e cidade fundada perpetuam um nome; mais do que isso vale uma mulher irrepreensível. 20O vinho e a arte alegram o coração; melhor do que ambos é o amor da sabedoria. 21Flauta e harpa tornam agradável o canto; melhor do que ambas é uma voz melodiosa. 22Graça e beleza deleitam os olhos; melhor do que ambas é o verdor dos campos. 23Amigo e companheiro encontram-se no momento oportuno; melhor do que ambos é a mulher com o homem. 24Irmão e auxiliar são úteis no tempo da tribulação; mais do que ambos a esmola preserva do perigo. 25Ouro e prata tornam a caminhada firme; melhor do que ambos é estimado o conselho. 26Riqueza e força engrandecem o coração; melhor do que ambas é o temor do Senhor. No temor do Senhor nada falta, com ele não é preciso buscar outra ajuda. 27O temor do Senhor é como um paraíso de bênçãos, melhor do que qualquer glória ele protege.

A mendicância  28Filho, não vivas mendigando, é melhor morrer do que mendigar. 29O homem que olha para a mesa alheia, a sua vida não é para ser contada como uma vida. Ele suja a garganta com o alimento alheio,  mas o homem instruído e educado guarda-se disso. 30Na boca do desavergonhado a mendicância é doce, mas nas suas entranhas queima como fogo.

A morte

41 1Ó morte, quão amarga é a tua lembrança para o homem que vive em paz em meio a seus bens, para o homem seguro e afortunado em tudo e ainda com forças para saborear alimentos. 2Ó morte, tua sentença é bem-vinda para o miserável e privado de suas forças,  para quem chegou a velhice avançada, agitado por preocupações, descrente e sem paciência. 3Não temas a sentença da morte, lembra-te dos que te precederam e dos que te seguirão. 4É uma sentença do Senhor para toda carne; por que recusares a vontade do Altíssimo?  Sejam dez ou cem ou mil anos, no Xeol não se lamenta a respeito da vida.

Destino dos ímpios

5Infames são os filhos dos pecadores e os que habitam as casas dos ímpios.  6A herança dos filhos dos pecadores acaba em ruína, com a sua posteridade estará sempre a desonra. 7Os filhos censuram um pai ímpio, pois é por sua causa que eles sofrem a desonra.  8Ai de vós, ímpios, que abandonastes a lei do Deus Altíssimo. 9Nascestes, mas para a maldição; á vossa morte a maldição será para vós. 10Tudo o que vem da terra retorna à terra, assim os ímpios vão da maldição à ruína. 11O luto dos homens se dirige aos seus despojos, mas o nome maldito dos pecadores se apaga.  12Cuida do teu nome, porque ele te acompanha, é mais do que milhares de tesouros preciosos. 13Os bens da vida duram certo número de dias, ao passo que o bom nome permanece para sempre.

A vergonha

14Filhos, guardai em paz minha instrução. Sabedoria escondida e tesouro invisível, para que servem ambos?  15Vale mais um homem que esconde a sua loucura do que um homem que esconde a sua sabedoria. 16Assim, pois, envergonhai-vos conforme o que vou dizer, porque não é bom cultivar toda espécie de vergonha e nem toda ela é apreciada exatamente por todos. 17Envergonhai-vos da libertinagem diante de um pai e de uma mãe, da mentira diante de um chefe e de um governante; 18de um delito diante de um juiz e de um magistrado, da impiedade diante da assembléia do povo; 19da deslealdade diante de um companheiro e de um amigo, do roubo diante do lugar onde moras; 20diante da verdade de Deus e da aliança, envergonha-te de apoiar o cotovelo à mesa, 21da afronta ao receber e ao dar, do silêncio diante do cumprimento 22de olhar uma prostituta, de repelir um compatriota, 23de tirar a parte de alguém ou o seu presente, de olhar uma mulher casada, 24de ter intimidades com uma serva —não te aproximes de seu leito —, 25de palavras ofensivas diante de amigos —não injuries depois de teres dado alguma coisa —, 26de repetir a palavra ouvida, de revelar o segredo. 27Assim terás a verdadeira vergonha e acharás favor diante de todos os homens.

42 1Porém, do que se segue não te envergonhes e não faças acepção de pessoas para não pecares: 2não te envergonhes da lei do Altíssimo e da aliança, do julgamento que faz justiça aos ímpios, 3de contar com um companheiro de viagem, de distribuir tua herança a teus amigos, 4de examinar as balanças e os pesos, de obter pequenos e grandes lucros, 5de contratar o preço com o mercador, de corrigir severamente os filhos, de ensangüentar os flancos do escravo viciado. 6Com uma mulher curiosa é bom usar um selo; onde há muitas mãos, fecha com chave. 7Para depósitos, contas e pesos são necessários, e tudo o que deres e receberes seja escrito. 8Não te envergonhes de corrigir o insensato, o estulto e o velho decrépito que discute com os jovens. Assim te mostrarás instruído de verdade e serás aprovado por todos os viventes.

Cuidados de um pai para com sua filha

9Sem o saber, uma filha causa a seu pai inquietações, o cuidado por ela tira-lhe o sono: se jovem, que ela não passe do tempo de se casar; se casada, que ela não se torne odiosa; 10se virgem, que ela não seja profanada e não fique grávida na casa paterna. Tendo um marido, que ela não erre; casada, que ela não seja estéril. 11Fortifica a vigilância sobre uma filha audaciosa, a fim de que ela não faça de ti motivo de irrisão para teus inimigos, o assunto da cidade, a chacota do povo, e não te desonre aos olhos de todos.

As mulheres

12Diante de quem quer que seja, não te detenhas na beleza e não te assentes com mulheres.13Porque das vestes sai a traça e da mulher, a malícia feminina. 14É melhor a malícia de um homem do que a bondade de uma mulher: uma mulher causa vergonha e censuras.

II. A glória de Deus

I NA NATUREZA 15Quero recordar agora as obras do Senhor, o que vi contarei. Por suas palavras o Senhor fez suas obras e a criação obedece à sua vontade. 16O sol que brilha contempla todas as coisas e a obra do Senhor está cheia de sua glória. 17Os Santos do Senhor não são capazes de contar todas as suas maravilhas, o que o Senhor todo-poderoso estabeleceu firmemente para que tudo subsista em sua glória. 18Ele sondou as profundezas do abismo e do coração humano, penetrou os seus segredos. Porque o Altíssimo possui toda a ciência e vê o sinal dos tempos. 19É ele que anuncia o passado e o futuro e revela o fundo dos segredos. 20Nenhum pensamento lhe escapa e nenhuma palavra lhe é escondida. 21Dispõe em ordem as maravilhas de sua sabedoria, porque ele existe desde a eternidade para sempre, sem que nada lhe seja acrescentado ou tirado, e não necessita do conselho de ninguém. 22Quão desejáveis são as suas obras! O que delas se vê é como uma centelha! 23Tudo isso vive e permanece para sempre, e em todas as circunstâncias tudo lhe obedece. 24Todas as coisas formam dupla, uma diante da outra e ele não fez nada incompleto.25Uma coisa consolida a excelência da outra: quem se fartará de contemplar sua glória?

O sol

43 1Orgulho das alturas, firmamento de claridade, assim aparece o céu em seu espetáculo de glória. 2O sol, em espetáculo, proclama ao surgir: “Quão admirável é a obra do Altíssimo!” 3Ao meio-dia ele seca a terra: quem pode resistir ao seu calor? 4Atiça-se a fornalha para produzir calor, o sol queima três vezes mais as montanhas; soprando vapores quentes, dardejando seus raios, deslumbra os olhos.5Grande é o Senhor que o fez e com sua palavra apressa o seu curso.

A lua

6Também a lua, sempre exata a mostrar os tempos, é sinal eterno. 7É a lua que marca as festas, astro que decresce depois de sua cheia. 8É dela que o mês tira o seu nome; ela cresce espantosamente em sua evolução, insígnia das milícias celestes brilhando no firmamento do céu.

As estrelas

9A glória dos astros faz a beleza do céu; ornam brilhantemente as alturas do Senhor. 10À palavra do Santo permanecem nos seus lugares e não se cansam de suas rondas.

O arco-íris

11Contempla o arco-íris e bendize o seu Autor, ele é magnífico em seu esplendor.  12Forma no céu um círculo de glória, as mãos do Altíssimo o estendem.

Maravilhas da natureza

13Por sua ordem ele faz cair a neve, lança relâmpagos segundo seus decretos. 14Para isso abrem-se os depósitos e as nuvens voam como pássaros.  15Com sua potência condensa as nuvens que se fragmentam em granizo; 17à voz de seu trovão a terra treme;  16à sua vista os montes se abalam; por sua vontade sopra o vento sul, 17bcomo o furacão do norte e os ciclones.  18Como pássaros que pousam, ele faz descer a neve, a sua queda é como a de gafanhotos.  O olho se maravilha diante da beleza de sua brancura e o espírito se extasia ao vê-la caindo. 19Como o sal, ele ainda derrama sobre a terra a geada, a qual congelando, torna-se pontas de espinhos. 20O vento frio do norte sopra, o gelo se forma sobre a água; pousa sobre toda a água parada, reveste-a como de uma couraça.21Ele devora os montes, queima o deserto e, como o fogo, extermina a erva verdejante. 22A nuvem é um pronto remédio, e após o calor, o orvalho alegra. 23Segundo seu plano, ele subjugou o abismo, nele plantou as ilhas. 24Os que percorrem o mar contam os seus perigos, e nós nos admiramos com o que ouvimos: 25ali existem coisas estranhas e maravilhas, animais de toda espécie e monstros marinhos. 26Graças a Deus, seu mensageiro chega a bom porto e tudo se arranja segundo a sua palavra. 27Poderíamos nos estender sem esgotar o assunto; numa palavra: “Ele é tudo.” 28Onde encontrar força para o glorificar? Porque ele é grande, acima de todas as suas obras, 29Senhor temível e soberanamente grande, sua potência é admirável. 30Que vossos louvores exaltem o Senhor,  conforme podeis, porque ele vos excede. Para o exaltar desdobrai vossas forças, não vos canseis, porque nunca chegareis ao fim. 31Quem o viu para que o possa descrever? Quem o pode glorificar como ele merece? 32Ainda há muitos mistérios maiores do que esses, pois não vimos senão um pouco de suas obras. 33Porque foi o Senhor que criou tudo e aos homens piedosos deu a sabedoria.

II. NA HISTÓRIA

Elogio dos antepassados 44 1Elogiemos os homens ilustres, nossos antepassados, em sua ordem de sucessão. 2O Senhor criou uma imensa glória e mostrou sua grandeza desde os tempos antigos. 3Homens exerceram autoridade real, ganharam nome por seus feitos; outros foram ponderados nos conselhos e exprimiram-se em oráculos proféticos.4Outros regeram o povo com seus conselhos, inteligência da sabedoria popular e os sábios discursos de seu ensinamento; 5outros cultivaram a música e escreveram poesias; 6outros foram ricos e dotados de recursos, vivendo em paz em suas habitações. 7Todos esses foram honrados por seus contemporâneos e glorificados já em seus dias. 8Alguns deles deixaram um nome que ainda é citado com elogios. 9Outros não deixaram nenhuma lembrança e desapareceram como se não tivessem existido. Existiram como se não tivessem existido, assim como os seus filhos depois deles. 10Mas eis os homens de bem cujos benefícios não foram esquecidos. 11Na sua descendência eles encontram uma rica herança, sua posteridade. 12Os seus descendentes ficam fiéis aos mandamentos e também, graças a eles, os seus filhos. 13Para sempre dura sua descendência e a sua glória não acabará jamais. 14Os seus corpos serão sepultados em paz e seus nomes vivem por gerações. 15Os povos proclamarão sua sabedoria, a assembléia anunciará os seus louvores.

Henoc16Henoc agradou ao Senhor e foi arrebatado, exemplo de conversão para as gerações.

Noé17Noé foi reconhecido como o perfeito justo, no tempo da cólera tornou-se um rebento: graças a ele ficou um resto na terra, quando houve o dilúvio. 18Nele foram estabelecidas alianças eternas, para que ninguém mais seja aniquilado por dilúvio.

Abraão19Abraão, célebre antepassado de uma multidão de nações, ninguém foi reconhecido como ele em glória. 20Observou a lei do Altíssimo e fez uma aliança com ele. Estabeleceu essa aliança na sua carne e foi reconhecido fiel na prova. 21Por isso, com juramento Deus lhe prometeu abençoar todas as nações de sua descendência, multiplicá-la como o pó da terra e exaltar sua posteridade como as estrelas, dar-lhe em herança o país, de um mar a outro, desde o rio até às extremidades da terra.

Isaac e Jacó22Em Isaac, por causa de Abraão, seu pai, ele renovou 23a bênção de todos os homens; fez repousar a aliança sobre a cabeça de Jacó. Confirmou-o com suas bênçãos e lhe deu o país em herança; dividiu-o em partes e o distribuiu entre as doze tribos.

Moisés

45 1Fez sair dele um homem de bem que encontrou favor aos olhos de todo o mundo, amado por Deus e pelos homens, Moisés, cuja memória é uma bênção. 2Equiparou-o em glória aos santos e tornou-o poderoso para o terror dos inimigos. 3Pela palavra de Moisés fez cessar os prodígios e glorificou-o em presença dos reis; deu-lhe mandamentos para o seu povo e fez-lhe ver algo de sua glória. 4Na sua fidelidade e doçura ele o santificou, escolheu-o entre todos os viventes; 5fez-lhe ouvir a sua voz e o introduziu nas trevas;  deu-lhe face a face os mandamentos, uma lei de vida e de inteligência, para ensinar a Jacó suas prescrições e seus decretos a Israel.

Aarão6Elevou Aarão, um santo semelhante a Moisés, seu irmão, da tribo de Levi. 7Fez com ele uma aliança eterna e deu-lhe o sacerdócio do povo. Fê-lo feliz com o seu ornamento e cobriu-o com uma veste gloriosa. 8Revestiu-o de uma glória perfeita e preparou-lhe ricos ornamentos, calções, túnicas e efod. 9Para circundar sua veste, deu-lhe romãs e numerosas campainhas de ouro, em todo redor, para tinir a cada passo seu, e fazer ouvir, no templo, um eco, como um memorial para os filhos de seu povo; 10e uma veste sagrada de ouro, de púrpura violeta, de escarlate, obra de um bordador; o peitoral do julgamento, o Urim e o Tummim,de carmesim retorcido, obra de um tecelão; 11pedras preciosas gravadas em forma de selo, num engaste de ouro, obra de um joalheiro, por memorial, uma inscrição gravada, segundo o número das tribos de Israel; 12e um diadema de ouro sobre o turbante, trazendo, gravada, a inscrição de consagração, decoração soberba, trabalho magnífico, delícia para os olhos são esses ornamentos. 13Nada de semelhante houve antes dele e jamais um estrangeiro os vestiu, mas somente os seus filhos e seus descendentes para sempre. 14Seus sacrifícios se consumirão inteiramente duas vezes por dia, sem interrupção. 15Moisés o consagrou e o ungiu com o óleo santo. Foi para ele uma aliança eterna, assim como para a sua raça, enquanto durarem os céus, para que ele presida o culto, exerça o sacerdócio e abençoe o povo em nome do Senhor. 16Ele o escolheu entre todos os viventes para oferecer o sacrifício do Senhor, o incenso e o perfume, como memorial, para fazer a expiação por seu povo. 17Deu-lhe os seus mandamentos, confiou-lhe as prescrições da lei, para que ele ensine a Jacó seus testemunhos e esclareça Israel sobre sua lei. 18Os estrangeiros coligaram-se contra ele, eles o invejaram no deserto, homens de Datã e de Abiram, o bando de Coré, odioso e violento. 19O Senhor os viu e irritou-se, eles foram exterminados em sua cólera. Por eles fez prodígios, consumindo-os pelo seu fogo em chamas. 20Ele aumentou a glória de Aarão, deu-lhe um patrimônio, destinou-lhe as oferendas das primícias, em primeiro lugar pão em abundância. 21E que comessem também dos sacrifícios do Senhor, deu-os a ele e à sua posteridade. 22Mas na terra ele não terá herança, ele não tem porção no meio do povo, “Porque sou eu a tua parte de herança”.

Finéias23Quanto a Finéias, filho de Eleazar, ele é o terceiro em glória, por seu zelo no temor do Senhor, por ter ficado firme diante da revolta do povo com uma nobre coragem; assim ele obteve o perdão para Israel. 24Por isso foi celebrada com ele uma aliança de paz, que o fazia chefe do santuário6 e do povo, de sorte que a ele e à sua descendência pertencesse a dignidade de sumo sacerdote para sempre. 25Houve uma aliança com Davi, filho de Jessé, da tribo de Judá, sucessão real, do pai a um só dos filhos. Mas a de Aarão passa a todos os seus descendentes. 26Que o Senhor dê a vossos corações a sabedoria para julgardes seu povo com justiça, a fim de que as virtudes dos antepassados não desapareçam em nada, e que a sua glória passe a seus descendentes.

Josué

461Valente na guerra, assim foi Josué, filho de Nun, sucessor de Moisés no ofício profético, ele que, fazendo jus ao nome, mostrou-se grande para salvar os eleitos, para castigar os inimigos revoltados e instalar Israel em seu território. 2Como era majestoso quando, de braços levantados, brandia a espada contra a cidade! 3Quem antes dele tinha a sua firmeza? Ele próprio conduziu as guerras do Senhor. 4Não foi por sua ordem que o sol foi parado e que um só dia tornou-se dois? 5Invocou o Altíssimo, o Poderoso, quando os inimigos o apertaram por todas as partes e o grande Senhor o ouviu, lançando pedras de granizo com um poder extraordinário. 6Caiu sobre a nação inimiga e na encosta destruiu os assaltantes, para fazer conhecer às nações a força de suas armas e que ele fazia guerra diante do Senhor.

Caleb 7Porque ele afeiçoou-se ao Todo-poderoso, no tempo de Moisés manifestou sua piedade, assim como Caleb, filho de Jefoné, opondo-se à multidão, impedindo o povo de pecar, fazendo cessar a murmuração maligna. 8Só eles dois foram poupados entre seiscentos mil homens de infantaria, para serem introduzidos na sua porção da herança, na terra onde correm leite e mel. 9E o Senhor deu a Caleb força, com a qual ficou até a velhice. Subiu as colinas do país que a sua descendência guardou em herança, 10a fim de que todos os filhos de Israel vissem como é bom seguir o Senhor.

Os Juízes

11Os Juízes, cada um segundo sua convocação, todos homens cujo coração não foi infiel e que não se afastaram do Senhor, que a sua lembrança seja uma bênção!

Samuel 12Que seus ossos refloresçam nos seus sepulcros e que seus nomes, tomados de novo, convenham aos filhos destes homens ilustres.Samuel13Samuel foi amado pelo seu Senhor; profeta do Senhor, ele estabeleceu a realeza e ungiu os chefes estabelecidos sobre seu povo. 14Na lei do Senhor ele julgou a assembléia  e o Senhor visitou Jacó. 15Por sua fidelidade ele foi reconhecido como profeta, por seus discursos mostrou-se um vidente verídico. 16Invocou o Senhor todo-poderoso, quando seus inimigos o pressionavam de todos os lados, oferecendo um tenro cordeiro. 17E do céu o Senhor trovejou, com forte estrondo fez ouvir a sua voz. 18Aniquilou os chefes do inimigo e todos os príncipes dos filisteus. 19Antes da hora de seu eterno repouso deu testemunho diante do Senhor e seu ungido: “De meus bens nem mesmo um par de minhas sandálias eu tomei de quem quer que seja.” E ninguém o acusou. 20Mesmo depois de morrer profetizou, anunciou ao rei seu fim; do seio da terra elevou a sua voz para profetizar, para apagar a iniqüidade do povo.

Natã

47 1Depois dele surgiu Natã para profetizar no tempo de Davi.

Davi

2Como se separa a gordura para o sacrifício de comunhão, assim Davi foi escolhido entre os filhos de Israel. 3Brincou com o leão como com um cabrito, com o urso como com um cordeiro. 4Jovem ainda, não matou ele o gigante e tirou a humilhação do povo, lançando com a funda a pedra que abateu a arrogância de Golias? 5Porque ele invocou o Senhor Altíssimo, que deu forças à sua direita para derrubar um valente guerreiro e exaltar o vigor de seu povo. 6Como se fosse dez mil, glorificaram-no e cantaram-no nas bênçãos do Senhor, oferecendo-lhe uma coroa de glória. 7Porque ele destruiu os inimigos em todo o redor, aniquilou os filisteus seus adversários, quebrando para sempre o seu vigor. 8Em todas as suas obras ele rendeu homenagem ao Santo Altíssimo com palavras de glória; cantou de coração, mostrando seu amor por seu Criador. 9Colocou diante do altar tocadores de harpa, a fim de tornar doce a melodia de seus cânticos; 10deu esplendor às festas, um brilho perfeito às solenidades, fazendo louvar o santo nome do Senhor, fazendo ressoar o santuário desde o amanhecer. 11O Senhor apagou as suas faltas, elevou o seu poder para sempre, concedeu-lhe uma aliança real, um trono glorioso em Israel.

Salomão

12Sucedeu-lhe um filho sábio, o qual, graças a ele, viveu feliz. 13Salomão reinou em um tempo de paz e Deus lhe concedeu tranqüilidade nos arredores, a fim de que construísse uma casa para o seu nome e preparasse um santuário eterno. 14Como eras sábio em tua juventude, cheio de inteligência como um rio! 15Teu espírito cobriu a terra, tu a encheste de sentenças enigmáticas. 16Teu nome chegou até às ilhas longínquas e foste amado na tua paz. 17Por teus cânticos, provérbios, sentenças e respostas todo mundo te admira. 18Em nome do Senhor Deus daquele que se chama Deus de Israel, amontoaste ouro como estanho, multiplicaste a prata como o chumbo. 19Entregaste teu corpo a mulheres, deste-lhes poder sobre teu corpo. 20Manchaste a tua glória, profanaste a tua raça, a ponto de fazer vir a cólera contra teus filhos e a aflição até à loucura: 21erigiu-se um duplo poder, surgiu de Efraim um reino rebelde. 22Porém o Senhor nunca renuncia à sua misericórdia, não cancela nenhuma de suas palavras, não recusa a seu eleito uma posteridade e não extingue a raça daquele que o amou. Assim deu a Jacó um resto e a Davi uma raiz dele nascida.

Roboão

23E Salomão repousou com seus pais, deixando atrás de si alguém de sua raça, o mais louco do povo e pouco inteligente: Roboão, que instigou o povo à revolta.

Jeroboão

24Quanto a Jeroboão, filho de Nabat, foi ele quem fez Israel pecar e ensinou a Efraim o caminho do mal. Os seus pecados se multiplicaram tanto que foram exilados para longe de seu país. 25Pois eles procuraram toda sorte de mal até vir o castigo sobre eles.

Elias

48 1Então o profeta Elias surgiu como um fogo, sua palavra queimava como uma tocha. 2Fez vir sobre eles a fome e em seu zelo os dizimou. 3À palavra do Senhor ele fechou o céu, por três vezes fez descer fogo. 4Como tu eras glorioso, Elias, em teus prodígios! Quem pode em seu orgulho igualar-se a ti? 5Tu que arrancaste um homem à morte e ao Xeol pela palavra do Altíssimo. 6Tu que fizeste descer reis à ruína e homens ilustres de seus leitos, 7que ouviste no Sinai a sentença6 e no Horeb decretos de vingança, 8que ungiste reis como vingadores e profetas para suceder-te, 9que foste arrebatado num turbilhão de fogo, num carro puxado por cavalos de fogo, 10tu que foste designado nas ameaças do furor, para apaziguar a cólera antes do furor, para reconduzir o coração dos pais aos filhos e restabelecer as tribos de Jacó. 11Felizes os que te viram e os que adormeceram no amor, porque nós também possuiremos a vida.

Eliseu

12Tal foi Elias, que foi envolvido num turbilhão. Eliseu ficou repleto do seu espírito; durante sua vida nenhum chefe o pôde abalar, ninguém o pôde subjugar.  13Nada era muito difícil para ele: até morto profetizou. 14Em vida fez prodígios; morto, ações maravilhosas.

Infidelidade e castigo

15Apesar de tudo isso, o povo não se converteu, nem renunciou a seus pecados, até que foi deportado de sua pátria e disperso por toda a terra.  16Restou um povo pouco numeroso e um chefe da casa de Davi. Alguns deles fizeram o bem, outros multiplicaram as faltas.

Ezequias

17Ezequias fortificou a sua cidade e conduziu a água para o seu centro, Com ferro cavou a rocha e construiu cisternas. 18No seu tempo, Senaquerib pôs-se em guerra e enviou Rabsaces, ele levantou a mão contra Sião, na insolência de seu orgulho. 19Então seus corações e suas mãos tremeram, sofreram como as parturientes. 20Invocaram o Senhor misericordioso, estendendo suas mãos para ele. Do céu o Santo os escutou imediatamente e livrou-os pela mão de Isaías. 21Ele feriu o acampamento dos assírios e o seu anjo os exterminou. 22Porque Ezequias fez o que agrada ao Senhor e se mostrou forte seguindo seu pai Davi, como lhe ordenou o profeta Isaías, o grande, o fiel em suas visões. 23No seu tempo o sol recuou; ele prolongou a vida do rei. 24Com o poder do espírito ele viu o fim dos tempos, consolou os aflitos de Sião. 25Revelou o futuro até a eternidade  e as coisas ocultas antes que sucedessem.

Josias

49 1A lembrança de Josias é uma mistura de incenso, preparada pelos cuidados de um perfumista; é como mel, doce em todas as bocas, como a música em meio a um banquete. 2Ele mesmo tomou o bom caminho, o de converter o povo, extirpou a impiedade abominável. 3Encaminhou seu coração para o Senhor, em dias de impiedade fez prevalecer a piedade.

Últimos reis e últimos profetas

4Exceto Davi, Ezequias e Josias, todos multiplicaram as transgressões porque abandonaram a lei do Altíssimo: os reis de Judá desapareceram. 5Porque eles entregaram seu vigor a outros e sua glória a uma nação estrangeira. 6Os inimigos incendiaram a cidade santa eleita, reduziram suas ruas a deserto, 7segundo a palavra de Jeremias. Porque eles o maltrataram, a ele, consagrado profeta desde o seio materno, para erradicar, destruir e arruinar, mas também para construir e para plantar. 8Ezequiel contemplou uma visão de glória, que Deus lhe mostrou sobre o carro dos querubins,  9porque ele fez menção de inimigos na tempestade para favorecer os que seguiam o caminho reto. 10Quanto aos doze profetas, que seus ossos floresçam no sepulcro, porque eles consolaram Jacó, eles o resgataram na fé e na esperança.

Zorobabel e Josué

11Como fazer o elogio de Zorobabel? Ele é como um selo na mão direita, 12e como Josué, filho de Josedec, os quais, nos seus dias, construíram o Templo e fizeram subir em direção do Senhor um povo santo, destinado a uma glória eterna.

Neemias

13De Neemias a lembrança é grande, ele que reergueu para nós os muros em ruína, assentou portas e ferrolhos e reergueu nossas habitações.

Recapitulação

14Ninguém sobre a terra foi criado igual a Henoc, ele que foi arrebatado da terra.  15Também não se viu nascer um homem como José, chefe dos irmãos, sustentáculo do povo; seus ossos foram visitados. 16Sem e Set foram glorificados entre os homens mas acima de todo ser vivente está Adão.

O sacerdote Simão

50 1Simão, filho de Onias, o sumo sacerdote, em sua vida reparou o Templo, durante seus dias fortificou o santuário. O alicerce do edifício duplo foi feito por ele, o alto contraforte da muralha do Templo.3No seu tempo foi cavado o reservatório das águas, um tanque grande como o mar. 4Preocupado em evitar a ruína de seu povo, fortificou a cidade para o caso de assédio. 5Como ele era majestoso, cercado de seu povo, quando saía de detrás do véu, 6como a estrela da manhã em meio às nuvens, como a lua na cheia, 7como o sol radiante sobre o Templo do Altíssimo, como o arco-íris brilhando nas nuvens de glória, 8como a rosa na primavera, como o lírio junto de uma fonte, como um ramo de árvore de incenso no verão, 9como o fogo e o incenso no incensário,  como um vaso de ouro maciço, ornado de toda espécie de pedras preciosas, 10como a oliveira carregada de frutos, como o cipreste elevando-se até as nuvens; 11quando tomava sua veste de gala e revestia-se de seus soberbos ornamentos, quando subia ao altar sagrado e enchia de glória o recinto do santuário; 12quando recebia das mãos dos sacerdotes as porções do sacrifício, ele próprio, estando de pé junto à fornalha do altar, cercado de uma coroa de irmãos, como de seus rebentos, os cedros do Líbano, cercavam-no como troncos de palmeiras, 13quando todos os filhos de Aarão em seu esplendor, tendo nas mãos as oferendas do Senhor, diante de toda a assembléia de Israel, 14enquanto ele realizava o culto dos altares, apresentando com nobreza a oferenda ao Altíssimo todo- poderoso. 15Estendia a mão sobre a taça, fazia correr um pouco do sumo de uva e o derramava ao pé do altar, perfume agradável ao Altíssimo, rei do mundo. 16Então os filhos de Aarão gritavam, soavam as suas trombetas de metal maciço e faziam ouvir um possante som, como memorial diante do Altíssimo. 17Então, imediatamente, à uma, todo o povo caía com a face por terra: adoravam o seu Senhor, o Todo-poderoso, o Deus Altíssimo. 18Os cantores também faziam ouvir os seus louvores, todo esse ruído formava uma doce melodia. 19E o povo suplicava ao Senhor Altíssimo, dirigia preces ao Misericordioso até que terminasse o serviço do Senhor e acabasse a cerimônia. 20Então ele descia e levantava as mãos sobre toda a assembléia dos filhos de Israel, para dar, em alta voz, a bênção do Senhor e ter a honra de pronunciar seu nome. 21Então, pela segunda vez, o povo se prostrava para receber a bênção do Altíssimo.

Exortação

22E agora bendizei o Deus do universo que por toda parte fez grandes coisas, que exaltou os nossos dias desde o seio materno, que agiu conosco segundo a sua misericórdia. 23Que ele nos dê um coração alegre, que ele conceda a paz aos nossos dias, em Israel, pelos séculos dos séculos. 24Que suas graças fiquem fielmente conosco e que em nossos dias ele nos resgate.

Provérbio numérico

25Há duas nações que minha alma detesta e uma terceira que nem sequer é nação: 26os habitantes da montanha de Seir, os filisteus e o povo estúpido que habita em Siquém.

Conclusão

27Uma instrução de sabedoria e ciência, eis o que gravou neste livro Jesus, filho de Sirac, Eleazar, de Jerusalém, que derramou como chuva a sabedoria de seu coração, 28Feliz o homem que a medita, o que a puser no seu coração será sábio. 29Se ele agir assim, será forte em todas as circunstâncias, porque a luz do Senhor é a sua pista.

Hino de ação de graças

51 1Eu te dou graças, Senhor, Rei, e louvo-te, Deus meu Salvador. Eu rendo graças a teu nome. 2Porque foste para mim um protetor e um sustentáculo e livraste meu corpo da ruína,do laço da má língua e dos lábios que fabricam a mentira; na presença dos que me rodeiam foste meu sustentáculo e me livraste, 3segundo a abundância de tua misericórdia e a glória de teu nome, das mordeduras dos que estão prestes a me devorar, das mãos dos que querem a minha vida, das inumeráveis provas que sofri, 4do sufocamento do fogo que me rodeava, do meio de um fogo que eu não acendi, 5das profundas entranhas do Xeol, da língua impura, da palavra mentirosa, — 6calúnia de uma língua injusta junto ao rei. Minha alma esteve perto da morte, minha vida desceu às portas do Xeol. 7Rodeavam-me por todos os lados, mas não havia quem me ajudasse; procurei pelo socorro dos homens e nada. 8Então lembrei-me de tua misericórdia, Senhor, e de tuas obras, desde toda eternidade, sabendo que tu livras os que esperam em ti, que tu os salvas das mãos de seus inimigos. 9E fiz subir da terra a minha oração, pedi para ser livre da morte. 10Invoquei o Senhor, pai de meu Senhor: “Não me abandones no dia da provação, no tempo dos orgulhosos e do abandono. Eu louvarei o teu nome continuamente e o cantarei no meu agradecimento.” 11E minha oração foi ouvida, tu me salvaste da ruína, livraste-me no tempo mau. 12Por isso eu te dou graças e te louvo e bendirei o nome do Senhor.

Poema sobre a procura da sabedoria

13Em minha juventude, antes de minhas viagens, procurei abertamente a sabedoria na oração;  14à porta do santuário apreciei-a e até meu último dia a procurarei. 15Na sua flor, como uva amadurecida, a meu coração colocava sua alegria. Meu pé avançou no caminho reto e desde a minha juventude a procurei. 16O pouco que inclinei meu ouvido, eu a recebi e encontrei muita instrução. 17Graças a ela progredi, glorificarei aquele que me deu a sabedoria. 18Porque decidi pô-la em prática, procurei ardentemente o bem, não serei confundido. 19Minha alma lutou para a possuir, observei atentamente a lei, estendi minhas mãos para o céu e deplorei minhas ignorâncias. 20Dirigi minha alma para ela e na pureza a encontrei; desde o princípio apliquei meu coração a ela, por isso não serei abandonado. 21Minhas entranhas se agitaram para a procurar, por isso fiz uma boa aquisição. 22O Senhor, em recompensa, deu-me uma língua com a qual o cantarei. 23Aproximai-vos de mim, ignorantes, entrai para a escola. 24Por que pretendeis vos privar destas coisas, quando vossas gargantas estão sedentas? 25Abro a boca para falar: comprai-a sem dinheiro,26colocai o vosso pescoço sob o jugo, recebam vossas almas a instrução, ela está perto, ao vosso alcance. 27Vede com os vossos olhos: como estou pouco cansado para conseguir tanto repouso. 28Comprai a instrução a preço de muito dinheiro, graças a ela ganhareis muito ouro. 29Que a vossa alma encontre sua alegria na misericórdia do Senhor, não vos envergonhareis de o louvar. 30Fazei a vossa obra antes do tempo fixado, e no dia fixado ele vos dará a vossa recompensa.

[Assinatura:]Sabedoria de Jesus, filho de Sirac.

SABEDORIA
ISAÍAS
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