CÂNTICO DOS CÂNTICOS

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ECLESIASTES
SABEDORIA

CÂNTICO DOS CÂNTICOS

Título e Prólogo

1 1O mais belo cântico de Salomão.

A AMADA 2Que me beije com beijos de sua boca! Teus amores são melhores do que o vinho, 3o odor dos teus perfumes é suave, teu nome é como um óleo escorrendo, e as donzelas se enamoram de ti… 4Arrasta-me contigo, corramos! Leva-me, ó rei, aos teus aposentos e exultemos! Alegremo-nos em ti! Mais que ao vinho, celebremos teus amores! Com razão se enamoram de ti…

Primeiro poema

A AMADA 5Sou morena, mas formosa, ó filhas de Jerusalém, como as tendas de Cedar e os pavilhões de Salma. 6Não olheis eu ser morena: foi o sol que me queimou; os filhos da minha mãe se voltaram contra mim, fazendo-me guardar as vinhas,e minha vinha, a minha… eu não a pude guardar. 7Avisa-me, amado de minha alma, onde apascentas, onde descansas o rebanho ao meio-dia, para que eu não vague perdida entre os rebanhos dos teus companheiros.

CORO 8Se não o sabes, ó mais bela das mulheres, segue o rastro das ovelhas, leva as cabras a pastar junto às tendas dos pastores.

O AMADO9Minha amada, eu te comparo à égua atrelada ao carro do Faraó! 10Que beleza tuas faces entre os brincos, teu pescoço, com colares! 11Far-te-emos pingentes de ouro cravejados de prata.

DUETO 12— Enquanto o rei está em seu divã meu nardo difunde seu perfume. 13Um saquinho de mirra é para mim meu amado repousando entre meus seios; 14meu amado é para mim um cacho de cipro florido entre as vinhas de Engadi. 15— Como és bela, minha amada, como és bela!… Teus olhos são pombas. 16— Como és belo, meu amado, e que doçura! Nosso leito é todo relva. 17— As vigas da nossa casa são de cedro, e seu teto, de ciprestes.

21— Sou um narciso de Saron, uma açucena dos vales. 2— Como açucena entre espinhos é minha amada entre as donzelas. 3— Macieira entre as árvores do bosque, é meu amado entre os jovens; à sua sombra eu quis assentar-me, com seu doce fruto na boca. 4Levou-me ele à adega e contra mim desfralda sua bandeira de amor. 5Sustentai-me com bolos de passas, dai-me forças com maçãs, oh! que estou doente de amor… 6Sua mão esquerda está sob minha cabeça, e com a direita me abraça. 7— Filhas de Jerusalém, pelas cervas e gazelas do campo, eu vos conjuro: não desperteis, não acordeis o amor, até que ele o queira!

Segundo poema

A AMADA 8A voz do meu amado! Vejam: vem correndo pelos montes, saltitando nas colinas! 9Como um gamo é meu amado… um filhote de gazela. Ei-lo postando-se atrás da nossa parede, espiando pelas grades, espreitando da janela. 10Fala o meu amado, e me diz: “Levanta-te, minha amada, formosa minha, vem a mim!11Vê o inverno: já passou! Olha a chuva: já se foi! 12As flores florescem na terra, o tempo da poda vem vindo, e o canto da rola está-se ouvindo em nosso campo. 13Despontam figos na figueira e a vinha florida exala perfume. Levanta, minha amada, formosa minha, vem a mim! 14Pomba minha, que se aninha nos vãos do rochedo, pela fenda dos barrancos… Deixa-me ver tua face, deixa-me ouvir tua voz, pois tua face é tão formosa e tão doce a tua voz!” 15Agarrai-nos as raposas, as raposas pequeninas que devastam nossas vinhas, nossas vinhas já floridas!… 16Meu amado é meu e eu sou dele, do pastor das açucenas! 17Antes que a brisa sopre e as sombras se debandem, volta! Sê como um gamo, amado meu, um filhote de gazela pelas montanhas de Beter.

3 1Em meu leito, pela noite, procurei o amado da minha alma. Procurei-o e não o encontrei! 2Vou levantar-me, vou rondar pela cidade, pelas ruas, pelas praças, procurando o amado da minha alma… Procurei-o e não o encontrei!… 3Encontraram-me os guardas que rondavam a cidade: “Vistes o amado da minha alma?” 4Passando por eles, contudo, encontrei o amado da minha alma. Agarrei-o e não vou soltá-lo, até levá-lo à casa da minha mãe, ao quarto da que me levou em seu seio.

O AMADO 5Filhas de Jerusalém, pelas cervas e gazelas do campo, eu vos conjuro; não desperteis, não acordeis o amor, até que ele o queira!

Terceiro poema

O POETA6Que é aquilo que sobe do deserto, como colunas de fumaça perfumada com incenso e mirra, e perfumes dos mercadores? 7É a liteira de Salomão! Sessenta soldados a escoltam, soldados seletos de todo Israel. 8São todos treinados na espada, provados em muitas batalhas. Vêm todos cingidos de espada, temendo surpresas noturnas. 9O rei Salomão fez para si uma liteira com madeira do Líbano, 10colunas de prata, encosto de ouro e assento de púrpura, forrada de ébano por dentro. 11Ó filhas de Sião, vinde ver o rei Salomão, com a coroa que lhe pôs sua mãe no dia de suas bodas, dia em que seu coração se enche de alegria.

O AMADO

4 1Como és bela, minha amada, como és bela!… São pombas teus olhos escondidos sob o véu. Teu cabelo… um rebanho de cabras ondulando pelas faldas de Galaad. 2Teus dentes… um rebanho tosquiado subindo após o banho, cada ovelha com seus gêmeos, nenhuma delas sem cria. 3Teus lábios são fita vermelha, tua fala melodiosa; metades de romã são teus seios mergulhados sob o véu. 4Teu pescoço é a torre de Davi, construída com defesas; dela pendem mil escudos e armaduras dos heróis. 5Teus seios são dois filhotes, filhos gêmeos de gazela, pastando entre açucenas. 6Antes que sopre a brisa e as sombras se debandem, vou ao monte da mirra, à colina do incenso.7És toda bela, minha amada, e não tens um só defeito! — 8Vem do Líbano, noiva minha, Vem do Líbano e faz tua entrada comigo. Desce do alto do Amaná, do cume do Sanir e do Hermon, esconderijo dos leões, montes onde rondam as panteras. 9Roubaste meu coração, minha irmã, noiva minha, roubaste meu coração com um só dos teus olhares, uma volta dos colares. 10Que belos são teus amores, minha irmã, noiva minha; teus amores são melhores do que o vinho, mais fino que os outros aromas é o odor dos teus perfumes. 11Teus lábios são favo escorrendo, ó noiva minha, tens leite e mel sob a língua, e o perfume de tuas roupas é como a fragrância do Líbano. 12És jardim fechado, minha irmã, noiva minha, és jardim fechado, uma fonte lacrada. 13Teus brotos são pomar5 de romãs com frutos preciosos: 14nardo e açafrão, canela, cinamomo e árvores todas de incenso,mirra e aloés, e os mais finos perfumes. 15A fonte do jardim é poço de água viva que jorra, descendo do Líbano!

A AMADA16Desperta, vento norte, aproxima-te, vento sul, soprai no meu jardim para espalhar seus perfumes. Entre o meu amado em seu jardim e coma de seus frutos saborosos!

O AMADO

5 1Já vim ao meu jardim, minha irmã, noiva minha, colhi minha mirra e meu bálsamo, comi meu favo de mel, bebi meu vinho e meu leite. Comei e bebei, companheiros, embriagai-vos, meus caros amigos!

Quarto poema

A AMADA2Eu dormia, mas meu coração velava e ouvi o meu amado que batia: “Abre, minha irmã, minha amada, pomba minha sem defeito! Tenho a cabeça orvalhada, meus cabelos gotejam sereno!” 3“Já despi a túnica, e vou vesti-la de novo? Já lavei meus pés, e vou sujá-los de novo?” 4Meu amado põe a mão pela fenda da porta: as entranhas me estremecem, minha alma, ouvindo-o, se esvai. 5Ponho-me de pé para abrir ao meu amado: minhas mãos gotejam mirra, meus dedos são mirra escorrendo na maçaneta da fechadura. 6Abro ao meu amado, mas o meu amado se foi… Procuro-o e não o encontro. Chamo-o e não me responde… 7Encontraram-me os guardas que rondavam a cidade. Bateram-me, feriram-me, tomaram-me o manto as sentinelas das muralhas! 8Filhas de Jerusalém, eu vos conjuro: se encontrardes o meu amado, que lhe direis?… Dizei que estou doente de amor!

CORO 9Que é teu amado mais que os outros, ó mais bela das mulheres? Que é teu amado mais que os outros, para assim nos conjurares?

A AMADA10Meu amado é branco e rosado, saliente entre dez mil. 11Sua cabeça é ouro puro, uma copa de palmeira seus cabelos, negros como o corvo. 12Seus olhos… são pombas à beira de águas correntes: banham-se no leite e repousam na margem. 13Suas faces são canteiros de bálsamo, colinas de ervas perfumadas; seus lábios são lírios com mirra, que flui e se derrama. 14Seus braços são torneados em ouro incrustado com pedras de Társis.Seu ventre é um bloco de marfim cravejado com safiras. 15Suas pernas, colunas de mármore firmadas em bases de ouro puro. Seu aspecto é o do Líbano altaneiro, como um cedro. 16Sua boca é muito doce… Ele todo é uma delícia! Assim é meu amigo, assim o meu amado, ó filhas de Jerusalém.

CORO

61Onde anda o teu amado, , ó mais bela das mulheres? Aonde foi o teu amado? Iremos buscá-lo contigo!

A AMADA2Meu amado desceu ao seu jardim, aos terrenos das balsameiras, foi pastorear nos jardins e colher açucenas. 3Eu sou do meu amado, e meu amado é meu, o pastor das açucenas.

Quinto poema

O AMADO 4És bonita, minha amiga, és como Tersa, formosa como Jerusalém, és terrível como esquadrão com bandeiras desfraldadas. 5Afasta de mim teus olhos, que teus olhos me perturbam! Teu cabelo é um rebanho de cabras ondulando pelas faldas de Galaad; 6teus dentes… um rebanho tosquiado subindo após o banho, cada ovelha com seus gêmeos, nenhuma delas sem cria.7Metades de romã são teus seios mergulhados sob o véu. 8Que sejam sessenta as rainhas, e oitenta as concubinas: (e as donzelas… sem conta:)9uma só é minha pomba sem defeito, uma só a preferida pela mãe que a gerou. Vendo-a, felicitam-na as jovens, louvam-na rainhas e concubinas: 10“Quem é essa que desponta como a aurora, bela como a lua, fulgurante como o sol, terrível como esquadrão com bandeiras desfraldadas?” 11Desci ao jardim das nogueiras para ver os brotos dos vales, ver se a videira florescia, se os botões das romeiras se abriam, 12e, sem o saber, coloquei-me sobre os carros de Aminadib!

CORO

7 1Volta-te, volta-te. Sulamita, volta-te, volta-te… queremos te contemplar!

SULAMITA“Que olhais na Sulamita, quando baila entre dois coros?”

O AMADO 2Os teus pés… como são belos nas sandálias, ó filha de nobres; as curvas dos teus quadris, que parecem colares, obras de um artista. 3Teu umbigo… essa taça redonda onde o vinho nunca falta; teu ventre, monte de trigo rodeado de açucenas; 4teus seios, dois filhotes, filhos gêmeos de gazela; 5teu pescoço, uma torre de marfim; teus olhos, as piscinas de Hesebon junto às portas de Bat-Rabim. Teu nariz, como a torre do Líbano voltada para Damasco; 6tua cabeça que se alteia como o Carmelo, e teus cabelos cor de púrpura, enlaçando um rei nas tranças. 7Como és bela, quão formosa, que amor delicioso! 8Tens o talhe da palmeira, e teus seios são os cachos. 9Pensei: “Vou subir à palmeira para colher dos seus frutos!” Sim, teus seios são cachos de uva, e o sopro das tuas narinas perfuma como o aroma das maçãs. 10Tua boca é um vinho delicioso que se derrama na minha molhando-me lábios e dentes.

A AMADA11Eu sou do meu amado, seu desejo o traz a mim. 12Vem, meu amado, vamos ao campo, pernoitemos sob os cedros; 13madruguemos pelas vinhas, vejamos se a vinha floresce, se os botões estão se abrindo, se as romeiras vão florindo: lá te darei meu amor…14As mandrágoras exalam seu perfume; à nossa porta há de todos os frutos: frutos novos, frutos secos, que eu tinha guardado, meu amado, para ti.

8 1Ah! Se fosses meu irmão, amamentado aos seios da minha mãe!Encontrando-te fora, eu te beijaria, sem ninguém me desprezar; 2eu te levaria, te introduziria na casa de minha mãe, e tu me iniciarias; dar-te-ia a beber vinho perfumado e licor de minhas romeiras. 3Sua mão esquerda está sob minha cabeça, e com a direita me abraça.

O AMADO4Filhas de Jerusalém, eu vos conjuro: não desperteis, não acordeis o amor, até que ele o queira!

Epílogo

5Quem é essa que sobe do deserto apoiada em seu amado? Sob a macieira te despertei, lá onde tua mãe te concebeu, concebeu e te deu à luz.

A AMADA6Grava-me, como um selo em teu coração, como um selo em teu braço; pois o amor é forte, é como a morte! Cruel como o abismo é a paixão; suas chamas são chamas de fogo uma faísca de Iahweh! 7As águas da torrente jamais poderão apagar o amor, nem os rios afogá-lo. Quisesse alguém dar tudo o que tem para comprar o amor… Seria tratado com desprezo.

Apêndices

Dois epigramas 8Nossa irmã é pequenina e ainda não tem seios; que faremos à nossa irmãzinha quando vierem pedi-la? 9Se é uma muralha, nela faremos ameias de prata, e se é uma porta, nela poremos pranchas de cedro. 10Eu sou muralha — e meus seios são torres, aos seus olhos, porém, sou a mensageira da paz. 11Salomão tinha uma vinha em Baal-Hamon: deu a vinha aos meeiros e cada um lhe traz de seu fruto mil siclos de prata. 12Minha vinha é só minha; para ti, Salomão, os mil siclos, e duzentos aos que guardam seu fruto.

Últimas adições 13Tu que habitas nos jardins, meus amigos te ouvem atentos: faze-me ouvir tua voz! 14Foge logo, ó meu amado, como um gamo, um filhote de gazela pelos montes perfumados…

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